{"id":10000,"date":"2012-06-13T10:17:45","date_gmt":"2012-06-13T13:17:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10000"},"modified":"2012-06-13T10:18:10","modified_gmt":"2012-06-13T13:18:10","slug":"vexame-ambiental-artigo-de-xico-graziano","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10000","title":{"rendered":"Vexame ambiental, artigo de Xico Graziano"},"content":{"rendered":"<p>Xico Graziano \u00e9 agr\u00f4nomo, foi secret\u00e1rio de Agricultura e secret\u00e1rio do Meio Ambiente do estado de S\u00e3o Paulo. Artigo publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo de ontem (12).<\/p>\n<p>Que C\u00f3digo Florestal, nada. O grande fiasco brasileiro na Rio+20 se esconde no etanol. O pa\u00eds que ensinou ao mundo como trocar a gasolina f\u00f3ssil pelo \u00e1lcool renov\u00e1vel engata marcha r\u00e9 na utiliza\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel limpo. Um vexame ambiental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pode-se comprovar facilmente esse retrocesso na bioenergia. Em 2011, o consumo dos combust\u00edveis derivados de petr\u00f3leo &#8211; gasolina principalmente &#8211; cresceu 19%, enquanto o uso do etanol nos ve\u00edculos despencou 29%. N\u00e3o precisa dizer mais nada. Anda na contram\u00e3o da hist\u00f3ria a matriz energ\u00e9tica dos transportes no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aconteceu que os consumidores reagiram ao desequil\u00edbrio de pre\u00e7os a favor da gasolina. Duas raz\u00f5es b\u00e1sicas explicam a mudan\u00e7a do mercado. Primeiro, o governo federal tem reduzido o encargo da Contribui\u00e7\u00e3o de Interven\u00e7\u00e3o no Dom\u00ednio Econ\u00f4mico (Cide) sobre a gasolina, taxa que nos \u00faltimos anos recuou de 14% para 2,6%. Em consequ\u00eancia, acabaram praticamente equiparados os custos tribut\u00e1rios de ambos os combust\u00edveis. Uma pol\u00edtica moderna de sustentabilidade, como buscada em todo o mundo, procederia ao contr\u00e1rio, ou seja, reduziria a carga tribut\u00e1ria sobre o biocombust\u00edvel, n\u00e3o sobre o derivado de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trata-se, obviamente, de uma decis\u00e3o pol\u00edtica, arcada pelo governo federal desde 2002. Com a redu\u00e7\u00e3o da referida taxa, a Petrobr\u00e1s, que normalmente deveria ter elevado o pre\u00e7o dos derivados de petr\u00f3leo para manter sua competitividade global, se compensa pela perda de rentabilidade recolhendo menos imposto ao governo. Tudo dissimulado. Conta paga pela sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a gasolina barata segura, obviamente, o pre\u00e7o do etanol na bomba, roubando margem dos produtores. Pouco lucrativa, a atividade alcooleira v\u00ea sua mat\u00e9ria-prima se direcionar para a fabrica\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, movimento que se observa h\u00e1 tempos nas usinas. Bastante rent\u00e1vel no mercado internacional, o a\u00e7\u00facar estimula a pauta das exporta\u00e7\u00f5es. Resultado: a oferta de etanol se retrai, tendendo a elevar seu pre\u00e7o no posto de combust\u00edvel, espantando a freguesia. Elementar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil produziu cerca de 28 bilh\u00f5es de litros de etanol nesta \u00faltima safra (2010\/2011). Nos EUA o volume j\u00e1 ultrapassou 50 bilh\u00f5es de litros. Incr\u00edvel. O pa\u00eds que inventou o Pro\u00e1lcool, obtido a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar, est\u00e1 tomando poeira dos gringos, que destinam 40% de sua safra de milho para a fermenta\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica. Mais ainda. A necessidade de manuten\u00e7\u00e3o de estoques confi\u00e1veis come\u00e7ou a exigir volumosas importa\u00e7\u00f5es de etanol. Sabem de quem? Dos norte-americanos, claro. No ano passado, o Brasil comprou acima de 1,1 bilh\u00e3o de litros de etanol dos EUA. Acredite se quiser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que paira desilus\u00e3o no setor sucroalcooleiro. Estimulados pela agenda da economia verde, nos transportes viabilizada definitivamente com a gera\u00e7\u00e3o dos motores flex fuel, in\u00e9ditos e fortes grupos, nacionais e multinacionais, entraram na atividade. Anunciaram planos formid\u00e1veis que, ap\u00f3s quatro anos, micaram, roubando o f\u00f4lego do parque alcooleiro. Not\u00edcia ruim chega dos canaviais. E quem pensa que \u00e9 choror\u00f4 de usineiro se engana feio. Corretores garantem que 20% das usinas do Centro-Sul est\u00e3o \u00e0 venda. Sem comprador. As chamadas greenfields, novas plantas a serem constru\u00eddas, em v\u00e1rios Estados, ficaram no papel. O pouco dinamismo existente adv\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas j\u00e1 instaladas. Passos de tartaruga no etanol.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Milhares de estudiosos, ambientalistas e jornalistas se encontrar\u00e3o logo mais na Rio+20. O governo brasileiro far\u00e1 gin\u00e1stica para justificar o inexplic\u00e1vel. Enquanto as na\u00e7\u00f5es se debru\u00e7am para encontrar solu\u00e7\u00f5es capazes de esverdear sua (suja) matriz energ\u00e9tica, por aqui se desperdi\u00e7a uma oportunidade de ouro, retrocedendo no uso do combust\u00edvel renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os produtores de cana-de-a\u00e7\u00facar e os usineiros de etanol, por sua vez, lan\u00e7aram por aqui o Movimento Mais Etanol, querendo influenciar a m\u00eddia e sensibilizar o governo para sua agenda. Eles se prop\u00f5em a dobrar de tamanho at\u00e9 2020 &#8211; o que, ademais, geraria 350 mil empregos diretos -, mas precisam viabilizar uma estrat\u00e9gia de pol\u00edtica p\u00fablica que devolva ao etanol a competitividade roubada pelo controle dos pre\u00e7os da gasolina. Basta, de cara, reduzir a carga tribut\u00e1ria sobre o biocombust\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gasolina barata e etanol caro acabam criando um c\u00edrculo vicioso contra o meio ambiente, prejudicando a sa\u00fade p\u00fablica. Segundo a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental norte-americana (EPA, na sigla em ingl\u00eas), o etanol derivado da cana-de-a\u00e7\u00facar pode ajudar a reduzir at\u00e9 91% o efeito estufa da Terra, quando comparado com as emiss\u00f5es advindas da queima de gasolina. Mas, curiosamente, o ambientalismo pouca bola d\u00e1 para essa trag\u00e9dia da polui\u00e7\u00e3o urbana. O foco de sua ferrenha atua\u00e7\u00e3o, conforme se verificou na quest\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal, mira no assunto da biodiversidade. Contra o desmatamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A intoler\u00e2ncia dos ambientalistas agride os agricultores, como se do campo partisse todo o mal contra a natureza. Citadinos, eles poupam as desgra\u00e7as ecol\u00f3gicas provocadas pela urbaniza\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pelos escapamentos veiculares. Novos est\u00edmulos p\u00fablicos ao setor automobil\u00edstico favoreceram agora as montadoras. Nenhum compromisso ambiental se firmou. Pouco importa, tristemente, aos radicais verdes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tal miopia do movimento ambiental, infelizmente, ajudar\u00e1 o governo a esconder, na Rio+20, o retrocesso na agenda do etanol. Seria interessante, ali\u00e1s, como subproduto da reuni\u00e3o, discutir para onde caminha o ambientalismo brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A incr\u00edvel capacidade fotossint\u00e9tica do Brasil garante enorme vantagem na produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel, energia renov\u00e1vel misturada com gera\u00e7\u00e3o de empregos. Desprez\u00e1-la significa maltratar o etanol, um filho da P\u00e1tria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* A equipe do Jornal da Ci\u00eancia esclarece que o conte\u00fado e opini\u00f5es expressas nos artigos assinados s\u00e3o de responsabilidade do autor e n\u00e3o refletem necessariamente a opini\u00e3o do jornal.<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Xico Graziano \u00e9 agr\u00f4nomo, foi secret\u00e1rio de Agricultura e secret\u00e1rio do Meio Ambiente do estado de S\u00e3o Paulo. Artigo publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo de ontem (12). Que C\u00f3digo Florestal, nada. O grande fiasco brasileiro na Rio+20 se esconde no etanol. 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