16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas identificam vírus que causa comportamento bizarro em cobras

Jiboias e pítons aparentam estar bêbadas e podem dar nó no próprio corpo.
Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral costuma ser mortal para animais.

Cientistas dos Estados Unidos identificaram o vírus responsável por uma doença grave em cobras e serpentes, conhecida como Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na tradução da sigla do inglês). A contaminação costuma causar comportamento bizarro e até a morte nestes animais.

As cobras infectadas com o vírus parecem estar bêbadas, ficam encarando o vazio e chegam a dar nós no próprio corpo, entre outros sintomas. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia estudavam um surto de IBD em um aquário na cidade de São Francisco, quando se depararam com a causa do mal.

O vírus afeta mais as jiboias e similares da família Boidae e as pítons, dizem os cientistas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (14) do site “mBio”, publicação da Sociedade Americana para a Microbiologia.

A descoberta representa uma classe totalmente nova de arenavírus, dizem os pesquisadores. Para encontrar a origem da doença, pesquisadores extraíram DNA da pele de cobras afetadas pela doença e usaram técnicas para fazer o sequenciamento do genoma dos animais.

Em praticamente todo o DNA dos exemplares de cobras havia sequências que combinavam com o arenavírus. A partir deste achado, os cientistas puderam isolar o vírus usando pele de cobra manipulada em laboratório.

Cura
A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a doença, de acordo com os cientistas.

Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pela pesquisa, classificou a descoberta de “uma das coisas mais excitantes que aconteceram na virologia em um longo tempo”.

Buchmeier diz que até agora os microorganismos da família dos arenavírus só haviam sido identificados em mamíferos. Encontrá-los em cobras foi uma surpresa, afirma o pesquisador.

Jiboia residente de um zoológico de Puerto Vallarta, no México (Foto: Carlos Jasso/Reuters)

Fonte: Globo Natureza


7 de março de 2012 | nenhum comentário »

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália

Moradores de Katherine estão preocupados com doenças como raiva.

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália (Foto: AFP)

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália (Foto: AFP)

Uma cidade no norte da Austrália foi invadida por mais de 250 mil morcegos, provocando alertas para doenças fatais ligadas à raiva.

O Centro de Controle de Doenças da Austrália alertou os moradores da cidade de Katherine, na região de Northern Territory, para evitarem contato com os morcegos-da-fruta, que portam o vírus da raiva (ABLV, na sigla em inglês).

A doença é transmitida por mordida ou arranhão. A diretora do Centro de Controle de Doenças, Vicki Krause, disse à imprensa australiana que o vírus é transmitido pela saliva do morcego.

No passado, já houve registros de mortes devido à raiva do morcego, mas os casos são raros, já que existe uma vacina contra o vírus. As vacinas têm efeito imediato.

As autoridades estão recomendando que pessoas mordidas ou arranhadas pelos morcegos limpem as feridas com bastante atenção, e busquem atendimento médico em seguida.

O governo fechou o principal complexo esportivo da cidade, que foi infestado por morcegos.

Nos últimos dias, houve uma diminuição no número de morcegos na cidade, mas ainda assim eles estão por toda a parte.

‘A cidade é cheia de espécies exóticas de plantas que estão dando frutos e flores ao longo do ano. É como se fosse um ‘drive-through’ de comida para os morcegos’, disse à BBC o guarda florestal John Burke.

Segundo os moradores de Katherine, a invasão de morcegos só acontece uma ou duas vezes por década.

Fonte: BBC

 


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Confinados a espaços menores, coalas enfrentam doença fatal

Cientistas afirmam que infecção bacteriana tem capacidade de acabar com a espécie na Austrália

Uma das criaturas mais apreciadas da Austrália, o coala enfrenta sérios problemas. Em face da perda de seu habitat, das alterações climáticas e de doenças causadas por bactérias, ele está sendo forçado a ocupar regiões cada vez menores do país. No vasto estado de Queensland, que fica no extremo nordeste do país, pesquisas sugerem que de 2001 a 2008 o número de coalas diminuiu até 45 por cento nas áreas urbanas e 15 por cento no cerrado.

Além disso, embora as mudanças climáticas e a perda de habitat também afetem muitos outros animais exclusivos da Austrália – de pássaros e rãs a marsupiais como os vombates, pequenos cangurus e bandicoots – o que vem preocupando vários cientistas em relação ao destino dos coalas é uma infecção bacteriana.

“A doença é uma assassina de certa forma silenciosa e possui potencial bastante real para acabar com a população de coalas de Queensland”, afirmou a Dra. Amber Gillett, veterinária do Hospital da Vida Selvagem do Zoológico da Austrália, em Beerwah, Queensland.

A culpada pelas mortes é a clamídia, gênero de bactérias muito mais conhecido por causar doenças venéreas em humanos do que por devastar populações de coalas. Pesquisas recentes em Queensland mostraram o desenvolvimento de sintomas da doença em até 50 por cento dos coalas selvagens do estado, e muitos outros provavelmente estão infectados, mas sem apresentar os sintomas.

A bactéria é transmitida durante o nascimento, através do acasalamento e talvez em disputas, e as duas cepas encontradas são diferentes das causadoras da forma humana da doença. A primeira éChlamydia pecorum, que vem causando a maior parte dos problemas de saúde dos coalas do estado de Queensland, e a segunda e menos comum é a C. pneumoniae.

Ao contrário da C. pecorum, a cepa pneumoniae pode ser transmitida a outras espécies, mas até agora não há evidências de que tenha passado dos coalas para os seres humanos ou vice-versa.

A clamídia causa diversos sintomas nos coalas, incluindo infecção nos olhos, que pode levar à cegueira, tornando difícil a procura pelas escassas folhas de eucalipto, sua principal fonte de alimentação. A bactéria também pode produzir infecções respiratórias, junto com cistos que podem tornar as fêmeas de coalas inférteis.

A epidemia tem sido particularmente grave em Queensland, onde quase todos os animais estão infectados por um retrovírus, afirmou Gillett. O retrovírus que atinge os coalas é uma infecção semelhante ao HIV, que suprime o sistema imunológico e interfere na capacidade de lutar contra a clamídia.

“Nas populações de coalas do sul do país, onde a predominância do retrovírus é bem menor, funções imunes normais tendem a resultar em poucos casos de clamídia”, afirmou Gillett.

Tratar a clamídia em coalas selvagens é um desafio, afirmou Gillett. A doença é tão devastadora que apenas uma porcentagem pequena de animais pode ser tratada com sucesso e devolvida à natureza. Além disso, as fêmeas infectadas ficam muitas vezes inférteis – como a condição é irreversível, o crescimento futuro das populações também é afetado.

Não há tratamento disponível para o retrovírus dos coalas, contudo, pesquisadores estão trabalhando para testar uma vacina que ajudaria a evitar uma maior propagação da infecção por clamídia nos coalas de Queensland.

Um estudo publicado em 2010 no The American Journal of Reproductive Immunology descobriu que a vacina é segura e eficaz no tratamento de fêmeas de coala saudáveis. Mais trabalhos estão sendo realizados para testá-la em coalas infectados.

Professor de microbiologia da Universidade de Tecnologia de Queensland, Peter Timms está na liderança dos esforços para testar a vacina contra a clamídia em coalas, e tem esperanças de que outros testes da vacina sejam realizados este ano em coalas machos em cativeiro e posteriormente em coalas selvagens. Se tudo correr bem, os planos de distribuir a vacina mais amplamente podem ser postos em ação.

“Será impossível vacinar todos os coalas da natureza”, afirmou.

Não há um plano para salvar os coalas na Austrália. Cabe a cada região estabelecer planos de manejo para a sua população de coalas. Por isso, assim que for demonstrado que a vacina é totalmente segura e eficaz, Timms sugere a aplicação em populações específicas e ameaçadas, de locais que facilitem a captura e a soltura dos animais, como as populações cujas áreas estão totalmente delimitadas por estradas e empreendimentos habitacionais.

Timms também está trabalhando em uma vacina de dose única, para tornar mais viável a vacinação dos coalas selvagens.

Outra possibilidade seria tornar a distribuição da vacina parte da rotina no tratamento dos milhares de coalas trazidos aos centros de assistência todos os anos, após terem sido atropelados ou atacados por cães, afirmou Timms.

Embora seja uma combinação de problemas o que aflige a população de coalas selvagens, para muitos especialistas a vacina seria um passo importante a fim de contribuir para que sobrevivam por mais tempo. Ela pode proporcionar ganho de tempo suficiente para fornecer aos pesquisadores a oportunidade de resolver alguns dos outros problemas que os coalas enfrentam na Austrália.

“Nas situações em que estão associadas diminuição de habitat, ataques de cães domésticos e atropelamentos à infecção grave por clamídia, as consequências podem ser devastadoras”, afirmou Gillett.

Foto: National Geographic

Fonte: The New York Times


16 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

EUA vão restringir uso de chimpanzés em pesquisas científicas

Projetos com esses macacos perderão bolsas de estudos temporariamente.
Exceções são estudos que não podem ser feitos eticamente com humanos.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) anunciaram nesta quinta-feira (15) que limitarão o uso de chimpanzés em pesquisas biomédicas, revisarão os atuais projetos e cancelarão temporariamente as bolsas de estudos de estudos que incluam primatas.

O diretor do NIH, Francis Collins, destacou os benefícios científicos da pesquisa médica com animais e ressaltou que o uso de chimpanzés já estava restrito, mas assinalou que os novos métodos permitem alternativas.

O NIH encomendou em 2010 um estudo do Instituto de Medicina sobre a necessidade de utilizar chimpanzés para a pesquisa biomédica e como trabalhar com eles, que concluiu que “embora o chimpanzé seja um modelo animal útil em pesquisas anteriores, seu uso para a pesquisa biomédica é desnecessário”.

O Instituto considerou que só se deve recorrer a esses animais caso os conhecimentos que resultem da investigação sejam necessários para melhorar a saúde dos cidadãos e não haja nenhum outro método para adquirir esses conhecimentos.

Outra condição é que a pesquisa não possa ser desenvolvida de forma ética em humanos. Além disso, os animais utilizados deverão ser mantidos em ambientes adequados.

O comitê também concluiu que poderiam continuar as pesquisas com chimpanzés relacionadas com tratamentos de anticorpos monoclonais, genômica comparativa e estudos não-invasivos de fatores sociais e de comportamento que afetam o desenvolvimento, a prevenção e o tratamento de doenças.

No entanto, não pôde chegar a um consenso sobre a necessidade dos chimpanzés para o desenvolvimento da vacina contra o vírus da hepatite C profilática.

Collins frisou que o NIH aceitará as recomendações do comitê, suspenderá temporariamente as bolsas de estudos às pesquisas que envolvam o uso de chimpanzés e encarregará um grupo de trabalho da análise dos projetos atuais.

“Os chimpanzés são nossos parentes mais próximos no reino animal e proporcionam informação excepcional na biologia humana, por isso é necessário uma especial consideração e respeito”, comentou.

Foto de arquivo de chimpanzé utilizado em pesquisas científicas nos EUA (Foto: AP Photo/Terry Gilliam)

Foto de arquivo de chimpanzé utilizado em pesquisas científicas nos EUA (Foto: AP Photo/Terry Gilliam)

Fonte: Da EFE


3 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Primeira vacina contra esquistossomose terá tecnologia 100% nacional

Para a pesquisadora da Fiocruz e médica Miriam Tendler, a vacina será um investimento social de impacto global.

O Brasil será o primeiro país a desenvolver uma vacina contra a esquistossomose, doença que acomete cerca de 200 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A substância, desenvolvida com tecnologia 100% nacional, foi descoberta no início da década de 1990 pela médica e pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Miriam Tendler. Desde então, já apresentou resultados positivos em testes com animais – 70% de imunização em camundongos – e, ainda em 2011, será testada em humanos. Além de estar se mostrando eficaz para promover a imunização contra casos de esquistossomose, a vacina também poderá evitar casos de outras doenças causadas por helmintos, como a fasciolose, doença do gado de corte que tem um parasita causador semelhante ao da esquistossomose. O estudo contou com recursos da Faperj, por meio do edital Apoio ao Estudo de Doenças Negligenciadas e Reemergentes, além de recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

 

Como em qualquer outra vacina, a técnica consistiu em utilizar um antígeno – substância que estimula a produção de anticorpos – para fortalecer o sistema imunológico do potencial hospedeiro contra o ataque do parasita. No caso, foi a proteína SM-14, obtida pelo grupo de pesquisadores da Fiocruz e colaboradores coordenado por Miriam Tendler, a partir do próprio Schistosoma mansoni, o parasita causador da esquistossomose. Proteína essencial para a sobrevivência do parasita, a Sm-14 é propriedade intelectual da Fiocruz e faz parte de um grupo conhecido como fatty acid-binding proteins (proteínas ligadoras de ácidos graxos). “No início dos anos 1990, a SM-14 foi eleita pela OMS como um dos seis antígenos prioritários para o desenvolvimento da primeira vacina contra a esquistossomose, ao lado de quatro propostas americanas, que não foram para frente, e de uma francesa, que não tem a mesma abrangência que a nossa, pois é restrita à esquistossomose”, conta.

 

Reprodução – De acordo com a coordenadora do projeto, a versatilidade da utilização do antígeno é o grande diferencial da proposta brasileira. A proteína SM-14 pode servir como base para a produção de vacinas que atuem contra diversas doenças causadas por helmintos. “Estamos na fase final do desenvolvimento de uma vacina anti-helmíntica bivalente, ou seja, capaz de prevenir duas doenças, a esquistossomose, doença humana de grande importância social, e a fasciolose, que acomete rebanhos em todo o mundo”, explica Miriam Tendler. O próximo passo, no entanto, é ampliar ainda mais a abrangência da vacina para torná-la multivalente. “Já temos em vista adaptá-la para que também possa prevenir outras doenças causadas por helmintos, como a hemoncose, que afeta bovinos e ovinos”, completa. 

 

A possibilidade de abrir o leque, tornando a vacina um produto da indústria veterinária em um futuro próximo, ajudou a impulsionar, indiretamente, o desenvolvimento da substância também para humanos. Uma parceria que envolve o licenciamento da exploração de patentes foi fechada entre a Fiocruz e a indústria brasileira Ourofino Agronegócio. “Estamos às vésperas da realização de testes de segurança da vacina em humanos, que deve durar cinco meses. Depois dessa etapa, será importante que a vacina transponha os limites da academia e seja produzida em escala industrial, para entrar no mercado”, avalia. “Será a primeira vacina desenvolvida com tecnologia totalmente brasileira. Isso dará ao país autonomia para prevenir a esquistossomose, adotando a prevenção como medida prioritária, e não apenas o tratamento. Será uma vitória nacional e um investimento social de impacto global”, conclui Miriam Tendler.

Fonte: Agência Faperj


14 de junho de 2010 | nenhum comentário »

Estudo da USP sobre vacina antiaids é publicado em site de referência

Um artigo apresentando as descobertas de um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) foi publicado nesta sexta-feira (11) no prestigiado site científico PLoS ONE. O trabalho, noticiado pelo G1 em outubro do ano passado, desenvolve uma vacina contra o vírus da Aids baseado em um plano só testado no Brasil.

De aproximadamente 200 conceitos de imunizantes anti-HIV imaginados ao longo de 25 anos de luta contra a doença, o desenho da HIVBr18 é o único que mira “regiões conservadas” do vírus – trechos que não passam por mutações. Com a identificação desses alvos fixos, o imunizante brasileiro pode chegar a ser mais eficaz do que os quase 30 que passam hoje pelo crivo dos ensaios clínicos.

A patente da HIVBr18 foi depositada no Brasil em setembro de 2005, e nos Estados Unidos e na União Europeia em 2007.

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O trunfo do HIV é que o vírus é um fujão profissional porque passa por muitas mutações. E ninguém até agora havia conseguido identificar e alvejar seu calcanhar de Aquiles. Com isso, os cientistas acabavam se deparando com a situação inglória de gastar anos de estudo e muito dinheiro para criar um arsenal que só funciona em um alvo e, na hora H, perceber que o alvo já virou outra coisa, na qual o míssil não faz nem cócegas. Assim, as vacinas já testadas fracassaram porque foram tapeadas pelo agente causador da Aids. Funcionaram em alguns casos, mas não foram reconhecidas em outros tantos.

As “velhas estratégias” para lidar com esse pesadelo obedecem a duas premissas clássicas: elas usam proteínas inteiras do HIV e se concentram em gerar linfócitos T do tipo CD8 citotóxico, o pelotão de fuzilamento de células infectadas. Os pesquisadores da USP, sob coordenação de Cunha-Neto, resolveram identificar os trechos permanentes ou “fixos” do HIV por meio de um software – acharam e testaram 18 fragmentos – e embuti-las artificialmente em uma “vacina de DNA”.

Um algoritmo identificou, a partir de uma base de dados, regiões conservadas que se ligam à maioria dos tipos de HLA de classe 2 (os antígenos leucocitários humanos, moléculas capazes de estimular uma resposta imune que variam muito de pessoa para pessoa). Esses segmentos protéicos foram então fabricados. Foram produzidos 18 peptídeos que, no conjunto, pegavam todos os HLA mais comuns na população.

Testada com 30 pacientes soropositivos, 91% reconheceram as iscas. O objetivo buscado aqui foi, teoricamente, melhorar a cobertura vacinal em populações geneticamente heterogêneas, ou seja, fazer com que mais pessoas desenvolvessem respostas imunes contra o HIV após receber a vacina.

Linfócito T CD4

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– Além disso, a equipe decidiu investir em outro linfócito T, o do tipo CD4. Não adianta muito ativar o CD8 e só, porque ele é inapelavelmente dependente do CD4 para ser gerado e subsistir com capacidade destruidora. Sem o CD4, o CD8 tem curta duração. O CD4 não era alvo nos conceitos tradicionais de vacina, segundo Cunha-Neto.

Com a incorporação da pesquisadora Daniela Rosa, a pesquisa ganhou novo impulso. Foi então que as 18 sequências foram colocadas em um plasmídeo, um anel de DNA. Na verificação de magnitude após a injeção, os testes indicaram uma alta proliferação e produção de citocinas, as proteínas que funcionam como mensageiros para ajudar na regulação de uma resposta imune. Já na checagem de amplitude em camundongos transgênicos parcialmente “humanizados”, 16 das 18 sequências foram reconhecidas.

Os oito anos, até agora, da jornada para viabilizar a HIVBr demandaram financiamento da Fapesp, do Programa Nacional DST/Aids do Ministério da Saúde, do CNPq através do INCT-Instituto de Investigação em Imunologia, e do Centro Internacional de Engenharia Genética e Biotecnologia (Itália).

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Fonte: G1






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16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas identificam vírus que causa comportamento bizarro em cobras

Jiboias e pítons aparentam estar bêbadas e podem dar nó no próprio corpo.
Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral costuma ser mortal para animais.

Cientistas dos Estados Unidos identificaram o vírus responsável por uma doença grave em cobras e serpentes, conhecida como Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na tradução da sigla do inglês). A contaminação costuma causar comportamento bizarro e até a morte nestes animais.

As cobras infectadas com o vírus parecem estar bêbadas, ficam encarando o vazio e chegam a dar nós no próprio corpo, entre outros sintomas. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia estudavam um surto de IBD em um aquário na cidade de São Francisco, quando se depararam com a causa do mal.

O vírus afeta mais as jiboias e similares da família Boidae e as pítons, dizem os cientistas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (14) do site “mBio”, publicação da Sociedade Americana para a Microbiologia.

A descoberta representa uma classe totalmente nova de arenavírus, dizem os pesquisadores. Para encontrar a origem da doença, pesquisadores extraíram DNA da pele de cobras afetadas pela doença e usaram técnicas para fazer o sequenciamento do genoma dos animais.

Em praticamente todo o DNA dos exemplares de cobras havia sequências que combinavam com o arenavírus. A partir deste achado, os cientistas puderam isolar o vírus usando pele de cobra manipulada em laboratório.

Cura
A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a doença, de acordo com os cientistas.

Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pela pesquisa, classificou a descoberta de “uma das coisas mais excitantes que aconteceram na virologia em um longo tempo”.

Buchmeier diz que até agora os microorganismos da família dos arenavírus só haviam sido identificados em mamíferos. Encontrá-los em cobras foi uma surpresa, afirma o pesquisador.

Jiboia residente de um zoológico de Puerto Vallarta, no México (Foto: Carlos Jasso/Reuters)

Fonte: Globo Natureza


7 de março de 2012 | nenhum comentário »

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália

Moradores de Katherine estão preocupados com doenças como raiva.

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália (Foto: AFP)

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália (Foto: AFP)

Uma cidade no norte da Austrália foi invadida por mais de 250 mil morcegos, provocando alertas para doenças fatais ligadas à raiva.

O Centro de Controle de Doenças da Austrália alertou os moradores da cidade de Katherine, na região de Northern Territory, para evitarem contato com os morcegos-da-fruta, que portam o vírus da raiva (ABLV, na sigla em inglês).

A doença é transmitida por mordida ou arranhão. A diretora do Centro de Controle de Doenças, Vicki Krause, disse à imprensa australiana que o vírus é transmitido pela saliva do morcego.

No passado, já houve registros de mortes devido à raiva do morcego, mas os casos são raros, já que existe uma vacina contra o vírus. As vacinas têm efeito imediato.

As autoridades estão recomendando que pessoas mordidas ou arranhadas pelos morcegos limpem as feridas com bastante atenção, e busquem atendimento médico em seguida.

O governo fechou o principal complexo esportivo da cidade, que foi infestado por morcegos.

Nos últimos dias, houve uma diminuição no número de morcegos na cidade, mas ainda assim eles estão por toda a parte.

‘A cidade é cheia de espécies exóticas de plantas que estão dando frutos e flores ao longo do ano. É como se fosse um ‘drive-through’ de comida para os morcegos’, disse à BBC o guarda florestal John Burke.

Segundo os moradores de Katherine, a invasão de morcegos só acontece uma ou duas vezes por década.

Fonte: BBC

 


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Confinados a espaços menores, coalas enfrentam doença fatal

Cientistas afirmam que infecção bacteriana tem capacidade de acabar com a espécie na Austrália

Uma das criaturas mais apreciadas da Austrália, o coala enfrenta sérios problemas. Em face da perda de seu habitat, das alterações climáticas e de doenças causadas por bactérias, ele está sendo forçado a ocupar regiões cada vez menores do país. No vasto estado de Queensland, que fica no extremo nordeste do país, pesquisas sugerem que de 2001 a 2008 o número de coalas diminuiu até 45 por cento nas áreas urbanas e 15 por cento no cerrado.

Além disso, embora as mudanças climáticas e a perda de habitat também afetem muitos outros animais exclusivos da Austrália – de pássaros e rãs a marsupiais como os vombates, pequenos cangurus e bandicoots – o que vem preocupando vários cientistas em relação ao destino dos coalas é uma infecção bacteriana.

“A doença é uma assassina de certa forma silenciosa e possui potencial bastante real para acabar com a população de coalas de Queensland”, afirmou a Dra. Amber Gillett, veterinária do Hospital da Vida Selvagem do Zoológico da Austrália, em Beerwah, Queensland.

A culpada pelas mortes é a clamídia, gênero de bactérias muito mais conhecido por causar doenças venéreas em humanos do que por devastar populações de coalas. Pesquisas recentes em Queensland mostraram o desenvolvimento de sintomas da doença em até 50 por cento dos coalas selvagens do estado, e muitos outros provavelmente estão infectados, mas sem apresentar os sintomas.

A bactéria é transmitida durante o nascimento, através do acasalamento e talvez em disputas, e as duas cepas encontradas são diferentes das causadoras da forma humana da doença. A primeira éChlamydia pecorum, que vem causando a maior parte dos problemas de saúde dos coalas do estado de Queensland, e a segunda e menos comum é a C. pneumoniae.

Ao contrário da C. pecorum, a cepa pneumoniae pode ser transmitida a outras espécies, mas até agora não há evidências de que tenha passado dos coalas para os seres humanos ou vice-versa.

A clamídia causa diversos sintomas nos coalas, incluindo infecção nos olhos, que pode levar à cegueira, tornando difícil a procura pelas escassas folhas de eucalipto, sua principal fonte de alimentação. A bactéria também pode produzir infecções respiratórias, junto com cistos que podem tornar as fêmeas de coalas inférteis.

A epidemia tem sido particularmente grave em Queensland, onde quase todos os animais estão infectados por um retrovírus, afirmou Gillett. O retrovírus que atinge os coalas é uma infecção semelhante ao HIV, que suprime o sistema imunológico e interfere na capacidade de lutar contra a clamídia.

“Nas populações de coalas do sul do país, onde a predominância do retrovírus é bem menor, funções imunes normais tendem a resultar em poucos casos de clamídia”, afirmou Gillett.

Tratar a clamídia em coalas selvagens é um desafio, afirmou Gillett. A doença é tão devastadora que apenas uma porcentagem pequena de animais pode ser tratada com sucesso e devolvida à natureza. Além disso, as fêmeas infectadas ficam muitas vezes inférteis – como a condição é irreversível, o crescimento futuro das populações também é afetado.

Não há tratamento disponível para o retrovírus dos coalas, contudo, pesquisadores estão trabalhando para testar uma vacina que ajudaria a evitar uma maior propagação da infecção por clamídia nos coalas de Queensland.

Um estudo publicado em 2010 no The American Journal of Reproductive Immunology descobriu que a vacina é segura e eficaz no tratamento de fêmeas de coala saudáveis. Mais trabalhos estão sendo realizados para testá-la em coalas infectados.

Professor de microbiologia da Universidade de Tecnologia de Queensland, Peter Timms está na liderança dos esforços para testar a vacina contra a clamídia em coalas, e tem esperanças de que outros testes da vacina sejam realizados este ano em coalas machos em cativeiro e posteriormente em coalas selvagens. Se tudo correr bem, os planos de distribuir a vacina mais amplamente podem ser postos em ação.

“Será impossível vacinar todos os coalas da natureza”, afirmou.

Não há um plano para salvar os coalas na Austrália. Cabe a cada região estabelecer planos de manejo para a sua população de coalas. Por isso, assim que for demonstrado que a vacina é totalmente segura e eficaz, Timms sugere a aplicação em populações específicas e ameaçadas, de locais que facilitem a captura e a soltura dos animais, como as populações cujas áreas estão totalmente delimitadas por estradas e empreendimentos habitacionais.

Timms também está trabalhando em uma vacina de dose única, para tornar mais viável a vacinação dos coalas selvagens.

Outra possibilidade seria tornar a distribuição da vacina parte da rotina no tratamento dos milhares de coalas trazidos aos centros de assistência todos os anos, após terem sido atropelados ou atacados por cães, afirmou Timms.

Embora seja uma combinação de problemas o que aflige a população de coalas selvagens, para muitos especialistas a vacina seria um passo importante a fim de contribuir para que sobrevivam por mais tempo. Ela pode proporcionar ganho de tempo suficiente para fornecer aos pesquisadores a oportunidade de resolver alguns dos outros problemas que os coalas enfrentam na Austrália.

“Nas situações em que estão associadas diminuição de habitat, ataques de cães domésticos e atropelamentos à infecção grave por clamídia, as consequências podem ser devastadoras”, afirmou Gillett.

Foto: National Geographic

Fonte: The New York Times


16 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

EUA vão restringir uso de chimpanzés em pesquisas científicas

Projetos com esses macacos perderão bolsas de estudos temporariamente.
Exceções são estudos que não podem ser feitos eticamente com humanos.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) anunciaram nesta quinta-feira (15) que limitarão o uso de chimpanzés em pesquisas biomédicas, revisarão os atuais projetos e cancelarão temporariamente as bolsas de estudos de estudos que incluam primatas.

O diretor do NIH, Francis Collins, destacou os benefícios científicos da pesquisa médica com animais e ressaltou que o uso de chimpanzés já estava restrito, mas assinalou que os novos métodos permitem alternativas.

O NIH encomendou em 2010 um estudo do Instituto de Medicina sobre a necessidade de utilizar chimpanzés para a pesquisa biomédica e como trabalhar com eles, que concluiu que “embora o chimpanzé seja um modelo animal útil em pesquisas anteriores, seu uso para a pesquisa biomédica é desnecessário”.

O Instituto considerou que só se deve recorrer a esses animais caso os conhecimentos que resultem da investigação sejam necessários para melhorar a saúde dos cidadãos e não haja nenhum outro método para adquirir esses conhecimentos.

Outra condição é que a pesquisa não possa ser desenvolvida de forma ética em humanos. Além disso, os animais utilizados deverão ser mantidos em ambientes adequados.

O comitê também concluiu que poderiam continuar as pesquisas com chimpanzés relacionadas com tratamentos de anticorpos monoclonais, genômica comparativa e estudos não-invasivos de fatores sociais e de comportamento que afetam o desenvolvimento, a prevenção e o tratamento de doenças.

No entanto, não pôde chegar a um consenso sobre a necessidade dos chimpanzés para o desenvolvimento da vacina contra o vírus da hepatite C profilática.

Collins frisou que o NIH aceitará as recomendações do comitê, suspenderá temporariamente as bolsas de estudos às pesquisas que envolvam o uso de chimpanzés e encarregará um grupo de trabalho da análise dos projetos atuais.

“Os chimpanzés são nossos parentes mais próximos no reino animal e proporcionam informação excepcional na biologia humana, por isso é necessário uma especial consideração e respeito”, comentou.

Foto de arquivo de chimpanzé utilizado em pesquisas científicas nos EUA (Foto: AP Photo/Terry Gilliam)

Foto de arquivo de chimpanzé utilizado em pesquisas científicas nos EUA (Foto: AP Photo/Terry Gilliam)

Fonte: Da EFE


3 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Primeira vacina contra esquistossomose terá tecnologia 100% nacional

Para a pesquisadora da Fiocruz e médica Miriam Tendler, a vacina será um investimento social de impacto global.

O Brasil será o primeiro país a desenvolver uma vacina contra a esquistossomose, doença que acomete cerca de 200 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A substância, desenvolvida com tecnologia 100% nacional, foi descoberta no início da década de 1990 pela médica e pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Miriam Tendler. Desde então, já apresentou resultados positivos em testes com animais – 70% de imunização em camundongos – e, ainda em 2011, será testada em humanos. Além de estar se mostrando eficaz para promover a imunização contra casos de esquistossomose, a vacina também poderá evitar casos de outras doenças causadas por helmintos, como a fasciolose, doença do gado de corte que tem um parasita causador semelhante ao da esquistossomose. O estudo contou com recursos da Faperj, por meio do edital Apoio ao Estudo de Doenças Negligenciadas e Reemergentes, além de recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

 

Como em qualquer outra vacina, a técnica consistiu em utilizar um antígeno – substância que estimula a produção de anticorpos – para fortalecer o sistema imunológico do potencial hospedeiro contra o ataque do parasita. No caso, foi a proteína SM-14, obtida pelo grupo de pesquisadores da Fiocruz e colaboradores coordenado por Miriam Tendler, a partir do próprio Schistosoma mansoni, o parasita causador da esquistossomose. Proteína essencial para a sobrevivência do parasita, a Sm-14 é propriedade intelectual da Fiocruz e faz parte de um grupo conhecido como fatty acid-binding proteins (proteínas ligadoras de ácidos graxos). “No início dos anos 1990, a SM-14 foi eleita pela OMS como um dos seis antígenos prioritários para o desenvolvimento da primeira vacina contra a esquistossomose, ao lado de quatro propostas americanas, que não foram para frente, e de uma francesa, que não tem a mesma abrangência que a nossa, pois é restrita à esquistossomose”, conta.

 

Reprodução – De acordo com a coordenadora do projeto, a versatilidade da utilização do antígeno é o grande diferencial da proposta brasileira. A proteína SM-14 pode servir como base para a produção de vacinas que atuem contra diversas doenças causadas por helmintos. “Estamos na fase final do desenvolvimento de uma vacina anti-helmíntica bivalente, ou seja, capaz de prevenir duas doenças, a esquistossomose, doença humana de grande importância social, e a fasciolose, que acomete rebanhos em todo o mundo”, explica Miriam Tendler. O próximo passo, no entanto, é ampliar ainda mais a abrangência da vacina para torná-la multivalente. “Já temos em vista adaptá-la para que também possa prevenir outras doenças causadas por helmintos, como a hemoncose, que afeta bovinos e ovinos”, completa. 

 

A possibilidade de abrir o leque, tornando a vacina um produto da indústria veterinária em um futuro próximo, ajudou a impulsionar, indiretamente, o desenvolvimento da substância também para humanos. Uma parceria que envolve o licenciamento da exploração de patentes foi fechada entre a Fiocruz e a indústria brasileira Ourofino Agronegócio. “Estamos às vésperas da realização de testes de segurança da vacina em humanos, que deve durar cinco meses. Depois dessa etapa, será importante que a vacina transponha os limites da academia e seja produzida em escala industrial, para entrar no mercado”, avalia. “Será a primeira vacina desenvolvida com tecnologia totalmente brasileira. Isso dará ao país autonomia para prevenir a esquistossomose, adotando a prevenção como medida prioritária, e não apenas o tratamento. Será uma vitória nacional e um investimento social de impacto global”, conclui Miriam Tendler.

Fonte: Agência Faperj


14 de junho de 2010 | nenhum comentário »

Estudo da USP sobre vacina antiaids é publicado em site de referência

Um artigo apresentando as descobertas de um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) foi publicado nesta sexta-feira (11) no prestigiado site científico PLoS ONE. O trabalho, noticiado pelo G1 em outubro do ano passado, desenvolve uma vacina contra o vírus da Aids baseado em um plano só testado no Brasil.

De aproximadamente 200 conceitos de imunizantes anti-HIV imaginados ao longo de 25 anos de luta contra a doença, o desenho da HIVBr18 é o único que mira “regiões conservadas” do vírus – trechos que não passam por mutações. Com a identificação desses alvos fixos, o imunizante brasileiro pode chegar a ser mais eficaz do que os quase 30 que passam hoje pelo crivo dos ensaios clínicos.

A patente da HIVBr18 foi depositada no Brasil em setembro de 2005, e nos Estados Unidos e na União Europeia em 2007.

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O trunfo do HIV é que o vírus é um fujão profissional porque passa por muitas mutações. E ninguém até agora havia conseguido identificar e alvejar seu calcanhar de Aquiles. Com isso, os cientistas acabavam se deparando com a situação inglória de gastar anos de estudo e muito dinheiro para criar um arsenal que só funciona em um alvo e, na hora H, perceber que o alvo já virou outra coisa, na qual o míssil não faz nem cócegas. Assim, as vacinas já testadas fracassaram porque foram tapeadas pelo agente causador da Aids. Funcionaram em alguns casos, mas não foram reconhecidas em outros tantos.

As “velhas estratégias” para lidar com esse pesadelo obedecem a duas premissas clássicas: elas usam proteínas inteiras do HIV e se concentram em gerar linfócitos T do tipo CD8 citotóxico, o pelotão de fuzilamento de células infectadas. Os pesquisadores da USP, sob coordenação de Cunha-Neto, resolveram identificar os trechos permanentes ou “fixos” do HIV por meio de um software – acharam e testaram 18 fragmentos – e embuti-las artificialmente em uma “vacina de DNA”.

Um algoritmo identificou, a partir de uma base de dados, regiões conservadas que se ligam à maioria dos tipos de HLA de classe 2 (os antígenos leucocitários humanos, moléculas capazes de estimular uma resposta imune que variam muito de pessoa para pessoa). Esses segmentos protéicos foram então fabricados. Foram produzidos 18 peptídeos que, no conjunto, pegavam todos os HLA mais comuns na população.

Testada com 30 pacientes soropositivos, 91% reconheceram as iscas. O objetivo buscado aqui foi, teoricamente, melhorar a cobertura vacinal em populações geneticamente heterogêneas, ou seja, fazer com que mais pessoas desenvolvessem respostas imunes contra o HIV após receber a vacina.

Linfócito T CD4

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– Além disso, a equipe decidiu investir em outro linfócito T, o do tipo CD4. Não adianta muito ativar o CD8 e só, porque ele é inapelavelmente dependente do CD4 para ser gerado e subsistir com capacidade destruidora. Sem o CD4, o CD8 tem curta duração. O CD4 não era alvo nos conceitos tradicionais de vacina, segundo Cunha-Neto.

Com a incorporação da pesquisadora Daniela Rosa, a pesquisa ganhou novo impulso. Foi então que as 18 sequências foram colocadas em um plasmídeo, um anel de DNA. Na verificação de magnitude após a injeção, os testes indicaram uma alta proliferação e produção de citocinas, as proteínas que funcionam como mensageiros para ajudar na regulação de uma resposta imune. Já na checagem de amplitude em camundongos transgênicos parcialmente “humanizados”, 16 das 18 sequências foram reconhecidas.

Os oito anos, até agora, da jornada para viabilizar a HIVBr demandaram financiamento da Fapesp, do Programa Nacional DST/Aids do Ministério da Saúde, do CNPq através do INCT-Instituto de Investigação em Imunologia, e do Centro Internacional de Engenharia Genética e Biotecnologia (Itália).

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Fonte: G1