{"id":10640,"date":"2012-11-08T14:14:11","date_gmt":"2012-11-08T17:14:11","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10640"},"modified":"2012-11-08T14:14:11","modified_gmt":"2012-11-08T17:14:11","slug":"meta-de-limitar-o-aquecimento-global-a-2%c2%bac-e-irreal-mostra-relatorio-da-pwc","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10640","title":{"rendered":"Meta de limitar o aquecimento global a 2\u00baC \u00e9 irreal, mostra relat\u00f3rio da PwC"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para manter o estabelecido na Confer\u00eancia do Clima de Copenhague, os pa\u00edses teriam de descarbonizar suas economias a um ritmo pelo menos seis vezes maior do que o atual<\/strong><\/p>\n<p>Em 2009, a 15\u00aa Confer\u00eancia do Clima (COP-15) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estabeleceu como meta limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius (acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais) ao longo deste s\u00e9culo. Publicado nesta segunda-feira, o relat\u00f3rio\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pwc.com\/en_GX\/gx\/low-carbon-economy-index\/assets\/pwc-low-carbon-economy-index-2012.pdf\">Low carbon economy index<\/a>, desde 2009 lan\u00e7ado anualmente pela consultoria internacional PricewaterhouseCoopers (PwC), mostra no entanto que o objetivo est\u00e1 cada vez mais distante de ser atingido. Para que o planeta esquente dentro dessa margem, as economias globais precisariam reduzir drasticamente um \u00edndice chamado intensidade em carbono (que mede a rela\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono de acordo com a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de cada pa\u00eds).<\/p>\n<p>Esse \u00edndice \u00e9 dado em toneladas de CO2 por milh\u00e3o de d\u00f3lares do PIB (Produto Interno Bruto) de um determinado pa\u00eds. No ano passado, por exemplo, o Brasil jogou na atmosfera 197 toneladas de carbono para cada milh\u00e3o de d\u00f3lares de seu PIB. Um outro exemplo, a China, emitiu no mesmo per\u00edodo 754 toneladas de CO2 por milh\u00e3o de d\u00f3lares. Nos c\u00e1lculos da PwC, o mundo precisaria reduzir sua intensidade em carbono a um ritmo anual de 5,1% at\u00e9 2050 para aquecer ao longo deste s\u00e9culo s\u00f3 2\u00baC, uma taxa que n\u00e3o foi observada em um \u00fanico ano desde o final da 2\u00aa Guerra Mundial.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo de intensidade \u00e9 feito com base na mistura de combust\u00edveis que cada pa\u00eds adota, sua efici\u00eancia energ\u00e9tica e a composi\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica. Seria uma maneira de, segundo Carlos Rossin, diretor de Sustentabilidade da PwC Brasil, entender em que medida as economias globais podem produzir mais bens e, com investimentos em efici\u00eancia, emitir menos carbono.<\/p>\n<p>Os cientistas calculam que haveria 50% de chances de o aumento da temperatura global limitar-se ao n\u00famero acordado na COP-15 caso o carbono na atmosfera se estabilize em 450 partes por milh\u00e3o (ppm) \u2013 hoje tal concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 de 390 ppm. A temperatura m\u00e9dia do globo j\u00e1 subiu pouco menos de 1\u00baC dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais.<\/p>\n<p>De acordo com os c\u00e1lculos da PwC, estabilizar a concentra\u00e7\u00e3o em 450 ppm seria poss\u00edvel se as economias globais reduzissem sua intensidade em CO2 numa ordem de 5.1% anualmente. S\u00f3 que a m\u00e9dia anual da \u00faltima d\u00e9cada (2000-2011) para a redu\u00e7\u00e3o desse \u00edndice foi de apenas 0.8%. Ou seja, o desafio \u00e9 sextuplicar o atual ritmo de descarboniza\u00e7\u00e3o. Diante desse cen\u00e1rio, o relat\u00f3rio afirma que \u201cas ambi\u00e7\u00f5es dos governos de limitar o aquecimento a 2\u00baC parecem altamente irrealistas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Novos desafios<\/strong>\u00a0\u2013 Se a meta de reduzir a rela\u00e7\u00e3o carbono-PIB em 5,1% ao ano soa distante do atual patamar, os n\u00edveis de redu\u00e7\u00e3o da intensidade de carbono para atingir o acordado na COP-15 tendem a ficar cada vez maiores, ano ap\u00f3s ano. Isso porque, conforme alerta do documento da PwC, \u00e9 pouco cr\u00edvel que qualquer descarboniza\u00e7\u00e3o significativa das economias ocorra em um curto espa\u00e7o de tempo. Levando isso em conta, a consultoria acredita que \u201ca redu\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria dos pr\u00f3ximos anos precisa ser muito maior.\u201d Revis\u00f5es para cima t\u00eam sido a regra desde que o Low carbon economy index passou a ser editado, em 2009. \u00c0 \u00e9poca, os especialistas da PwC diziam que a diminui\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do carbono em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, para manter o planeta na fronteira dos 2 \u00baC, teria de ser de 3,7% ao ano.<\/p>\n<p><strong>Devagar, quase parando<\/strong>\u00a0\u2013 A lenta marcha de redu\u00e7\u00e3o da intensidade de carbono da economia mundial mostra que o cen\u00e1rio de 2\u00baC de aquecimento tornou-se uma previs\u00e3o otimista, diz a consultoria. Ela lembra que seria necess\u00e1rio no m\u00ednimo quadruplicar as taxas de descarboniza\u00e7\u00e3o de hoje para que a temperatura m\u00e9dia global aque\u00e7a 4\u00baC acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais at\u00e9 o final deste s\u00e9culo, o dobro do assumido pelos governos em Copenhague. A Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA, em ingl\u00eas) j\u00e1 considera a possibilidade de o planeta esquentar, em m\u00e9dia, 6\u00baC no decorrer dos pr\u00f3ximos 100 anos.<\/p>\n<p>Paulo Artaxo, do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo e membro do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as do Clima (IPCC, em ingl\u00eas), afirma que a escalada da temperatura do globo pode trazer consigo uma maior frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos, como secas, furac\u00f5es e inunda\u00e7\u00f5es. &#8220;Isso tamb\u00e9m causa um impacto s\u00f3cio-econ\u00f4mico muito grande&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>A PwC, por sua vez, diz no documento que qualquer a\u00e7\u00e3o para evitar os cen\u00e1rios mais pessimistas passa por mudan\u00e7as radicais no atual funcionamento da economia global. Seria preciso &#8220;a r\u00e1pida absor\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis, aguda queda no uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e interrup\u00e7\u00e3o da derrubada de florestas.&#8221; O documento vai al\u00e9m: &#8220;De qualquer forma, o<em>business-as-usual<\/em>\u00a0n\u00e3o pode continuar&#8221;, conclui.<\/p>\n<figure style=\"width: 478px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja2.abrilm.com.br\/assets\/images\/2012\/11\/107912\/carbono-20121105-size-598.jpg?1352150257\" alt=\"carbono emissao\" width=\"478\" height=\"269\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Consultoria PwC diz que meta de limitar o aquecimento do planeta a 2\u00baC at\u00e9 o final do s\u00e9culo, no atual ritmo de descarboniza\u00e7\u00e3o, ficar\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil de ser alcan\u00e7ada (iStockphoto)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Fonte: Veja Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para manter o estabelecido na Confer\u00eancia do Clima de Copenhague, os pa\u00edses teriam de descarbonizar suas economias a um ritmo pelo menos seis vezes maior do que o atual Em 2009, a 15\u00aa Confer\u00eancia do Clima (COP-15) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estabeleceu como meta limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius (acima &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10640\"> <span class=\"screen-reader-text\">Meta de limitar o aquecimento global a 2\u00baC \u00e9 irreal, mostra relat\u00f3rio da PwC<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":474,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[3804,3724,308,892],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10640"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/474"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10640"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10640\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10642,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10640\/revisions\/10642"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}