{"id":10214,"date":"2012-07-05T11:06:44","date_gmt":"2012-07-05T14:06:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10214"},"modified":"2012-07-05T11:08:18","modified_gmt":"2012-07-05T14:08:18","slug":"cientistas-precisam-saber-escrever-afirma-editor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10214","title":{"rendered":"Cientistas precisam saber escrever, afirma editor"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil deixa de publicar muitos trabalhos cient\u00edficos de alta qualidade em revistas de grande impacto simplesmente por n\u00e3o redigir adequadamente. A afirma\u00e7\u00e3o foi feita por Carl Webster, do Centro de Pesquisa em Aquicultura da Universidade do Estado do Kentucky, Estados Unidos, no 5\u00ba Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aqu\u00e1tica (Aquaci\u00eancia 2012), realizado em Palmas (TO) de 1\u00ba a 5 de julho.<\/p>\n<p>Webster, que ministrou um curso sobre reda\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos durante o evento, \u00e9 o editor respons\u00e1vel pela\u00a0<em>World Aquaculture Magazine<\/em>, revista da Sociedade Mundial de Aquicultura (WAS, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>O primeiro passo, segundo Webster, \u00e9 selecionar o assunto a ser tratado de acordo com a publica\u00e7\u00e3o. \u201cDizer que a am\u00f4nia apresenta toxicidade para o pirarucu, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 novidade alguma, mas se voc\u00ea fizer um artigo sobre a fisiologia ou histologia relacionada ao assunto, o interesse ser\u00e1 grande\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Webster, saber dividir uma pesquisa em partes que possam interessar a diferentes peri\u00f3dicos cient\u00edficos e relacion\u00e1-las entre elas \u00e9 um dos atributos mais valorizados pelos revisores.<\/p>\n<p>O organizador do curso, Jos\u00e9 Eurico Possebon Cyrino, professor associado do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP), concorda. Em vez de focar os artigos em esp\u00e9cies exclusivas do Brasil, Cyrino recomenda selecionar detalhes da pesquisa que sejam comuns a outros peixes, o que pode fazer toda a diferen\u00e7a durante uma sele\u00e7\u00e3o para publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cyrino, que coordena atualmente tr\u00eas projetos apoiados pela FAPESP na modalidade Auxilio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular, ap\u00f3s ter conclu\u00eddo diversos outros, \u00e9 o respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o dos anais do Aquaci\u00eancia e aponta para uma defici\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o do pesquisador em todo o pa\u00eds, a reda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso mostrar aos graduandos e p\u00f3s-graduandos a import\u00e2ncia de se escrever bem um artigo cient\u00edfico, sob o risco de o trabalho n\u00e3o ter a repercuss\u00e3o que merece\u201d, alertou Cyrino ao ministrar o curso que dividiu com Webster.<\/p>\n<p>Webster, por sua vez, ressaltou a alta qualidade da pesquisa brasileira em aquicultura, apesar das dificuldades na escrita. \u201cO Brasil faz um \u00f3timo trabalho de investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, e poderia publicar muito mais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A despeito das dificuldades dos brasileiros, a qualidade de um trabalho pode suplantar as barreiras lingu\u00edsticas, de acordo com ele. \u201cN\u00e3o descarto um artigo potencialmente bom por estar mal escrito, todavia um\u00a0<em>paper<\/em>\u00a0bem escrito faz muita diferen\u00e7a na hora da escolha\u201d, disse.<\/p>\n<p>Webster aconselha aos que dominam pouco o ingl\u00eas a sempre submeter o artigo a um colega fluente antes de envi\u00e1-lo a uma revista. Adaptar o artigo a cada publica\u00e7\u00e3o \u00e9 outra dica. Por esse motivo, n\u00e3o \u00e9 aconselh\u00e1vel enviar para uma revista um artigo originalmente escrito para outra. Cada uma possui peculiaridades e objetivos que precisam ser observados.<\/p>\n<p>Pelo mesmo motivo, o cientista aconselha a leitura atenta das normas de cada publica\u00e7\u00e3o. \u201cMuitos trabalhos s\u00e3o rejeitados por n\u00e3o observar regras b\u00e1sicas estabelecidas pelos editores\u201d, apontou.<\/p>\n<p><strong>Sem tradutor autom\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Webster, na hora de escolher a publica\u00e7\u00e3o \u00e9 importante verificar o fator de impacto, que \u00e9 o indicador de cita\u00e7\u00f5es que o ve\u00edculo teve durante o per\u00edodo de dois anos. Publicar em revistas de reputa\u00e7\u00e3o ruim pode afetar negativamente o trabalho.<\/p>\n<p>No entanto, o fator de impacto n\u00e3o \u00e9 tudo, pois \u00e9 necess\u00e1rio ver se o trabalho \u00e9 adaptado \u00e0quela revista. \u201cUm fator de impacto alto provoca em v\u00e1rios pa\u00edses uma avalanche de trabalhos submetidos \u00e0 revista e muitos deles n\u00e3o t\u00eam muito a ver com a proposta da publica\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Webster alertou para a necessidade de sempre restringir cada artigo a um \u00fanico tema central. \u201cUma pesquisa pode apresentar in\u00fameros experimentos, contanto que tenha um \u00fanico foco\u201d, aconselhou. Por outro lado, quanto aos par\u00e2metros \u00e9 prefer\u00edvel que sejam abundantes e componham um banco de dados que apoiem a pesquisa.<\/p>\n<p>Cyrino prop\u00f4s aos participantes a aquisi\u00e7\u00e3o de bons dicion\u00e1rios em ingl\u00eas, de prefer\u00eancia ilustrados. Desse modo, fica mais f\u00e1cil encontrar partes anat\u00f4micas dos animais, por exemplo. O professor da USP apresentou uma extensa lista de livros de apoio voltados \u00e0 escrita cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Entre suas dicas finais, Cyrino desaconselhou o uso de tradutores autom\u00e1ticos encontrados na internet e chamou a aten\u00e7\u00e3o para um equ\u00edvoco comum em submiss\u00f5es internacionais, a titula\u00e7\u00e3o de doutorado.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea n\u00e3o fez doutorado nos Estados Unidos ou no Reino Unido, n\u00e3o escreva a sigla PhD em sua titula\u00e7\u00e3o, mas doutor em ci\u00eancia\u201d, recomendou. Segundo Cyrino, o t\u00edtulo PhD pressup\u00f5e flu\u00eancia na reda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na l\u00edngua inglesa e, caso o autor n\u00e3o apresente essa habilidade no texto, ele frustrar\u00e1 bastante o avaliador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0Ag\u00eancia FAPESP &#8211;\u00a0Fabio Reynol, de Palmas (TO)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil deixa de publicar muitos trabalhos cient\u00edficos de alta qualidade em revistas de grande impacto simplesmente por n\u00e3o redigir adequadamente. 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