{"id":10711,"date":"2012-12-17T10:03:36","date_gmt":"2012-12-17T13:03:36","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10711"},"modified":"2012-12-17T10:03:36","modified_gmt":"2012-12-17T13:03:36","slug":"terra-e-ciencia-sinalizam-o-futuro-e-hoje-e-e-quente-artigo-de-washington-novaes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10711","title":{"rendered":"Terra e ci\u00eancia sinalizam: o futuro \u00e9 hoje, e \u00e9 quente, artigo de Washington Novaes"},"content":{"rendered":"<p>Washington Novaes \u00e9 jornalista. Artigo publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo de 14\/12.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 prev\u00edramos neste espa\u00e7o (18\/11), a reuni\u00e3o dos 194 pa\u00edses-membros da Conven\u00e7\u00e3o do Clima em Doha, no Catar (22\/11 a 7\/12), n\u00e3o conseguiu nenhum avan\u00e7o importante &#8211; a n\u00e3o ser a prenunciada prorroga\u00e7\u00e3o, at\u00e9 2020, do Protocolo de Kyoto, de 1997 que venceria no pr\u00f3ximo dia 31 e propunha a redu\u00e7\u00e3o de 5,2% das emiss\u00f5es poluentes dos pa\u00edses industrializados (calculadas sobre as de 1990, que j\u00e1 aumentaram 50%) em troca de financiamentos para projetos redutores em outros pa\u00edses. A prorroga\u00e7\u00e3o era fundamental para o sistema financeiro, pelo qual foram negociados em uma d\u00e9cada cinco mil projetos dessa natureza em 81 pa\u00edses &#8211; entre eles o Brasil, que apoiou &#8220;com entusiasmo&#8221; a continua\u00e7\u00e3o porque o mercado decorrente dessas iniciativas movimenta muitas dezenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares (mas, na \u00faltima semana antes da reuni\u00e3o, o valor da tonelada de carbono negociada nesse mercado, que em outros tempos j\u00e1 valera at\u00e9 US$ 80, ca\u00edra para menos de US$ 1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda assim, ela foi aprovada na pen\u00faltima hora, com a dire\u00e7\u00e3o da conven\u00e7\u00e3o passando por cima dos protestos da R\u00fassia e de outros pa\u00edses da antiga \u00e1rea sovi\u00e9tica, que queriam continuar comercializando o &#8216;hot air&#8217;, isto \u00e9, a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es que tiveram com o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a redivis\u00e3o territorial e pol\u00edtica. A mesa dos trabalhos decidiu fazer-se de surda aos protestos e \u00e0s opini\u00f5es contr\u00e1rias tamb\u00e9m dos Estados Unidos (que nunca homologaram o protocolo de 1997), do Canad\u00e1, do Jap\u00e3o, da Nova Zel\u00e2ndia e da China. Na verdade, a prorroga\u00e7\u00e3o agora s\u00f3 abrange 1596 das emiss\u00f5es em pa\u00edses da comunidade europeia, na Austr\u00e1lia, na Su\u00ed\u00e7a e em mais oito na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje 60% das emiss\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o nos pa\u00edses &#8220;emergentes&#8221; e outros n\u00e3o industrializados. A China \u00e9 a maior emissora (6,6 toneladas anuais por pessoa) \u00e0 frente, dos Estados Unidos (17,2 toneladas per capita) e seguida pela \u00cdndia. A Uni\u00e3o Europeia emite 7,3 toneladas por pessoa. O Brasil, segundo o ex-economista-chefe do Banco Mundial lorde Nicholas Stern, mais de 10 toneladas anuais por pessoa, inclu\u00eddas as emiss\u00f5es por desmatamento. De 1990 para c\u00e1: os Estados Unidos aumentaram suas emiss\u00f5es em 10,8%, a Uni\u00e3o Europeia diminuiu as suas em 18%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou na conven\u00e7\u00e3o que &#8220;o mundo precisa acelerar suas a\u00e7\u00f5es&#8221;, diante do quadro atual de secas na Ucr\u00e2nia, na \u00cdndia, no Brasil, da supertempestade Sandy nos Estados Unidos, de inunda\u00e7\u00f5es na China, em Mo\u00e7ambique, na Col\u00f4mbia, na Austr\u00e1lia, do derretimento dos gelos polares em n\u00edveis in\u00e9ditos, da degrada\u00e7\u00e3o do solo, que afeta 1,5 bilh\u00e3o de pessoas. Mas nada disso comoveu os pa\u00edses industrializados, que, envolvidos na crise econ\u00f4mico-financeira, n\u00e3o quiseram avan\u00e7ar no compromisso de doar, para um fundo de US$ 100 bilh\u00f5es anuais, recursos para que os pa\u00edses mais pobres enfrentem o problema e mitiguem as mudan\u00e7as. Nem para transferir gratuitamente tecnologias. O representante das Filipinas chegou a chorar no plen\u00e1rio, ante esse quadro, e foi aplaudido pelos delegados de dezenas de pa\u00edses-ilhas, que j\u00e1 est\u00e3o sendo atingidos pela eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos oceanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ministra brasileira do Meio Ambiente, embora lamentando o impasse nas negocia\u00e7\u00f5es mais amplas, considerou o avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o a Kyoto &#8220;um resultado hist\u00f3rico&#8221;. Disse que o Brasil &#8220;est\u00e1 orgulhoso&#8221; com a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia. E ser\u00e1 favor\u00e1vel ao compromisso geral previsto para 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas palavras, praticamente todos os pa\u00edses continuaram dizendo que se espera chegar a 2015 com esse compromisso obrigat\u00f3rio de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es para todas as na\u00e7\u00f5es &#8211; mas que s\u00f3 entre em vigor a partir de 2020. Um tanto enigm\u00e1tico, o representante norte-americano garantiu que o governo Barack Obama, at\u00e9 2020, reduzir\u00e1 as emiss\u00f5es nacionais em 17%, calculadas sobre as de 2005. Mas n\u00e3o aceitou compromisso de contribuir para um fundo imediato de US$ 60 bilh\u00f5es que, at\u00e9 2015, minoraria a situa\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses mais pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto o plen\u00e1rio era abalado pelas not\u00edcias a respeito do recente tuf\u00e3o sobre as Filipinas, com mais de mil mortos e desaparecidos, uma pesquisa do Global Carbon Project dizia que, at\u00e9 o fim deste m\u00eas, as emiss\u00f5es globais no ano atingir\u00e3o 35,6 bilh\u00f5es de toneladas de carbono, 2,6% mais que em 2011 e 54% mais que em 1990. A continuarem nesse ritmo, a temperatura poder\u00e1 subir 5 graus Celsius at\u00e9 fim do s\u00e9culo. Segundo lorde Nicholas Stem, para conter o aumento da temperatura do planeta em 2 graus at\u00e9 2050 ser\u00e1 preciso reduzir as emiss\u00f5es em 15 bilh\u00f5es anuais de toneladas sobre o que seriam em 2030; se isso n\u00e3o acontecer, os pa\u00edses n\u00e3o industrializados emitir\u00e3o de 37 bilh\u00f5es a 38 bilh\u00f5es de toneladas nesse ano (ou dois ter\u00e7os do total; emitiam um ter\u00e7o em 1990) e os industrializados, de 11 bilh\u00f5es a 14 bilh\u00f5es de toneladas. J\u00e1 o Banco Mundial prev\u00ea uma tend\u00eancia de a temperatura aumentar 3 graus at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos n\u00f3s do problema continua nos subs\u00eddios governamentais ao uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis na gera\u00e7\u00e3o de energia: US$ 523 bilh\u00f5es em 2011, segundo a Climate Action Tracker, ou 30% mais que em 2010; enquanto isso, as energias renov\u00e1veis e n\u00e3o poluentes tiveram US$ 88 bilh\u00f5es de subs\u00eddios oficiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E, entre n\u00f3s, os discursos continuam muito mais otimistas que as pr\u00e1ticas: o governo federal utilizou este ano apenas 48% (R$ 2,1 bilh\u00f5es, dos quais R$ 1,1 bilh\u00e3o pago) das verbas previstas para evitar desastres clim\u00e1ticos (Estado, 3\/12), embora o seu Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres j\u00e1 tenha emitido alertas de emerg\u00eancia em 407 munic\u00edpios, por causa de seca ou chuvas. E apesar das previs\u00f5es de &#8220;chuvas fortes&#8221; nos tr\u00eas meses a partir de dezembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos fatos, das estat\u00edsticas, das pesquisas, continuamos a nos comportar como se tiv\u00e9ssemos prazos infinitos. S\u00f3 que, como diz James Hansen, cientista da Nasa, &#8220;o futuro \u00e9 agora; e ele \u00e9 quente&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington Novaes \u00e9 jornalista. Artigo publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo de 14\/12. 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