{"id":10305,"date":"2012-07-18T10:39:43","date_gmt":"2012-07-18T13:39:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10305"},"modified":"2012-07-18T10:39:43","modified_gmt":"2012-07-18T13:39:43","slug":"quase-humanos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10305","title":{"rendered":"Quase humanos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Neurocientistas publicam manifesto afirmando que mam\u00edferos, aves e at\u00e9 polvos t\u00eam consci\u00eancia e esquentam debate sobre direitos dos animais<\/strong><\/p>\n<p>Os seres humanos n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos animais que t\u00eam\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/quase-humanos#boxxxxx\">consci\u00eancia<\/a><\/strong>. A afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de ativistas radicais defensores dos direitos dos animais. Pelo contr\u00e1rio. Um grupo de neurocientistas \u2014 doutores de institui\u00e7\u00f5es de renome como Caltech, MIT e Instituto Max Planck \u2014 publicou um manifesto asseverando que o estudo da neuroci\u00eancia evoluiu de modo tal que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel excluir mam\u00edferos, aves e at\u00e9 polvos do grupo de seres vivos que possuem consci\u00eancia. O documento\u00a0<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/grupo-de-neurocientistas-admite-que-animais-nao-humanos-tambem-tem-consciencia\"><strong>divulgado no \u00faltimo s\u00e1bado (7)<\/strong><\/a>, em Cambridge, esquenta uma discuss\u00e3o que divide cientistas, fil\u00f3sofos e legisladores h\u00e1 s\u00e9culos sobre a natureza da consci\u00eancia e sua implica\u00e7\u00e3o na vida dos humanos e de outros animais.<\/p>\n<p>Apresentado \u00e0 Nasa nesta quinta-feira, o manifesto n\u00e3o traz novas descobertas da neuroci\u00eancia \u2014 \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o das pesquisas da \u00e1rea. Representa, no entanto, um posicionamento in\u00e9dito sobre a capacidade de outros seres perceberem sua pr\u00f3pria exist\u00eancia e o mundo ao seu redor. Em\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/nao-e-mais-possivel-dizer-que-nao-sabiamos-diz-philip-low\">entrevista ao site de VEJA<\/a><\/strong>, Philip Low, criador do\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/com-a-ajuda-de-cientistas-stephen-hawking-podera-usar-a-mente-para-se-comunicar\">iBrain<\/a><\/strong>, o aparelho que recentemente permitiu a leitura das ondas cerebrais do f\u00edsico Stephen Hawking, e um dos articuladores do movimento, explica que nos \u00faltimos 16 anos a neuroci\u00eancia descobriu que as \u00e1reas do c\u00e9rebro que distinguem seres humanos de outros animais n\u00e3o s\u00e3o as que produzem a consci\u00eancia. &#8220;As estruturas cerebrais respons\u00e1veis pelos processos que geram a consci\u00eancia nos humanos e outros animais s\u00e3o equivalentes&#8221;, diz. &#8220;Conclu\u00edmos ent\u00e3o que esses animais tamb\u00e9m possuem consci\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Estudos recentes, como os da pesquisadora Diana Reiss (uma das cientistas que assinaram o manifesto), da Hunter College, nos Estados Unidos, mostram que golfinhos e elefantes tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de se reconhecer no espelho. Essa capacidade \u00e9 importante para definir se um ser est\u00e1 consciente. O mesmo vale para chimpanz\u00e9s e p\u00e1ssaros. Outros tipos de comportamento foram analisados pelos neurocientistas. &#8220;Quando seu cachorro est\u00e1 sentindo dor ou feliz em v\u00ea-lo, h\u00e1 evid\u00eancias de que no c\u00e9rebro deles h\u00e1 estruturas semelhantes \u00e0s que s\u00e3o ativadas quando exibimos medo e dor e prazer&#8221;, diz Low.<\/p>\n<p><strong>Personalidade animal &#8211;<\/strong>\u00a0Dizer que os animais t\u00eam consci\u00eancia pode trazer v\u00e1rias implica\u00e7\u00f5es para a sociedade e o modo como os animais s\u00e3o tratados. Steven Wise, advogado e especialista americano em direito dos animais, diz que o manifesto chega em boa hora. &#8220;O papel dos advogados e legisladores \u00e9 transformar conclus\u00f5es cient\u00edficas como essa em legisla\u00e7\u00e3o que ajudar\u00e1 a organizar a sociedade&#8221;, diz em entrevista ao site de VEJA. Wise \u00e9 l\u00edder do Projeto dos Direitos de Animais n\u00e3o Humanos. O advogado coordena um grupo de 70 profissionais que organizam informa\u00e7\u00f5es, casos e jurisprud\u00eancia para entrar com o primeiro processo em favor de que alguns animais \u2014 como grandes primatas, papagaios africanos e golfinhos \u2014 tenham seu status equiparado ao dos humanos.<\/p>\n<p>O manifesto de Cambridge d\u00e1 mais muni\u00e7\u00e3o ao grupo de Wise para vencer o caso. &#8220;Queremos que esses animais recebam direitos fundamentais, que a justi\u00e7a as enxergue como pessoas, no sentido legal.&#8221; Isso, de acordo com o advogado, quer dizer que esses animais teriam direito \u00e0 integridade f\u00edsica e \u00e0 liberdade, por exemplo. &#8220;Temos que parar de pensar que esses animais existem para servir aos seres humanos&#8221;, defende Wise. &#8220;Eles t\u00eam um valor intr\u00ednseco, independente de como os avaliamos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Quest\u00e3o moral &#8211;\u00a0<\/strong>O manifesto n\u00e3o decreta o fim dos zool\u00f3gicos ou das churrascarias, muito menos das pesquisas m\u00e9dicas com animais. Contudo, j\u00e1 foi suficiente para provocar reflex\u00e3o e mudan\u00e7a de comportamento em cientistas, como o pr\u00f3prio Low. &#8220;Estou considerando me tornar vegetariano&#8221;, diz. &#8220;Temos agora que apelar para nossa engenhosidade, para desenvolver tecnologias que nos permitam criar uma sociedade cada vez menos dependente dos animais.&#8221; Low se refere principalmente \u00e0 pesquisa m\u00e9dica. Para estudar a vida, a ci\u00eancia ainda precisa tirar muitas. De acordo com o neurocientista, o mundo gasta 20 bilh\u00f5es por ano para matar 100 milh\u00f5es de vertebrados. Das mol\u00e9culas medicinais produzidas por esse amontoado de dinheiro e mortes, apenas 6% chega a ser testada em seres humanos. &#8220;\u00c9 uma p\u00e9ssima contabilidade&#8221;, diz Low.<\/p>\n<p>Contudo, a pesquisa com animais ainda \u00e9 necess\u00e1ria. O endocrinologista americano Michael Conn, autor do livro\u00a0<em>The Animal Research War,\u00a0<\/em>sem edi\u00e7\u00e3o no Brasil, argumenta que se trata de uma escolha priorizar a esp\u00e9cie humana. &#8220;Conceitos como os de consentimento e autonomia s\u00f3 fazem sentido dentro de um c\u00f3digo moral que diz respeito aos homens, e n\u00e3o aos animais&#8221;, disse em entrevista ao site de VEJA. &#8220;Nossa obriga\u00e7\u00e3o com os animais \u00e9 fazer com que eles sejam devidamente cuidados, n\u00e3o sofram nem sintam dor \u2014 e n\u00e3o trat\u00e1-los como se fossem humanos, o que seria uma fic\u00e7\u00e3o&#8221;, argumenta. &#8220;Se pud\u00e9ssemos utilizar apenas um computador para fazer pesquisas m\u00e9dicas seria \u00f3timo. Mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ainda.&#8221;<\/p>\n<h2>O que \u00e9 consci\u00eancia?<\/h2>\n<p><strong>PARA A FILOSOFIA<\/strong><br \/>\nFilosoficamente, \u00e9 o entendimento que uma criatura tem sobre si e seu lugar na natureza. Alguns atributos definem a consci\u00eancia, como ser senciente, ou seja, sentir o mundo \u00e0 sua volta e reagir a ele; estar alerta ou acordado ou ter consci\u00eancia sobre si mesmo (o que, para a filosofia j\u00e1 basta para incluir alguns animais \u201cn\u00e3o-lingu\u00edsticos\u201d entre os seres com consci\u00eancia).<em>Fonte: Enciclop\u00e9dia de Filosofia de Stanford<\/em><\/p>\n<p><strong>PARA A CI\u00caNCIA<\/strong><br \/>\nA ci\u00eancia considera como consci\u00eancia as percep\u00e7\u00f5es sobre o mundo e as sensa\u00e7\u00f5es corporais, junto com os pensamentos, mem\u00f3rias, a\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es. Ou seja, tudo o que escapa aos processos cerebrais autom\u00e1ticos e chega \u00e0 nossa aten\u00e7\u00e3o. O conte\u00fado da consci\u00eancia geralmente \u00e9 estudado usando exames de imagens cerebrais para comparar quais est\u00edmulos chegam \u00e0 nossa aten\u00e7\u00e3o e quais n\u00e3o. Como resumiu o neurocientista Bernard Baars, em 1987, o c\u00e9rebro \u00e9 como um teatro no qual a maioria dos eventos neurais s\u00e3o inconscientes, portanto acontecem \u201cnos bastidores\u201d, enquanto alguns poucos entram no processo consciente, ou seja, chegam ao \u201cpalco\u201d.<\/p>\n<figure style=\"width: 478px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja1.abrilm.com.br\/assets\/images\/2011\/7\/44445\/chimpanze-tigre-tailandia-20110728-size-598.jpg?1311882380\" alt=\"Chimpanz\u00e9 alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zool\u00f3gico na cidade de Samutprakan, Tail\u00e2ndia\" width=\"478\" height=\"269\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Chimpanz\u00e9 alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zool\u00f3gico na cidade de Samutprakan, Tail\u00e2ndia: percep\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia e do mundo ao seu redor (Rungroj Yongrit\/EFE)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p>Fonte: Veja Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neurocientistas publicam manifesto afirmando que mam\u00edferos, aves e at\u00e9 polvos t\u00eam consci\u00eancia e esquentam debate sobre direitos dos animais Os seres humanos n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos animais que t\u00eam\u00a0consci\u00eancia. 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