{"id":10497,"date":"2012-09-03T12:01:35","date_gmt":"2012-09-03T15:01:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10497"},"modified":"2012-09-03T12:01:35","modified_gmt":"2012-09-03T15:01:35","slug":"pesquisadores-descobrem-nova-especie-de-ave-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10497","title":{"rendered":"Pesquisadores descobrem nova esp\u00e9cie de ave em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>Vasculhando montanhas com cerca de 1.500 m de altitude no cora\u00e7\u00e3o de Minas Gerais, pesquisadores encontraram uma nova esp\u00e9cie de p\u00e1ssaro, mais ou menos do tamanho de um sabi\u00e1 (embora seu &#8220;primo&#8221; mais conhecido seja o jo\u00e3o-de-barro).<\/p>\n<p>A ave, apelidada por eles de pedreiro-do-espinha\u00e7o, \u00e9 um enigma evolutivo: seus parentes mais pr\u00f3ximos, que tamb\u00e9m gostam de montanhas e de frio, est\u00e3o a milhares de quil\u00f4metros dali, no Rio Grande do Sul, nos Andes e at\u00e9 na Patag\u00f4nia.<\/p>\n<p>Enquanto tentam entender como o bicho foi parar na serra do Espinha\u00e7o, a apenas 50 km de Belo Horizonte, os cientistas tamb\u00e9m est\u00e3o levando em conta considera\u00e7\u00f5es mais pr\u00e1ticas. Para eles, a esp\u00e9cie j\u00e1 &#8220;nasce&#8221; para a ci\u00eancia como amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 que o habitat do animal, uma combina\u00e7\u00e3o \u00fanica de rocha e vegeta\u00e7\u00e3o rasteira adaptada a altitudes elevadas, corre o risco de sumir com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, al\u00e9m de sofrer a press\u00e3o da atividade humana.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 OU N\u00c3O \u00c9?<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa que levou \u00e0 descoberta da nova esp\u00e9cie \u00e9 assinada pelo ornit\u00f3logo Guilherme Freitas e por seus colegas Anderson Chaves, L\u00edlian Costa, Fabr\u00edcio Santos e Marcos Rodrigues, todos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).<\/p>\n<p>A equipe levou v\u00e1rios anos para cravar que se tratava de um bicho novo, em parte, porque as diferen\u00e7as entre o pedreiro-do-espinha\u00e7o e seus parentes da regi\u00e3o Sul (que moram na serra Geral, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina) s\u00e3o pequenas.<\/p>\n<p>Freitas conta que a descoberta come\u00e7ou com o avistamento de um \u00fanico indiv\u00edduo, em 2006. &#8220;Bati umas fotos e achei que s\u00f3 podia ser ele [a esp\u00e9cie do Sul.&#8221; Talvez fosse um p\u00e1ssaro especialmente aventureiro, tendo voado uns 1.000 km rumo ao norte, pensou o ornit\u00f3logo.<\/p>\n<p>Procura que procura, ele e seus colegas foram achando mais bichos, at\u00e9 toparem com casais e filhotes, sinal de que se tratava de uma popula\u00e7\u00e3o residente, e n\u00e3o de alguns p\u00e1ssaros desgarrados.<\/p>\n<p>A equipe conseguiu capturar alguns exemplares e gravar o canto dos p\u00e1ssaros. An\u00e1lises comparativas da apar\u00eancia, do padr\u00e3o de canto e do DNA dos animais levou os pesquisadores a acreditarem, que, de fato, tratava-se de uma esp\u00e9cie nova.<\/p>\n<p>&#8220;As diferen\u00e7as s\u00e3o sutis. Mas, somadas, fortalecem essa hip\u00f3tese&#8221;, diz Freitas.<\/p>\n<p><strong>N\u00c1UFRAGO<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil saber como a nova esp\u00e9cie acabou evoluindo. \u00c9 poss\u00edvel que \u00e1reas mais baixas fossem prop\u00edcias \u00e0 sua presen\u00e7a dezenas de milhares de anos atr\u00e1s, na Era do Gelo. Conforme o planeta esquentou, a popula\u00e7\u00e3o da serra do Espinha\u00e7o teria ficado isolada e adquirido suas caracter\u00edsticas \u00fanicas.<\/p>\n<p>Por outro lado, sua origem pode ser ainda mais remota. &#8220;As montanhas brasileiras s\u00e3o antigas se comparadas aos Andes, e h\u00e1 v\u00e1rios registros de &#8216;f\u00f3sseis vivos&#8217; no Espinha\u00e7o&#8221;, diz Freitas.<\/p>\n<p>O habitat peculiar da ave s\u00e3o os chamados campos rupestres, terrenos pedregosos cobertos por plantas herb\u00e1ceas e frequentemente cobertos por neblina, formada pela umidade que vem do mar.<\/p>\n<p>Nesse ambiente, o pedreiro-do-espinha\u00e7o ca\u00e7a invertebrados em meio a rachaduras na rocha, musgos, l\u00edquens e gram\u00edneas.<\/p>\n<p>Por suas caracter\u00edsticas \u00fanicas e por seu isolamento, os campos rupestres s\u00e3o pr\u00f3digos em animais e plantas end\u00eamicos, ou seja, que s\u00f3 existem l\u00e1, e em nenhum outro lugar do mundo.<\/p>\n<p>De 1990 para c\u00e1, por exemplo, a serra do Espinha\u00e7o j\u00e1 tinha sido palco da descoberta de tr\u00eas outras esp\u00e9cies de aves, coisa rara no planeta hoje.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica oficial da esp\u00e9cie ser\u00e1 publicada na edi\u00e7\u00e3o do m\u00eas que vem da revista cient\u00edfica &#8220;Ibis&#8221;, especializada em ornitologia.<\/p>\n<figure style=\"width: 508px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/ciencia\/images\/122371416.jpeg\" alt=\"\" width=\"508\" height=\"558\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Editoria de Arte\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Folha.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vasculhando montanhas com cerca de 1.500 m de altitude no cora\u00e7\u00e3o de Minas Gerais, pesquisadores encontraram uma nova esp\u00e9cie de p\u00e1ssaro, mais ou menos do tamanho de um sabi\u00e1 (embora seu &#8220;primo&#8221; mais conhecido seja o jo\u00e3o-de-barro). 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