26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Vazamentos pequenos têm grandes consequências, diz oceanógrafa

Para a oceanógrafa Sylvia Earle é preciso pensar no custo real dos vazamentos de petróleo, como os que ocorreram da bacia de Campos, no litoral fluminense. “Eu fico alarmada com o que está acontecendo, certamente não era do interesse da Chevron que ocorresse o vazamento. Mesmo com todas as preocupações, vemos que é preciso fazer ainda melhor do que isto que está aí”, disse a pesquisadora no Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus.

A ex-cientista chefe da Agência Americana para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) afirmou que mesmo um vazamento pequeno tem impacto para as espécies marinhas. “Ninguém pode entrevistar as criaturas marinhas para saber o que realmente acontece. Os peixes não podem falar que não estão de acordo com aquilo e então isso parece que não importa para as pessoas”, disse.

Outro problema dos vazamentos é a liberação de gases causadores do efeito estufa. “Quando o petróleo chega à superfície do mar, o acidente então se transforma em um vazamento de petróleo pelo céu. Embora ninguém pense nisso quando os acidentes acontecem, é exatamente isto que ocorre”, disse.

Para Sylvia, o risco mais claro em explorar o petróleo é o fato continuar o foco dos investimentos nos combustíveis fósseis mesmo tendo que superar os altos custos e as dificuldades de operar no pré-sal . “Existe um custo real para a natureza e para as pessoas que não está incluído nesta conta. Atualmente, estamos num período de transição e precisamos considerar não lançar no ar mais carbono e metano”, disse.

A oceanógrafa de 77 anos, chamada pelo jornal americano de “The deepness”, por causa do profundo conhecimento adquirido em mais de 60 expedições pelo mundo, tem o antagonismo de quem faz afirmações duras com a voz doce, conseguindo assim, inspirar as pessoas. Durante sua palestra em Manaus, ela falou ao público que viver nestes últimos anos era o que havia de mais fantástico, pois, “este é o momento para fazer o que achamos que deve ser feito. Temos o conhecimento. Parece que nunca tivemos antes esta oportunidade de moldar um futuro melhor”, disse.

Durante entrevista para jornalistas, ela perguntou se poderia ser um pouco dramática e disse: “Apenas 1% do oceano tem alguma forma de proteção formal. O que você pensaria se o mesmo acontecesse com o seu coração azul do planeta? O que você pensaria se apenas 1% do seu coração fosse protegido. Quanto você acha que seria necessário proteger do seu coração para poder sobreviver?”.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG






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26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Vazamentos pequenos têm grandes consequências, diz oceanógrafa

Para a oceanógrafa Sylvia Earle é preciso pensar no custo real dos vazamentos de petróleo, como os que ocorreram da bacia de Campos, no litoral fluminense. “Eu fico alarmada com o que está acontecendo, certamente não era do interesse da Chevron que ocorresse o vazamento. Mesmo com todas as preocupações, vemos que é preciso fazer ainda melhor do que isto que está aí”, disse a pesquisadora no Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus.

A ex-cientista chefe da Agência Americana para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) afirmou que mesmo um vazamento pequeno tem impacto para as espécies marinhas. “Ninguém pode entrevistar as criaturas marinhas para saber o que realmente acontece. Os peixes não podem falar que não estão de acordo com aquilo e então isso parece que não importa para as pessoas”, disse.

Outro problema dos vazamentos é a liberação de gases causadores do efeito estufa. “Quando o petróleo chega à superfície do mar, o acidente então se transforma em um vazamento de petróleo pelo céu. Embora ninguém pense nisso quando os acidentes acontecem, é exatamente isto que ocorre”, disse.

Para Sylvia, o risco mais claro em explorar o petróleo é o fato continuar o foco dos investimentos nos combustíveis fósseis mesmo tendo que superar os altos custos e as dificuldades de operar no pré-sal . “Existe um custo real para a natureza e para as pessoas que não está incluído nesta conta. Atualmente, estamos num período de transição e precisamos considerar não lançar no ar mais carbono e metano”, disse.

A oceanógrafa de 77 anos, chamada pelo jornal americano de “The deepness”, por causa do profundo conhecimento adquirido em mais de 60 expedições pelo mundo, tem o antagonismo de quem faz afirmações duras com a voz doce, conseguindo assim, inspirar as pessoas. Durante sua palestra em Manaus, ela falou ao público que viver nestes últimos anos era o que havia de mais fantástico, pois, “este é o momento para fazer o que achamos que deve ser feito. Temos o conhecimento. Parece que nunca tivemos antes esta oportunidade de moldar um futuro melhor”, disse.

Durante entrevista para jornalistas, ela perguntou se poderia ser um pouco dramática e disse: “Apenas 1% do oceano tem alguma forma de proteção formal. O que você pensaria se o mesmo acontecesse com o seu coração azul do planeta? O que você pensaria se apenas 1% do seu coração fosse protegido. Quanto você acha que seria necessário proteger do seu coração para poder sobreviver?”.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG