{"id":10355,"date":"2012-07-27T17:08:22","date_gmt":"2012-07-27T20:08:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10355"},"modified":"2012-07-27T17:08:22","modified_gmt":"2012-07-27T20:08:22","slug":"garimpo-invade-areas-de-preservacao-no-para","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10355","title":{"rendered":"Garimpo invade \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o no Par\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Os riscos apontados para a bacia do Tapaj\u00f3s deixam claro que a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, apesar do aumento nos \u00edndices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es planejadas para a maior bacia hidrogr\u00e1fica do mundo n\u00e3o se restringem a planos de constru\u00e7\u00e3o de uma sequ\u00eancia de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam \u00e0s unidades de conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia havia sido desvinculada das \u00e1reas protegidas para que se tornassem alvo de a\u00e7\u00f5es de garimpo e extrativismo ilegal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A press\u00e3o cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situa\u00e7\u00e3o e deter a entrada de pessoas na regi\u00e3o, mas seu poder de atua\u00e7\u00e3o ficou reduzido, porque est\u00e1 restrito \u00e0s \u00e1reas legalmente protegidas. &#8220;Com a desafeta\u00e7\u00e3o [redu\u00e7\u00e3o] das \u00e1reas, muita gente est\u00e1 se mexendo para entrar nas terras. Recebemos pedidos de garimpeiros e de pesquisadores para acampar na regi\u00e3o, tamb\u00e9m estamos recebendo amea\u00e7as de invas\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito delicada&#8221;, diz Maria Lucia Carvalho, chefe do Parque Nacional da Amaz\u00f4nia, ligada ao ICMBio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recentemente, o ICMBio autuou uma balsa que estava pronta para iniciar a garimpagem em \u00e1rea que, at\u00e9 dois meses atr\u00e1s, pertencia \u00e0 reserva. &#8220;Iam come\u00e7ar a tirar ouro da regi\u00e3o. Quando informamos que n\u00e3o poderiam fazer aquilo, nos disseram que n\u00e3o t\u00ednhamos nada a ver com isso, que aquela \u00e1rea n\u00e3o pertencia mais ao parque e que iriam adiante&#8221;, conta Maria Lucia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o de areia \u00e9 outro alvo. Com o per\u00edodo de seca, que atinge o pico em setembro, diversas praias surgem nas margens do rio, com dunas imensas de areia fina. &#8220;J\u00e1 chegaram dois pedidos para retirada de areia na regi\u00e3o do Bubur\u00e9, dentro do parque nacional.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro da floresta, tamb\u00e9m foram detectados focos de explora\u00e7\u00e3o de palmito e madeira. &#8220;Avisamos que isso poderia acontecer, mas n\u00e3o fomos ouvidos&#8221;, diz Maria Lucia. &#8220;N\u00e3o posso me calar sobre o que est\u00e1 acontecendo aqui. Minha cr\u00edtica \u00e9 t\u00e9cnica, n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Minas e Energia est\u00e1 \u00e0 frente de um programa para tentar regularizar a minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, al\u00e9m de dar uma solu\u00e7\u00e3o ao caos fundi\u00e1rio. A maior preocupa\u00e7\u00e3o do ICMBio, segundo Roberto Vizentin, presidente do instituto, tem sido garantir a seguran\u00e7a das \u00e1reas protegidas. &#8220;\u00c9 permitido fazer minera\u00e7\u00e3o em algumas unidades, desde que respeitado o zoneamento de explora\u00e7\u00e3o. O plano de manejo indica onde pode ser feita a garimpagem. No entanto, \u00e9 preciso legalizar esses garimpos. Quase tudo \u00e9 ilegal&#8221;, diz Vizentin.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Floresta Nacional Crepori, por exemplo, que perdeu parte da \u00e1rea para permitir o licenciamento ambiental das usinas, h\u00e1 cerca de tr\u00eas mil pedidos de pesquisa e lavra minerais. &#8220;O garimpo \u00e9 uma das quest\u00f5es que mais nos preocupa nessa regi\u00e3o. As \u00e1reas que ser\u00e3o afetadas pelas barragens est\u00e3o cheias de garimpeiros. Quando os empreendimentos forem constru\u00eddos e o lago come\u00e7ar a ocupar as \u00e1reas, para onde v\u00e3o esses garimpeiros? Eles v\u00e3o ocupar o que puderem. Isso tem de ser controlado&#8221;, alerta o presidente do ICMBio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a prolifera\u00e7\u00e3o dos garimpos, aumenta ainda mais a ocupa\u00e7\u00e3o irregular em uma regi\u00e3o j\u00e1 marcada por conflitos fundi\u00e1rios. Estima-se que s\u00f3 na regi\u00e3o da BR-163 &#8211; entre a Serra do Cachimbo e Itaituba, no Par\u00e1 &#8211; existam entre 5 mil e 6 mil fam\u00edlias que demandam regulariza\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, a regi\u00e3o do Tapaj\u00f3s \u00e9 alvo de milhares de garimpos ilegais em busca de ouro e diamante. Depois de sofrer uma intensa fase de explora\u00e7\u00e3o durante os anos 70 e 80, a explora\u00e7\u00e3o ficou quase estagnada nas duas d\u00e9cadas seguintes. Nos \u00faltimos cinco anos, por\u00e9m, o garimpo voltou a florescer com for\u00e7a total, mas da pior maneira poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estimativas locais apontam que atualmente h\u00e1 cerca de 60 mil homens trabalhando na extra\u00e7\u00e3o de ouro e diamante na bacia do Tapaj\u00f3s. \u00c9 mais da metade dos 110 mil garimpeiros que est\u00e3o espalhados por toda a Amaz\u00f4nia. &#8220;Isso faz do Tapaj\u00f3s o maior garimpo do Brasil&#8221;, afirma Seme Sefrian, ex-secret\u00e1rio de Minera\u00e7\u00e3o e de Meio Ambiente de Itaituba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quase todo esse batalh\u00e3o atua de forma irregular, seja utilizando materiais ou m\u00e1quinas proibidas, seja agindo em unidades protegidas ou sem qualquer tipo de autoriza\u00e7\u00e3o. O merc\u00fario, mat\u00e9ria-prima usada para separar o ouro da terra, segue direto para os afluentes do Tapaj\u00f3s. A terra, depois de lavada com mangueiras &#8220;bico-jato&#8221;, n\u00e3o \u00e9 recomposta, deixando para tr\u00e1s imensas crateras de lama.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para complicar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, os garimpeiros passaram a utilizar retroescavadeiras para atingir uma profundidade de solo ainda n\u00e3o explorada. At\u00e9 cinco anos atr\u00e1s, esse tipo de equipamento, conhecido como &#8220;PC&#8221;, n\u00e3o existia na regi\u00e3o. Hoje, segundo Sefrian, h\u00e1 cerca de 150 retroescavadeiras revirando terras todos os dias na bacia do Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A reportagem flagrou balsas carregando os equipamentos pelo rio. Apesar da ilegalidade total, tudo transcorre normalmente. O maquin\u00e1rio \u00e9 caro. Uma &#8220;PC&#8221; nova, com todos os apetrechos, custa cerca de R$ 600 mil, diz o ex-secret\u00e1rio de Itaituba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 no ramo, vale a pena o risco. O Tapaj\u00f3s transformou-se no novo eldorado. A regi\u00e3o est\u00e1 produzindo meia tonelada de ouro por m\u00eas, o que representa US$ 26, 4 milh\u00f5es, de acordo com o pre\u00e7o atual do metal. H\u00e1 cinco anos, o volume mensal girava em torno de 200 quilos. &#8220;O pre\u00e7o disparou e o neg\u00f3cio voltou a atrair gente&#8221;, conta Sefrain.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2005, o pre\u00e7o da on\u00e7a do ouro (31,10 gramas) teve m\u00e9dia de US$ 445. Em 2009, a cota\u00e7\u00e3o dobrou e chegou a US$ 974 e n\u00e3o parou mais de subir. Hoje o pre\u00e7o da on\u00e7a est\u00e1 em US$ 1.643. &#8220;O problema \u00e9 que a explora\u00e7\u00e3o hoje est\u00e1 acontecendo de forma muito aleat\u00f3ria. N\u00e3o existe muito controle do que \u00e9 retirado, produzido ou vendido na regi\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio \u00e9 t\u00e3o bom que at\u00e9 Sefrain, o ex-secret\u00e1rio de Meio Ambiente, virou garimpeiro. Hoje, ele possui uma &#8220;PC&#8221; e uma p\u00e1 carregadeira prontas para entrar em a\u00e7\u00e3o na unidade de conserva\u00e7\u00e3o Crepori, entre o sul do Par\u00e1 e o norte do Mato Grosso. J\u00e1 contratou 34 homens e diz que tenta legalizar o in\u00edcio da extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Hoje, todo mundo trabalha sem autoriza\u00e7\u00e3o para lavra. Mas \u00e9 preciso mostrar para a popula\u00e7\u00e3o que o garimpo \u00e9 bom&#8221;, diz. &#8220;Eu n\u00e3o consegui ainda a autoriza\u00e7\u00e3o, mas estamos prontos e vamos come\u00e7ar a trabalhar. Nossa dificuldade \u00e9 a morosidade do Estado para regularizar a explora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os riscos apontados para a bacia do Tapaj\u00f3s deixam claro que a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, apesar do aumento nos \u00edndices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. 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