21 de junho de 2011 | nenhum comentário »

A hora e a vez das energias renováveis

Artigo de José Goldemberg no jornal O Estado de São Paulo de ontem (20).

 

O desastre nuclear de Fukushima abriu caminho para uma reavaliação do papel da energia nuclear no mundo e de outras opções para produção de energia que poderão substituí-la. Essas opções não serão as mesmas em todos os países. O Japão decidiu dar ênfase maior à eficiência energética, apesar de o país ser muito eficiente; a Alemanha, à energia dos ventos (eólica); e a Suécia, à biomassa. Gás natural será também usado como fonte de energia num período de transição, até que outras energias renováveis -como a captação direta de energia solar – se tornem competitivas.

 

Nesse contexto, o Brasil encontra-se em posição privilegiada, com boa parte do seu potencial hidrelétrico ainda inexplorado e, sobretudo, com o uso da biomassa, que em nosso País significa etanol da cana-de-açúcar na Região Sudeste e produção de eletricidade.

 

No que se refere à hidreletricidade, querem pequenas centrais hidrelétricas ou em grandes empreendimentos, o que tem impedido a sua expansão é uma combinação de projetos mal formulados pelos empreendedores e um comportamento passivo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

 

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) fez, com grande atraso, o levantamento de pelo menos 20 empreendimentos hidrelétricos em várias regiões do País, incluindo a Amazônia, com potencia total de 32 milhões de quilowatts. Há cerca de 16 milhões de quilowatts disponíveis na Amazônia, além de Belo Monte.

 

São locais onde é possível construir hidrelétricas de porte médio, de 500 a mil megawatts, que não causarão grandes impactos ambientais. Seria importante analisar se

nesses locais não se poderiam também prever reservatórios que regularizassem o curso dos rios e armazenassem água para os períodos secos.

 

Um dos grandes problemas do setor elétrico brasileiro – a principal causa do desastroso racionamento de 2001- se deve ao fato de que, desde 1986, as usinas hidrelétricas construídas no País não têm reservatórios para evitar o alagamento de áreas ribeirinhas.

 

No que se refere às pequenas centrais hidrelétricas – existem centenas no País que deveriam ser aproveitadas -, é indispensável que o Ibama adote um método de licenciamento simplificado e deixe de tratá-las como se fossem grandes empreendimentos. Mais ainda, os órgãos licenciadores deveriam ser mais proativos, ajudando os empreendedores a melhorar os seus projetos, já que esses órgãos (nos Estados e em Brasília) são os que têm melhores técnicos. Uma maior cooperação do Ministério Público também ajudaria, o que significa mais diálogo entre os diversos atores envolvidos.

 

Na área de cana-de-açúcar, grandes progressos podem ser feitos para manter na matriz energética uma grande parcela de renováveis, tanto na produção de álcool como na produção de eletricidade. Atualmente, metade da gasolina que se consumiria no País, se o programa do álcool não existisse, já foi substituída por etanol, mas é preciso progredir mais nesse sentido. Graças à introdução dos automóveis “flexfuel”, em 2003, mais de 90% dos carros novos são desse tipo e, a prosseguir essa tendência, o álcool substituirá 80% ou 90% da gasolina até o ano 2020.

 

Isso ajudará muito para que o governo do Estado atinja as metas que adotou com a finalidade de reduzir as emissões de gases que causam o aquecimento global em 20% até 2020, em comparação com o ano de 2005. A vantagem adicional, nesse caso, é que a substituição de gasolina e óleo diesel por etanol melhora também a qualidade do ar nas grandes metrópoles, porque o etanol da cana-de-açúcar não contém as impurezas que se encontram nos derivados de petróleo.

 

No que se refere a São Paulo, vale lembrar que boa parte da frota de automóveis que circula na cidade é antiga. O que caberia, aqui, são medidas da Prefeitura para “aposentar” os carros mais antigos e encorajar a sua substituição por automóveis “flexfuel”. Essa estratégia tem sido usada em outros países onde se usa gasolina para modernizar a frota circulante: os carros mais modernos são mais eficientes e consomem menos combustível por quilômetro rodado.

 

“Modernizar” a frota com carros “flexfuel” tem uma vantagem adicional: o etanol é um

combustível renovável, de modo que o resultado que se deseja, que é o de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, é alcançado mais rapidamente. A modernização pode ser encorajada reduzindo o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) dos carros “flexfuel” e auxiliando proprietários de veículos antigos a trocá-los por novos com financiamentos atraentes.

 

Em alguns países o governo compra os veículos antigos para sucateá-los. Acelerar o aumento da frota “flexfuel” de automóveis teria a vantagem adicional de fazer crescer o consumo de álcool e ajudar o setor produtivo a superar as dificuldades que tem atravessado nos últimos anos. Com o aumento da produção de etanol, aumentaria também a quantidade de bagaço disponível para gerar eletricidade, o que complementaria a geração hidrelétrica. Finalmente, no que se refere à utilização de energia eólica para a produção de eletricidade, os leilões realizados para esse tipo de energia têm levado a uma redução dos preços da energia produzida.

 

Com isso a participação da energia eólica deve aumentar muito até 2020. Como reconhece agora a EPE no seu novo Plano Decenal de Expansão de Energia. A intermitência dos ventos, que era considerada um problema, foi totalmente superada pelas tecnologias modernas. Só para dar um exemplo, o sistema elétrico da Espanha tem cerca de 20 mil fontes de energia (a maioria proveniente de pequenos grupos de energia eólica) e funciona muito satisfatoriamente. Não é por falta de opções que poderia ocorrer uma crise de energia no País.

 

José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: Jornal da Ciência


12 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Prazo para Plano de Controle de Poluição Veicular vence em 2011

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai fazer um levantamento para verificar se os 27 estados e os municípios com frotas superiores a três milhões de veículos já elaboraram seus Planos de Controle de Poluição Veicular (PCPVs). O prazo final vai até junho, mas o Departamento de Qualidade do Ar do MMA alerta para a impossibilidade de novo adiamento pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). A elaboração do plano é obrigatória, mesmo que a unidade da federação opte por não adotar programas de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso.

A elaboração do PCPV requer que o estado faça antes um inventário de suas emissões veiculares. De acordo com a norma, o plano precisa ser elaborado, aprovado e publicado dentro do prazo, que já sofreu adiamento de seis meses com a aprovação da Resolução 426, em 2010. A preocupação da área técnica do MMA é de que as unidades da federação não fiquem em desacordo com a Resolução Conama 418, de novembro de 2009. Os estados que descumprirem a determinação estarão sujeitos a ser acionados na Justiça. A data limite é 30 de junho de 2011.

A implantação de programas de inspeção se torna obrigatória nos casos em que forem previstas pelo PCPV. Estados e municípios é que definem a necessidade ou não do controle de emissões de poluentes por suas frotas. Rudolf Noronha, gerente de Qualidade do Ar do ministério, alerta para a necessidade do cumprimento dos prazos estabelecidos pelo Conama. “No ano passado, o adiamento foi conseguido após intensas rodadas de negociação. O MMA está convencido de que os estados irão cumprir os novos prazos estabelecidos.”

O inventário de emissões é que vai orientar para a necessidade, ou não, de um programa de controle geral, ou até por frotas específicas, como veículos pesados, por exemplo. O objetivo final é a melhoria da qualidade do ar pelo controle de emissões relativas a fontes móveis, como carros, caminhões e motocicletas, que tem apresentado expressivo crescimento nos últimos anos. As unidades da federação têm autonomia para definir que “frota alvo” pretendem incluir no programa e de que maneira ele será operacionalizado.

Para o usuário de veículos, que terá de submeter seu carro à fiscalização e licenciamento de poluentes, a orientação é acompanhar a implantação dos programas em seus estados. Por enquanto, a poluição só é controlada na etapa de licenciamento pelo estado do Rio de Janeiro e pelo município de São Paulo. A data limite para que os demais estados que optarem pelo sistema tenham suas estruturas de controle das emissões montadas e funcionando expira em 25 de abril de 2012. Até lá o MMA irá acompanhar a publicação dos PCPVs e orientar estados e municípios na sua elaboração.

Fonte: MMA

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1 de outubro de 2009 | nenhum comentário »

Ministério do Meio Ambiente vai rever Nota Verde

Após críticas, governo cria grupo para analisar a divulgação dos dados de emissões de poluentes dos veículos

Afra Balazina escreve para a “O Estado de SP”:

 

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Após receber críticas de entidades ligadas às montadoras e à produção de etanol, o Ministério do Meio Ambiente decidiu rever a forma de divulgação dos dados de emissões de gases poluentes dos veículos.

 

Na semana passada, o MMA lançou a Nota Verde, que pela primeira vez mostrou para a sociedade quanto os carros, fabricados em 2008 no Brasil, emitem de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio. Também foi feito um ranking, que apontou carros movidos a álcool entre os mais poluentes.

 

Na sexta-feira, o ministério anunciou a criação de um grupo de trabalho com integrantes do Ibama, da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) com o objetivo de “aprimorar” as informações divulgadas. A Nota Verde, no entanto, continua disponível na internet, no site www.ibama.gov.br

 

Conflito

 

Após a divulgação da Nota Verde, a Unica pediu revisão do ranking e a inclusão das emissões de CO2, o principal gás de efeito estufa. Para esse gás, o álcool é considerado limpo, porque as emissões do veículo são compensadas no plantio da cana-de-açúcar.

 

“O índice surpreendentemente ignora as emissões de carbono. Há vários exemplos de “notas verdes” internacionais que combinam três elementos fundamentais: poluição no escapamento, emissões de gases de efeito estufa e consumo. A combinação desses elementos certamente indicará a supremacia dos combustíveis renováveis sobre os fósseis”, afirmou Marcos Jank, presidente da Unica.

 

A Anfavea, também descontente com os dados divulgados, decidiu colocar em seu site as emissões de veículos referentes ao seu uso regular. A entidade havia criticado o fato de os dados do MMA se referirem aos níveis de emissão em carros ainda não amaciados.

 

Segundo o MMA, o grupo de trabalho foi criado pela “necessidade de tornar mais clara a informação a ser prestada aos consumidores de veículos”. O objetivo do grupo é “estabelecer formas claras e simples de divulgação de valores de emissões”, para que os dados sejam assimilados pelo público.

 

De acordo com a nota, o grupo vai “propor uma metodologia que permita o perfeito entendimento do uso de combustíveis renováveis quanto às emissões de gases do efeito estufa”. Os resultados do grupo de trabalho deverão ser apresentados em 40 dias.

(O Estado de SP, 26/9)

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A hora e a vez das energias renováveis

Artigo de José Goldemberg no jornal O Estado de São Paulo de ontem (20).

 

O desastre nuclear de Fukushima abriu caminho para uma reavaliação do papel da energia nuclear no mundo e de outras opções para produção de energia que poderão substituí-la. Essas opções não serão as mesmas em todos os países. O Japão decidiu dar ênfase maior à eficiência energética, apesar de o país ser muito eficiente; a Alemanha, à energia dos ventos (eólica); e a Suécia, à biomassa. Gás natural será também usado como fonte de energia num período de transição, até que outras energias renováveis -como a captação direta de energia solar – se tornem competitivas.

 

Nesse contexto, o Brasil encontra-se em posição privilegiada, com boa parte do seu potencial hidrelétrico ainda inexplorado e, sobretudo, com o uso da biomassa, que em nosso País significa etanol da cana-de-açúcar na Região Sudeste e produção de eletricidade.

 

No que se refere à hidreletricidade, querem pequenas centrais hidrelétricas ou em grandes empreendimentos, o que tem impedido a sua expansão é uma combinação de projetos mal formulados pelos empreendedores e um comportamento passivo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

 

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) fez, com grande atraso, o levantamento de pelo menos 20 empreendimentos hidrelétricos em várias regiões do País, incluindo a Amazônia, com potencia total de 32 milhões de quilowatts. Há cerca de 16 milhões de quilowatts disponíveis na Amazônia, além de Belo Monte.

 

São locais onde é possível construir hidrelétricas de porte médio, de 500 a mil megawatts, que não causarão grandes impactos ambientais. Seria importante analisar se

nesses locais não se poderiam também prever reservatórios que regularizassem o curso dos rios e armazenassem água para os períodos secos.

 

Um dos grandes problemas do setor elétrico brasileiro – a principal causa do desastroso racionamento de 2001- se deve ao fato de que, desde 1986, as usinas hidrelétricas construídas no País não têm reservatórios para evitar o alagamento de áreas ribeirinhas.

 

No que se refere às pequenas centrais hidrelétricas – existem centenas no País que deveriam ser aproveitadas -, é indispensável que o Ibama adote um método de licenciamento simplificado e deixe de tratá-las como se fossem grandes empreendimentos. Mais ainda, os órgãos licenciadores deveriam ser mais proativos, ajudando os empreendedores a melhorar os seus projetos, já que esses órgãos (nos Estados e em Brasília) são os que têm melhores técnicos. Uma maior cooperação do Ministério Público também ajudaria, o que significa mais diálogo entre os diversos atores envolvidos.

 

Na área de cana-de-açúcar, grandes progressos podem ser feitos para manter na matriz energética uma grande parcela de renováveis, tanto na produção de álcool como na produção de eletricidade. Atualmente, metade da gasolina que se consumiria no País, se o programa do álcool não existisse, já foi substituída por etanol, mas é preciso progredir mais nesse sentido. Graças à introdução dos automóveis “flexfuel”, em 2003, mais de 90% dos carros novos são desse tipo e, a prosseguir essa tendência, o álcool substituirá 80% ou 90% da gasolina até o ano 2020.

 

Isso ajudará muito para que o governo do Estado atinja as metas que adotou com a finalidade de reduzir as emissões de gases que causam o aquecimento global em 20% até 2020, em comparação com o ano de 2005. A vantagem adicional, nesse caso, é que a substituição de gasolina e óleo diesel por etanol melhora também a qualidade do ar nas grandes metrópoles, porque o etanol da cana-de-açúcar não contém as impurezas que se encontram nos derivados de petróleo.

 

No que se refere a São Paulo, vale lembrar que boa parte da frota de automóveis que circula na cidade é antiga. O que caberia, aqui, são medidas da Prefeitura para “aposentar” os carros mais antigos e encorajar a sua substituição por automóveis “flexfuel”. Essa estratégia tem sido usada em outros países onde se usa gasolina para modernizar a frota circulante: os carros mais modernos são mais eficientes e consomem menos combustível por quilômetro rodado.

 

“Modernizar” a frota com carros “flexfuel” tem uma vantagem adicional: o etanol é um

combustível renovável, de modo que o resultado que se deseja, que é o de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, é alcançado mais rapidamente. A modernização pode ser encorajada reduzindo o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) dos carros “flexfuel” e auxiliando proprietários de veículos antigos a trocá-los por novos com financiamentos atraentes.

 

Em alguns países o governo compra os veículos antigos para sucateá-los. Acelerar o aumento da frota “flexfuel” de automóveis teria a vantagem adicional de fazer crescer o consumo de álcool e ajudar o setor produtivo a superar as dificuldades que tem atravessado nos últimos anos. Com o aumento da produção de etanol, aumentaria também a quantidade de bagaço disponível para gerar eletricidade, o que complementaria a geração hidrelétrica. Finalmente, no que se refere à utilização de energia eólica para a produção de eletricidade, os leilões realizados para esse tipo de energia têm levado a uma redução dos preços da energia produzida.

 

Com isso a participação da energia eólica deve aumentar muito até 2020. Como reconhece agora a EPE no seu novo Plano Decenal de Expansão de Energia. A intermitência dos ventos, que era considerada um problema, foi totalmente superada pelas tecnologias modernas. Só para dar um exemplo, o sistema elétrico da Espanha tem cerca de 20 mil fontes de energia (a maioria proveniente de pequenos grupos de energia eólica) e funciona muito satisfatoriamente. Não é por falta de opções que poderia ocorrer uma crise de energia no País.

 

José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: Jornal da Ciência


12 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Prazo para Plano de Controle de Poluição Veicular vence em 2011

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai fazer um levantamento para verificar se os 27 estados e os municípios com frotas superiores a três milhões de veículos já elaboraram seus Planos de Controle de Poluição Veicular (PCPVs). O prazo final vai até junho, mas o Departamento de Qualidade do Ar do MMA alerta para a impossibilidade de novo adiamento pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). A elaboração do plano é obrigatória, mesmo que a unidade da federação opte por não adotar programas de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso.

A elaboração do PCPV requer que o estado faça antes um inventário de suas emissões veiculares. De acordo com a norma, o plano precisa ser elaborado, aprovado e publicado dentro do prazo, que já sofreu adiamento de seis meses com a aprovação da Resolução 426, em 2010. A preocupação da área técnica do MMA é de que as unidades da federação não fiquem em desacordo com a Resolução Conama 418, de novembro de 2009. Os estados que descumprirem a determinação estarão sujeitos a ser acionados na Justiça. A data limite é 30 de junho de 2011.

A implantação de programas de inspeção se torna obrigatória nos casos em que forem previstas pelo PCPV. Estados e municípios é que definem a necessidade ou não do controle de emissões de poluentes por suas frotas. Rudolf Noronha, gerente de Qualidade do Ar do ministério, alerta para a necessidade do cumprimento dos prazos estabelecidos pelo Conama. “No ano passado, o adiamento foi conseguido após intensas rodadas de negociação. O MMA está convencido de que os estados irão cumprir os novos prazos estabelecidos.”

O inventário de emissões é que vai orientar para a necessidade, ou não, de um programa de controle geral, ou até por frotas específicas, como veículos pesados, por exemplo. O objetivo final é a melhoria da qualidade do ar pelo controle de emissões relativas a fontes móveis, como carros, caminhões e motocicletas, que tem apresentado expressivo crescimento nos últimos anos. As unidades da federação têm autonomia para definir que “frota alvo” pretendem incluir no programa e de que maneira ele será operacionalizado.

Para o usuário de veículos, que terá de submeter seu carro à fiscalização e licenciamento de poluentes, a orientação é acompanhar a implantação dos programas em seus estados. Por enquanto, a poluição só é controlada na etapa de licenciamento pelo estado do Rio de Janeiro e pelo município de São Paulo. A data limite para que os demais estados que optarem pelo sistema tenham suas estruturas de controle das emissões montadas e funcionando expira em 25 de abril de 2012. Até lá o MMA irá acompanhar a publicação dos PCPVs e orientar estados e municípios na sua elaboração.

Fonte: MMA

‘love and other drugs’ film

1 de outubro de 2009 | nenhum comentário »

Ministério do Meio Ambiente vai rever Nota Verde

Após críticas, governo cria grupo para analisar a divulgação dos dados de emissões de poluentes dos veículos

Afra Balazina escreve para a “O Estado de SP”:

 

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Após receber críticas de entidades ligadas às montadoras e à produção de etanol, o Ministério do Meio Ambiente decidiu rever a forma de divulgação dos dados de emissões de gases poluentes dos veículos.

 

Na semana passada, o MMA lançou a Nota Verde, que pela primeira vez mostrou para a sociedade quanto os carros, fabricados em 2008 no Brasil, emitem de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio. Também foi feito um ranking, que apontou carros movidos a álcool entre os mais poluentes.

 

Na sexta-feira, o ministério anunciou a criação de um grupo de trabalho com integrantes do Ibama, da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) com o objetivo de “aprimorar” as informações divulgadas. A Nota Verde, no entanto, continua disponível na internet, no site www.ibama.gov.br

 

Conflito

 

Após a divulgação da Nota Verde, a Unica pediu revisão do ranking e a inclusão das emissões de CO2, o principal gás de efeito estufa. Para esse gás, o álcool é considerado limpo, porque as emissões do veículo são compensadas no plantio da cana-de-açúcar.

 

“O índice surpreendentemente ignora as emissões de carbono. Há vários exemplos de “notas verdes” internacionais que combinam três elementos fundamentais: poluição no escapamento, emissões de gases de efeito estufa e consumo. A combinação desses elementos certamente indicará a supremacia dos combustíveis renováveis sobre os fósseis”, afirmou Marcos Jank, presidente da Unica.

 

A Anfavea, também descontente com os dados divulgados, decidiu colocar em seu site as emissões de veículos referentes ao seu uso regular. A entidade havia criticado o fato de os dados do MMA se referirem aos níveis de emissão em carros ainda não amaciados.

 

Segundo o MMA, o grupo de trabalho foi criado pela “necessidade de tornar mais clara a informação a ser prestada aos consumidores de veículos”. O objetivo do grupo é “estabelecer formas claras e simples de divulgação de valores de emissões”, para que os dados sejam assimilados pelo público.

 

De acordo com a nota, o grupo vai “propor uma metodologia que permita o perfeito entendimento do uso de combustíveis renováveis quanto às emissões de gases do efeito estufa”. Os resultados do grupo de trabalho deverão ser apresentados em 40 dias.

(O Estado de SP, 26/9)

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