{"id":10574,"date":"2012-09-26T09:43:31","date_gmt":"2012-09-26T12:43:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10574"},"modified":"2012-09-26T09:43:31","modified_gmt":"2012-09-26T12:43:31","slug":"mudancas-no-dna-podem-afetar-comportamento-de-abelhas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10574","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as no DNA podem afetar comportamento de abelhas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pesquisadores mostram que a altera\u00e7\u00e3o de alguns genes pode levar insetos a trocar de fun\u00e7\u00e3o dentro da colmeia<\/strong><\/p>\n<p>Cientistas da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram a primeira evid\u00eancia de que o comportamento das abelhas \u2014 e possivelmente de outros animais \u2014 pode ser alterado por mudan\u00e7as\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/mudancas-no-dna-podem-afetar-comportamento-de-abelhas#epigen\u00e9tica\">epigen\u00e9ticas\u00a0<\/a><\/strong>em seus genes. A pesquisa, publicada neste domingo no site da revista\u00a0<em>Nature Neuroscience<\/em>, mostrou que essas mudan\u00e7as podem alterar a fun\u00e7\u00e3o desempenhada pela abelha na colmeia \u2014 e podem ser revertidas a fim de trazer o comportamento original de volta.<\/p>\n<p>Os cientistas procuraram no DNA das abelhas altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas conhecidas como metila\u00e7\u00f5es, que podem ser introduzidas e retiradas sem alterar a sequ\u00eancia gen\u00e9tica original.\u00a0A metila\u00e7\u00e3o de trechos do DNA j\u00e1 havia se mostrado importante na regula\u00e7\u00e3o da atividade gen\u00e9tica. Pesquisas anteriores haviam mostrado que ela pode agir, por exemplo, na determina\u00e7\u00e3o de qual o destino de uma\u00a0<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/mudancas-no-dna-podem-afetar-comportamento-de-abelhas#tronco\">c\u00e9lula-tronco<\/a>\u00a0e no surgimento de c\u00e9lulas tumorais.<\/p>\n<p>Neste estudo, a inten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores foi descobrir se a metila\u00e7\u00e3o, ao alterar a forma como os genes se expressam, poderia afetar o comportamento de um animal. Para isso, eles analisaram o DNA do c\u00e9rebro de abelhas oper\u00e1rias de duas &#8220;profiss\u00f5es&#8221; diferentes.<\/p>\n<p>Todas as abelhas oper\u00e1rias s\u00e3o f\u00eameas e, dentro da mesma colmeia, todas s\u00e3o geneticamente id\u00eanticas. Mesmo assim, elas podem realizar trabalhos diferentes.\u00a0As abelhas nutrizes, por exemplo, permanecem na colmeia para cuidar da rainha e das larvas. Quando ficam mais velhas, elas podem se tornar abelhas campeiras, que saem em busca de p\u00f3len e outros suprimentos para a comunidade.<\/p>\n<p>&#8220;Os genes n\u00e3o s\u00e3o capazes de explicar as diferen\u00e7as entre os dois tipos de comportamento&#8221;, diz Andy Feinberg, professor de medicina molecular e diretor do Centro de Epigen\u00e9tica do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas B\u00e1sicas da Universidade Johns Hopkins. &#8220;Mas a epigen\u00e9tica \u2013 e seu controle sobre os genes \u2013 pode.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Teste vocacional \u2014<\/strong>\u00a0Os pesquisadores realizaram a experi\u00eancia em uma colmeia nova, habitada por abelhas da mesma idade. Desse modo, eles evitaram a possibilidade de as diferen\u00e7as entre os insetos ocorrerem por conta da idade. &#8220;Quando abelhas de mesma idade entram em uma nova colmeia, elas dividem suas tarefas de modo a manter uma propor\u00e7\u00e3o correta de nutrizes e campeiras&#8221;, diz Gro Amdam, especialista em abelhas da Universidade Estadual do Arizona e um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>Ao analisar os padr\u00f5es de metila\u00e7\u00e3o do DNA no c\u00e9rebro de 21 abelhas nutrizes e 21 campeiras, os pesquisadores encontraram 155 regi\u00f5es que haviam sofrido altera\u00e7\u00e3o. Os genes alterados eram em sua maioria regulat\u00f3rios, conhecidos por afetar o funcionamento de outros genes.<\/p>\n<p>Em seguida, os cientistas quiseram descobrir se essas mudan\u00e7as epigen\u00e9ticas eram permanentes. Para isso, retiraram todas as abelhas nutrizes da colmeia. &#8220;Quando h\u00e1 poucas abelhas nutrizes, as campeiras podem tomar seu lugar, voltando \u00e0 sua profiss\u00e3o anterior&#8221;, diz Gro Amdam.<\/p>\n<p>Depois de algumas semanas, os pesquisadores voltaram a procurar diferen\u00e7as nos padr\u00f5es de metila\u00e7\u00e3o de seu DNA. Dessa vez, encontraram 107 regi\u00f5es diferentes entre as campeiras e as que haviam se tornado nutrizes, sugerindo que as marca\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas n\u00e3o eram permanentes, mas podiam ser revertidas no dia a dia da colmeia.<\/p>\n<p>Dessas 107 regi\u00f5es, 57 j\u00e1 haviam sido identificadas entre as 155 que se alteram quando as nutrizes amadurecem para campeiras. Segundo os pesquisadores, essas 57 regi\u00f5es parecem decisivas para diferenciar o comportamento das campeiras e nutrizes.\u00a0Os cientistas dizem que o resultado pode ajudar a compreender quest\u00f5es comportamentais complexas em seres humanos, como o aprendizado, mem\u00f3ria, respostas ao estresse e desordens de comportamento, que tamb\u00e9m envolvem intera\u00e7\u00f5es entre componentes gen\u00e9ticos e a epigen\u00e9ticos.<\/p>\n<h2>Saiba mais<\/h2>\n<p><strong><a name=\"epigen\u00e9tica\"><\/a>EPIGEN\u00c9TICA<\/strong><br \/>\n\u00c9 o nome que se d\u00e1 para as mudan\u00e7as que acontecem nos genes sem, no entanto, alterar o c\u00f3digo gen\u00e9tico de um indiv\u00edduo. \u00c9 diferente de uma muta\u00e7\u00e3o. Em uma muta\u00e7\u00e3o, o c\u00f3digo gen\u00e9tico \u00e9 alterado. J\u00e1 a mudan\u00e7a epigen\u00e9tica s\u00f3 altera a forma como um gene funciona. Essa mudan\u00e7a pode ser causada por fatores ambientais, como polui\u00e7\u00e3o ou mesmo pela pr\u00e1tica de exerc\u00edcios, e pode ser passada para as gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n<p><strong><a name=\"tronco\"><\/a>C\u00c9LULAS-TRONCO<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m chamadas de c\u00e9lulas-m\u00e3e, podem se transformar em qualquer um dos tipos de c\u00e9lulas do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, m\u00fasculos e sangue. Por essa versatilidade, elas v\u00eam sendo testadas na regenera\u00e7\u00e3o de tecidos e \u00f3rg\u00e3os de pessoas doentes.<\/p>\n<figure style=\"width: 478px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja1.abrilm.com.br\/assets\/images\/2012\/9\/97270\/abelhas-20120917-size-598.jpg?1347897552\" alt=\"abelhas\" width=\"478\" height=\"269\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">As abelhas oper\u00e1rias podem trabalhar dentro da colmeia ou fora, recolhendo p\u00f3len. O estudo mostrou que as tarefas desempenhadas s\u00e3o decididas pela metila\u00e7\u00e3o do DNA (Thinkstock)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Fonte: Veja Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores mostram que a altera\u00e7\u00e3o de alguns genes pode levar insetos a trocar de fun\u00e7\u00e3o dentro da colmeia Cientistas da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram a primeira evid\u00eancia de que o comportamento das abelhas \u2014 e possivelmente de outros animais \u2014 pode ser alterado por mudan\u00e7as\u00a0epigen\u00e9ticas\u00a0em seus genes. 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