{"id":10665,"date":"2012-11-14T10:16:38","date_gmt":"2012-11-14T13:16:38","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10665"},"modified":"2012-11-14T10:16:38","modified_gmt":"2012-11-14T13:16:38","slug":"pesquisadores-brasileiros-estudam-enzimas-de-baratas-para-obter-etanol","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10665","title":{"rendered":"Pesquisadores brasileiros estudam enzimas de baratas para obter etanol"},"content":{"rendered":"<p><strong>Subst\u00e2ncias no sistema digestivo dos insetos podem ajudar a criar \u00e1lcool.<\/strong><br \/>\n<strong>Resultados obtidos s\u00e3o promissores, afirma professor da UFRJ.<\/strong><\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) est\u00e1 estudando como usar baratas &#8211; mais precisamente enzimas especializadas no sistema digestivo delas &#8211; para ajudar na obten\u00e7\u00e3o do etanol.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 usar as enzimas para degradar baga\u00e7o de cana e com isso obter a\u00e7\u00facares, que podem ser usados para produzir etanol, aponta o professor Ednildo de Alc\u00e2ntara Machado, do Instituto de Biof\u00edsica da UFRJ. O \u00e1lcool \u00e9 obtido pela fermenta\u00e7\u00e3o destes a\u00e7\u00facares, realizada por fungos conhecidos como leveduras.<\/p>\n<p>Dois tipos de baratas est\u00e3o sendo pesquisados: a\u00a0<em>Periplaneta americana<\/em>, esp\u00e9cie comum e encontrada em esgotos e escondidas nas casas; e a\u00a0<em>Nauphoeta cinerea<\/em>, um tipo de barata da Am\u00e9rica Central, mas que hoje \u00e9 encontrada em v\u00e1rios lugares do globo. Alimentados com baga\u00e7o de cana, os insetos se adaptaram e tornaram-se capazes de digeri-lo, produzindo enzimas especializadas para isso, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;Os resultados s\u00e3o bastante promissores. Essa adapta\u00e7\u00e3o que o inseto faz ao baga\u00e7o tem sinalizado que dele podem vir novas fontes de enzimas&#8221;, afirma Machado. As baratas foram capazes de sobreviver por mais de 30 dias somente com o baga\u00e7o de cana, ressalta o cientista.<\/p>\n<p>Ele afirma que a pesquisa, por enquanto, encontra-se nas etapas de condicionar as baratas para consumir o baga\u00e7o e de identifica\u00e7\u00e3o das enzimas especializadas. O etanol ainda n\u00e3o foi obtido. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma coisa distante [a produ\u00e7\u00e3o do etanol]&#8221;, diz Machado, &#8220;mas as etapas t\u00eam que ser trabalhadas em conjunto. N\u00e3o sei dizer quando [vai ser produzido]&#8221;.<\/p>\n<p><strong>F\u00e1ceis de criar<\/strong><br \/>\nO grupo de pesquisadores tamb\u00e9m estuda a degrada\u00e7\u00e3o da biomassa usando cupins, o que ocorre com relativo sucesso, segundo Machado. &#8220;Mas as baratas s\u00e3o mais f\u00e1ceis de criar em laborat\u00f3rio. Elas se adaptam com facilidade&#8221;, afirma. Ele ressalta que os dois insetos t\u00eam fisiologia parecida.<\/p>\n<p>A ideia para o futuro \u00e9 isolar as enzimas produzidas pelas baratas e tentar criar um &#8220;kit enzim\u00e1tico&#8221; que permita retirar o a\u00e7\u00facar do baga\u00e7o da cana em laborat\u00f3rio, diz Machado. &#8220;Um dos desafios \u00e9 o custo, a produ\u00e7\u00e3o destas enzimas em escala industrial ainda \u00e9 muito cara. O nosso modelo tem apelo porque \u00e9 uma fonte nova de enzimas, pode ajudar a ter enzimas mais eficientes&#8221;, diz ele.<\/p>\n<figure style=\"width: 496px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/JNBOXmRPOMPOLniNxrrPqFIv5AdT5CD30KGoFZybIwNIoz-HdGixxa_8qOZvMp3w\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2012\/11\/06\/barata3.jpg\" alt=\"A barata 'Nauphoeta cinerea', nativa da Am\u00e9rica Central segundo o pesquisador da UFRJ (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Universidade de Queensland)\" width=\"496\" height=\"416\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A barata &#39;Nauphoeta cinerea&#39;, uma das esp\u00e9cies estudadas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Universidade de Queensland)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<figure style=\"width: 496px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/B0DegmOX_nrHALcqv0WNuiUuz9xJZluMxtgAGEkMuo1Ioz-HdGixxa_8qOZvMp3w\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2012\/11\/06\/periplaneta.jpg\" alt=\"a barata comum, da esp\u00e9cie 'Periplaneta americana', \u00e9 estudada por pesquisadores da UFRJ (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Palomar Community College)\" width=\"496\" height=\"360\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Barata &#39;Periplaneta americana&#39;, uma das estudadas na UFRJ (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Palomar Community College)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p><strong>Novas etapas<\/strong><br \/>\nPesquisar as enzimas \u00e9 uma etapa importante para produzir o etanol, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica, diz o pesquisador. Outros pontos importantes s\u00e3o o tratamento do baga\u00e7o da cana, para que ele seja facilmente degradado, e a fermenta\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3ximo desafio do grupo, de acordo com Machado, \u00e9 aumentar a escala de produ\u00e7\u00e3o das enzimas. &#8220;Se elas continuarem com a efici\u00eancia [encontrada], acredito que podem ajudar.&#8221;<\/p>\n<p>As baratas &#8220;moldam&#8221; sua digest\u00e3o a outras fontes de biomassa, como restos de papel, diz o cientista. &#8220;O que parece ser interessante \u00e9 que quando voc\u00ea muda a biomassa usada como comida, ela se adapta. Em dez dias, em m\u00e9dia, ela come\u00e7a a produzir uma s\u00e9rie de enzimas especializadas para quebrar o alimento&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Diante da mudan\u00e7a de fonte de comida, a barata adapta tamb\u00e9m a sua microbiota, a &#8220;fauna&#8221; de micr\u00f3bios que vivem em seu sistema digestivo, relata Machado. &#8220;S\u00e3o microorganismos de alto interesse tecnol\u00f3gico, eles produzem uma s\u00e9rie de enzimas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica<\/strong><br \/>\nAlgumas enzimas do sistema digestivo da barata j\u00e1 foram identificadas, segundo o pesquisador. Um dos pr\u00f3ximos passos \u00e9 estudar como retirar partes do DNA dos insetos que definem a produ\u00e7\u00e3o destas subst\u00e2ncias, para inseri-los em bact\u00e9rias por manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Os micr\u00f3bios &#8220;transg\u00eanicos&#8221; poderiam ent\u00e3o produzir as enzimas e degradar a biomassa em escala industrial.<\/p>\n<p>O pesquisador aponta um ganho ambiental com a produ\u00e7\u00e3o do etanol desta maneira: a diminui\u00e7\u00e3o da necessidade de se plantar cana-de-a\u00e7\u00facar. &#8220;Em vez de plantar mais cana, voc\u00ea aproveitaria o corpo das c\u00e9lulas da planta. Voc\u00ea aumentaria a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool sem plantar mais&#8221;, diz Machado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Globo Natureza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Subst\u00e2ncias no sistema digestivo dos insetos podem ajudar a criar \u00e1lcool. Resultados obtidos s\u00e3o promissores, afirma professor da UFRJ. 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