{"id":10694,"date":"2012-12-04T13:41:16","date_gmt":"2012-12-04T16:41:16","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10694"},"modified":"2012-12-04T13:41:16","modified_gmt":"2012-12-04T16:41:16","slug":"trinta-novas-moleculas-sao-descobertas-em-veneno-de-serpentes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10694","title":{"rendered":"Trinta novas mol\u00e9culas s\u00e3o descobertas em veneno de serpentes"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Karina Toledo<\/strong><\/p>\n<figure style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.agencia.fapesp.br\/fotos\/2012\/49\/foto_dentro16563_2.jpg\" alt=\"\" width=\"290\" height=\"215\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pesquisadores do Instituto Butantan mapeiam conjunto de pept\u00eddeos do veneno de tr\u00eas esp\u00e9cies do g\u00eanero Bothrops, entre elas a jararaca, e encontram mol\u00e9culas com potencial a\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica (A.Tashima)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>\u00a0\u2013 Trinta novas mol\u00e9culas \u2013 algumas com potencial a\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica \u2013 foram descobertas no Instituto Butantan durante uma pesquisa que mapeou o conjunto de pept\u00eddeos existente no veneno de tr\u00eas esp\u00e9cies de serpentes do g\u00eanero\u00a0<em>Bothrops<\/em>, entre elas a jararaca.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo do trabalho era descrever a complexidade do peptidoma, ou conjunto de pept\u00eddeos, presente no veneno das esp\u00e9cies\u00a0<em>B. jararaca<\/em>,\u00a0<em>B. cotiara<\/em>\u00a0e\u00a0<em>B. fonsecai<\/em>\u201d, contou Solange Maria de Toledo Serrano, coordenadora da pesquisa.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo, considerado o mais profundo j\u00e1 realizado sobre peptidomas de venenos de serpentes, foram divulgados em artigo\u00a0publicado na edi\u00e7\u00e3o de novembro da revista\u00a0<em>Molecular &amp; Cellular Proteomics<\/em>.<\/p>\n<p>Foram sequenciados 44 pept\u00eddeos, dos quais 30 ainda eram desconhecidos. Entre as novas mol\u00e9culas, pelo menos quatro j\u00e1 testadas apresentaram atividade de potencia\u00e7\u00e3o da bradicinina e inibi\u00e7\u00e3o da atividade da enzima conversora de angiotensina, subst\u00e2ncias envolvidas no controle da press\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>O primeiro pept\u00eddeo potenciador de bradicinina isolado no veneno da jararaca ainda nos anos 1960 deu origem a toda uma classe de medicamentos anti-hipertensivos \u00e0 qual pertence, por exemplo, o Captopril.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, que estuda enzimas proteol\u00edticas de venenos h\u00e1 algum tempo, foi importante utilizar abordagens de espectrometria de massas e bioinform\u00e1tica para mapear e descrever os pontos de clivagens \u2013 nas toxinas que sofrem a a\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica, principalmente de metaloproteinases, quando a \u201chomeostase\u201d do veneno \u00e9 quebrada durante o processamento dos venenos para an\u00e1lise.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada (CAT), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) da FAPESP, durante o p\u00f3s-doutorado de Alexandre Keiji Tashima, atualmente professor do Departamento de Ci\u00eancias Exatas e da Terra da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), campus Diadema.<\/p>\n<p>Para identificar os pept\u00eddeos presentes nas amostras de veneno das tr\u00eas esp\u00e9cies\u00a0<em>Bothrops<\/em>, o primeiro passo foi separ\u00e1-los das prote\u00ednas (que s\u00e3o mol\u00e9culas maiores), contou Tashima.<\/p>\n<p>\u201cSeparamos a fra\u00e7\u00e3o proteica da fra\u00e7\u00e3o pept\u00eddica, que juntas correspondem\u00a0\u00e0 maior parte das subst\u00e2ncias presentes na secre\u00e7\u00e3o, por um processo chamado extra\u00e7\u00e3o em fase s\u00f3lida\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em seguida, a fra\u00e7\u00e3o pept\u00eddica foi analisada com a ajuda de um espectr\u00f4metro de massas, aparelho que mede a raz\u00e3o massa\/carga das mol\u00e9culas ionizadas para obter informa\u00e7\u00f5es de massa das mol\u00e9culas intactas e de seus fragmentos.<\/p>\n<p>\u201cA grande dificuldade, no caso do peptidoma de venenos, \u00e9 a falta de banco de dados que permita fazer a identifica\u00e7\u00e3o das cadeias de amino\u00e1cidos de forma autom\u00e1tica. Em grande parte dos casos \u00e9 preciso fazer o sequenciamento manual\u201d, explicou Tashima.<\/p>\n<p>Segundo Serrano, essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual o conhecimento sobre os proteomas de venenos avan\u00e7a de maneira bem mais r\u00e1pida que o conhecimento sobre os peptidomas. O grupo da pesquisadora j\u00e1 havia investigado o conjunto de prote\u00ednas produzidas por essas tr\u00eas esp\u00e9cies em estudos anteriores.<\/p>\n<p>\u201cOs venenos de serpentes s\u00e3o ricas fontes de pept\u00eddeos biologicamente ativos, no entanto, devido ao baixo n\u00famero de sequ\u00eancias depositadas em bancos de dados, o avan\u00e7o na descoberta de novas mol\u00e9culas tem ocorrido de maneira lenta. Isso \u00e9 ainda mais cr\u00edtico para esp\u00e9cies raras, como a\u00a0<em>B. cotiara<\/em>\u00a0e a B. fonsecai, ambas consideradas sob risco de extin\u00e7\u00e3o e sobre as quais h\u00e1 poucos trabalhos publicados na literatura\u201d, comentou a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Resultados inesperados<\/strong><\/p>\n<p>Ao fazer o sequenciamento das cadeias polipept\u00eddicas, os pesquisadores se surpreenderam ao perceber que o peptidoma das amostras de veneno fresco era bem menos complexo do que o presente em amostras de veneno liofilizado.<\/p>\n<p>\u201cQuando o veneno \u00e9 submetido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de laborat\u00f3rio, enzimas proteol\u00edticas naturalmente presentes na secre\u00e7\u00e3o entram em a\u00e7\u00e3o e come\u00e7am a degradar as prote\u00ednas, dando origem a mais pept\u00eddeos\u201d, explicou Tashima.<\/p>\n<p>Os cientistas compararam tr\u00eas tipos de amostra: veneno fresco colhido na presen\u00e7a de inibidores de enzimas proteol\u00edticas, veneno liofilizado dilu\u00eddo em uma solu\u00e7\u00e3o com inibidores de enzimas proteol\u00edticas e veneno liofilizado dilu\u00eddo em solu\u00e7\u00e3o \u00e1cida. Esta \u00faltima foi a que apresentou o maior n\u00famero de fragmentos de prote\u00ednas, ou seja, sofreu maior degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o esper\u00e1vamos observar uma degrada\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte das prote\u00ednas. Agora, ser\u00e1 preciso estudar o impacto disso, por exemplo, na produ\u00e7\u00e3o de soros antiof\u00eddicos, que normalmente \u00e9 feita com veneno liofilizado\u201d, afirmou Tashima.<\/p>\n<p>As serpentes do g\u00eanero\u00a0<em>Bothrops<\/em>\u00a0s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 90% dos acidentes of\u00eddicos que ocorrem no pa\u00eds, contou o pesquisador. A grande maioria dos casos envolve a jararaca, comum no pa\u00eds inteiro. J\u00e1 a\u00a0<em>B. cotiara<\/em>\u00a0est\u00e1 presente apenas nas regi\u00f5es de mata arauc\u00e1ria e a\u00a0<em>B. fonsecai<\/em>, na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Para Hugo Aguirre Armelin, coordenador do CAT-CEPID, a pesquisa revela as vantagens da abordagem prote\u00f4mica para o estudo dos venenos. \u201cO apoio da FAPESP est\u00e1 terminando este ano, mas deixou um laborat\u00f3rio equipado com espectr\u00f4metro de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o que nos permite fazer an\u00e1lises detalhadas de estruturas t\u00e3o complexas como a dos venenos de serpentes. Al\u00e9m disso, permitiu formar recursos humanos qualificados\u201d, disse.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Peptidomics of Three Bothrops Snake Venoms: Insights Into the Molecular Diversification of Proteomes and Peptidomes (doi: 10.1074\/mcp.M112.019331)<\/em>\u00a0pode ser lido em\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.mcponline.org\/content\/11\/11\/1245.abstract\" target=\"_blank\">www.mcponline.org\/content\/11\/11\/1245.abstract<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo &nbsp; Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Trinta novas mol\u00e9culas \u2013 algumas com potencial a\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica \u2013 foram descobertas no Instituto Butantan durante uma pesquisa que mapeou o conjunto de pept\u00eddeos existente no veneno de tr\u00eas esp\u00e9cies de serpentes do g\u00eanero\u00a0Bothrops, entre elas a jararaca. \u201cO objetivo do trabalho era descrever a complexidade do peptidoma, ou &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10694\"> <span class=\"screen-reader-text\">Trinta novas mol\u00e9culas s\u00e3o descobertas em veneno de serpentes<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[343,232],"tags":[3740,1830,623,349],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10694"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10694"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10695,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10694\/revisions\/10695"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}