{"id":1136,"date":"2009-12-31T10:22:57","date_gmt":"2009-12-31T13:22:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1136"},"modified":"2011-03-09T12:59:54","modified_gmt":"2011-03-09T15:59:54","slug":"brasileiros-investigam-biodiversidade-no-fundo-do-mar-da-antartida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1136","title":{"rendered":"Brasileiros investigam biodiversidade no fundo do mar da Ant\u00e1rtida"},"content":{"rendered":"<p>As m\u00e3os est\u00e3o quase congelando. Mas, na popa do navio Ary Rongel, o pesquisador Marcelo Bernardes, da Universidade Federal Fluminense, n\u00e3o desiste. &#8220;Vamos tentar mais uma vez&#8221;, anuncia para a equipe, que trabalha h\u00e1 mais de seis horas na ba\u00eda do Almirantado, na ilha Rei George, Ant\u00e1rtida. A sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica \u00e9 de alguns graus abaixo de zero.<\/p>\n<p>Todo o esfor\u00e7o, recompensado depois, \u00e9 para entender como \u00e9 a biodiversidade do fundo marinho da ba\u00eda. Um equipamento chamado &#8220;box core&#8221; &#8211; uma grande mand\u00edbula de a\u00e7o que &#8220;morde&#8221; o sedimento l\u00e1 embaixo, a centenas de metros de profundidade &#8211; \u00e9 o que traz a vida marinha para o barco.<\/p>\n<p>A segunda tentativa de fazer a coleta de sedimentos, num ponto a 100 metros de profundidade, tem sucesso. No ponto seguinte, a 300 metros, os cientistas come\u00e7aram a penar.<\/p>\n<p>Foram nove tentativas, sem sucesso. Por causa da topografia do fundo do mar no local, foi dif\u00edcil achar um ponto plano, onde o equipamento pudesse realmente fazer a amostragem. &#8220;Sab\u00edamos que esse seria o ponto mais complicado. Mas o sucesso das coletas aqui foi total&#8221;, afirma Bernardes.<\/p>\n<p>O pesquisador integra um grupo que se dedica a mapear a biodiversidade ant\u00e1rtica, desde as mais &#8220;insignificantes&#8221; algas unicelulares at\u00e9 os grandes mam\u00edferos &#8211; &#8220;do pl\u00e2ncton \u00e0s baleias&#8221;, como gosta de dizer a coordenadora do projeto, a bi\u00f3loga L\u00facia Siqueira Campos, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o brasileiro, desde o ano passado em coopera\u00e7\u00e3o com um grupo australiano, faz parte de um projeto internacional, o CAML (Censo da Vida Marinha Ant\u00e1rtica). Iniciado em 2005, o CAML tem feito o n\u00famero de esp\u00e9cies registradas no oceano Austral explodir &#8211; hoje s\u00e3o mais de 7.500 registradas, o que torna a Ant\u00e1rtida mais biodiversa que os tr\u00f3picos em alguns grupos de animais.<\/p>\n<p>O resultado da coleta deste ano na ba\u00eda do Almirantado vai ser estudado e identificado no Brasil. Mas o &#8220;olh\u00f4metro&#8221; do pessoal a bordo j\u00e1 indica que esp\u00e9cies novas poder\u00e3o surgir, de v\u00e1rios grupos de invertebrados marinhos &#8211; ou, pelo menos, esp\u00e9cies nunca antes descritas para essa parte do mundo.<\/p>\n<p><strong>Atra\u00e7\u00e3o vital<\/strong> &#8211; Noutro ponto da ba\u00eda, na esta\u00e7\u00e3o Comandante Ferraz, a bi\u00f3loga Karen Silva, tamb\u00e9m da UFRJ, examina ao microsc\u00f3pio o resultado de outra pescaria, esta bem mais sutil. &#8220;Elas est\u00e3o aqui&#8221;, anuncia. &#8220;Elas&#8221;, no caso, s\u00e3o bact\u00e9rias magn\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Esses organismos sintetizam cristais magn\u00e9ticos cuja fun\u00e7\u00e3o supostamente \u00e9 orient\u00e1-las ao longo da coluna d&#8217;\u00e1gua, sempre na dire\u00e7\u00e3o de locais com pouco oxig\u00eanio. Comuns em todos os continentes, elas haviam sido encontradas pela primeira vez na Ant\u00e1rtida pelo grupo brasileiro, exatamente na ba\u00eda do Almirantado, em fevereiro.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10891px;left:-5526px;\"><a href=\"http:\/\/www.absurdintellectual.com\/movie\/the-tourist-dvd\">the tourist ipod<\/a><\/div>\n<div style=\"position:absolute;top:-10713px;left:-4347px;\"><a href=\"http:\/\/www.upstartblogger.com\/movie\/download-movie-life-as-we-know-it\">filme life as we know it<\/a><\/div>\n<p>Agora veio a confirma\u00e7\u00e3o de que elas realmente existem. Ao lado de Silva est\u00e1 Lia Teixeira, colega insepar\u00e1vel de trabalhos de campo. A tamb\u00e9m pesquisadora da UFRJ estava na coleta hist\u00f3rica do in\u00edcio do ano.<\/p>\n<p><strong>Aplica\u00e7\u00f5es<\/strong> &#8211; Depois de passarem muito frio coletando sedimentos em zonas rasas e de processarem o material, as cientistas encontram seus organismos de estudo. \u00c9 virtualmente imposs\u00edvel descobrir bact\u00e9rias magn\u00e9ticas da maneira tradicional, enviando uma amostra de sedimento ao Brasil para an\u00e1lise, porque elas morrem no caminho.<\/p>\n<p>O truque para detect\u00e1-las \u00e9 explorar os magnetossomos, os tais cristais magn\u00e9ticos: basta colocar um im\u00e3 perto da l\u00e2mina no microsc\u00f3pio e literalmente atrair os micr\u00f3bios.<\/p>\n<p>Apesar de comuns, as bact\u00e9rias magn\u00e9ticas ainda s\u00e3o pouco conhecidas. H\u00e1 quem proponha us\u00e1-las como agentes de contraste em resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, ou como &#8220;m\u00edsseis&#8221; que ajudem medicamentos, no caso de um tumor, por exemplo, a irem direto ao alvo. (<em>Fonte: Folha Online)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As m\u00e3os est\u00e3o quase congelando. Mas, na popa do navio Ary Rongel, o pesquisador Marcelo Bernardes, da Universidade Federal Fluminense, n\u00e3o desiste. &#8220;Vamos tentar mais uma vez&#8221;, anuncia para a equipe, que trabalha h\u00e1 mais de seis horas na ba\u00eda do Almirantado, na ilha Rei George, Ant\u00e1rtida. 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