{"id":10808,"date":"2013-03-12T15:15:44","date_gmt":"2013-03-12T18:15:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10808"},"modified":"2013-03-12T15:15:44","modified_gmt":"2013-03-12T18:15:44","slug":"pesquisadores-criam-banco-de-dados-sobre-corujas-do-mundo-todo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10808","title":{"rendered":"Pesquisadores criam banco de dados sobre corujas do mundo todo"},"content":{"rendered":"<p>David Johnson, diretor do Projeto Global das Corujas, est\u00e1 trabalhando com pesquisadores de 65 pa\u00edses para compilar um vasto banco de dados sobre as corujas. O banco cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es sobre as descri\u00e7\u00f5es, a hist\u00f3ria natural, a gen\u00e9tica, as vocaliza\u00e7\u00f5es, as estimativas populacionais, os mitos e as lendas desses animais.<\/p>\n<p>Os ocidentais adoram as corujas, segundo Johnson, numa tradi\u00e7\u00e3o que remonta pelo menos \u00e0 Gr\u00e9cia antiga e \u00e0 associa\u00e7\u00e3o das corujas com a deusa da sabedoria, Atenas. Em alguns pa\u00edses, por\u00e9m, as corujas s\u00e3o vistas como aves de mau agouro, um pren\u00fancio da morte &#8211;talvez, prop\u00f4s Johnson, por causa do h\u00e1bito de fazer ninhos em cemit\u00e9rios, onde as \u00e1rvores crescem desimpedidas, com cavidades confortavelmente grandes.<\/p>\n<figure style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/ciencia\/images\/13069496.jpeg\" alt=\"Jovem coruja-das-torres alimenta irm\u00e3os famintos; cientistas est\u00e3o tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres\" width=\"240\" height=\"176\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Jovem coruja-das-torres alimenta irm\u00e3os famintos; cientistas est\u00e3o tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres. Imagem: Amir Ezer<\/figcaption><\/figure>\n<p>No imagin\u00e1rio ocidental, a coruja, capaz de girar sua cabe\u00e7a em 270\u00b0, certamente compete com o pinguim pelo t\u00edtulo de ave preferida. &#8220;Todo mundo adora as corujas&#8221;, disse o paleobi\u00f3logo David Bohaska, do Museu Natural de Ci\u00eancias Naturais do Smithsonian, em Washington.<\/p>\n<p>Mas, a despeito da aparente familiaridade, s\u00f3 recentemente os cientistas come\u00e7aram a compreender detalhes dessas aves.<\/p>\n<p>Descobriram, por exemplo, que corujas-das-torres jovens podem ser generosas, doando regularmente por\u00e7\u00f5es da sua comida para irm\u00e3os menores e mais famintos &#8211;uma demonstra\u00e7\u00e3o de altru\u00edsmo que se sup\u00f5e rara entre animais.<\/p>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m descobriram que as corujas-das-torres expressam necessidades e desejos por meio de sons complexos e regrados &#8211;garganteios, gritos e pios&#8211;, numa l\u00edngua que os pesquisadores agora buscam decifrar.<\/p>\n<p>&#8220;Elas conversam a noite toda e fazem um barulh\u00e3o&#8221;, disse Alexandre Roulin, da Universidade de Lausanne, na Su\u00ed\u00e7a, que recentemente descreveu o altru\u00edsmo da coruja-das-torres na revista &#8220;Animal Behaviour&#8221;, com sua colega Charlene Ruppli e com Arnaud da Silva, da Universidade de Borgonha, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Outros pesquisadores est\u00e3o monitorando as vidas de corujas mais raras e de propor\u00e7\u00f5es mais descomunais, como o amea\u00e7ado bufo-de-Blakiston (Bubo blakistoni), da Eur\u00e1sia. Com quase um metro de altura, at\u00e9 cinco quilos e dois metros de envergadura, essa \u00e9 a maior coruja do mundo, segundo Jonathan Slaght, do programa para a R\u00fassia da ONG Wildlife Conservation Society. Ela poderia facilmente passar por um urso ou uma \u00e1rvore. Esse poderoso predador \u00e9 capaz de puxar de um rio um salm\u00e3o adulto com duas ou tr\u00eas vezes o seu pr\u00f3prio peso.<\/p>\n<p>A ferocidade \u00e9 essencial para uma ave que est\u00e1 presente at\u00e9 no C\u00edrculo \u00c1rtico e que \u00e9 capaz de procriar e se alimentar no auge do inverno. Sergei Surmach, colega de Slaght, gravou em v\u00eddeo uma f\u00eamea sentada sobre seu ninho durante uma nevasca. &#8220;Ao final, s\u00f3 dava para ver a cauda dela para fora do ninho&#8221;, disse Slaght.<\/p>\n<p>Engenheiros estudam corujas para aperfei\u00e7oar modelos de asas de avi\u00f5es. Muitas esp\u00e9cies de corujas s\u00e3o conhecidas por voarem silenciosamente, sem o ruflar das asas que poderia alertar a presa sobre a sua aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A maior parte da asa das corujas \u00e9 ampla e curva, com uma plumagem aveludada que ajuda a absorver o som. Al\u00e9m do mais, as penas na borda da asa s\u00e3o serrilhadas, o que interrompe e atenua a turbul\u00eancia do ar.<\/p>\n<p>Numa reuni\u00e3o da Sociedade Americana de F\u00edsica, em 2012, pesquisadores da Universidade de Cambridge propuseram que perfura\u00e7\u00f5es bem posicionadas nas asas de um avi\u00e3o poderiam ter um efeito semelhante para aplacar turbul\u00eancias, levando a voos mais silenciosos e com menos gasto de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>As corujas datam de 60 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, ou mais, e s\u00e3o encontradas em praticamente todo tipo de habitat. H\u00e1 229 esp\u00e9cies conhecidas, e a lista n\u00e3o para de crescer: em meados do ano passado, duas novas esp\u00e9cies de coruja-gavi\u00e3o foram descobertas nas Filipinas, e, em fevereiro, pesquisadores descreveram uma nova esp\u00e9cie na ilha de Lombok, na Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p>Algumas esp\u00e9cies de corujas possuem alguns dos melhores sistemas auditivos conhecidos. Tim Birkhead, professor da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, observa que a c\u00f3clea da coruja \u00e9 &#8220;enorme&#8221; e densamente equipada com c\u00edlios sensoriais.<\/p>\n<p>H\u00e1 a &#8220;cara amassada&#8221; das corujas, tamb\u00e9m chamada de disco facial &#8211;que pode ter a forma de torta em algumas esp\u00e9cies ou de uma m\u00e1scara de cora\u00e7\u00e3o no caso da coruja-das-torres. O disco facial funciona como uma esp\u00e9cie de antena parab\u00f3lica, que capta ondas sonoras e as direciona, gra\u00e7as a penas especiais.<\/p>\n<p>As aves s\u00e3o as donas da noite e ca\u00e7am incansavelmente.<\/p>\n<p>Estima-se que um bando com dez fam\u00edlias de corujas vivendo em um celeiro da Fl\u00f3rida elimine cerca de 25 mil roedores por ano dos canaviais adjacentes.<\/p>\n<figure style=\"width: 440px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/ciencia\/images\/13069487.jpeg\" alt=\"Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo\" width=\"440\" height=\"615\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo. Imagem: S. Avdeyuk\/Amur-Ussuri Centre for Avian Biodiversity<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Fonte: Folha.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>David Johnson, diretor do Projeto Global das Corujas, est\u00e1 trabalhando com pesquisadores de 65 pa\u00edses para compilar um vasto banco de dados sobre as corujas. O banco cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es sobre as descri\u00e7\u00f5es, a hist\u00f3ria natural, a gen\u00e9tica, as vocaliza\u00e7\u00f5es, as estimativas populacionais, os mitos e as lendas desses animais. 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