20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Análise de veneno de cobra revela potencial para tratar hipertensão

Cientistas do Butantan identificaram 4 moléculas com possível aplicação.
Pesquisa analisou bioquímica no veneno de três espécies de serpentes.

Bothrops jararaca, uma das espécies estudadas. Foto: IPEVS

 

Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, descobriram 30 moléculas a partir do mapeamento do conjunto de peptídeos no veneno de três espécies de cobras – a Bothrops jararaca, a Bothrops cotiara e a Bothrops fonsecai. Quatro desses peptídeos (tipos de compostos formados por aminoácidos e sintetizados por seres vivos) foram recriados em laboratório, passaram por testes em ratos e apresentaram atividade anti-hipertensiva, o que dá a eles potencial para, no futuro, serem usados em medicamentos contra problemas de pressão arterial.

Os quatro peptídeos se somam a outros 13, entre o total de descobertos, que são da família dos potenciadores de bradicinina. Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Solange Maria de Toledo Serrano, do Instituto Butantan, este grupo de moléculas é conhecido há décadas por possuir efeitos sobre a pressão arterial. Pesquisas anteriores com peptídeos da mesma família deram origem a remédios contra a hipertensão – o primeiro deles a ser isolado do veneno da jararaca, nos anos 1960, levou à criação do remédio Captopril, por exemplo.

Análise profunda
“Fizemos uma análise profunda e extensa dos peptidomas [conjuntos de peptídeos] do veneno das três serpentes. Foi um ensaio bioquímico de alto nível, do ponto de vista da complexidade do veneno”, diz a pesquisadora. As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada, um dos centros de pesquisa da Fapesp, localizado no Butantan.

Solange ressalta que o objetivo do estudo não foi descobrir novas moléculas, mas descrever a complexidade do conjunto de peptídeos no veneno das três espécies de animais. A pesquisa foi publicada na edição de novembro da revista “Molecular & Cellular Proteomics“.

No total, foram sequenciados 44 peptídeos, sendo que 30 eram desconhecidos. O estudo usou técnicas de bioinformática e de espectrometria de massas, método científico que identifica elementos que compõem uma substância e ajuda a obter informações sobre a massa de moléculas.

Uma das dificuldades foi fazer o sequenciamento das moléculas, já que faltam informações sobre a genética das serpentes e as cadeias de aminoácidos que compõem os peptídeos e proteínas destes animais.

“Como não há genoma completo de nenhuma espécie de serpente no mundo, então os bancos de dados não têm muitas informações sobre os peptídeos destes animais. Não se compara ao que existe em mamíferos”, diz Solange.

A pesquisadora ressalta que o trabalho não visa descobrir um novo medicamento, e que a descoberta das moléculas com características anti-hipertensivas representam apenas um potencial. Para chegar a um remédio, é preciso tempo e investimento em novos estudos, pondera.

Fonte: Globo Natureza


4 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Trinta novas moléculas são descobertas em veneno de serpentes

Por Karina Toledo

Pesquisadores do Instituto Butantan mapeiam conjunto de peptídeos do veneno de três espécies do gênero Bothrops, entre elas a jararaca, e encontram moléculas com potencial ação farmacológica (A.Tashima)

 

Agência FAPESP – Trinta novas moléculas – algumas com potencial ação farmacológica – foram descobertas no Instituto Butantan durante uma pesquisa que mapeou o conjunto de peptídeos existente no veneno de três espécies de serpentes do gênero Bothrops, entre elas a jararaca.

“O objetivo do trabalho era descrever a complexidade do peptidoma, ou conjunto de peptídeos, presente no veneno das espécies B. jararacaB. cotiara e B. fonsecai”, contou Solange Maria de Toledo Serrano, coordenadora da pesquisa.

Os resultados do estudo, considerado o mais profundo já realizado sobre peptidomas de venenos de serpentes, foram divulgados em artigo publicado na edição de novembro da revista Molecular & Cellular Proteomics.

Foram sequenciados 44 peptídeos, dos quais 30 ainda eram desconhecidos. Entre as novas moléculas, pelo menos quatro já testadas apresentaram atividade de potenciação da bradicinina e inibição da atividade da enzima conversora de angiotensina, substâncias envolvidas no controle da pressão arterial.

O primeiro peptídeo potenciador de bradicinina isolado no veneno da jararaca ainda nos anos 1960 deu origem a toda uma classe de medicamentos anti-hipertensivos à qual pertence, por exemplo, o Captopril.

Para a pesquisadora, que estuda enzimas proteolíticas de venenos há algum tempo, foi importante utilizar abordagens de espectrometria de massas e bioinformática para mapear e descrever os pontos de clivagens – nas toxinas que sofrem a ação enzimática, principalmente de metaloproteinases, quando a “homeostase” do veneno é quebrada durante o processamento dos venenos para análise.

As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada (CAT), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP, durante o pós-doutorado de Alexandre Keiji Tashima, atualmente professor do Departamento de Ciências Exatas e da Terra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Diadema.

Para identificar os peptídeos presentes nas amostras de veneno das três espécies Bothrops, o primeiro passo foi separá-los das proteínas (que são moléculas maiores), contou Tashima.

“Separamos a fração proteica da fração peptídica, que juntas correspondem à maior parte das substâncias presentes na secreção, por um processo chamado extração em fase sólida”, disse.

Em seguida, a fração peptídica foi analisada com a ajuda de um espectrômetro de massas, aparelho que mede a razão massa/carga das moléculas ionizadas para obter informações de massa das moléculas intactas e de seus fragmentos.

“A grande dificuldade, no caso do peptidoma de venenos, é a falta de banco de dados que permita fazer a identificação das cadeias de aminoácidos de forma automática. Em grande parte dos casos é preciso fazer o sequenciamento manual”, explicou Tashima.

Segundo Serrano, essa é a razão pela qual o conhecimento sobre os proteomas de venenos avança de maneira bem mais rápida que o conhecimento sobre os peptidomas. O grupo da pesquisadora já havia investigado o conjunto de proteínas produzidas por essas três espécies em estudos anteriores.

“Os venenos de serpentes são ricas fontes de peptídeos biologicamente ativos, no entanto, devido ao baixo número de sequências depositadas em bancos de dados, o avanço na descoberta de novas moléculas tem ocorrido de maneira lenta. Isso é ainda mais crítico para espécies raras, como a B. cotiara e a B. fonsecai, ambas consideradas sob risco de extinção e sobre as quais há poucos trabalhos publicados na literatura”, comentou a pesquisadora.

Resultados inesperados

Ao fazer o sequenciamento das cadeias polipeptídicas, os pesquisadores se surpreenderam ao perceber que o peptidoma das amostras de veneno fresco era bem menos complexo do que o presente em amostras de veneno liofilizado.

“Quando o veneno é submetido às condições de laboratório, enzimas proteolíticas naturalmente presentes na secreção entram em ação e começam a degradar as proteínas, dando origem a mais peptídeos”, explicou Tashima.

Os cientistas compararam três tipos de amostra: veneno fresco colhido na presença de inibidores de enzimas proteolíticas, veneno liofilizado diluído em uma solução com inibidores de enzimas proteolíticas e veneno liofilizado diluído em solução ácida. Esta última foi a que apresentou o maior número de fragmentos de proteínas, ou seja, sofreu maior degradação.

“Não esperávamos observar uma degradação tão forte das proteínas. Agora, será preciso estudar o impacto disso, por exemplo, na produção de soros antiofídicos, que normalmente é feita com veneno liofilizado”, afirmou Tashima.

As serpentes do gênero Bothrops são responsáveis por cerca de 90% dos acidentes ofídicos que ocorrem no país, contou o pesquisador. A grande maioria dos casos envolve a jararaca, comum no país inteiro. Já a B. cotiara está presente apenas nas regiões de mata araucária e a B. fonsecai, na Mata Atlântica.

Para Hugo Aguirre Armelin, coordenador do CAT-CEPID, a pesquisa revela as vantagens da abordagem proteômica para o estudo dos venenos. “O apoio da FAPESP está terminando este ano, mas deixou um laboratório equipado com espectrômetro de última geração que nos permite fazer análises detalhadas de estruturas tão complexas como a dos venenos de serpentes. Além disso, permitiu formar recursos humanos qualificados”, disse.

O artigo Peptidomics of Three Bothrops Snake Venoms: Insights Into the Molecular Diversification of Proteomes and Peptidomes (doi: 10.1074/mcp.M112.019331) pode ser lido em www.mcponline.org/content/11/11/1245.abstract.


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa brasileira descobre que sapo esguicha jatos de veneno

Espécie amazônica libera líquido com toxinas que alcança até dois metros.
Alvo do sapo é atingir mucosa dos olhos e da boca.

Pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, descobriram que a espécie de sapo Rhaebo guttatus, endêmica da Amazônia, pode ser o primeiro anfíbio que apresenta táticas de autodefesa ao esguichar veneno nos predadores para causar neles infecções graves.

Esta diferença foi notada por especialistas de diversas universidades, entre elas a de São Paulo e a Estadual de Campinas, durante incursões na floresta amazônica. Eles perceberam que este anfíbio faz movimentações corporais que comprimem glândulas nas costas e liberam jatos de venenos que podem atingir até dois metros de distância.

De acordo com Carlos Jared, diretor do laboratório de Biologia Celular do instituto, o alvo principal do veneno são os olhos ou a boca, já que seu conteúdo só interage com a mucosa — que leva as toxinas para a corrente sanguínea.

“É uma coisa fora dos padrões dos anuros [ordem dos animais a qual pertence os anfíbios]. As outras espécies de sapos só liberam veneno quando são ‘mastigados’ por presas. E já oRhaebo guttatus encontrado na Amazônia o esguicha com precisão”, disse Jared.

Entretanto, seu grau de letalidade é 30% menor ao dos venenos de outros exemplares – que podem até causar a morte dos predadores. “A intenção deste sapo é dar um ‘chega pra lá’ nas presas. No ser humano não sabemos qual é o efeito, já que nunca houve casos de contaminação”, explica.

Folclore
O pesquisador afirma que esse fato explicaria o folclore de que as pessoas tinham que tomar cuidado com os sapos, porque eles soltariam jatos nos olhos.

“Isto pode ter vindo da época do descobrimento da região amazônica, há séculos. Mas isso só faz sentido se for na área de floresta, já que esta espécie perde as propriedades de ataque se for mantida em cativeiro”, explica.

Veneno como medicamento
Jared afirma que essa característica foi descrita por brasileiros na publicação científica “Amphibia-Reptilia”, 200 anos depois da espécie ter sido descoberta.

Ele afirma que o veneno da espécie é composto por substâncias como esteróides e lipídeos, bem diferente das toxinas encontradas em outros anfíbios. Além disso, o líquido liberado peloRhaebo guttatus pode auxiliar cientistas no combate a fungos.

“Ele tem uma propriedade ativa de fungicida por andar no chão da floresta. A médio prazo, pretendemos desenvolver uma fórmula de medicamento contra esse tipo de inflamação”, diz.

Sapo amazônico (Foto: Divulgação)

Exemplar do sapo 'Rhaebo guttatus', encontrado apenas na floresta amazônica. Espécie libera jatos de veneno contra predadores. (Foto: Divulgação)

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/pesquisa-brasileira-descobre-que-sapo-esguicha-jatos-de-veneno.html

Fonte: Globo Natureza


3 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Caramujo engole peixe depois de paralisá-lo com veneno, veja vídeo

Um programa da BBC capturou em vídeo o momento exato em que um caramujo engole um peixe, depois de paralisar sua presa com um veneno, transmitido por um pequeno “arpão” que possui em seu corpo.

Click e veja o vídeo: http://www.bbc.co.uk/worldservice/emp/pop.shtml?l=pt&t=video&p=/portuguese/meta/dps/2012/01/emp/120131_caramujo_assassino_bg.emp.xml

O caramujo conus (Conus geographus) é uma das maiores espécies de invertebrados, podendo até matar um ser humano.

Há mais de 640 espécies diferentes de caramujos predatórios desse tipo, a maior parte dos quais vive em regiões tropicais.

Os caramujos cone são a maior espécie conhecida de invertebrados. Eles comem moluscos, vermes e peixes, que paralisam usando o seu “arpão” e o veneno, que contém até 200 toxinas distintas.

O caramujo conus é considerado um dos mais venenosos e pode até matar um ser humano; assista ao vídeo

O caramujo conus é considerado um dos mais venenosos e pode até matar um ser humano; (BBC Brasil)

Fonte: BBC Brasil


23 de março de 2011 | nenhum comentário »

Substância de veneno de cobra pode ajudar no combate ao câncer

Uma substância retirada de moléculas do veneno da cobra Jaracuçu – uma das mais venenosas da fauna brasileira, está sendo estudada por cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC). Segundo os cientistas a proteína extraída do veneno da serpente destrói células cancerosas de tumores do intestino e pode ajudar na cura contra vários tipos de câncer.

Em apenas uma picada, a Jurucuçu pode destilar até quatro milímetros de veneno ou mais. É uma das muitas espécies do centro de produção de pesquisa de imunobiológicos do Paraná. Os estudos estão sendo desenvolvidos desde 2006 no laboratório da universidade.

De acordo com uma pesquisadora da PUC, Selene Exposito, o estudo futuramente será de grande importância para combater o câncer.

Fonte: G1


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Substância em veneno de peixe trata a asma

Proteína tem propriedade anti-inflamatória e não provoca efeitos colaterais como corticoides

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Uma substância extraída do veneno do peixe niquim, muito comum no Norte e Nordeste do país, promete tratar a asma de forma mais natural e sem os efeitos colaterais dos medicamentos convencionais à base de corticoides.

 

Monica Lopes Ferreira, uma das pesquisadoras do Instituto Butantan, de São Paulo, identificou um peptídeo (proteína) com propriedade anti-inflamatória.

 

A nova substância já foi patenteada no Brasil e está em processo de registro em outros países como China, Japão, Inglaterra e EUA. O próximo passo será a produção de remédios a partir da droga pela indústria farmacêutica. Um laboratório já se interessou e prepara testes. O processo de elaboração do medicamento deve durar três anos.

 

- Pesquiso esse peixe há 14 anos e há quatro analisava os componentes que compõem o veneno do animal. E encontramos um aminoácido que tinha um efeito anti-inflamatório. Algo muito bom porque os incidentes com o veneno deste peixe são inchaços, edemas, dor e necrose. Então, após esta surpresa, decidimos estudar seu efeito na asma. E deu certo – comemora a pesquisadora.

 

Após vários testes, a pesquisa apontou que a nova substância pode ser usada em forma de comprimido ou em inaladores. A dosagem necessária para tirar o paciente da crise de asma ou usada na manutenção da doença também deverá ser menor que a dosagem de corticoide. No Brasil, há cerca de 15 milhões de pessoas com asma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Jaqueline Falcão – O Globo


19 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Veneno contra a dor

Pesquisadores do Grupo Santa Casa, de Belo Horizonte, em parceria com a UFMG e a Funed, avaliam a ação da toxina da aranha-armadeira, que tem potencial analgésico maior que o da morfina

A picada da aranha-armadeira traz transtornos para suas vítimas. Além de dor imediata e severa, que, normalmente, irradia para o membro atingido, é comum ocasionar inchaço e dormência local, aumento dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial e agitação psicomotora.

Contudo, é a partir de experiências bem-sucedidas com o seu temido veneno que um importante medicamento analgésico poderá entrar no mercado num futuro próximo. Graças ao poder da toxina, será possível tratar diferentes tipos de dores, como aguda, crônica, inflamatória, cirúrgica, neuropática (comum nos diabéticos) e, inclusive, aquela induzida pelo câncer.

“O setor farmacêutico procura um agente terapêutico efetivo para a dor, que não provoque tantos efeitos colaterais quanto produzem as drogas já existentes no mercado”, avalia Marcus Vinícius Gómez, professor da pós-graduação do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Grupo Santa Casa, em Belo Horizonte.

Segundo ele, alguns laboratórios já se mostraram interessados em dar início aos testes clínicos em humanos com a toxina que foi purificada na Fundação Ezequiel Dias (Funed) e cujas ações farmacológicas foram por ele estudadas em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Concluída essa etapa, o caminho é partir para a produção efetiva de um novo medicamento, que terá produção garantida graças à obtenção da toxina recombinante (desenvolvida em laboratório), que repete os efeitos analgésicos do veneno natural da aranha.

A ação terapêutica da substância retirada da armadeira (Phoneutria nigriventer), patenteada com o nome de Ph-alfa-1beta, vem sendo estudada há cerca de 15 anos pelos pesquisadores mineiros. Nas experiências básicas, avaliou-se seu comportamento em diversos modelos de dor.

Os resultados mostraram que ela é mais potente em seu efeito analgésico do que a morfina e, além disso, sua ação dura mais, cerca de 24 horas. Esses resultados possibilitaram que o grupo de pesquisadores publicasse a pesquisa na revista Pain, de grande renome no meio científico, especialmente no que se refere a estudos relativos à dor.

Os cientistas também demonstraram que a toxina atua em dois alvos terapêuticos da dor, tornando-se a única no mercado a atingi-los. Além disso, na comparação com a droga Prialt, recentemente liberada para uso humano nos Estados Unidos, observaram que o veneno da aranha provoca menos reações adversas. Se comparada com a morfina, a toxina da armadeira ainda traz a vantagem de não desenvolver tolerância, ou seja, ela exerce sua ação analgésica independentemente do número de vezes que é aplicada, o que não ocorre com a morfina.

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Segundo Gómez, a toxina da aranha age impedindo a entrada de cálcio nos terminais nervosos e, consequentemente, inibindo a liberação do glutamato, um neurotransmissor presente no líquor da medula espinhal. Nesse aspecto, os pesquisadores mediram a concentração de glutamato no processo doloroso e observaram que a toxina da aranha era mais potente em diminuir o glutamato do líquor da medula espinhal do que os analgésicos atualmente em uso.

O professor afirma que, no veneno de aranha, foram isoladas outras duas toxinas. Uma nas arritmias cardíacas e outra nas isquemias cerebral e da retina. No caso da isquemia, a toxina seria responsável por proteger a célula da morte induzida pelo choque isquêmico. No estudo da isquemia da retina, projeto desenvolvido pelo IEP em parceria com a Clínica Oftalmológica da Santa Casa, verificou-se que a toxina atua provocando regeneração das células que foram comprometidas.

Já nas pesquisas envolvendo arritmias cardíacas, que estão sendo realizadas em parceria com pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, os resultados demonstram que a ação da toxina envolve o aumento da liberação da acetilcolina, neurotransmissor que atua no sistema nervoso central. As toxinas envolvidas nos três estudos foram purificadas na Funed e deram origem a duas patentes. Uma terceira está sendo solicitada pelos pesquisadores.

Vanessa Jacinto – Correio Braziliense


21 de julho de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisador acha planta que neutraliza veneno da surucucu

Uma árvore de quatro a seis metros de altura pode ser a nova arma contra o veneno da surucucu, a maior serpente venenosa da América do Sul.

Uma pesquisa realizada na UFF (Universidade Federal Fluminense) constatou que um extrato feito a partir da Stryphnodendron barbatiman, popularmente chamada de barbatimão, barba-de-timão, casca da virgindade ou ubatima, é capaz de neutralizar os principais efeitos provocados pela picada da cobra.

A descoberta poderá levar ao desenvolvimento de um novo tratamento contra o veneno da surucucu, que provoca dor intensa, hipotensão, diminuição do ritmo cardíaco, diarreia e hemorragia.

A cobra está presente em todo o território nacional e, entre 2001 e 2004, respondeu por 2,3% dos ataques registrados no Brasil. Seu índice de letalidade, porém, é quase três vezes maior do que o das serpentes do gênero Bothrops, que respondem por 90% dos ataques no país –cerca de 1% das vítimas da surucucu morrem após serem picadas.

Soro antiofídico – Atualmente, o procedimento preconizado pelo Ministério da Saúde em casos de picada de cobras venenosas é a administração de soro antiofídico, produzido a partir de anticorpos produzidos por cavalos inoculados com o veneno.

O soro, porém, tem as desvantagens de ser caro, necessitar de estocagem em baixas temperaturas e provocar reações alérgicas graves em parte dos pacientes. Além disso, é ineficaz contra os efeitos locais das picadas, que muitas vezes deixam sequelas.

Em busca de alternativas de tratamento, o pesquisador Rafael Cisne de Paula pesquisou 12 espécies diferentes de plantas como parte do seu trabalho de mestrado em Neuroimunologia na UFF.

Dessas, apenas uma se mostrou totalmente ineficaz. O extrato produzido a partir da barbatimão, porém, foi o único que conseguiu inibir em mais de 80% os principais efeitos do veneno analisados, impedindo inclusive o desenvolvimento de hemorragias.

Não foi testada, porém, a eficácia da planta sobre a formação de edemas e outras consequências da picada.

Os testes foram realizados em camundongos e, por enquanto, ainda não se sabe qual o mecanismo de ação da planta. Estudos posteriores poderão identificar e isolar os componentes responsáveis pelos efeitos neutralizantes.

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Fonte: Denise Menchen/ Folha.com


5 de maio de 2010 | 1 comentário »

OMS prepara orientações para tratamento de pessoas picadas por cobras venenosas

Pelo menos 5 milhões de pessoas em todo mundo são vítimas de ataques de cobras venenosas, que acabam provocando a morte de cerca de 100 mil anualmente. Para evitar o agravamento da situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vai publicar novas orientações sobre o tratamento dispensado às vítimas. A ideia é incluir informações sobre a produção, a regulação e o controle do soro antiofídico, acompanhadas de um detalhamento sobre as cobras peçonhentas e suas características.

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“Muitos países não têm acesso aos antivenenos de que necessitam. Outros países utilizam antivenenos que nunca foram testados. Muitas vezes são atacadas, não podem receber o tratamento de que necessitam “, disse a diretora-geral adjunta da OMS, Carissa Etienne em um comunicado à imprensa.

As informações são do site da Organização das Nações Unidas (ONU). Pelo estudo em curso, a OMS vai orientar sobre os riscos de ataques de cobras venenosas causarem paralisia, que pode levar à interrupção da respiração, insuficiência renal irreversível, amputação de os órgãos e até hemorragia fatal.

De acordo com a organização, vários fatores levaram à escassez mundial de soro antiofídico, como a falta de dados sobre o número e tipo de picadas de cobra. Além disso, alguns fabricantes pararam de produzir os medicamentos em decorrência de uma série de dificuldades, como estimativas precisas e má distribuição. A partir daí surgiu, segundo a OMS, uma desconfiança sobre a comercialização e a eficácia dos antivenenos.

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As novas orientações deverão reunir dados para colaborar com as ações dos funcionários de saúde pública para determinar que antivenenos são necessários no seu país e com a elaboração de políticas nacionais de saúde pública.

A ideia é também ajudar os médicos e os profissionais de saúde no tratamento de ataques de cobra e aumentar a conscientização entre a população, informando sobre a existência de cobras venenosas que vivem na sua região.

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Fonte: Renata Giraldi/ Agência Brasil


30 de junho de 2009 | nenhum comentário »

Sapo não esguicha veneno de propósito, diz cientista

Estudo anatômico mostra que glândulas com toxina reagem a pressão externa. Segundo grupo do Instituto Butantan, defesa desse grupo de anfíbios é passiva e descarga de veneno no olho da vítima é crença falsa

Rhinella jimi

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Nara Lya Cabral escreve para a “Folha de SP”:

Ao contrário do que prega a crença popular, os sapos não conseguem esguichar seu veneno por vontade própria quando se sentem ameaçados. As glândulas de defesa desses animais só reagem se forem pressionadas – pela mordida de um predador, por exemplo. A teoria acaba de ser provada por cientistas do Instituto Butantan, da USP, e da Universidade de Düsseldorf, na Alemanha.

Carlos Jared, do Butantan, liderou a pesquisa e destaca que, embora o comportamento de defesa dos sapos e sua toxicidade sejam conhecidos pela sabedoria popular, existe muita desinformação sobre o assunto. “É falsa a crença que diz que o sapo esguicha o seu veneno mirando no olho da vítima.”

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No estudo, publicado na última edição do periódico “Toxicon”, os cientistas analisaram o sapo-cururu (Rhinella jimi), uma das espécies mais comuns no Brasil. Jared diz acreditar que a descarga de veneno seja similar para todos os sapos.

Esse grupo, o dos bufonídeos, apresenta o que se chama de “defesa passiva”; seu veneno só é liberado por pressão externa sobre as chamadas glândulas parotoides, localizadas no dorso. Os sapos não têm músculos capazes de esguichá-lo.

Deslocamento

Embora glândulas de veneno estejam presentes em todos os anfíbios, as parotoides apresentam características peculiares. Segundo Jared, durante a história evolutiva dos sapos, essas glândulas sofreram modificações e agregaram-se na região próxima à cabeça, local estrategicamente posicionado para a mordida dos predadores.

Os pesquisadores mostraram que as parotoides são formadas por alvéolos de colágeno semelhantes a favos de mel. Cada um pode ser considerado uma glândula em forma de garrafa, que produz veneno e possui, na parte mais alta, um poro fechado por um “plug” de pele.

Quando um predador abocanha um sapo, mordendo as parotoides, ele pressiona as glândulas e rompe os plugs, recebendo na boca jatos de veneno.

Tudo o que o sapo pode fazer, com o intuito de se defender, é inflar os pulmões e expor as parotoides. Esse comportamento de defesa tem dupla utilidade: faz com que as glândulas fiquem no máximo de turgidez e simula um tamanho de corpo maior. O bicho também pode esvaziar a bexiga sobre o agressor, mas a urina não é tóxica.

Mesmo se o sapo atacado for morto, a espécie ainda se beneficia da adaptação: o predador geralmente passa muito mal e pode associar os efeitos nocivos do veneno ao bicho.

Frequentemente é o predador que não sobrevive. “O veneno é extremamente tóxico, especialmente para o coração”, diz Jared. O contato com a mucosa da boca, de um filhote de cachorro, por exemplo, frequentemente é fatal.

Jared aponta, no entanto, que observações em campo mostraram que os quatis conseguem contornar a ameaça. Eles esfregam a presa contra o solo e, frequentemente, desprezam a região próxima à cabeça e boa parte da pele.

Pesquisadores do Instituto Butantan, liderados por Daniel Pimenta, do mesmo grupo de Jared, já descobriram moléculas com propriedades antibióticas no veneno desses animais. “Já se pode prever o seu grande potencial para a medicina”, afirma Jared.
(Folha de SP, 30/6)


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20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Análise de veneno de cobra revela potencial para tratar hipertensão

Cientistas do Butantan identificaram 4 moléculas com possível aplicação.
Pesquisa analisou bioquímica no veneno de três espécies de serpentes.

Bothrops jararaca, uma das espécies estudadas. Foto: IPEVS

 

Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, descobriram 30 moléculas a partir do mapeamento do conjunto de peptídeos no veneno de três espécies de cobras – a Bothrops jararaca, a Bothrops cotiara e a Bothrops fonsecai. Quatro desses peptídeos (tipos de compostos formados por aminoácidos e sintetizados por seres vivos) foram recriados em laboratório, passaram por testes em ratos e apresentaram atividade anti-hipertensiva, o que dá a eles potencial para, no futuro, serem usados em medicamentos contra problemas de pressão arterial.

Os quatro peptídeos se somam a outros 13, entre o total de descobertos, que são da família dos potenciadores de bradicinina. Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Solange Maria de Toledo Serrano, do Instituto Butantan, este grupo de moléculas é conhecido há décadas por possuir efeitos sobre a pressão arterial. Pesquisas anteriores com peptídeos da mesma família deram origem a remédios contra a hipertensão – o primeiro deles a ser isolado do veneno da jararaca, nos anos 1960, levou à criação do remédio Captopril, por exemplo.

Análise profunda
“Fizemos uma análise profunda e extensa dos peptidomas [conjuntos de peptídeos] do veneno das três serpentes. Foi um ensaio bioquímico de alto nível, do ponto de vista da complexidade do veneno”, diz a pesquisadora. As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada, um dos centros de pesquisa da Fapesp, localizado no Butantan.

Solange ressalta que o objetivo do estudo não foi descobrir novas moléculas, mas descrever a complexidade do conjunto de peptídeos no veneno das três espécies de animais. A pesquisa foi publicada na edição de novembro da revista “Molecular & Cellular Proteomics“.

No total, foram sequenciados 44 peptídeos, sendo que 30 eram desconhecidos. O estudo usou técnicas de bioinformática e de espectrometria de massas, método científico que identifica elementos que compõem uma substância e ajuda a obter informações sobre a massa de moléculas.

Uma das dificuldades foi fazer o sequenciamento das moléculas, já que faltam informações sobre a genética das serpentes e as cadeias de aminoácidos que compõem os peptídeos e proteínas destes animais.

“Como não há genoma completo de nenhuma espécie de serpente no mundo, então os bancos de dados não têm muitas informações sobre os peptídeos destes animais. Não se compara ao que existe em mamíferos”, diz Solange.

A pesquisadora ressalta que o trabalho não visa descobrir um novo medicamento, e que a descoberta das moléculas com características anti-hipertensivas representam apenas um potencial. Para chegar a um remédio, é preciso tempo e investimento em novos estudos, pondera.

Fonte: Globo Natureza


4 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Trinta novas moléculas são descobertas em veneno de serpentes

Por Karina Toledo

Pesquisadores do Instituto Butantan mapeiam conjunto de peptídeos do veneno de três espécies do gênero Bothrops, entre elas a jararaca, e encontram moléculas com potencial ação farmacológica (A.Tashima)

 

Agência FAPESP – Trinta novas moléculas – algumas com potencial ação farmacológica – foram descobertas no Instituto Butantan durante uma pesquisa que mapeou o conjunto de peptídeos existente no veneno de três espécies de serpentes do gênero Bothrops, entre elas a jararaca.

“O objetivo do trabalho era descrever a complexidade do peptidoma, ou conjunto de peptídeos, presente no veneno das espécies B. jararacaB. cotiara e B. fonsecai”, contou Solange Maria de Toledo Serrano, coordenadora da pesquisa.

Os resultados do estudo, considerado o mais profundo já realizado sobre peptidomas de venenos de serpentes, foram divulgados em artigo publicado na edição de novembro da revista Molecular & Cellular Proteomics.

Foram sequenciados 44 peptídeos, dos quais 30 ainda eram desconhecidos. Entre as novas moléculas, pelo menos quatro já testadas apresentaram atividade de potenciação da bradicinina e inibição da atividade da enzima conversora de angiotensina, substâncias envolvidas no controle da pressão arterial.

O primeiro peptídeo potenciador de bradicinina isolado no veneno da jararaca ainda nos anos 1960 deu origem a toda uma classe de medicamentos anti-hipertensivos à qual pertence, por exemplo, o Captopril.

Para a pesquisadora, que estuda enzimas proteolíticas de venenos há algum tempo, foi importante utilizar abordagens de espectrometria de massas e bioinformática para mapear e descrever os pontos de clivagens – nas toxinas que sofrem a ação enzimática, principalmente de metaloproteinases, quando a “homeostase” do veneno é quebrada durante o processamento dos venenos para análise.

As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada (CAT), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP, durante o pós-doutorado de Alexandre Keiji Tashima, atualmente professor do Departamento de Ciências Exatas e da Terra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Diadema.

Para identificar os peptídeos presentes nas amostras de veneno das três espécies Bothrops, o primeiro passo foi separá-los das proteínas (que são moléculas maiores), contou Tashima.

“Separamos a fração proteica da fração peptídica, que juntas correspondem à maior parte das substâncias presentes na secreção, por um processo chamado extração em fase sólida”, disse.

Em seguida, a fração peptídica foi analisada com a ajuda de um espectrômetro de massas, aparelho que mede a razão massa/carga das moléculas ionizadas para obter informações de massa das moléculas intactas e de seus fragmentos.

“A grande dificuldade, no caso do peptidoma de venenos, é a falta de banco de dados que permita fazer a identificação das cadeias de aminoácidos de forma automática. Em grande parte dos casos é preciso fazer o sequenciamento manual”, explicou Tashima.

Segundo Serrano, essa é a razão pela qual o conhecimento sobre os proteomas de venenos avança de maneira bem mais rápida que o conhecimento sobre os peptidomas. O grupo da pesquisadora já havia investigado o conjunto de proteínas produzidas por essas três espécies em estudos anteriores.

“Os venenos de serpentes são ricas fontes de peptídeos biologicamente ativos, no entanto, devido ao baixo número de sequências depositadas em bancos de dados, o avanço na descoberta de novas moléculas tem ocorrido de maneira lenta. Isso é ainda mais crítico para espécies raras, como a B. cotiara e a B. fonsecai, ambas consideradas sob risco de extinção e sobre as quais há poucos trabalhos publicados na literatura”, comentou a pesquisadora.

Resultados inesperados

Ao fazer o sequenciamento das cadeias polipeptídicas, os pesquisadores se surpreenderam ao perceber que o peptidoma das amostras de veneno fresco era bem menos complexo do que o presente em amostras de veneno liofilizado.

“Quando o veneno é submetido às condições de laboratório, enzimas proteolíticas naturalmente presentes na secreção entram em ação e começam a degradar as proteínas, dando origem a mais peptídeos”, explicou Tashima.

Os cientistas compararam três tipos de amostra: veneno fresco colhido na presença de inibidores de enzimas proteolíticas, veneno liofilizado diluído em uma solução com inibidores de enzimas proteolíticas e veneno liofilizado diluído em solução ácida. Esta última foi a que apresentou o maior número de fragmentos de proteínas, ou seja, sofreu maior degradação.

“Não esperávamos observar uma degradação tão forte das proteínas. Agora, será preciso estudar o impacto disso, por exemplo, na produção de soros antiofídicos, que normalmente é feita com veneno liofilizado”, afirmou Tashima.

As serpentes do gênero Bothrops são responsáveis por cerca de 90% dos acidentes ofídicos que ocorrem no país, contou o pesquisador. A grande maioria dos casos envolve a jararaca, comum no país inteiro. Já a B. cotiara está presente apenas nas regiões de mata araucária e a B. fonsecai, na Mata Atlântica.

Para Hugo Aguirre Armelin, coordenador do CAT-CEPID, a pesquisa revela as vantagens da abordagem proteômica para o estudo dos venenos. “O apoio da FAPESP está terminando este ano, mas deixou um laboratório equipado com espectrômetro de última geração que nos permite fazer análises detalhadas de estruturas tão complexas como a dos venenos de serpentes. Além disso, permitiu formar recursos humanos qualificados”, disse.

O artigo Peptidomics of Three Bothrops Snake Venoms: Insights Into the Molecular Diversification of Proteomes and Peptidomes (doi: 10.1074/mcp.M112.019331) pode ser lido em www.mcponline.org/content/11/11/1245.abstract.


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa brasileira descobre que sapo esguicha jatos de veneno

Espécie amazônica libera líquido com toxinas que alcança até dois metros.
Alvo do sapo é atingir mucosa dos olhos e da boca.

Pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, descobriram que a espécie de sapo Rhaebo guttatus, endêmica da Amazônia, pode ser o primeiro anfíbio que apresenta táticas de autodefesa ao esguichar veneno nos predadores para causar neles infecções graves.

Esta diferença foi notada por especialistas de diversas universidades, entre elas a de São Paulo e a Estadual de Campinas, durante incursões na floresta amazônica. Eles perceberam que este anfíbio faz movimentações corporais que comprimem glândulas nas costas e liberam jatos de venenos que podem atingir até dois metros de distância.

De acordo com Carlos Jared, diretor do laboratório de Biologia Celular do instituto, o alvo principal do veneno são os olhos ou a boca, já que seu conteúdo só interage com a mucosa — que leva as toxinas para a corrente sanguínea.

“É uma coisa fora dos padrões dos anuros [ordem dos animais a qual pertence os anfíbios]. As outras espécies de sapos só liberam veneno quando são ‘mastigados’ por presas. E já oRhaebo guttatus encontrado na Amazônia o esguicha com precisão”, disse Jared.

Entretanto, seu grau de letalidade é 30% menor ao dos venenos de outros exemplares – que podem até causar a morte dos predadores. “A intenção deste sapo é dar um ‘chega pra lá’ nas presas. No ser humano não sabemos qual é o efeito, já que nunca houve casos de contaminação”, explica.

Folclore
O pesquisador afirma que esse fato explicaria o folclore de que as pessoas tinham que tomar cuidado com os sapos, porque eles soltariam jatos nos olhos.

“Isto pode ter vindo da época do descobrimento da região amazônica, há séculos. Mas isso só faz sentido se for na área de floresta, já que esta espécie perde as propriedades de ataque se for mantida em cativeiro”, explica.

Veneno como medicamento
Jared afirma que essa característica foi descrita por brasileiros na publicação científica “Amphibia-Reptilia”, 200 anos depois da espécie ter sido descoberta.

Ele afirma que o veneno da espécie é composto por substâncias como esteróides e lipídeos, bem diferente das toxinas encontradas em outros anfíbios. Além disso, o líquido liberado peloRhaebo guttatus pode auxiliar cientistas no combate a fungos.

“Ele tem uma propriedade ativa de fungicida por andar no chão da floresta. A médio prazo, pretendemos desenvolver uma fórmula de medicamento contra esse tipo de inflamação”, diz.

Sapo amazônico (Foto: Divulgação)

Exemplar do sapo 'Rhaebo guttatus', encontrado apenas na floresta amazônica. Espécie libera jatos de veneno contra predadores. (Foto: Divulgação)

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/pesquisa-brasileira-descobre-que-sapo-esguicha-jatos-de-veneno.html

Fonte: Globo Natureza


3 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Caramujo engole peixe depois de paralisá-lo com veneno, veja vídeo

Um programa da BBC capturou em vídeo o momento exato em que um caramujo engole um peixe, depois de paralisar sua presa com um veneno, transmitido por um pequeno “arpão” que possui em seu corpo.

Click e veja o vídeo: http://www.bbc.co.uk/worldservice/emp/pop.shtml?l=pt&t=video&p=/portuguese/meta/dps/2012/01/emp/120131_caramujo_assassino_bg.emp.xml

O caramujo conus (Conus geographus) é uma das maiores espécies de invertebrados, podendo até matar um ser humano.

Há mais de 640 espécies diferentes de caramujos predatórios desse tipo, a maior parte dos quais vive em regiões tropicais.

Os caramujos cone são a maior espécie conhecida de invertebrados. Eles comem moluscos, vermes e peixes, que paralisam usando o seu “arpão” e o veneno, que contém até 200 toxinas distintas.

O caramujo conus é considerado um dos mais venenosos e pode até matar um ser humano; assista ao vídeo

O caramujo conus é considerado um dos mais venenosos e pode até matar um ser humano; (BBC Brasil)

Fonte: BBC Brasil


23 de março de 2011 | nenhum comentário »

Substância de veneno de cobra pode ajudar no combate ao câncer

Uma substância retirada de moléculas do veneno da cobra Jaracuçu – uma das mais venenosas da fauna brasileira, está sendo estudada por cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC). Segundo os cientistas a proteína extraída do veneno da serpente destrói células cancerosas de tumores do intestino e pode ajudar na cura contra vários tipos de câncer.

Em apenas uma picada, a Jurucuçu pode destilar até quatro milímetros de veneno ou mais. É uma das muitas espécies do centro de produção de pesquisa de imunobiológicos do Paraná. Os estudos estão sendo desenvolvidos desde 2006 no laboratório da universidade.

De acordo com uma pesquisadora da PUC, Selene Exposito, o estudo futuramente será de grande importância para combater o câncer.

Fonte: G1


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Substância em veneno de peixe trata a asma

Proteína tem propriedade anti-inflamatória e não provoca efeitos colaterais como corticoides

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Uma substância extraída do veneno do peixe niquim, muito comum no Norte e Nordeste do país, promete tratar a asma de forma mais natural e sem os efeitos colaterais dos medicamentos convencionais à base de corticoides.

 

Monica Lopes Ferreira, uma das pesquisadoras do Instituto Butantan, de São Paulo, identificou um peptídeo (proteína) com propriedade anti-inflamatória.

 

A nova substância já foi patenteada no Brasil e está em processo de registro em outros países como China, Japão, Inglaterra e EUA. O próximo passo será a produção de remédios a partir da droga pela indústria farmacêutica. Um laboratório já se interessou e prepara testes. O processo de elaboração do medicamento deve durar três anos.

 

- Pesquiso esse peixe há 14 anos e há quatro analisava os componentes que compõem o veneno do animal. E encontramos um aminoácido que tinha um efeito anti-inflamatório. Algo muito bom porque os incidentes com o veneno deste peixe são inchaços, edemas, dor e necrose. Então, após esta surpresa, decidimos estudar seu efeito na asma. E deu certo – comemora a pesquisadora.

 

Após vários testes, a pesquisa apontou que a nova substância pode ser usada em forma de comprimido ou em inaladores. A dosagem necessária para tirar o paciente da crise de asma ou usada na manutenção da doença também deverá ser menor que a dosagem de corticoide. No Brasil, há cerca de 15 milhões de pessoas com asma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Jaqueline Falcão – O Globo


19 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Veneno contra a dor

Pesquisadores do Grupo Santa Casa, de Belo Horizonte, em parceria com a UFMG e a Funed, avaliam a ação da toxina da aranha-armadeira, que tem potencial analgésico maior que o da morfina

A picada da aranha-armadeira traz transtornos para suas vítimas. Além de dor imediata e severa, que, normalmente, irradia para o membro atingido, é comum ocasionar inchaço e dormência local, aumento dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial e agitação psicomotora.

Contudo, é a partir de experiências bem-sucedidas com o seu temido veneno que um importante medicamento analgésico poderá entrar no mercado num futuro próximo. Graças ao poder da toxina, será possível tratar diferentes tipos de dores, como aguda, crônica, inflamatória, cirúrgica, neuropática (comum nos diabéticos) e, inclusive, aquela induzida pelo câncer.

“O setor farmacêutico procura um agente terapêutico efetivo para a dor, que não provoque tantos efeitos colaterais quanto produzem as drogas já existentes no mercado”, avalia Marcus Vinícius Gómez, professor da pós-graduação do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Grupo Santa Casa, em Belo Horizonte.

Segundo ele, alguns laboratórios já se mostraram interessados em dar início aos testes clínicos em humanos com a toxina que foi purificada na Fundação Ezequiel Dias (Funed) e cujas ações farmacológicas foram por ele estudadas em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Concluída essa etapa, o caminho é partir para a produção efetiva de um novo medicamento, que terá produção garantida graças à obtenção da toxina recombinante (desenvolvida em laboratório), que repete os efeitos analgésicos do veneno natural da aranha.

A ação terapêutica da substância retirada da armadeira (Phoneutria nigriventer), patenteada com o nome de Ph-alfa-1beta, vem sendo estudada há cerca de 15 anos pelos pesquisadores mineiros. Nas experiências básicas, avaliou-se seu comportamento em diversos modelos de dor.

Os resultados mostraram que ela é mais potente em seu efeito analgésico do que a morfina e, além disso, sua ação dura mais, cerca de 24 horas. Esses resultados possibilitaram que o grupo de pesquisadores publicasse a pesquisa na revista Pain, de grande renome no meio científico, especialmente no que se refere a estudos relativos à dor.

Os cientistas também demonstraram que a toxina atua em dois alvos terapêuticos da dor, tornando-se a única no mercado a atingi-los. Além disso, na comparação com a droga Prialt, recentemente liberada para uso humano nos Estados Unidos, observaram que o veneno da aranha provoca menos reações adversas. Se comparada com a morfina, a toxina da armadeira ainda traz a vantagem de não desenvolver tolerância, ou seja, ela exerce sua ação analgésica independentemente do número de vezes que é aplicada, o que não ocorre com a morfina.

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Segundo Gómez, a toxina da aranha age impedindo a entrada de cálcio nos terminais nervosos e, consequentemente, inibindo a liberação do glutamato, um neurotransmissor presente no líquor da medula espinhal. Nesse aspecto, os pesquisadores mediram a concentração de glutamato no processo doloroso e observaram que a toxina da aranha era mais potente em diminuir o glutamato do líquor da medula espinhal do que os analgésicos atualmente em uso.

O professor afirma que, no veneno de aranha, foram isoladas outras duas toxinas. Uma nas arritmias cardíacas e outra nas isquemias cerebral e da retina. No caso da isquemia, a toxina seria responsável por proteger a célula da morte induzida pelo choque isquêmico. No estudo da isquemia da retina, projeto desenvolvido pelo IEP em parceria com a Clínica Oftalmológica da Santa Casa, verificou-se que a toxina atua provocando regeneração das células que foram comprometidas.

Já nas pesquisas envolvendo arritmias cardíacas, que estão sendo realizadas em parceria com pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, os resultados demonstram que a ação da toxina envolve o aumento da liberação da acetilcolina, neurotransmissor que atua no sistema nervoso central. As toxinas envolvidas nos três estudos foram purificadas na Funed e deram origem a duas patentes. Uma terceira está sendo solicitada pelos pesquisadores.

Vanessa Jacinto – Correio Braziliense


21 de julho de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisador acha planta que neutraliza veneno da surucucu

Uma árvore de quatro a seis metros de altura pode ser a nova arma contra o veneno da surucucu, a maior serpente venenosa da América do Sul.

Uma pesquisa realizada na UFF (Universidade Federal Fluminense) constatou que um extrato feito a partir da Stryphnodendron barbatiman, popularmente chamada de barbatimão, barba-de-timão, casca da virgindade ou ubatima, é capaz de neutralizar os principais efeitos provocados pela picada da cobra.

A descoberta poderá levar ao desenvolvimento de um novo tratamento contra o veneno da surucucu, que provoca dor intensa, hipotensão, diminuição do ritmo cardíaco, diarreia e hemorragia.

A cobra está presente em todo o território nacional e, entre 2001 e 2004, respondeu por 2,3% dos ataques registrados no Brasil. Seu índice de letalidade, porém, é quase três vezes maior do que o das serpentes do gênero Bothrops, que respondem por 90% dos ataques no país –cerca de 1% das vítimas da surucucu morrem após serem picadas.

Soro antiofídico – Atualmente, o procedimento preconizado pelo Ministério da Saúde em casos de picada de cobras venenosas é a administração de soro antiofídico, produzido a partir de anticorpos produzidos por cavalos inoculados com o veneno.

O soro, porém, tem as desvantagens de ser caro, necessitar de estocagem em baixas temperaturas e provocar reações alérgicas graves em parte dos pacientes. Além disso, é ineficaz contra os efeitos locais das picadas, que muitas vezes deixam sequelas.

Em busca de alternativas de tratamento, o pesquisador Rafael Cisne de Paula pesquisou 12 espécies diferentes de plantas como parte do seu trabalho de mestrado em Neuroimunologia na UFF.

Dessas, apenas uma se mostrou totalmente ineficaz. O extrato produzido a partir da barbatimão, porém, foi o único que conseguiu inibir em mais de 80% os principais efeitos do veneno analisados, impedindo inclusive o desenvolvimento de hemorragias.

Não foi testada, porém, a eficácia da planta sobre a formação de edemas e outras consequências da picada.

Os testes foram realizados em camundongos e, por enquanto, ainda não se sabe qual o mecanismo de ação da planta. Estudos posteriores poderão identificar e isolar os componentes responsáveis pelos efeitos neutralizantes.

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Fonte: Denise Menchen/ Folha.com


5 de maio de 2010 | 1 comentário »

OMS prepara orientações para tratamento de pessoas picadas por cobras venenosas

Pelo menos 5 milhões de pessoas em todo mundo são vítimas de ataques de cobras venenosas, que acabam provocando a morte de cerca de 100 mil anualmente. Para evitar o agravamento da situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vai publicar novas orientações sobre o tratamento dispensado às vítimas. A ideia é incluir informações sobre a produção, a regulação e o controle do soro antiofídico, acompanhadas de um detalhamento sobre as cobras peçonhentas e suas características.

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“Muitos países não têm acesso aos antivenenos de que necessitam. Outros países utilizam antivenenos que nunca foram testados. Muitas vezes são atacadas, não podem receber o tratamento de que necessitam “, disse a diretora-geral adjunta da OMS, Carissa Etienne em um comunicado à imprensa.

As informações são do site da Organização das Nações Unidas (ONU). Pelo estudo em curso, a OMS vai orientar sobre os riscos de ataques de cobras venenosas causarem paralisia, que pode levar à interrupção da respiração, insuficiência renal irreversível, amputação de os órgãos e até hemorragia fatal.

De acordo com a organização, vários fatores levaram à escassez mundial de soro antiofídico, como a falta de dados sobre o número e tipo de picadas de cobra. Além disso, alguns fabricantes pararam de produzir os medicamentos em decorrência de uma série de dificuldades, como estimativas precisas e má distribuição. A partir daí surgiu, segundo a OMS, uma desconfiança sobre a comercialização e a eficácia dos antivenenos.

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As novas orientações deverão reunir dados para colaborar com as ações dos funcionários de saúde pública para determinar que antivenenos são necessários no seu país e com a elaboração de políticas nacionais de saúde pública.

A ideia é também ajudar os médicos e os profissionais de saúde no tratamento de ataques de cobra e aumentar a conscientização entre a população, informando sobre a existência de cobras venenosas que vivem na sua região.

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Fonte: Renata Giraldi/ Agência Brasil


30 de junho de 2009 | nenhum comentário »

Sapo não esguicha veneno de propósito, diz cientista

Estudo anatômico mostra que glândulas com toxina reagem a pressão externa. Segundo grupo do Instituto Butantan, defesa desse grupo de anfíbios é passiva e descarga de veneno no olho da vítima é crença falsa

Rhinella jimi

Rhinella jimi

Nara Lya Cabral escreve para a “Folha de SP”:

Ao contrário do que prega a crença popular, os sapos não conseguem esguichar seu veneno por vontade própria quando se sentem ameaçados. As glândulas de defesa desses animais só reagem se forem pressionadas – pela mordida de um predador, por exemplo. A teoria acaba de ser provada por cientistas do Instituto Butantan, da USP, e da Universidade de Düsseldorf, na Alemanha.

Carlos Jared, do Butantan, liderou a pesquisa e destaca que, embora o comportamento de defesa dos sapos e sua toxicidade sejam conhecidos pela sabedoria popular, existe muita desinformação sobre o assunto. “É falsa a crença que diz que o sapo esguicha o seu veneno mirando no olho da vítima.”

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No estudo, publicado na última edição do periódico “Toxicon”, os cientistas analisaram o sapo-cururu (Rhinella jimi), uma das espécies mais comuns no Brasil. Jared diz acreditar que a descarga de veneno seja similar para todos os sapos.

Esse grupo, o dos bufonídeos, apresenta o que se chama de “defesa passiva”; seu veneno só é liberado por pressão externa sobre as chamadas glândulas parotoides, localizadas no dorso. Os sapos não têm músculos capazes de esguichá-lo.

Deslocamento

Embora glândulas de veneno estejam presentes em todos os anfíbios, as parotoides apresentam características peculiares. Segundo Jared, durante a história evolutiva dos sapos, essas glândulas sofreram modificações e agregaram-se na região próxima à cabeça, local estrategicamente posicionado para a mordida dos predadores.

Os pesquisadores mostraram que as parotoides são formadas por alvéolos de colágeno semelhantes a favos de mel. Cada um pode ser considerado uma glândula em forma de garrafa, que produz veneno e possui, na parte mais alta, um poro fechado por um “plug” de pele.

Quando um predador abocanha um sapo, mordendo as parotoides, ele pressiona as glândulas e rompe os plugs, recebendo na boca jatos de veneno.

Tudo o que o sapo pode fazer, com o intuito de se defender, é inflar os pulmões e expor as parotoides. Esse comportamento de defesa tem dupla utilidade: faz com que as glândulas fiquem no máximo de turgidez e simula um tamanho de corpo maior. O bicho também pode esvaziar a bexiga sobre o agressor, mas a urina não é tóxica.

Mesmo se o sapo atacado for morto, a espécie ainda se beneficia da adaptação: o predador geralmente passa muito mal e pode associar os efeitos nocivos do veneno ao bicho.

Frequentemente é o predador que não sobrevive. “O veneno é extremamente tóxico, especialmente para o coração”, diz Jared. O contato com a mucosa da boca, de um filhote de cachorro, por exemplo, frequentemente é fatal.

Jared aponta, no entanto, que observações em campo mostraram que os quatis conseguem contornar a ameaça. Eles esfregam a presa contra o solo e, frequentemente, desprezam a região próxima à cabeça e boa parte da pele.

Pesquisadores do Instituto Butantan, liderados por Daniel Pimenta, do mesmo grupo de Jared, já descobriram moléculas com propriedades antibióticas no veneno desses animais. “Já se pode prever o seu grande potencial para a medicina”, afirma Jared.
(Folha de SP, 30/6)


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