{"id":10077,"date":"2012-06-20T12:34:42","date_gmt":"2012-06-20T15:34:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10077"},"modified":"2012-06-20T12:34:42","modified_gmt":"2012-06-20T15:34:42","slug":"o-brasil-e-a-rio20-artigo-de-izabella-teixeira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10077","title":{"rendered":"O Brasil e a Rio+20, artigo de Izabella Teixeira"},"content":{"rendered":"<p>Izabella Teixeira \u00e9 ministra do Meio Ambiente. Artigo publicado no Valor Econ\u00f4mico de ontem (19).<\/p>\n<p>Vinte anos depois da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, chegou o momento de o Brasil novamente assumir papel de lideran\u00e7a mundial, sediando a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a Rio+20. Apesar de todos os avan\u00e7os realizados desde ent\u00e3o, o paradigma do desenvolvimento sustent\u00e1vel n\u00e3o foi adotado por todos. Persistem ainda graves problemas de pobreza e exclus\u00e3o social em todos os quadrantes do planeta. Essa situa\u00e7\u00e3o agrava as consequ\u00eancias de pol\u00edticas de crescimento econ\u00f4mico que visam exclusivamente o aumento da produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os sobre o meio ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Rio+20 \u00e9 parte de um ciclo que come\u00e7ou em 1972, em Estocolmo, com a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente Humano. Essas Confer\u00eancias, convocadas pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, servem para repensar o mundo em que vivemos. Nesses momentos podemos reunir diferentes vozes para refletir sobre quem somos, o que queremos e estabelecer juntos compromissos pol\u00edticos com a sustentabilidade. As diretrizes determinadas nesses encontros influenciam profundamente os rumos do desenvolvimento a longo prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1992, havia a expectativa de que se criariam novas condi\u00e7\u00f5es para o crescimento econ\u00f4mico, em melhor harmonia com o meio ambiente, com base no desenvolvimento sustent\u00e1vel. Precisamos avaliar as realiza\u00e7\u00f5es e lacunas no cumprimento dos objetivos da Agenda 21 e das conven\u00e7\u00f5es de 1992, bem como enfrentar as raz\u00f5es pelas quais n\u00e3o avan\u00e7amos mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O debate sobre a conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e sobre o crescimento econ\u00f4mico nos \u00faltimos 20 anos criou condi\u00e7\u00f5es para inflex\u00e3o pol\u00edtica em prol do desenvolvimento sustent\u00e1vel, com base nos princ\u00edpios aprovados em 1992, e tendo em conta novos consensos. Por essa raz\u00e3o, buscamos a convoca\u00e7\u00e3o pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas da Rio+20.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O contexto atual \u00e9 diferente daquele no qual ocorreu a Rio 92. Aquele era um momento de grande esperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional. Hoje, o multilateralismo se encontra em outro patamar, desafiado pela crise econ\u00f4mica internacional e pela globaliza\u00e7\u00e3o, com suas vantagens e desvantagens. A configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial, com a forte presen\u00e7a de pa\u00edses emergentes no cen\u00e1rio internacional, nos apresenta oportunidade para o fortalecimento do multilateralismo. A realidade atual pede arranjos mais din\u00e2micos, mais eficazes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que representantes de quase 200 pa\u00edses est\u00e3o no Brasil, esta semana, para formular consensos sobre os dois principais temas da Confer\u00eancia: economia verde no contexto do desenvolvimento sustent\u00e1vel e da erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e governan\u00e7a para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Obter tais consensos \u00e9 fundamental para criar condi\u00e7\u00f5es de aplicar efetiva e concretamente nossas pol\u00edticas econ\u00f4micas, sociais e ambientais, nacionais e internacionais, uma vez que hoje est\u00e1 ainda mais claro que a coopera\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 fundamental para superar os obst\u00e1culos para alcan\u00e7ar o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economia verde inclusiva poderia ajudar na incorpora\u00e7\u00e3o, pelos diversos agentes econ\u00f4micos &#8211; governos centrais e locais, empresas, bancos, institui\u00e7\u00f5es financeiras, ag\u00eancias de desenvolvimento nacionais e internacionais etc. -, do paradigma do desenvolvimento sustent\u00e1vel em sua plenitude. Vejo a economia verde como um modelo econ\u00f4mico inclusivo, com vigoroso crescimento econ\u00f4mico que promova inclus\u00e3o social, num cen\u00e1rio de baixa emiss\u00e3o de carbono e de conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. O papel da Rio+20 \u00e9 reverter a ideia de que desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 um desafio s\u00f3 ambiental. S\u00e3o insepar\u00e1veis o crescimento econ\u00f4mico, a inclus\u00e3o social e o respeito ao meio ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos prov\u00e1veis resultados da Rio+20 ser\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o de Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, que levem em considera\u00e7\u00e3o as dimens\u00f5es ambiental, social e econ\u00f4mica do desenvolvimento. Esses Objetivos poder\u00e3o vir a orientar, a partir de 2015, a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e privadas, e assim contribuir para dar foco e dire\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento sustent\u00e1vel. Dever\u00e3o ser elaborados como metas globais, para cumprimento coletivo, por pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como anfitri\u00f5es, esperamos oferecer a hospitalidade necess\u00e1ria para a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o de di\u00e1logos entre os povos, respeitando a diversidade cultural, pol\u00edtica e de expectativas. Antecedendo a Rio+20, o Brasil organizou, com o apoio das Na\u00e7\u00f5es Unidas, os Di\u00e1logos para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Essa iniciativa inovadora visa construir uma ponte entre a sociedade civil e os tomadores de decis\u00e3o, dando oportunidade a todos para contribuir com os esfor\u00e7os globais de consolida\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel como paradigma para a a\u00e7\u00e3o p\u00fablica e privada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sustentabilidade n\u00e3o \u00e9 mais quest\u00e3o de idealismo, mas de pragmatismo. As crises precisam ser resolvidas com mudan\u00e7a do padr\u00e3o de desenvolvimento, com plena aceita\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o correta dos limites ambientais e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades entre na\u00e7\u00f5es e pessoas. A ascens\u00e3o de milh\u00f5es de brasileiros a condi\u00e7\u00f5es dignas de vida nos credencia a falar de desenvolvimento sustent\u00e1vel na sua ess\u00eancia: a inclus\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o e o interesse p\u00fablico como guia da economia e do uso dos recursos naturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a nos padr\u00f5es globais de desenvolvimento \u00e9 inevit\u00e1vel, pois o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o pode deixar de estar associado ao combate \u00e0 exclus\u00e3o social e \u00e0 gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos naturais. Isto s\u00f3 acontecer\u00e1 se conseguirmos mobilizar nossos governos, cientistas, movimentos sociais, empresas e cidad\u00e3os. A Rio+20 tem esse fim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Izabella Teixeira \u00e9 ministra do Meio Ambiente. Artigo publicado no Valor Econ\u00f4mico de ontem (19). Vinte anos depois da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, chegou o momento de o Brasil novamente assumir papel de lideran\u00e7a mundial, sediando a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a Rio+20. 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