6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Habitat quente faz animais aquáticos terem tamanho menor, diz estudo

Cientistas compararam 169 animais de espécies diferentes para pesquisa.
Estudo diz que redução ocorre porque há menos oxigênio no mar que no ar.

Temperaturas mais altas fazem com que animais aquáticos cresçam até um tamanho menor do que o normal quando atingem a fase adulta, segundo estudo conjunto das universidades de Londres e de Liverpool, no Reino Unido, divulgado nesta segunda-feira (5).

Os cientistas compararam o tamanho de 169 animais terrestres, marinhos e de água doce de várias espécies na fase adulta, submetidos a temperaturas diferentes. Os seres aquáticos “encolheram” numa proporção dez vezes maior do que os terrestres de tamanho similar em ambientes muito aquecidos, aponta um dos autores da pesquisa, o cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres. O efeito ocorre principalmente em animais com tamanho próximo ao de insetos e pequenos peixes.

“Enquanto animais aquáticos têm seu tamanho reduzido em 5% para cada grau Celsius de aquecimento, espécies de mesmo tamanho que vivem na terra encolhem, em média, 0,5%”, disse Hirst no estudo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (5) no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”, na sigla em inglês).

O estudo afirma que a causa mais provável para essa diferença de tamanho entre espécies submetidas a habitats quentes ocorre porque na água a disponibilidade de oxigênio é bem menor do que na atmosfera.

Segundo os cientistas, quando a temperatura sobe no ambiente, a necessidade de oxigênio pelos organismos cresce – e é muito mais difícil para animais aquáticos obtê-lo do que para terrestres, diz a pesquisa.

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos animais pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

Fonte: Globo Natureza


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa confirma que aumento de C02 inicia aquecimento

Caiu um dos últimos bastiões dos que argumentam que a queima de combustíveis fósseis não aquece a Terra.

O problema, diziam os céticos, é que o CO2 liberado por essa queima não parecia ser o causador de mais calor no planeta em épocas geológicas anteriores. A ordem parecia ser inversa: primeiro a Terra esquentava e só depois a atmosfera recebia mais CO2.

“A aparente contradição tem a ver com a maneira como a neve se deposita”, afirma o paleoclimatólogo Cristiano Chiessi, da USP.

Explica-se: os principais registros sobre o clima do passado vêm de cilindros de gelo obtidos na Antártida. Em lugares de neves eternas, essa “biblioteca” gelada alcança centenas de milênios.

A composição do gelo dá pistas sobre a temperatura na época em que a neve caiu, enquanto bolhas de ar presas na massa gelada indicam quanto CO2 havia no ar.

“O problema é que essas coisas acontecem em ritmo diferente. Quando a neve cai, ela fica muito tempo permeável ao ar acima dela. Demora para as bolhas se formarem”, diz Chiessi.

Resultado: os modelos indicavam que o ar preso nas bolhas sempre é mais “novo” que o gelo ao lado. Assim, não dava para saber qual tinha sido a ordem dos acontecimentos, num verdadeiro problema de ovo e galinha.

Um artigo na revista “Nature” do mês passado, assinado por Jeremy Shakun, da Universidade Harvard, contornou isso unindo os dados da Antártida a outros registros pelo mundo. A pesquisa mostra que, no fim da última era glacial, a ordem foi mesmo mais CO2 primeiro e temperatura aumentada depois.

Detalhe importante: em cem anos, os níveis de CO2 atmosféricos aumentaram na mesma proporção que todo o incremento em 10 mil anos no fim da última fase glacial.

O que uma mudança dessas pode causar além de mais calor? Uma pista está num estudo coordenado por Maria Assunção da Silva Dias, também da USP, que viu um aumento de um terço na chuva da Grande São Paulo em menos de um século.

Boa parte disso tem a ver com fatores naturais e com o excesso de prédios da metrópole. “Mas a mudança lembra um ensaio do que se espera que venha no futuro, com mais eventos extremos”, diz Silva Dias -como tempestades na estação seca, antes inexistentes, e mais temporais como um todo.

Fonte: Folha.com


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Impacto do aquecimento global nas plantas pode estar subestimado

Observações feitas em condições naturais mostram que os efeitos do aquecimento global em plantas são muito maiores do que experimentos artificiais sugerem

Um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature revela que experiências que tentam simular o impacto do aquecimento global nas plantas subestimam o que acontece no mundo real. A pesquisa apoia observações feitas por fazendeiros e jardineiros, especialmente no Hemisfério Norte, segundo os quais plantas sazonais estão florescendo muito mais cedo do que no passado.

Experimentos artificiais sobre o aquecimento global costumam ser feitos com plantas em uma câmara similar a uma estufa sem tampa ou uma tenda com um pequeno aquecedor para replicar os efeitos do aumento da temperatura.

Estes experimentos mostraram que a florada e a folheação – surgimento de flores e folhas, respectivamente – ocorrem entre 1,9 e 3,3 dias mais cedo para cada 1 grau Celsius de elevação da temperatura. O novo estudo mostra que o número exato é muito maior: as plantas começam a desenvolver folhas e flores entre 2,5 e 5 dias antes a cada aumento de 1 grau Celsius na temperatura.

Esses dados foram encontrados a partir de observações feitas a longo prazo com 1.634 espécies de plantas na natureza e realizadas por 20 instituições de América do Norte, Japão e Austrália.

“Até agora, presumia-se que sistemas experimentais responderiam da mesma forma que os sistemas naturais respondem, mas não é o que acontece”, explicou em um comunicado o coautor da pesquisa, Benjamin Cook, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.

Estimativas conservadoras — De acordo com a pesquisa, os métodos experimentais podem falhar porque reduzem luz, vento ou umidade do solo, que afetam a maturidade da planta.

Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007, as temperaturas da superfície do globo subiram 0,74 grau Celsius entre 1906 e 2005.

Acredita-se que as tendências atuais de emissões de carbono, um dos fatores que causam o aumento da temperatura no globo, devem provocar uma elevação de 2 graus Celsius na temperatura da Terra ao longo do século XXI.

Para alguns especialistas, estas estimativas são conservadoras. Eles afirmam que muitos locais estão esquentando muito mais rápido do que a média do planeta.

“A floração das cerejeiras, em Washington, um fenômeno meticulosamente registrado e celebrado, se antecipou em cerca de uma semana desde os anos 1970″, destacou o comunicado, publicado pelo Instituto da Terra, da Universidade de Columbia.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Produção de plantas ornamentais em Guaratiba, plantação de Ruth Sebastiana Nunes, pequena produtora da região

Aquecimento global influencia o tempo de surgimento de flores e folhas (Marcos Michael)

Fonte: Veja Ciência


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Parques eólicos modificam temperatura do solo

Cientistas fizeram medições na região do Texas, onde milhares de turbinas foram construídas.

Um estudo realizado no Texas mostrou que parques eólicos podem afetar o clima em seu entorno, elevando as temperaturas noturnas no solo. O resultado, publicado na revista “Nature Climate Change”, confirma uma pesquisa realizada há mais tempo, em 2010. Os cientistas acreditam que o efeito é causado pelas turbinas que jogam ar relativamente quente no solo. E sugerem que as turbinas em outro locais podem não produzir o mesmo nível de mudança.

 

A região que foi estudada, no centro-oeste do Texas, viveu um importante programa de construção de turbinas na metade da última década, com o número passando de apenas 111 em 2003 para 2325 apenas seis anos depois. Os pesquisadores usaram dados de satélites da Nasa para medir a temperatura na região estudada entre o começo e o fim do boom da construção dos parques eólicos, definindo a diferença entre a média do período entre 2003 e 2005 e de 2009 a 2011.

 

Toda a região registrou um aumento, mas isso ficou mais perceptível no entorno dos parques. Os pesquisadores procuraram outros fatores que poderiam ter afetado os resultados, como mudanças na vegetação, mas descobriram que elas eram muito pequenas para produzir a mudança observada. O processo não foi uniforme. Os pesquisadores afirmam que o efeito é equivalente a um aquecimento de cerca de 0,72 C por década.

 

Reconhecendo que o resultado pode ser mal interpretado, como se estivesse sugerindo que a temperatura local vai continuar aumentando, o cientista que liderou o estudo Liming Zhou alerta: “A tendência de aquecimento estimada só se aplica à região de estudo e para o período de estudo, e, portanto, não deve ser extrapolada diretamente para outras regiões ou períodos mais longos. Para um determinado parque eólico, o efeito do aquecimento provavelmente atingiu um limite, em vez de continuar a aumentar, se novas turbinas não forem adicionadas.”

 

À noite, o ar acima do nível do solo tende a ser mais quente do que no chão. Zhou e seus colegas acreditam que as pás das turbinas agiram o ar, misturando o ar quente e o ar frio, e levando o mais aquecido para o solo. “Os resultados me parecem muito sólidos”, comentou Steven Sherwood, professor do Centro do Pesquisa sobre Mudanças Climáticas da Universidade de New South Wales, na Austrália, em entrevista à BBC. “As temperaturas durante o dia não parecem ser afetadas. Isso faz sentido, e esta mesma estratégia geralmente é usada por fruticultores que usam voos de helicópteros sobre seus pomares para combater as geadas matinais.”

 

O estudo de 2010 usou dados de um único local e modelagens computacionais para mostrar que as turbinas eólicas podem produzir aquecimento local.

Fonte: O Globo


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Altura de nuvens diminui e pode ajudar a baixar temperaturas

Pesquisa da Universidade de Auckland publicada na revista Geophysical Research Letters indica que na primeira década dos anos 2000 a altura média das nuvens diminuiu cerca de 1%, ou seja, entre 30 e 40 metros, e que isso pode ocasionar um processo de resfriamento do clima da Terra.

Para se chegar a essa conclusão, foram analisados dados do satélite Terra, da Nasa. Os resultados até agora mostram um complexo padrão de diminuição e elevação da altitude das nuvens em algumas regiões do globo, devido, principalmente, a fenômenos como La Niña e El Niño no Pacífico. Depois de avaliadas todas as diferenças, contudo, a tendência geral foi de diminuição.

Até recentemente, era impossível medir a alteração de altura das nuvens, o que impedia que se compreendesse a contribuição delas para a mudança climática global. “É a primeira vez que conseguimos medir com precisão a variação da altura das nuvens no planeta. Apesar de os dados ainda serem muito curtos para serem considerados definitivos, eles já fornecem um indício de que algo de muito importante está acontecendo”, explica o professor Roger Davies, pesquisador-chefe do projeto.

Efeitos em longo prazo – Uma redução consistente na altura das nuvens permitiria à Terra resfriar a temperatura na superfície de forma mais eficiente, retardando potencialmente os efeitos do aquecimento global. Para que se compreenda isso de uma maneira mais consistente, o satélite Terra seguirá coletando dados até o fim da década.

“Ainda não sabemos exatamente o que faz a altura das nuvens baixar. Se as nuvens voltarem ao nível anterior nos próximos 10 anos poderemos concluir que elas não estão influenciando nas mudanças climáticas. Mas se continuarem baixando, será algo muito significativo. Estamos ansiosos para a extensão do registro do clima”, completa o professor Davies.

Fonte: Portal Terra


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Groenlândia seria mais sensível ao aquecimento do que se pensava

Aumento pequeno de temperatura derreteria todo o gelo no longo prazo.
Elevação de 2ºC, limite sugerido pela ONU, provocaria degelo em 50 mil anos.

A cobertura de gelo da Groenlândia está mais sensível ao aquecimento global do que se pensava. Uma elevação relativamente pequena da temperatura no longo prazo derreteria o gelo completamente, segundo estudo publicado na revista “Nature Climate Change”, neste domingo (11).

Pesquisas anteriores sugeriram que seria necessário um aquecimento de pelo menos 3,1 º C acima dos níveis pré-industriais, , em uma faixa de 1,9ºC a 5,1º C, para derreter completamente a camada de gelo. Mas novas estimativas estabelecem o limite em 1,6 º C em uma faixa de 0,8 º C a 3,2 º C, embora esta temperatura tenha que ser mantida por dezenas de milhares de anos para apresentar este efeito.

Groenlândia é, depois da Antártica, a maior reserva de água congelada em terra. Se derreter completamente, provocará uma elevação do nível do mar em 7,2 metros, encharcando deltas e terras baixas.

Segundo o estudo, se o aquecimento global se limitar a 2 º C, uma meta estabelecida em negociações climáticas da ONU, o derretimento completo aconteceria em uma escala de tempo de 50 mil anos.

Acima de 2ºC
As emissões atuais de carbono, no entanto, situam o aquecimento muito além desta meta. Se não forem controladas, um quinto da cobertura de gelo derreteria no prazo de 500 anos. Em 2 mil anos, seria extinta, segundo o estudo.

O estudo foi feito por cientistas do Instituto Postdam de Pesquisa sobre o Impacto do Clima (PIK) e da Universidade Complutense de Madri. Segundo eles, o risco de perda total do gelo parece remota, em vista da imensa escala de tempo, porém alertaram que suas descobertas contestam muitas suposições sobre a estabilidade da cobertura de gelo com relação ao aquecimento no longo prazo.

A atmosfera terrestre já se aqueceu 0,8 º C desde o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, e o dióxido de carbono emitido hoje ainda perdurará por séculos. A cobertura de gelo é vulnerável a um tipo de círculo vicioso, também conhecido como “feedback positivo”, que impulsiona o derretimento, segundo o artigo.

Derretimento
Chegando a 3.000 metros de espessura em alguns lugares, a cobertura de gelo se beneficia hoje do efeito protetor de altitudes maiores e mais frias. Mas quando derrete, a superfície desce para altitudes mais baixas, com temperaturas mais elevadas, demonstra o modelo de computador.

Além disso, porções de terra expostas pelo gelo absorvem radiação por serem mais escuras e não refletirem a luz. À medida que se aquecem, elas ajudam a derreter o gelo em seus arredores.

“Nosso estudo demonstra que, sob certas condições, o derretimento da cobertura de gelo da Groenlândia se torna irreversível. Isto sustenta a noção de que a cobertura de gelo é um elemento preponderante no sistema terrestre”, disse Andrey Ganopolski, cientista do PIK.

“Se a temperatura global superar o limiar significativamente a longo prazo, o gelo continuará a derreter e não se recuperará, mesmo se o clima voltar, após milhares de anos, aos níveis pré-industriais”, acrescentou.

Foto tirada em 12 de julho e liberada pelo Greenpeace mostra seção no glaciar Petermann. Um pedaço gigantesco de gelo, de 260 quilômetros quadrados, se soltou da geleira na Groelândia.   (Foto: AFP)

Mesmo um pequeno aumento de temperatura provocaria derretimento de toda a cobertura de gelo da Groenlândia (Foto: AFP)

Fonte: Da France Presse


24 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Calor fez primeiros cavalos surgirem com o tamanho de cachorros

Animais reduziram ainda mais durante aquecimento global pré-histórico.
O ‘Sifrhippus’ chegou a pesar menos de 4kg.

Quando os cavalos surgiram, há mais de 50 milhões de anos, nas florestas da América do Norte, eles eram do tamanho de cachorros — pesavam, em média, 5,6 kg. Foram as mudanças de temperatura que os transformaram nos grandes animais que conhecemos hoje, segundo uma pesquisa publicada na edição desta sexta-feira (24) pela revista “Science”.

Sifrhippus, como é chamado esse cavalo pré-histórico, viveu em um tempo em que a Terra tinha condições meteorológicas muito diferentes — ela era bem mais quente. O auge da temperatura foi uma fase conhecida como “máximo térmico do paleoceno-eoceno”. Em cerca de 175 mil anos, a temperatura subiu mais de cinco graus Celsius.

Uma Terra mais quente é uma Terra também com recursos mais escassos. Para se adaptar, um terço dos mamíferos diminuíram de tamanho.

Isso também aconteceu com o cavalo, que ficou ainda menor quando passou por essa era. Nos primeiros 130 mil anos dessa era, chegou a ter menos de 4 kg — como um pequeno gato de estimação.

Quando a Terra começou a esfriar novamente, nos últimos 45 mil anos, o cavalo voltou a crescer e chegou a atingir 6,8 kg no fim do período. Era o começo do estirão que o levaria ao tamanho atual.

“Isso tem implicações, potencialmente, para o que podemos esperar ver no próximo século ou dois, pelo menos com alguns modelos climáticos que prevêem que o aquecimento será de até quatro graus Celsius nos próximos cem anos”, afirmou Ross Secord, da Universidade de Nebraska, em Lincoln, nos EUA, um dos autores do estudo.

Ilustração compara o 'Sifrhippus', à direita, com o cavalo moderno (Foto: Danielle Byerley, Museu de História Natural da Flórida)

Ilustração compara o 'Sifrhippus', à direita, com o cavalo moderno (Foto: Danielle Byerley, Museu de História Natural da Flórida)

Fonte: G1, informações da AFP


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pássaros são menos fiéis em temperaturas extremas ou instáveis

Aquecimento global deve afetar comportamento sexual das aves.
Dados são de estudo publicado pela revista científica ‘PLoS One’.

A mudança climática influi sobre a vida selvagem de várias maneiras. A lista de aspectos afetados vai desde o habitat dos ursos polares até a fidelidade das aves. Um estudo publicado nesta quinta-feira (16) pela revista científica “PLoS One” mostra que as aves monogâmicas passam a procurar outros parceiros sexuais com mais frequência se a temperatura atinge condições extremas ou incertas.

A pesquisa foi feita com centenas de espécies de aves, incluindo andorinhas, pardais, patos, gansos e gaivotas. Os cientistas estudaram os hábitos desses animais no cuidado com os filhotes, verificando se os casais trabalham em conjunto ou não.

Depois, eles cruzaram esses dados com os registros de temperatura e chuvas. Assim, eles descobriram que as aves que vivem em regiões de temperatura mais instável traem seus parceiros com mais frequência.

Segundo o autor Carlos Botero, da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos EUA, a promiscuidade vale a pena quando a temperatura atinge condições extremas. Procriar com diferentes parceiros garante a diversidade genética dos filhotes, e isso aumenta a chance de que pelo menos um deles se adapte bem ao clima que enfrentar.

Além disso, cada ambiente favorece um tipo de animal diferente – na busca por alimentos, por exemplo. Um bom parceiro no verão pode ser ruim no inverno. Quando isso acontece, aumenta a chance de que um animal simplesmente abandone o outro, e cresce o número de “divórcios” entre as aves em climas instáveis.

Como nada disso é consciente, Botero disse é possível que isso também afete os humanos, embora ainda não haja nenhuma evidência científica.

Pesquisa foi feita com pássaros mandarins na Alemanha. (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico)

Casal de pássaros mandarins (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico/arquivo)

Fonte: Globo Natureza


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Oito orcas são avistadas no litoral de Santa Catarina

Pelo menos oito orcas foram avistadas no litoral de Santa Catarina nesta semana entre o litoral de Bombinhas, Norte de Florianópolis e a Ilha do Arvoredo. Os animais, conhecidos popularmente no cinema como “baleias-assassinas”, são na verdade da família dos golfinhos e surpreenderam os mergulhadores ao aparecer em uma região de águas quentes.

A tripulação da operadora Patadacobra, de Bombinhas, voltava de um mergulho na Ilha de Arvoredo quando avistou sete orcas próximo à praia. A fotógrafa e estudante de Biologia Vanuza Borges conseguiu registrar os animais que, ela imagina, sejam uma família. “Pelo tamanho da barbatana dorsal de uma delas, imaginamos que seja macho. Outros eram filhotes, o que nos pareceu ser uma família.”

Próximo a Ponta das Canas, no Norte da Ilha de Santa Catarina, mergulhadores de outra operadora, a Acquanauta, avistaram um outro exemplar de orca. Ela emergiu próximo ao barco e deixou a tripulação surpresa. O instrutor de mergulho Cristiano Santos disse que foi tão rápido que não deu para registrá-la em foto.

“Eu nunca tinha visto uma na minha vida. Ela é linda. Estava a 800 metros da orla da praia. Desligamos o barco, mas ela se assustou e fugiu.”

O instrutor imagina que a temperatura da água do mar, mais gelada que o normal, tenha atraído as orcas. Segundo ele, há pontos do litoral que já a 6 metros de profundidade a temperatura chega a 15ºC. Com águas de superfície em torno de 25ºC e 26ºC, o litoral catarinense costuma receber mais comumente as baleias franca. Mesmo assim, a ocorrência de orcas não é rara, garante a diretora do Projeto Baleia Franca Karina Groch.

“Elas são mais comuns na região Sudeste onde aparecem com frequência em busca de alimentos. Provavelmente não encontraram lá e vieram para cá.”

Em 2010, um grupo de pescadores que navegava entre as praias dos Ingleses e Santinho flagrou um grupo de cinco orcas.

Cuidados – A aproximação das embarcações deve respeitar uma Portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que determina as principais regras e cuidados:

- Para se aproximar, o motor da embarcação tem que ser desligado ou mantido em neutro a, pelo menos, 100 metros de distância.

- A embarcação nunca deve se colocar entre uma mãe e seu filhote.

- A aproximação tem que ser lateral, ou seja, não se pode cortar o caminho de um animal.

- Se o animal se afastar, não se pode persegui-lo.

- Para se afastar após uma aproximação, a embarcação só pode religar ou reengrenar o motor se os animais estiverem claramente visíveis, e a pelo menos 50 metros de distância.

Fonte: Diário Catarinense


28 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Mudança climática tem relação com evolução de animais pré-históricos

Fósseis podem ajudar a compreender como aquecimento nos influencia.
Estudo foi publicado pela revista científica ‘PNAS’.

Os parentes do rinoceronte retratados na imagem são os brontotérios, que viveram entre 56 milhões e 34 milhões de anos (Foto: Carl Buell/Cortesia)

Os parentes do rinoceronte retratados na imagem são os brontotérios, que viveram entre 56 milhões e 34 milhões de anos (Foto: Carl Buell/Cortesia)

Apesar de ter entrado em evidência só nos últimos anos, a mudança global é um fator determinante para a natureza desde muito, muito tempo. Nos últimos 65 milhões de anos, pelo menos seis espécies diferentes tiveram sua sorte determinada por alterações na temperatura, segundo um estudo publicado na edição online desta segunda-feira (26) da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”.

Desde que os dinossauros desapareceram, o domínio da Terra vem sendo revezado por diferentes grupos de mamíferos, que atingiram o auge e decaíram. Essas ondas consecutivas de diversidade de espécies de mamíferos são chamadas de “faunas evolucionárias”.

“Nós mostramos que a ascensão e queda dessas faunas estão, de fato, correlacionadas à mudança climática – aumento ou diminuição das paleotemperaturas globais – e também é influenciada por outras perturbações mais locais, como eventos migratórios”, diz Christine Janis, uma das autoras do estudo, em material divulgado pela Universidade Brown, em Providence, nos EUA, onde ela trabalha.

A pesquisa pode ajudar os cientistas a entender melhor a relação entre a evolução e a mudança climática, mas não ainda deve permitir previsões específicas para o futuro, com a perspectiva de aumento constante da temperatura, sob influência humana, segundo Janis.

“Tais perturbações, relacionadas à mudança climática antropogênica, estão atualmente desafiando a fauna de todo o mundo, enfatizando a importância do registro fóssil para a nossa compreensão de como os eventos do passado afetaram a história da diversificação e extinção da fauna e, portanto, de como as mudanças climáticas do futuro continuarão a influenciar a vida na Terra”, conclui o artigo.

Fonte: G1, São Paulo


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6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Habitat quente faz animais aquáticos terem tamanho menor, diz estudo

Cientistas compararam 169 animais de espécies diferentes para pesquisa.
Estudo diz que redução ocorre porque há menos oxigênio no mar que no ar.

Temperaturas mais altas fazem com que animais aquáticos cresçam até um tamanho menor do que o normal quando atingem a fase adulta, segundo estudo conjunto das universidades de Londres e de Liverpool, no Reino Unido, divulgado nesta segunda-feira (5).

Os cientistas compararam o tamanho de 169 animais terrestres, marinhos e de água doce de várias espécies na fase adulta, submetidos a temperaturas diferentes. Os seres aquáticos “encolheram” numa proporção dez vezes maior do que os terrestres de tamanho similar em ambientes muito aquecidos, aponta um dos autores da pesquisa, o cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres. O efeito ocorre principalmente em animais com tamanho próximo ao de insetos e pequenos peixes.

“Enquanto animais aquáticos têm seu tamanho reduzido em 5% para cada grau Celsius de aquecimento, espécies de mesmo tamanho que vivem na terra encolhem, em média, 0,5%”, disse Hirst no estudo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (5) no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”, na sigla em inglês).

O estudo afirma que a causa mais provável para essa diferença de tamanho entre espécies submetidas a habitats quentes ocorre porque na água a disponibilidade de oxigênio é bem menor do que na atmosfera.

Segundo os cientistas, quando a temperatura sobe no ambiente, a necessidade de oxigênio pelos organismos cresce – e é muito mais difícil para animais aquáticos obtê-lo do que para terrestres, diz a pesquisa.

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos animais pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

Fonte: Globo Natureza


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa confirma que aumento de C02 inicia aquecimento

Caiu um dos últimos bastiões dos que argumentam que a queima de combustíveis fósseis não aquece a Terra.

O problema, diziam os céticos, é que o CO2 liberado por essa queima não parecia ser o causador de mais calor no planeta em épocas geológicas anteriores. A ordem parecia ser inversa: primeiro a Terra esquentava e só depois a atmosfera recebia mais CO2.

“A aparente contradição tem a ver com a maneira como a neve se deposita”, afirma o paleoclimatólogo Cristiano Chiessi, da USP.

Explica-se: os principais registros sobre o clima do passado vêm de cilindros de gelo obtidos na Antártida. Em lugares de neves eternas, essa “biblioteca” gelada alcança centenas de milênios.

A composição do gelo dá pistas sobre a temperatura na época em que a neve caiu, enquanto bolhas de ar presas na massa gelada indicam quanto CO2 havia no ar.

“O problema é que essas coisas acontecem em ritmo diferente. Quando a neve cai, ela fica muito tempo permeável ao ar acima dela. Demora para as bolhas se formarem”, diz Chiessi.

Resultado: os modelos indicavam que o ar preso nas bolhas sempre é mais “novo” que o gelo ao lado. Assim, não dava para saber qual tinha sido a ordem dos acontecimentos, num verdadeiro problema de ovo e galinha.

Um artigo na revista “Nature” do mês passado, assinado por Jeremy Shakun, da Universidade Harvard, contornou isso unindo os dados da Antártida a outros registros pelo mundo. A pesquisa mostra que, no fim da última era glacial, a ordem foi mesmo mais CO2 primeiro e temperatura aumentada depois.

Detalhe importante: em cem anos, os níveis de CO2 atmosféricos aumentaram na mesma proporção que todo o incremento em 10 mil anos no fim da última fase glacial.

O que uma mudança dessas pode causar além de mais calor? Uma pista está num estudo coordenado por Maria Assunção da Silva Dias, também da USP, que viu um aumento de um terço na chuva da Grande São Paulo em menos de um século.

Boa parte disso tem a ver com fatores naturais e com o excesso de prédios da metrópole. “Mas a mudança lembra um ensaio do que se espera que venha no futuro, com mais eventos extremos”, diz Silva Dias -como tempestades na estação seca, antes inexistentes, e mais temporais como um todo.

Fonte: Folha.com


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Impacto do aquecimento global nas plantas pode estar subestimado

Observações feitas em condições naturais mostram que os efeitos do aquecimento global em plantas são muito maiores do que experimentos artificiais sugerem

Um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature revela que experiências que tentam simular o impacto do aquecimento global nas plantas subestimam o que acontece no mundo real. A pesquisa apoia observações feitas por fazendeiros e jardineiros, especialmente no Hemisfério Norte, segundo os quais plantas sazonais estão florescendo muito mais cedo do que no passado.

Experimentos artificiais sobre o aquecimento global costumam ser feitos com plantas em uma câmara similar a uma estufa sem tampa ou uma tenda com um pequeno aquecedor para replicar os efeitos do aumento da temperatura.

Estes experimentos mostraram que a florada e a folheação – surgimento de flores e folhas, respectivamente – ocorrem entre 1,9 e 3,3 dias mais cedo para cada 1 grau Celsius de elevação da temperatura. O novo estudo mostra que o número exato é muito maior: as plantas começam a desenvolver folhas e flores entre 2,5 e 5 dias antes a cada aumento de 1 grau Celsius na temperatura.

Esses dados foram encontrados a partir de observações feitas a longo prazo com 1.634 espécies de plantas na natureza e realizadas por 20 instituições de América do Norte, Japão e Austrália.

“Até agora, presumia-se que sistemas experimentais responderiam da mesma forma que os sistemas naturais respondem, mas não é o que acontece”, explicou em um comunicado o coautor da pesquisa, Benjamin Cook, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.

Estimativas conservadoras — De acordo com a pesquisa, os métodos experimentais podem falhar porque reduzem luz, vento ou umidade do solo, que afetam a maturidade da planta.

Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007, as temperaturas da superfície do globo subiram 0,74 grau Celsius entre 1906 e 2005.

Acredita-se que as tendências atuais de emissões de carbono, um dos fatores que causam o aumento da temperatura no globo, devem provocar uma elevação de 2 graus Celsius na temperatura da Terra ao longo do século XXI.

Para alguns especialistas, estas estimativas são conservadoras. Eles afirmam que muitos locais estão esquentando muito mais rápido do que a média do planeta.

“A floração das cerejeiras, em Washington, um fenômeno meticulosamente registrado e celebrado, se antecipou em cerca de uma semana desde os anos 1970″, destacou o comunicado, publicado pelo Instituto da Terra, da Universidade de Columbia.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Produção de plantas ornamentais em Guaratiba, plantação de Ruth Sebastiana Nunes, pequena produtora da região

Aquecimento global influencia o tempo de surgimento de flores e folhas (Marcos Michael)

Fonte: Veja Ciência


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Parques eólicos modificam temperatura do solo

Cientistas fizeram medições na região do Texas, onde milhares de turbinas foram construídas.

Um estudo realizado no Texas mostrou que parques eólicos podem afetar o clima em seu entorno, elevando as temperaturas noturnas no solo. O resultado, publicado na revista “Nature Climate Change”, confirma uma pesquisa realizada há mais tempo, em 2010. Os cientistas acreditam que o efeito é causado pelas turbinas que jogam ar relativamente quente no solo. E sugerem que as turbinas em outro locais podem não produzir o mesmo nível de mudança.

 

A região que foi estudada, no centro-oeste do Texas, viveu um importante programa de construção de turbinas na metade da última década, com o número passando de apenas 111 em 2003 para 2325 apenas seis anos depois. Os pesquisadores usaram dados de satélites da Nasa para medir a temperatura na região estudada entre o começo e o fim do boom da construção dos parques eólicos, definindo a diferença entre a média do período entre 2003 e 2005 e de 2009 a 2011.

 

Toda a região registrou um aumento, mas isso ficou mais perceptível no entorno dos parques. Os pesquisadores procuraram outros fatores que poderiam ter afetado os resultados, como mudanças na vegetação, mas descobriram que elas eram muito pequenas para produzir a mudança observada. O processo não foi uniforme. Os pesquisadores afirmam que o efeito é equivalente a um aquecimento de cerca de 0,72 C por década.

 

Reconhecendo que o resultado pode ser mal interpretado, como se estivesse sugerindo que a temperatura local vai continuar aumentando, o cientista que liderou o estudo Liming Zhou alerta: “A tendência de aquecimento estimada só se aplica à região de estudo e para o período de estudo, e, portanto, não deve ser extrapolada diretamente para outras regiões ou períodos mais longos. Para um determinado parque eólico, o efeito do aquecimento provavelmente atingiu um limite, em vez de continuar a aumentar, se novas turbinas não forem adicionadas.”

 

À noite, o ar acima do nível do solo tende a ser mais quente do que no chão. Zhou e seus colegas acreditam que as pás das turbinas agiram o ar, misturando o ar quente e o ar frio, e levando o mais aquecido para o solo. “Os resultados me parecem muito sólidos”, comentou Steven Sherwood, professor do Centro do Pesquisa sobre Mudanças Climáticas da Universidade de New South Wales, na Austrália, em entrevista à BBC. “As temperaturas durante o dia não parecem ser afetadas. Isso faz sentido, e esta mesma estratégia geralmente é usada por fruticultores que usam voos de helicópteros sobre seus pomares para combater as geadas matinais.”

 

O estudo de 2010 usou dados de um único local e modelagens computacionais para mostrar que as turbinas eólicas podem produzir aquecimento local.

Fonte: O Globo


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Altura de nuvens diminui e pode ajudar a baixar temperaturas

Pesquisa da Universidade de Auckland publicada na revista Geophysical Research Letters indica que na primeira década dos anos 2000 a altura média das nuvens diminuiu cerca de 1%, ou seja, entre 30 e 40 metros, e que isso pode ocasionar um processo de resfriamento do clima da Terra.

Para se chegar a essa conclusão, foram analisados dados do satélite Terra, da Nasa. Os resultados até agora mostram um complexo padrão de diminuição e elevação da altitude das nuvens em algumas regiões do globo, devido, principalmente, a fenômenos como La Niña e El Niño no Pacífico. Depois de avaliadas todas as diferenças, contudo, a tendência geral foi de diminuição.

Até recentemente, era impossível medir a alteração de altura das nuvens, o que impedia que se compreendesse a contribuição delas para a mudança climática global. “É a primeira vez que conseguimos medir com precisão a variação da altura das nuvens no planeta. Apesar de os dados ainda serem muito curtos para serem considerados definitivos, eles já fornecem um indício de que algo de muito importante está acontecendo”, explica o professor Roger Davies, pesquisador-chefe do projeto.

Efeitos em longo prazo – Uma redução consistente na altura das nuvens permitiria à Terra resfriar a temperatura na superfície de forma mais eficiente, retardando potencialmente os efeitos do aquecimento global. Para que se compreenda isso de uma maneira mais consistente, o satélite Terra seguirá coletando dados até o fim da década.

“Ainda não sabemos exatamente o que faz a altura das nuvens baixar. Se as nuvens voltarem ao nível anterior nos próximos 10 anos poderemos concluir que elas não estão influenciando nas mudanças climáticas. Mas se continuarem baixando, será algo muito significativo. Estamos ansiosos para a extensão do registro do clima”, completa o professor Davies.

Fonte: Portal Terra


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Groenlândia seria mais sensível ao aquecimento do que se pensava

Aumento pequeno de temperatura derreteria todo o gelo no longo prazo.
Elevação de 2ºC, limite sugerido pela ONU, provocaria degelo em 50 mil anos.

A cobertura de gelo da Groenlândia está mais sensível ao aquecimento global do que se pensava. Uma elevação relativamente pequena da temperatura no longo prazo derreteria o gelo completamente, segundo estudo publicado na revista “Nature Climate Change”, neste domingo (11).

Pesquisas anteriores sugeriram que seria necessário um aquecimento de pelo menos 3,1 º C acima dos níveis pré-industriais, , em uma faixa de 1,9ºC a 5,1º C, para derreter completamente a camada de gelo. Mas novas estimativas estabelecem o limite em 1,6 º C em uma faixa de 0,8 º C a 3,2 º C, embora esta temperatura tenha que ser mantida por dezenas de milhares de anos para apresentar este efeito.

Groenlândia é, depois da Antártica, a maior reserva de água congelada em terra. Se derreter completamente, provocará uma elevação do nível do mar em 7,2 metros, encharcando deltas e terras baixas.

Segundo o estudo, se o aquecimento global se limitar a 2 º C, uma meta estabelecida em negociações climáticas da ONU, o derretimento completo aconteceria em uma escala de tempo de 50 mil anos.

Acima de 2ºC
As emissões atuais de carbono, no entanto, situam o aquecimento muito além desta meta. Se não forem controladas, um quinto da cobertura de gelo derreteria no prazo de 500 anos. Em 2 mil anos, seria extinta, segundo o estudo.

O estudo foi feito por cientistas do Instituto Postdam de Pesquisa sobre o Impacto do Clima (PIK) e da Universidade Complutense de Madri. Segundo eles, o risco de perda total do gelo parece remota, em vista da imensa escala de tempo, porém alertaram que suas descobertas contestam muitas suposições sobre a estabilidade da cobertura de gelo com relação ao aquecimento no longo prazo.

A atmosfera terrestre já se aqueceu 0,8 º C desde o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, e o dióxido de carbono emitido hoje ainda perdurará por séculos. A cobertura de gelo é vulnerável a um tipo de círculo vicioso, também conhecido como “feedback positivo”, que impulsiona o derretimento, segundo o artigo.

Derretimento
Chegando a 3.000 metros de espessura em alguns lugares, a cobertura de gelo se beneficia hoje do efeito protetor de altitudes maiores e mais frias. Mas quando derrete, a superfície desce para altitudes mais baixas, com temperaturas mais elevadas, demonstra o modelo de computador.

Além disso, porções de terra expostas pelo gelo absorvem radiação por serem mais escuras e não refletirem a luz. À medida que se aquecem, elas ajudam a derreter o gelo em seus arredores.

“Nosso estudo demonstra que, sob certas condições, o derretimento da cobertura de gelo da Groenlândia se torna irreversível. Isto sustenta a noção de que a cobertura de gelo é um elemento preponderante no sistema terrestre”, disse Andrey Ganopolski, cientista do PIK.

“Se a temperatura global superar o limiar significativamente a longo prazo, o gelo continuará a derreter e não se recuperará, mesmo se o clima voltar, após milhares de anos, aos níveis pré-industriais”, acrescentou.

Foto tirada em 12 de julho e liberada pelo Greenpeace mostra seção no glaciar Petermann. Um pedaço gigantesco de gelo, de 260 quilômetros quadrados, se soltou da geleira na Groelândia.   (Foto: AFP)

Mesmo um pequeno aumento de temperatura provocaria derretimento de toda a cobertura de gelo da Groenlândia (Foto: AFP)

Fonte: Da France Presse


24 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Calor fez primeiros cavalos surgirem com o tamanho de cachorros

Animais reduziram ainda mais durante aquecimento global pré-histórico.
O ‘Sifrhippus’ chegou a pesar menos de 4kg.

Quando os cavalos surgiram, há mais de 50 milhões de anos, nas florestas da América do Norte, eles eram do tamanho de cachorros — pesavam, em média, 5,6 kg. Foram as mudanças de temperatura que os transformaram nos grandes animais que conhecemos hoje, segundo uma pesquisa publicada na edição desta sexta-feira (24) pela revista “Science”.

Sifrhippus, como é chamado esse cavalo pré-histórico, viveu em um tempo em que a Terra tinha condições meteorológicas muito diferentes — ela era bem mais quente. O auge da temperatura foi uma fase conhecida como “máximo térmico do paleoceno-eoceno”. Em cerca de 175 mil anos, a temperatura subiu mais de cinco graus Celsius.

Uma Terra mais quente é uma Terra também com recursos mais escassos. Para se adaptar, um terço dos mamíferos diminuíram de tamanho.

Isso também aconteceu com o cavalo, que ficou ainda menor quando passou por essa era. Nos primeiros 130 mil anos dessa era, chegou a ter menos de 4 kg — como um pequeno gato de estimação.

Quando a Terra começou a esfriar novamente, nos últimos 45 mil anos, o cavalo voltou a crescer e chegou a atingir 6,8 kg no fim do período. Era o começo do estirão que o levaria ao tamanho atual.

“Isso tem implicações, potencialmente, para o que podemos esperar ver no próximo século ou dois, pelo menos com alguns modelos climáticos que prevêem que o aquecimento será de até quatro graus Celsius nos próximos cem anos”, afirmou Ross Secord, da Universidade de Nebraska, em Lincoln, nos EUA, um dos autores do estudo.

Ilustração compara o 'Sifrhippus', à direita, com o cavalo moderno (Foto: Danielle Byerley, Museu de História Natural da Flórida)

Ilustração compara o 'Sifrhippus', à direita, com o cavalo moderno (Foto: Danielle Byerley, Museu de História Natural da Flórida)

Fonte: G1, informações da AFP


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pássaros são menos fiéis em temperaturas extremas ou instáveis

Aquecimento global deve afetar comportamento sexual das aves.
Dados são de estudo publicado pela revista científica ‘PLoS One’.

A mudança climática influi sobre a vida selvagem de várias maneiras. A lista de aspectos afetados vai desde o habitat dos ursos polares até a fidelidade das aves. Um estudo publicado nesta quinta-feira (16) pela revista científica “PLoS One” mostra que as aves monogâmicas passam a procurar outros parceiros sexuais com mais frequência se a temperatura atinge condições extremas ou incertas.

A pesquisa foi feita com centenas de espécies de aves, incluindo andorinhas, pardais, patos, gansos e gaivotas. Os cientistas estudaram os hábitos desses animais no cuidado com os filhotes, verificando se os casais trabalham em conjunto ou não.

Depois, eles cruzaram esses dados com os registros de temperatura e chuvas. Assim, eles descobriram que as aves que vivem em regiões de temperatura mais instável traem seus parceiros com mais frequência.

Segundo o autor Carlos Botero, da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos EUA, a promiscuidade vale a pena quando a temperatura atinge condições extremas. Procriar com diferentes parceiros garante a diversidade genética dos filhotes, e isso aumenta a chance de que pelo menos um deles se adapte bem ao clima que enfrentar.

Além disso, cada ambiente favorece um tipo de animal diferente – na busca por alimentos, por exemplo. Um bom parceiro no verão pode ser ruim no inverno. Quando isso acontece, aumenta a chance de que um animal simplesmente abandone o outro, e cresce o número de “divórcios” entre as aves em climas instáveis.

Como nada disso é consciente, Botero disse é possível que isso também afete os humanos, embora ainda não haja nenhuma evidência científica.

Pesquisa foi feita com pássaros mandarins na Alemanha. (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico)

Casal de pássaros mandarins (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico/arquivo)

Fonte: Globo Natureza


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Oito orcas são avistadas no litoral de Santa Catarina

Pelo menos oito orcas foram avistadas no litoral de Santa Catarina nesta semana entre o litoral de Bombinhas, Norte de Florianópolis e a Ilha do Arvoredo. Os animais, conhecidos popularmente no cinema como “baleias-assassinas”, são na verdade da família dos golfinhos e surpreenderam os mergulhadores ao aparecer em uma região de águas quentes.

A tripulação da operadora Patadacobra, de Bombinhas, voltava de um mergulho na Ilha de Arvoredo quando avistou sete orcas próximo à praia. A fotógrafa e estudante de Biologia Vanuza Borges conseguiu registrar os animais que, ela imagina, sejam uma família. “Pelo tamanho da barbatana dorsal de uma delas, imaginamos que seja macho. Outros eram filhotes, o que nos pareceu ser uma família.”

Próximo a Ponta das Canas, no Norte da Ilha de Santa Catarina, mergulhadores de outra operadora, a Acquanauta, avistaram um outro exemplar de orca. Ela emergiu próximo ao barco e deixou a tripulação surpresa. O instrutor de mergulho Cristiano Santos disse que foi tão rápido que não deu para registrá-la em foto.

“Eu nunca tinha visto uma na minha vida. Ela é linda. Estava a 800 metros da orla da praia. Desligamos o barco, mas ela se assustou e fugiu.”

O instrutor imagina que a temperatura da água do mar, mais gelada que o normal, tenha atraído as orcas. Segundo ele, há pontos do litoral que já a 6 metros de profundidade a temperatura chega a 15ºC. Com águas de superfície em torno de 25ºC e 26ºC, o litoral catarinense costuma receber mais comumente as baleias franca. Mesmo assim, a ocorrência de orcas não é rara, garante a diretora do Projeto Baleia Franca Karina Groch.

“Elas são mais comuns na região Sudeste onde aparecem com frequência em busca de alimentos. Provavelmente não encontraram lá e vieram para cá.”

Em 2010, um grupo de pescadores que navegava entre as praias dos Ingleses e Santinho flagrou um grupo de cinco orcas.

Cuidados – A aproximação das embarcações deve respeitar uma Portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que determina as principais regras e cuidados:

- Para se aproximar, o motor da embarcação tem que ser desligado ou mantido em neutro a, pelo menos, 100 metros de distância.

- A embarcação nunca deve se colocar entre uma mãe e seu filhote.

- A aproximação tem que ser lateral, ou seja, não se pode cortar o caminho de um animal.

- Se o animal se afastar, não se pode persegui-lo.

- Para se afastar após uma aproximação, a embarcação só pode religar ou reengrenar o motor se os animais estiverem claramente visíveis, e a pelo menos 50 metros de distância.

Fonte: Diário Catarinense


28 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Mudança climática tem relação com evolução de animais pré-históricos

Fósseis podem ajudar a compreender como aquecimento nos influencia.
Estudo foi publicado pela revista científica ‘PNAS’.

Os parentes do rinoceronte retratados na imagem são os brontotérios, que viveram entre 56 milhões e 34 milhões de anos (Foto: Carl Buell/Cortesia)

Os parentes do rinoceronte retratados na imagem são os brontotérios, que viveram entre 56 milhões e 34 milhões de anos (Foto: Carl Buell/Cortesia)

Apesar de ter entrado em evidência só nos últimos anos, a mudança global é um fator determinante para a natureza desde muito, muito tempo. Nos últimos 65 milhões de anos, pelo menos seis espécies diferentes tiveram sua sorte determinada por alterações na temperatura, segundo um estudo publicado na edição online desta segunda-feira (26) da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”.

Desde que os dinossauros desapareceram, o domínio da Terra vem sendo revezado por diferentes grupos de mamíferos, que atingiram o auge e decaíram. Essas ondas consecutivas de diversidade de espécies de mamíferos são chamadas de “faunas evolucionárias”.

“Nós mostramos que a ascensão e queda dessas faunas estão, de fato, correlacionadas à mudança climática – aumento ou diminuição das paleotemperaturas globais – e também é influenciada por outras perturbações mais locais, como eventos migratórios”, diz Christine Janis, uma das autoras do estudo, em material divulgado pela Universidade Brown, em Providence, nos EUA, onde ela trabalha.

A pesquisa pode ajudar os cientistas a entender melhor a relação entre a evolução e a mudança climática, mas não ainda deve permitir previsões específicas para o futuro, com a perspectiva de aumento constante da temperatura, sob influência humana, segundo Janis.

“Tais perturbações, relacionadas à mudança climática antropogênica, estão atualmente desafiando a fauna de todo o mundo, enfatizando a importância do registro fóssil para a nossa compreensão de como os eventos do passado afetaram a história da diversificação e extinção da fauna e, portanto, de como as mudanças climáticas do futuro continuarão a influenciar a vida na Terra”, conclui o artigo.

Fonte: G1, São Paulo


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