{"id":10269,"date":"2012-07-16T10:44:27","date_gmt":"2012-07-16T13:44:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10269"},"modified":"2012-07-16T10:44:27","modified_gmt":"2012-07-16T13:44:27","slug":"amazonia-deve-sofrer-grande-extincao-de-especies-ate-2050","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10269","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia deve sofrer grande extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies at\u00e9 2050"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegeta\u00e7\u00e3o em 30 anos e aponta que ainda h\u00e1 tempo para agir.<\/p>\n<p>As piores consequ\u00eancias do desmatamento sofrido pela Amaz\u00f4nia ao longo de 30 anos ainda est\u00e3o por vir. At\u00e9 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extin\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies de mam\u00edferos, aves e anf\u00edbios esperadas nos locais onde j\u00e1 foi perdida a vegeta\u00e7\u00e3o. A boa not\u00edcia \u00e9 que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapare\u00e7am. Essa \u00e9 a conclus\u00e3o de uma pesquisa publicada na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista Science.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um trio de pesquisadores da Gr\u00e3-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na regi\u00e3o de 1978 a 2008 e levou em conta a rela\u00e7\u00e3o entre esp\u00e9cies e \u00e1rea &#8211; se o h\u00e1bitat diminui, \u00e9 de se esperar que o total de esp\u00e9cies que ali vivem diminua, ao menos localmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acontece que os animais t\u00eam mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. L\u00e1 v\u00e3o tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que j\u00e1 estavam no local, de modo que o desaparecimento n\u00e3o \u00e9 imediato, podendo levar d\u00e9cadas para se concretizar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 essa diferen\u00e7a, que os pesquisadores chamam de &#8220;d\u00e9bito de extin\u00e7\u00e3o&#8221;, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, \u00e9 uma d\u00edvida que teria de ser &#8220;paga&#8221; &#8211; em esp\u00e9cies animais &#8211; pelo desmatamento do passado. A ideia por tr\u00e1s do termo \u00e9 tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extin\u00e7\u00e3o seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas esp\u00e9cies que dependem da floresta, considerando outros cen\u00e1rios de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas em vez de calcular para toda a Amaz\u00f4nia &#8211; o que seria problem\u00e1tico, porque h\u00e1 uma diferen\u00e7a de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quil\u00f4metros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma esp\u00e9cie pode deixar de ocorrer em uma dada \u00e1rea, mas isso n\u00e3o significa que ela desapareceu por completo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto que a literatura ainda n\u00e3o aponta a extin\u00e7\u00e3o de nenhuma esp\u00e9cie na Amaz\u00f4nia, explica o ec\u00f3logo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. &#8220;Uma raz\u00e3o para isso \u00e9 que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amaz\u00f4nia, enquanto a mais alta diversidade de esp\u00e9cies se encontra no oeste da regi\u00e3o. Mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que muitas est\u00e3o localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na pior hip\u00f3tese, a do &#8220;business as usual&#8221;, considera-se a continuidade do modelo da expans\u00e3o da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere at\u00e9 2020. Os pesquisadores prop\u00f5em, no entanto, que o cen\u00e1rio mais realista \u00e9 o que considera a perman\u00eancia da governan\u00e7a, ou seja, das a\u00e7\u00f5es governamentais que levaram \u00e0 queda do desmatamento nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas mesmo nessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de se esperar que esp\u00e9cies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km\u00b2 podem desaparecer de 6 a 12 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, aves e anf\u00edbios em m\u00e9dia; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eles refor\u00e7am que isso ainda n\u00e3o aconteceu e a\u00e7\u00f5es que aumentem as unidades de conserva\u00e7\u00e3o e promovam a restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas t\u00eam potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais \u00e1reas esse esfor\u00e7o poderia promover mais benef\u00edcios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goi\u00e1s, pondera que a conjuntura atual \u00e9 incerta. &#8220;O governo vai investir pesado em infraestrutura, est\u00e3o previstas 22 hidrel\u00e9tricas de grande porte, est\u00e3o sendo reduzidas as unidades de conserva\u00e7\u00e3o e o C\u00f3digo Florestal vai ficar mais frouxo. A trajet\u00f3ria dos dez anos que passaram dava uma sinaliza\u00e7\u00e3o otimista, mas s\u00e3o os pr\u00f3ximos dez anos que v\u00e3o dizer o que vai acontecer.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: O Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegeta\u00e7\u00e3o em 30 anos e aponta que ainda h\u00e1 tempo para agir. As piores consequ\u00eancias do desmatamento sofrido pela Amaz\u00f4nia ao longo de 30 anos ainda est\u00e3o por vir. At\u00e9 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extin\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies de mam\u00edferos, aves e anf\u00edbios &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10269\"> <span class=\"screen-reader-text\">Amaz\u00f4nia deve sofrer grande extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies at\u00e9 2050<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":474,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[84,145,87,54,59,822,560,109,164],"tags":[3812,3621,3807,3875,833,3815,2150,3817,3822],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10269"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/474"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10269"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10271,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10269\/revisions\/10271"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}