{"id":10425,"date":"2012-08-16T11:06:56","date_gmt":"2012-08-16T14:06:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10425"},"modified":"2012-08-16T11:06:56","modified_gmt":"2012-08-16T14:06:56","slug":"cinco-mamiferos-sao-extintos-da-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10425","title":{"rendered":"Cinco mam\u00edferos s\u00e3o extintos da Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que bi\u00f3logos da conserva\u00e7\u00e3o sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobreviv\u00eancia de animais de m\u00e9dio e grande porte, que precisam de espa\u00e7o para locomo\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atl\u00e2ntica, a realidade desafia essa teoria cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Mesmo grandes remanescentes est\u00e3o sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem prote\u00e7\u00e3o efetiva que impe\u00e7a a entrada de pessoas, a press\u00e3o hist\u00f3rica e atual de ca\u00e7adores diminui os benef\u00edcios de ter uma \u00e1rea remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o bi\u00f3logo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O trabalho inventariou 18 esp\u00e9cies de mam\u00edferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atl\u00e2ntica, o bioma mais amea\u00e7ado, que j\u00e1 perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, on\u00e7a-pintada, anta, muriqui e tamandu\u00e1-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferen\u00e7a para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade foi uma prote\u00e7\u00e3o efetiva da \u00e1rea. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferen\u00e7a entre era o n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o &#8211; os mais protegidos tinham mais animais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E falar em prote\u00e7\u00e3o significa n\u00e3o apenas criar unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Em muitos casos elas existem, mas n\u00e3o est\u00e3o implementadas nem t\u00eam seguran\u00e7a, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de ca\u00e7adores ou madeireiros. &#8220;Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na pr\u00e1tica e foram os que apresentaram as maiores taxas de reten\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies&#8221;, diz Peres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se mostrou mais cr\u00edtica nos fragmentos da Mata Atl\u00e2ntica na por\u00e7\u00e3o oeste do Nordeste, onde h\u00e1 menos unidades de conserva\u00e7\u00e3o. &#8220;A disponibilidade de prote\u00edna animal nessa regi\u00e3o \u00e9 baixa, por conta das altas taxa de densidade demogr\u00e1fica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda \u00e9 subsidiada por um padr\u00e3o de ca\u00e7a que varia de recreativo \u00e0 subsist\u00eancia. S\u00f3 a fauna relativamente tolerante a essa press\u00e3o persiste&#8221;, conta Peres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitas esp\u00e9cies de mam\u00edferos desapareceram at\u00e9 do folclore. &#8220;Ningu\u00e9m nunca viu um muriqui ou um tamandu\u00e1-bandeira. Naquele caso, as reservas j\u00e1 chegariam atrasadas&#8221;, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). &#8220;Mesmo se existirem popula\u00e7\u00f5es muito isoladas, elas est\u00e3o t\u00e3o reduzidas que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais vi\u00e1veis&#8221;, diz o bi\u00f3logo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. &#8220;A gente v\u00ea aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade \u00e9 que s\u00e3o florestas vazias.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram ca\u00e7adores ou madeireiros, apesar de ningu\u00e9m se declarar como tal. &#8220;Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ningu\u00e9m admite que ca\u00e7a&#8221;, conta Canale.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A an\u00e1lise mostrou uma taxa impressionante de extin\u00e7\u00f5es locais na fauna de mam\u00edferos. De 3.528 popula\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 esp\u00e9cies investigadas.<\/p>\n<p>Fonte: O Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que bi\u00f3logos da conserva\u00e7\u00e3o sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobreviv\u00eancia de animais de m\u00e9dio e grande porte, que precisam de espa\u00e7o para locomo\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o. 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