{"id":10031,"date":"2012-06-14T12:57:49","date_gmt":"2012-06-14T15:57:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10031"},"modified":"2012-06-14T12:57:49","modified_gmt":"2012-06-14T15:57:49","slug":"o-novo-dilema-dos-zoos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10031","title":{"rendered":"O NOVO DILEMA DOS ZOOS"},"content":{"rendered":"<p>Com o aumento do n\u00famero de esp\u00e9cies em risco de extin\u00e7\u00e3o, os zool\u00f3gicos est\u00e3o cada vez mais sendo chamados para resgatar e manter animais -n\u00e3o apenas aqueles que atraem espectadores, como pandas e rinocerontes, mas tamb\u00e9m mam\u00edferos, r\u00e3s, Aves e insetos de todos os tipos.<\/p>\n<p>Mas os zoos conclu\u00edram que, para conservar animais de modo eficiente, precisam reduzir o n\u00famero de esp\u00e9cies das quais cuidam e dedicar mais recursos a poucos escolhidos. O resultado \u00e9 que os respons\u00e1veis pelos zoos, geralmente amantes dos animais, est\u00e3o sendo cada vez mais pressionados a calcular quais animais, em detrimento de outros, devem salvar.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o dos zoos deixou de ser entreter o p\u00fablico, para se dedicar \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00f3s, como sociedade, temos que decidir se \u00e9 \u00e9tico e moralmente apropriado expor animais para a simples finalidade de entretenimento&#8221;, disse Steven L. Monfort, diretor do Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica Smithsonian, que faz parte do Zoo Nacional de Washington. &#8220;Na minha opini\u00e3o, \u00e9 preciso que os zoos tenham o papel de defender esp\u00e9cies animais.&#8221;<\/p>\n<p>Monfort quer que os zoos levantem mais recursos para a conserva\u00e7\u00e3o de animais na natureza e que esse esfor\u00e7o ganhe import\u00e2ncia igual \u00e0 de suas cole\u00e7\u00f5es de animais cativos. Os zoos, disse ele, precisam construir instala\u00e7\u00f5es -n\u00e3o necessariamente abertas ao p\u00fablico- suficientemente grandes para receber rebanhos de animais, possibilitando comportamentos reprodutivos mais naturais. Tamb\u00e9m para Monfort, \u00e9 preciso dar menos \u00eanfase a animais que constituem atra\u00e7\u00f5es populares, mas est\u00e3o sobrevivendo bem na natureza, para dar espa\u00e7o \u00e0queles que precisam urgentemente ser salvos da extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos diretores de zool\u00f3gicos acham que uma reordena\u00e7\u00e3o radical n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria e que cada zoo faz um trabalho valioso, mesmo que conserve poucas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>No primeiro s\u00e9culo de sua exist\u00eancia, os zoos americanos buscavam Animais Selvagens na natureza e os exploravam principalmente por seu valor de entretenimento. Quando os ambientes selvagens come\u00e7aram a desaparecer, junto com seus animais, os respons\u00e1veis pelos zoos se tornaram protetores e salvadores. Desde 1980, os zoos desenvolvem programas coordenados de cria\u00e7\u00e3o que salvaram dezenas de esp\u00e9cies do perigo de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O desafio, cada vez mais dif\u00edcil, \u00e9 praticar a conserva\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo continuar a expor animais para atrair o p\u00fablico pagante. Os le\u00f5es-marinhos, por exemplo, est\u00e3o se dando muito bem na natureza, mas o zoo de St. Louis decidiu gastar US$ 18 milh\u00f5es em uma nova piscina com filtro e acr\u00e9scimo de oz\u00f4nio, para favorecer a claridade. Isso porque os le\u00f5es-marinhos s\u00e3o muito populares, e o ambiente em que ficavam estava decr\u00e9pito.<\/p>\n<p>Jeffrey P. Bonner, o executivo-chefe do zoo, explicou: &#8220;Buscamos um ponto de equil\u00edbrio entre a experi\u00eancia do p\u00fablico e a necessidades de conserva\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea me perguntar por que tenho camelos, direi que precisamos de algo interessante para as pessoas verem nos fundos do zoo no inverno&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os padr\u00f5es de cuidados com os animais se elevam, e os zoos instalam ambientes maiores e de apar\u00eancia mais natural, diminui o espa\u00e7o para mais animais. Na d\u00e9cada de 1970, o zoo de St. Louis tinha 36 esp\u00e9cies de primatas. Hoje tem apenas 13.<\/p>\n<p>Os zoos passaram a entender que, para que os animais possam se reproduzir a longo prazo sem que ocorra a endogamia, \u00e9 preciso manter &#8220;pools&#8221; gen\u00e9ticos muito maiores. H\u00e1 64 ursos polares vivendo cativos em zoos americanos -muito menos que 200, o n\u00famero \u00f3timo para manter a popula\u00e7\u00e3o por cem anos.<\/p>\n<p>Assim, os zoos come\u00e7aram a aumentar o n\u00famero de indiv\u00edduos de algumas esp\u00e9cies em detrimento de outras. O zoo de St. Louis diz que hoje tem 400 animais a mais do que tinha em 2002, mas 65 esp\u00e9cies ou subesp\u00e9cies a menos.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, enquanto aumentavam as press\u00f5es em favor da conserva\u00e7\u00e3o, a Associa\u00e7\u00e3o de Zoos e Aqu\u00e1rios, respons\u00e1vel pelos zool\u00f3gicos dos Estados Unidos, come\u00e7ou a reunir grupos de especialistas em zoos que analisavam fam\u00edlias inteiras de esp\u00e9cies e aconselhavam quais delas deveriam ser priorizadas ou abandonadas. Os crit\u00e9rios inclu\u00edam a singularidade, o n\u00edvel de risco de extin\u00e7\u00e3o, a import\u00e2ncia do papel ecol\u00f3gico do animal e a exist\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o em cativeiro que seja suficiente para a reprodu\u00e7\u00e3o. A Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza estima que quase um quarto dos mam\u00edferos poder\u00e1 se extinguir nas pr\u00f3ximas tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave para os anf\u00edbios e as Aves marinhas.<\/p>\n<p>No zoo de St. Louis, alguns baldes de terra agora abrigam o &#8220;besouro sepultador&#8221;, que \u00e9 conhecido por sepultar os corpos de pequenos animais.<\/p>\n<p>No passado, esse besouro estava presente em 35 Estados. Mas, em 1989, quando o Servi\u00e7o de Pesca e Vida Silvestre dos EUA o classificou como em risco de extin\u00e7\u00e3o, s\u00f3 restava uma popula\u00e7\u00e3o dele, em Rhode Island. A pedido do governo, o zoo de St. Louis e um zoo de Rhode Island v\u00eam criando o besouro e o devolvendo \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>Bob Merz, o gerente de invertebrados no zoo de St. Louis, diz que o esfor\u00e7o valeu a pena porque o besouro talvez exer\u00e7a um papel insubstitu\u00edvel na teia ecol\u00f3gica. Para ele, escolher esp\u00e9cies que merecem ser salvas \u00e9 compar\u00e1vel a fazer apostas com a vida ou a morte. &#8220;\u00c9 como olhar da janela de um avi\u00e3o e ver os rebites da asa&#8221;, explicou. &#8220;Provavelmente podemos perder alguns deles sem maiores problemas, mas n\u00e3o sabemos quantos -e n\u00e3o queremos realmente descobrir.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: CFMV<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o aumento do n\u00famero de esp\u00e9cies em risco de extin\u00e7\u00e3o, os zool\u00f3gicos est\u00e3o cada vez mais sendo chamados para resgatar e manter animais -n\u00e3o apenas aqueles que atraem espectadores, como pandas e rinocerontes, mas tamb\u00e9m mam\u00edferos, r\u00e3s, Aves e insetos de todos os tipos. 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