{"id":10813,"date":"2013-03-12T15:48:33","date_gmt":"2013-03-12T18:48:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10813"},"modified":"2013-03-12T15:48:33","modified_gmt":"2013-03-12T18:48:33","slug":"uma-nova-cara-para-os-dinossauros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=10813","title":{"rendered":"Uma nova cara para os dinossauros"},"content":{"rendered":"<p><strong>A velha imagem de lagartos monstruosos est\u00e1 ficando ultrapassada. Em um novo livro, pesquisadores prop\u00f5em que os dinossauros tamb\u00e9m poderiam ser extravagantes, coloridos, peludos, brincalh\u00f5es e at\u00e9 fofos<\/strong><\/p>\n<p>Os dinossauros costumam ser retratados como monstros aterrorizantes. As imagens conhecidas mostram lagartos gigantescos, de garras e presas enormes, em constante batalha pela sobreviv\u00eancia. Os famosos Tiranossauros Rex e Velociraptores aparecem \u2014 em filmes, s\u00e9ries, livros, document\u00e1rios e museus \u2014 como predadores implac\u00e1veis. O pr\u00f3prio nome dinossauro, cunhado em 1842 a partir de palavras gregas, significa lagarto terr\u00edvel. Mas o livro\u00a0<em>All Yesterdays<\/em>\u00a0(Todos os Passados, sem vers\u00e3o em portugu\u00eas), escrito pelo paleont\u00f3logo brit\u00e2nico Darren Naish, da Universidade de Southampton, e pelos artistas gr\u00e1ficos Mehmet Cevdet Koseman e John Conway, prop\u00f5e a supera\u00e7\u00e3o dessa ideia. Os autores defendem que os dinossauros poderiam ter visuais e comportamentos muito mais variados, parecidos com os dos animais de hoje &#8211; com sua enorme gama de cores, pelagens e plumagens.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe nenhum modo de saber com absoluta certeza como eram os dinossauros. Todas as informa\u00e7\u00f5es que existem sobre sua apar\u00eancia v\u00eam de f\u00f3sseis com mais de 65 milh\u00f5es de anos, deteriorados pela a\u00e7\u00e3o do tempo. A maioria dos registros f\u00f3sseis permite decifrar a estrutura do esqueleto, mas nada diz sobre a pele, a gordura e os m\u00fasculos desses animais. As baleias, por exemplo, possuem camadas imensas de gordura, que seriam dif\u00edceis de intuir para quem olhasse apenas para suas ossadas.Como apenas os ossos s\u00e3o conhecidos, as ilustra\u00e7\u00f5es acabam se baseando demais nessa caracter\u00edstica, ignorando todos as outras caracter\u00edsticas. &#8220;Os dinossauros parecem ser feitos apenas de pele e osso. Eles s\u00e3o desenhados muito magros, como se estivessem doentes. Mas os animais t\u00eam outros tecidos, como m\u00fasculos e gordura ao redor do esqueleto&#8221;, diz C. M. Koseman em entrevista ao site de VEJA.<\/p>\n<p>O primeiro golpe na concep\u00e7\u00e3o visual cl\u00e1ssica dos dinossauros veio nos anos 2000, quando novos f\u00f3sseis deram suporte a teorias que propunham que a maioria deles era coberta por penas. Eles deixaram de ser vistos como lagartos, e passaram a ser comparados \u00e0s aves. A transforma\u00e7\u00e3o proposta em\u00a0<em>All Yesterdays<\/em>, no entanto, \u00e9 mais radical. &#8220;Apesar de todas as novas informa\u00e7\u00f5es e teorias, achamos que ainda estamos desenhando os animais de forma errada&#8221;, diz Koseman. As penas seriam apenas o sinal de que existe muito mais a ser descoberto. Assim, os autores fazem um chamado \u00e0 especula\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o sobre o futuro, mas o passado da Terra.<\/p>\n<figure style=\"width: 478px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja2.abrilm.com.br\/assets\/images\/2013\/3\/132471\/Leaellynasaura-home-20130307-size-598.jpg?1362703872\" alt=\"Leaellynossauro\" width=\"478\" height=\"269\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ovelha ou dinossauro: em uma s\u00e9rie de ilustra\u00e7\u00f5es, os pesquisadores prop\u00f5em a aposentadoria da desgastada imagem amea\u00e7adora e lembram que at\u00e9 mesmo as feras pr\u00e9-hist\u00f3ricas podem ser am\u00e1veis (John Conway)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<figure style=\"width: 496px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2013\/3\/132570\/montagem-andrias-scheuchzeri-size-620.jpg\" alt=\"Andrias scheuchzeri\" width=\"496\" height=\"279\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Em 1726, foi encontrada uma grande ossada na Alemanha. Os pesquisadores pensaram que se tratava de um homem, fossilizado durante o grande dil\u00favio b\u00edblico \u2014 era o Homo diluvii. Na verdade, se tratava de uma salamandra gigante (Andrias scheuchzeri). Na ilustra\u00e7\u00e3o, os pesquisadores retratam como esse homem poderia ter se parecido, no que chamam a mais antiga reconstru\u00e7\u00e3o errada de um f\u00f3ssil. &quot;\u00c9 poss\u00edvel, (embora seja improv\u00e1vel), que as mudan\u00e7as de paradigmas possam um dia fazer com que nossa vis\u00e3o corrente dos animais extintos seja t\u00e3o estranha e datada quanto a do Homo diluvii&quot;, escrevem os autores do livro. C. M. Koseman<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Arte e ci\u00eancia \u2014<\/strong>\u00a0Desde o s\u00e9culo 19, a imagem que o p\u00fablico e os cientistas t\u00eam dos dinossauros foi moldada pelos paleoartistas: artistas que se dedicam ao desenho de temas relacionados \u00e0 paleontologia. Todas as representa\u00e7\u00f5es desses animais, do seriado\u00a0<em>Fam\u00edlia Dinossauro<\/em>\u00a0ao filme\u00a0<em>Jurassic Park<\/em>, se embasam em suas ilustra\u00e7\u00f5es. &#8220;Nosso trabalho \u00e9, basicamente, reconstruir animais extintos&#8221;, afirma Koseman.<\/p>\n<div><\/div>\n<div>A maioria dos paleoartistas n\u00e3o possui\u00a0 forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da paleontologia. \u00c9 o caso de Koseman e John Conway, que ilustram o livro<em>\u00a0All Yesterdays.\u00a0<\/em>Mesmo assim, eles trabalham em parceria t\u00e3o pr\u00f3xima e por tanto tempo com os paleont\u00f3logos, que se tornam especialistas na \u00e1rea e chegam a servir de refer\u00eancia para estudos cient\u00edficos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo os envolvidos, reconstruir um dinossauro \u00e9 um trabalho cientificamente rigoroso, que envolve estudos de anatomia e fisiologia. Para desenhar o corpo, os artistas precisam analisar o esqueleto, o tamanho e a posi\u00e7\u00e3o de cada osso. A partir da compara\u00e7\u00e3o com animais mais modernos, eles podem deduzir a localiza\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos. &#8220;Nosso trabalho \u00e9 feito a partir de uma equa\u00e7\u00e3o que envolve arte e ci\u00eancia, especula\u00e7\u00e3o e conhecimento&#8221;, diz Koseman.<\/div>\n<div>Apesar de todo o rigor, a imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria por causa das imensas lacunas que existem no processo: os pesquisadores conhecem muito pouco sobre o tamanho dos m\u00fasculos, a distribui\u00e7\u00e3o da gordura, a pele, a presen\u00e7a de penas, pelos e escamas e as cores dos dinossauros. Nas pranchetas dos artistas, em volta dos ossos v\u00e3o se sobrepondo camadas sucessivas de especula\u00e7\u00e3o. Os resultados finais podem ser completamente diferentes \u2014 a depender da ousadia do desenhista. &#8220;Existem muitas maneiras de desenhar um mesmo esqueleto. Normalmente, os paleoartistas escolhem o jeito mais conservador poss\u00edvel&#8221;, afirma.<strong>Penas, pelos e cores \u2013<\/strong>\u00a0Os autores prop\u00f5em que essas camadas de especula\u00e7\u00e3o sejam preenchidas de maneira mais imaginativa \u2014 at\u00e9 extravagante \u2014 pelos desenhistas. Isso deixaria os dinossauros mais parecidos com animais de hoje em dia.<\/p>\n<p>Segundo o livro, novas descobertas f\u00f3sseis mostram que a a maioria dos dinossauros menores, como os heterodontossauros, deviam viver em grupo e ter seu corpo inteiro coberto de penas coloridas \u2014 ou at\u00e9 pelos. &#8220;Os maiores provavelmente n\u00e3o, pois, como os elefantes de hoje em dia, s\u00e3o muito grandes para precisar do isolamento t\u00e9rmico proporcionado por pelos e penas. Mesmo assim, poderiam ter caracter\u00edsticas &#8216;decorativas&#8217; no corpo, como as cristas nas cabe\u00e7as dos galos ou cores chamativas na pele, para atrair parceiros no acasalamento&#8221;, diz Koseman.<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a proposta diz respeito ao comportamento geralmente retratado nas ilustra\u00e7\u00f5es, que mostrar os animais em movimenta\u00e7\u00e3o constante e violenta, fugindo ou ca\u00e7ando suas presas. &#8220;No filme\u00a0<em>Jurassic Park<\/em>, por exemplo, os Velociraptores e Tiranossauros est\u00e3o sempre atacando as pessoas, sem muito prop\u00f3sito. Sua fun\u00e7\u00e3o na narrativa \u00e9 servir como obst\u00e1culos que o her\u00f3i tem de superar para salvar o dia \u2014 como os drag\u00f5es das lendas antigas&#8221;, afirma o paleoartista (a semelhan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia: os primeiros mitos sobre drag\u00f5es tamb\u00e9m surgiram a partir da descoberta de f\u00f3sseis de dinossauros).<\/p>\n<p>Ao olhar para os f\u00f3sseis de um dinossauro, n\u00e3o h\u00e1 como saber o som que faziam, como se reproduziam, dormiam e brincavam. Mesmo assim, os pesquisadores dizem que essa \u00e9 uma caracter\u00edstica essencial para compreender a vida desses animais. Os le\u00f5es, por exemplo, v\u00e3o deixar registros de que s\u00e3o ex\u00edmios predadores, mas ser\u00e1 imposs\u00edvel conhecer seu ar majestoso e seus h\u00e1bitos noturnos \u2014 caracter\u00edsticas t\u00e3o importantes quanto o fato de eles serem carn\u00edvoros. Assim como os predadores atuais, os pesquisadores dizem que os dinossauros tamb\u00e9m tinham uma vida fora das ca\u00e7adas.<\/p>\n<p>Ao combinar as mudan\u00e7as de visual e comportamento, os autores prop\u00f5em o \u00faltimo ataque \u00e0 imagem de bestas monstruosas que os dinossauros adquiriram ao longo do tempo. Segundo o livro, eles poderiam at\u00e9 ser fofos. &#8220;Por que um dinossauro n\u00e3o pode ser bonitinho?&#8221;, diz Koseman. Quando um esqueleto \u00e9 descoberto, ele geralmente tem um visual aterrador, que n\u00e3o coincide necessariamente o do animal vivo. &#8220;Olhe para os bichos de hoje em dia, e olhe para seus esqueletos. A ossada de um gato d\u00e1 a impress\u00e3o que se trata de uma fera horr\u00edvel. Mas o gato \u00e9 um dos animais mais fofos do planeta.&#8221;<\/p>\n<p>Os pesquisadores reconhecem que, como qualquer especula\u00e7\u00e3o mais ousada, seu trabalho pode abrigar in\u00fameros erros. No futuro, novas descobertas podem mostrar que algumas das ilustra\u00e7\u00f5es est\u00e3o completamente erradas, enquanto outras podem ser apenas reconstru\u00e7\u00f5es t\u00edmidas em face de uma realidade muito mais bizarra. &#8220;Algumas coisas sobre o passado nunca ser\u00e3o conhecidas por completo. N\u00e3o devemos ter medo de especular&#8221;, diz Koseman.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Veja Ci\u00eancia<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A velha imagem de lagartos monstruosos est\u00e1 ficando ultrapassada. Em um novo livro, pesquisadores prop\u00f5em que os dinossauros tamb\u00e9m poderiam ser extravagantes, coloridos, peludos, brincalh\u00f5es e at\u00e9 fofos Os dinossauros costumam ser retratados como monstros aterrorizantes. As imagens conhecidas mostram lagartos gigantescos, de garras e presas enormes, em constante batalha pela sobreviv\u00eancia. 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