27 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Empresa brasileira produzirá em larga escala plástico a partir da cana-de-açúcar

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma empresa brasileira vai produzir anualmente 200 mil toneladas de matéria-prima para a produção de plásticos a partir da cana-de-açúcar. Chamado de plástico verde, o material tem origem 100% renovável e contribui para absorver mais gás carbônico da atmosfera do que emite ao longo do seu ciclo de vida.

A iniciativa é da empresa petroquímica Braskem que vai lançar ainda hoje (22) em Triunfo, no Rio Grande do Sul, a pedra fundamental do Projeto Verde da Braskem, planta industrial da fábrica cujas obras vão gerar 1.500 empregos.

A unidade deverá estar concluída no final do próximo ano e consumirá investimentos de R$ 500 milhões. Segundo o responsável pela comercialização de polímeros verdes da Braskem, Luiz Nitschke, essa será a primeira operação em escala comercial no mundo da produção de polietileno verde a partir de matéria-prima totalmente renovável.

Nitschke informou que a produção será destinada ao mercado do produto alternativo, que consome em todo o mundo 70 milhões de toneladas de polietileno por ano. O consumo de plásticos provenientes de todas as origens chega a 200 milhões de toneladas ao ano, de acordo com ele.

Ele explicou que, inicialmente, será usada cana proveniente de São Paulo, mas o projeto vai estimular também a exploração da cultura no estado. O zoneamento agrícola da cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul foi divulgado na semana passada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O polietileno verde vai ser produzido a partir de uma resina sintetizada do etanol e permitirá a fabricação de tanques de combustível para veículos, filmes para fraldas descartáveis, recipientes para iogurtes, leite, xampu, detergentes.

O polietileno é fornecido à indústria em forma de bolinhas que são então transformadas nas embalagens ou em peças para diversas finalidades, como para a indústria de brinquedos.

Nitschke afirma que usar álcool para produzir polietileno não vai provocar impacto na produção de açúcar ou de combustível, tendo em vista a potencialidade do Brasil nessa área. O país, conforme destacou o executivo, produz 500 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e praticamente metade vai para a industrialização do etanol e os 50% restante, para a produção do açúcar.

A planta que a Braskem terá funcionando no ano que vem envolverá o uso inicial de 400 milhões de litros de álcool.

the hit list full

De acordo com Nitschke, a agropecuária usa 220 milhões de hectares para a criação de gado e 3,4 milhões para a de cana, o que representa apenas 1% da terra arada no Brasil. Para ele, “não há equação possível, em relação à cultura da cana, que justifique embaraços aos planos da matriz energética nacional”.

Ele disse, ainda, que a ampliação do potencial de produção da fábrica de polietileno verde de Triunfo, nos próximos anos, dependerá da demanda do mercado internacional. Nitschke lembrou que o polietileno verde substitui a matéria-prima proveniente de reservas fósseis oferecendo um produto de fonte renovável e que fixa o gás carbônico com a síntese da resina obtida para a produção do polietileno.

A inauguração da planta da Braskem, logo mais, às 16 horas, deverá contar com a presença da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff.


3 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Não basta ser verde só na fachada

_fundo_pintadoEspecialistas ensinam a lidar com um consumidor cada vez mais desconfiado – e que praticamente ignora empresas comprometidas com o meio ambiente

Primeiro, é preciso agir de forma consistente. Feito isso, comunicar suas ações e, em seguida, convidar o cliente a fazer o mesmo. Esse é o passo a passo básico que uma empresa deve seguir para convencer o consumidor de que é comprometida com a responsabilidade social e ambiental. Caso contrário, todas as companhias – as que são “verdes” só na propaganda e também aquelas realmente responsáveis – correrão o risco de esbarrar no crescente ceticismo dos brasileiros em relação às empresas que se declaram sustentáveis.

Segundo levantamento feito pelo Ibope em 2007, 46% das pessoas acreditam que as marcas que fazem algo pela sociedade e o meio ambiente têm apenas o marketing como fim. E quase 60% duvidam da honestidade das corporações que divulgam suas ações, de acordo com a MarketAnalysis. Estudos feitos por institutos voltados à responsabilidade empresarial e ao consumo consciente, como o Ethos e o Akatu, sugerem que o consumidor não apenas está mais cético. Ele também ficou mais acomodado: a prática de punir marcas consideradas irresponsáveis e premiar as responsáveis tem perdido força, ao passo que cada vez mais pessoas preferem repassar ao governo a missão de fiscalizar a atuação do setor privado.

Outro dado que deve preocupar as companhias (e também as agências de publicidade) é que, apesar da enxurrada de campanhas sobre o assunto na mídia, a maioria das pessoas não consegue apontar sequer uma marca reconhecida por sua responsabilidade ambiental – foi o caso de 63% dos entrevistados da pesquisa Top of Mind 2008, do jornal Folha de S.Paulo. Entre ceticismo, comodismo e desconhecimento, nem especialistas sabem apontar exatamente o que é causa e o que é consequência. Fato é que há problemas sérios ou na atuação ou na comunicação das empresas. Talvez em ambas.

Desafio

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“As empresas têm o desafio de se comunicar adequadamente. Têm que ajudar o consumidor a distinguir as que efetivamente adotam boas práticas daquelas que querem apenas manipular sua imagem”, diz Dorothy Roma, gerente de pesquisas e métricas do Instituto Akatu. Ela lembra que, quanto mais exigente o consumidor, maior o incentivo para que as empresas iniciem ou mantenham esse tipo de prática. “Por isso, elas precisam assumir que podem contribuir para sensibilizar e mobilizar o consumidor, para que ele desempenhe um papel ativo no processo, tornando-se um agente de valorização das ações responsáveis.”

A publicitária Erika Herkenhoff, diretora-executiva da agência Competence em Curitiba, segue o mesmo raciocínio. Defensora da ideia dos três passos da publicidade “verde”, ela sugere que as empresas passem a ajudar os consumidores a desembolsar menos dinheiro e, ao mesmo tempo, poupar a natureza. “As dicas têm que ser muito práticas e oferecer ao consumidor a oportunidade de segui-las já na compra do produto ou na contratação do serviço”, explica. Segundo ela, a propaganda pode levar esse tipo de informação não apenas em anúncios, mas também nas embalagens, nos sites das empresas ou diretamente no ponto-de-venda. “Mas não basta a empresa falar. Antes de mais nada, ela precisa praticar a sustentabilidade, e de forma muito transparente.”

Lavagem

A questão é de coerência, define Rubens Mazzali, economista-chefe do Escritório de Sustentabilidade Estratégica do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae/FGV). “É preciso um trabalho constante, em toda a cadeia, com fornecedores, funcionários e com a comunidade influenciada pelas atividades da empresa. É preferível fazer um pouquinho em toda a cadeia do que se concentrar em apenas um de seus elos”, diz. “Caso contrário, aparecer na mídia simplesmente para falar de um projeto social aqui ou ali soa como ‘barulho’ ao consumidor, acaba desagradando.”

Mais do que incomodar, esse ruído pode desmascarar as adeptas do chamado “green washing” (“lavagem verde”). “A companhia que faz alarde, que exagera em suas supostas virtudes, se expõe a um risco imenso. Ao fazer propaganda, chama a atenção para si. E aí não será difícil descobrir se há uma pilha de processos contra ela na Justiça Trabalhista ou em órgãos ambientais, por exemplo”, aponta o economista Ricardo Abramovay, coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental da Universidade de São Paulo (USP). “Isso tende a abalar seriamente a reputação da empresa, que é um de seus maiores patrimônios.”

Fonte: Gazeta do Povo






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Empresa brasileira produzirá em larga escala plástico a partir da cana-de-açúcar

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma empresa brasileira vai produzir anualmente 200 mil toneladas de matéria-prima para a produção de plásticos a partir da cana-de-açúcar. Chamado de plástico verde, o material tem origem 100% renovável e contribui para absorver mais gás carbônico da atmosfera do que emite ao longo do seu ciclo de vida.

A iniciativa é da empresa petroquímica Braskem que vai lançar ainda hoje (22) em Triunfo, no Rio Grande do Sul, a pedra fundamental do Projeto Verde da Braskem, planta industrial da fábrica cujas obras vão gerar 1.500 empregos.

A unidade deverá estar concluída no final do próximo ano e consumirá investimentos de R$ 500 milhões. Segundo o responsável pela comercialização de polímeros verdes da Braskem, Luiz Nitschke, essa será a primeira operação em escala comercial no mundo da produção de polietileno verde a partir de matéria-prima totalmente renovável.

Nitschke informou que a produção será destinada ao mercado do produto alternativo, que consome em todo o mundo 70 milhões de toneladas de polietileno por ano. O consumo de plásticos provenientes de todas as origens chega a 200 milhões de toneladas ao ano, de acordo com ele.

Ele explicou que, inicialmente, será usada cana proveniente de São Paulo, mas o projeto vai estimular também a exploração da cultura no estado. O zoneamento agrícola da cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul foi divulgado na semana passada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O polietileno verde vai ser produzido a partir de uma resina sintetizada do etanol e permitirá a fabricação de tanques de combustível para veículos, filmes para fraldas descartáveis, recipientes para iogurtes, leite, xampu, detergentes.

O polietileno é fornecido à indústria em forma de bolinhas que são então transformadas nas embalagens ou em peças para diversas finalidades, como para a indústria de brinquedos.

Nitschke afirma que usar álcool para produzir polietileno não vai provocar impacto na produção de açúcar ou de combustível, tendo em vista a potencialidade do Brasil nessa área. O país, conforme destacou o executivo, produz 500 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e praticamente metade vai para a industrialização do etanol e os 50% restante, para a produção do açúcar.

A planta que a Braskem terá funcionando no ano que vem envolverá o uso inicial de 400 milhões de litros de álcool.

the hit list full

De acordo com Nitschke, a agropecuária usa 220 milhões de hectares para a criação de gado e 3,4 milhões para a de cana, o que representa apenas 1% da terra arada no Brasil. Para ele, “não há equação possível, em relação à cultura da cana, que justifique embaraços aos planos da matriz energética nacional”.

Ele disse, ainda, que a ampliação do potencial de produção da fábrica de polietileno verde de Triunfo, nos próximos anos, dependerá da demanda do mercado internacional. Nitschke lembrou que o polietileno verde substitui a matéria-prima proveniente de reservas fósseis oferecendo um produto de fonte renovável e que fixa o gás carbônico com a síntese da resina obtida para a produção do polietileno.

A inauguração da planta da Braskem, logo mais, às 16 horas, deverá contar com a presença da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff.


3 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Não basta ser verde só na fachada

_fundo_pintadoEspecialistas ensinam a lidar com um consumidor cada vez mais desconfiado – e que praticamente ignora empresas comprometidas com o meio ambiente

Primeiro, é preciso agir de forma consistente. Feito isso, comunicar suas ações e, em seguida, convidar o cliente a fazer o mesmo. Esse é o passo a passo básico que uma empresa deve seguir para convencer o consumidor de que é comprometida com a responsabilidade social e ambiental. Caso contrário, todas as companhias – as que são “verdes” só na propaganda e também aquelas realmente responsáveis – correrão o risco de esbarrar no crescente ceticismo dos brasileiros em relação às empresas que se declaram sustentáveis.

Segundo levantamento feito pelo Ibope em 2007, 46% das pessoas acreditam que as marcas que fazem algo pela sociedade e o meio ambiente têm apenas o marketing como fim. E quase 60% duvidam da honestidade das corporações que divulgam suas ações, de acordo com a MarketAnalysis. Estudos feitos por institutos voltados à responsabilidade empresarial e ao consumo consciente, como o Ethos e o Akatu, sugerem que o consumidor não apenas está mais cético. Ele também ficou mais acomodado: a prática de punir marcas consideradas irresponsáveis e premiar as responsáveis tem perdido força, ao passo que cada vez mais pessoas preferem repassar ao governo a missão de fiscalizar a atuação do setor privado.

Outro dado que deve preocupar as companhias (e também as agências de publicidade) é que, apesar da enxurrada de campanhas sobre o assunto na mídia, a maioria das pessoas não consegue apontar sequer uma marca reconhecida por sua responsabilidade ambiental – foi o caso de 63% dos entrevistados da pesquisa Top of Mind 2008, do jornal Folha de S.Paulo. Entre ceticismo, comodismo e desconhecimento, nem especialistas sabem apontar exatamente o que é causa e o que é consequência. Fato é que há problemas sérios ou na atuação ou na comunicação das empresas. Talvez em ambas.

Desafio

download the tourist film score

“As empresas têm o desafio de se comunicar adequadamente. Têm que ajudar o consumidor a distinguir as que efetivamente adotam boas práticas daquelas que querem apenas manipular sua imagem”, diz Dorothy Roma, gerente de pesquisas e métricas do Instituto Akatu. Ela lembra que, quanto mais exigente o consumidor, maior o incentivo para que as empresas iniciem ou mantenham esse tipo de prática. “Por isso, elas precisam assumir que podem contribuir para sensibilizar e mobilizar o consumidor, para que ele desempenhe um papel ativo no processo, tornando-se um agente de valorização das ações responsáveis.”

A publicitária Erika Herkenhoff, diretora-executiva da agência Competence em Curitiba, segue o mesmo raciocínio. Defensora da ideia dos três passos da publicidade “verde”, ela sugere que as empresas passem a ajudar os consumidores a desembolsar menos dinheiro e, ao mesmo tempo, poupar a natureza. “As dicas têm que ser muito práticas e oferecer ao consumidor a oportunidade de segui-las já na compra do produto ou na contratação do serviço”, explica. Segundo ela, a propaganda pode levar esse tipo de informação não apenas em anúncios, mas também nas embalagens, nos sites das empresas ou diretamente no ponto-de-venda. “Mas não basta a empresa falar. Antes de mais nada, ela precisa praticar a sustentabilidade, e de forma muito transparente.”

Lavagem

A questão é de coerência, define Rubens Mazzali, economista-chefe do Escritório de Sustentabilidade Estratégica do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae/FGV). “É preciso um trabalho constante, em toda a cadeia, com fornecedores, funcionários e com a comunidade influenciada pelas atividades da empresa. É preferível fazer um pouquinho em toda a cadeia do que se concentrar em apenas um de seus elos”, diz. “Caso contrário, aparecer na mídia simplesmente para falar de um projeto social aqui ou ali soa como ‘barulho’ ao consumidor, acaba desagradando.”

Mais do que incomodar, esse ruído pode desmascarar as adeptas do chamado “green washing” (“lavagem verde”). “A companhia que faz alarde, que exagera em suas supostas virtudes, se expõe a um risco imenso. Ao fazer propaganda, chama a atenção para si. E aí não será difícil descobrir se há uma pilha de processos contra ela na Justiça Trabalhista ou em órgãos ambientais, por exemplo”, aponta o economista Ricardo Abramovay, coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental da Universidade de São Paulo (USP). “Isso tende a abalar seriamente a reputação da empresa, que é um de seus maiores patrimônios.”

Fonte: Gazeta do Povo