{"id":1149,"date":"2010-01-15T11:20:25","date_gmt":"2010-01-15T14:20:25","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1149"},"modified":"2011-05-12T06:17:21","modified_gmt":"2011-05-12T09:17:21","slug":"intrusos-catalogados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1149","title":{"rendered":"Intrusos catalogados"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Verdana; font-size: x-small;\">Livro aborda presen\u00e7a de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas no mar brasileiro<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p>O livro &#8220;Informe sobre as Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras Marinhas no Brasil&#8221;, lan\u00e7ado em dezembro, \u00e9 o mais amplo invent\u00e1rio cient\u00edfico produzido at\u00e9 hoje sobre essas esp\u00e9cies que frequentemente se tornam pragas, gerando preju\u00edzos para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o professor Rubens Lopes, do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), editor cient\u00edfico da obra, o objetivo \u00e9 incentivar a preven\u00e7\u00e3o, o controle e o monitoramento das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras marinhas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de uma parceria entre a USP, a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Marinha do Brasil.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Desde a Conven\u00e7\u00e3o da Diversidade Biol\u00f3gica, assinada durante a confer\u00eancia Rio 92, a quest\u00e3o das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras come\u00e7ou a ser debatida internacionalmente. E o texto da conven\u00e7\u00e3o determinava que as na\u00e7\u00f5es deveriam impedir a introdu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas que amea\u00e7assem os ecossistemas e realizar seu controle ou erradica\u00e7\u00e3o&#8221;, disse \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Uma das decis\u00f5es da conven\u00e7\u00e3o, de acordo com Lopes, que coordena o projeto &#8220;Monitoramento de alta resolu\u00e7\u00e3o de flora\u00e7\u00f5es de algas t\u00f3xicas&#8221;, apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) por meio da modalidade Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa &#8211; Regular, foi a realiza\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rios referentes \u00e0 ocorr\u00eancia das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, al\u00e9m da sua preven\u00e7\u00e3o, erradica\u00e7\u00e3o e controle.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9914px;left:-4383px;\"><a href=\"http:\/\/www.absurdintellectual.com\/movie\/watch-shrek-forever-after\">real shrek forever after movie download<\/a><\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Em fun\u00e7\u00e3o disso, em meados de 2003, o MMA decidiu realizar invent\u00e1rios sobre as esp\u00e9cies invasoras em cinco subprojetos: Ambientes Marinhos, \u00c1guas Continentais, Ambientes Terrestres, Sistemas de Produ\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade Humana&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O pesquisador ficou respons\u00e1vel por coordenar o grupo que faria o invent\u00e1rio das esp\u00e9cies marinhas. Em 2005, o MMA realizou, por meio do Projeto de Conserva\u00e7\u00e3o e Utiliza\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel da Diversidade Biol\u00f3gica (Probio), um simp\u00f3sio nacional sobre as esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Com isso, houve uma sinaliza\u00e7\u00e3o de que seria interessante publicar esses resultados. At\u00e9 que no in\u00edcio de 2008 come\u00e7ou o projeto de publica\u00e7\u00e3o. O livro sobre os ambientes marinhos foi o primeiro a ser lan\u00e7ado, pois o relat\u00f3rio do nosso grupo estava mais adiantado. Atualizamos as informa\u00e7\u00f5es que constavam no relat\u00f3rio do Probio e editamos a obra com apoio t\u00e9cnico do MMA&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o tem v\u00e1rios cap\u00edtulos distribu\u00eddos em dois grandes conjuntos de dados: um deles relacionado \u00e0s esp\u00e9cies propriamente ditas e o segundo voltado \u00e0 estrutura brasileira para enfrent\u00e1-las. &#8220;S\u00e3o v\u00e1rios autores. Cada cap\u00edtulo tem um ou mais coordenadores e a participa\u00e7\u00e3o de estudantes&#8221;, contou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O livro traz uma pequena parte conceitual introdut\u00f3ria, que explica os m\u00e9todos utilizados para a prospec\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e apresenta estat\u00edsticas gerais sobre a ocorr\u00eancia das esp\u00e9cies. &#8220;Depois v\u00eam os quatro cap\u00edtulos tem\u00e1ticos que tratam de diferentes grupos &#8211; pl\u00e2nctons, macroalgas, zoobentos e peixes &#8211; e o cap\u00edtulo final que \u00e9 um diagn\u00f3stico sobre a estrutura de preven\u00e7\u00e3o e controle existente no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Transporte marinho<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em termos de volume de informa\u00e7\u00e3o a maior parte do livro \u00e9 composta pelas chamadas fichas de esp\u00e9cies. &#8220;O livro traz as fichas de 58 esp\u00e9cies identificadas como ex\u00f3ticas, com todas as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre elas &#8211; a descri\u00e7\u00e3o de como ocorreu a introdu\u00e7\u00e3o, dados sobre a ecologia e a biologia das esp\u00e9cies, informa\u00e7\u00f5es sobre os registros delas no Brasil e sobre os seus poss\u00edveis vetores de introdu\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o&#8221;, disse Lopes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Embora o livro apresente 58 esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, apenas nove foram caracterizadas como invasoras de fato. &#8220;S\u00f3 definimos uma esp\u00e9cie como invasora quando se trata de um organismo que est\u00e1 causando algum tipo de impacto mensur\u00e1vel, seja ele ecol\u00f3gico, socioecon\u00f4mico, cultural ou na sa\u00fade&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O professor do Instituto Oceanogr\u00e1fico da USP destaca que os principais vetores de introdu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies marinhas ex\u00f3ticas est\u00e3o ligados ao transporte mar\u00edtimo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Isso ficou muito claro para n\u00f3s. O impacto do transporte marinho \u00e9 muito grande na introdu\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies. E ele ocorre por meio da \u00e1gua de lastro &#8211; despejada em quantidades imensas na costa brasileira -, como por incrusta\u00e7\u00e3o nos cascos de navios e plataformas de petr\u00f3leo&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Outro vetor importante, segundo ele, \u00e9 a aquicultura. &#8220;A atividade traz organismos ex\u00f3ticos que acabam sendo lan\u00e7ados no ambiente natural e se tornam invasores&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Uma das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras mencionadas no livro \u00e9 a macroalga Caulerpa scalpelliformis denticulata, cujo limite de distribui\u00e7\u00e3o no Brasil, ao sul, era o estado do Esp\u00edrito Santo. Em 2001, a esp\u00e9cie foi documentada na ba\u00eda de Ilha Grande (RJ). Segundo Lopes, desde seu aparecimento, essa alga vem aumentando rapidamente sua \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o, chegando a deslocar nos cost\u00f5es rochosos a esp\u00e9cie que antes era dominante na regi\u00e3o, a Sargassum vulgare.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Justamente devido \u00e0 sua propaga\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e persistente na regi\u00e3o, essa pode ser a primeira esp\u00e9cie a merecer a classifica\u00e7\u00e3o de alga invasora no Brasil. O tr\u00e1fego de embarca\u00e7\u00f5es seria um poss\u00edvel vetor da introdu\u00e7\u00e3o dessa alga na regi\u00e3o. Mas a aquicultura de moluscos e a aquariofilia podem ser vetores alternativos tamb\u00e9m, devido \u00e0 beleza da alga, que se adapta muito bem em aqu\u00e1rios&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Outro destaque \u00e9 o Isognomon bicolor, um molusco bivalve de origem caribenha que apresentou um aumento s\u00fabito de densidade em v\u00e1rios pontos da costa brasileira a partir da metade da d\u00e9cada de 1990. De acordo com Lopes, o molusco foi inicialmente confundido com outra esp\u00e9cie da mesma fam\u00edlia j\u00e1 registrada na costa brasileira, mas atualmente \u00e9 considerado invasor.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Trabalhamos com a hip\u00f3tese de que a introdu\u00e7\u00e3o ocorreu entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980 nas regi\u00f5es Sudeste e Sul do Brasil. A expans\u00e3o populacional deve ter ocorrido durante a transi\u00e7\u00e3o para a d\u00e9cada de 1990 com a amplia\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da esp\u00e9cie no Brasil e a ocupa\u00e7\u00e3o dos cost\u00f5es rochosos, disputando espa\u00e7o e reduzindo drasticamente a presen\u00e7a, antes maci\u00e7a, de bivalves e de cirrip\u00e9dios&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O siri Charybdis hellerii, atualmente encontrado em v\u00e1rios Estados, \u00e9 um exemplo de poss\u00edvel introdu\u00e7\u00e3o decorrente do aumento do tr\u00e1fego naval. Pequenos esp\u00e9cimes podem ter sido transportados na \u00e1gua de lastro de navios, segundo Lopes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Essa hip\u00f3tese \u00e9 corroborada pelo fato de essa esp\u00e9cie ter sido encontrada em \u00e1reas onde h\u00e1 grande fluxo de navios petroleiros que partem ou chegam do Oriente M\u00e9dio. No Sudeste do Brasil, a introdu\u00e7\u00e3o ocorreu, provavelmente, entre 1993 e 1994. Outra hip\u00f3tese \u00e9 que tenha sido introduzido por meio da \u00e1gua de lastro no Caribe e a partir da\u00ed as larvas chegaram ao Brasil pelas correntes marinhas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O coral Tubastraea tagusensis, de acordo com Lopes, foi introduzido acidentalmente por incrusta\u00e7\u00e3o em plataformas de petr\u00f3leo e tamb\u00e9m, possivelmente, pelo transporte em cascos de navios. &#8220;Parece pouco prov\u00e1vel que gametas ou pl\u00e2nulas deste g\u00eanero possam sobreviver por muito tempo dentro de tanques de lastro, j\u00e1 que suas pl\u00e2nulas s\u00e3o vi\u00e1veis por um per\u00edodo de tr\u00eas a 14 antes do assentamento&#8221;, disse Lopes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No Brasil, esse g\u00eanero \u00e9 reportado desde o fim da d\u00e9cada de 1980, quando foi observado em plataformas na Bacia de Campos. Mais recentemente, o coral dominou cost\u00f5es da regi\u00e3o da Ilha Grande, ao sul do estado do Rio de Janeiro. Em agosto de 2008, bi\u00f3logos do Centro de Biologia Marinha da USP e do Instituto Terra e Mar registraram a ocorr\u00eancia do g\u00eanero Tubastraea em Ilhabela, no litoral norte de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;O r\u00e1pido crescimento, a rapidez com que seus p\u00f3lipos se recuperam e o potencial qu\u00edmico de competi\u00e7\u00e3o do g\u00eanero s\u00e3o caracter\u00edsticas que indicam o alto poder competitivo da esp\u00e9cie, aumentando sua possibilidade de expans\u00e3o para outras regi\u00f5es do litoral brasileiro&#8221;, disse Lopes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com Lopes, o livro n\u00e3o ser\u00e1 comercializado, mas distribu\u00eddo para institui\u00e7\u00f5es de ensino e bibliotecas de todo o pa\u00eds. A obra tamb\u00e9m pode ser adquirida por interessados pelo telefone (61)3317-1227.<\/p>\n<p>(F\u00e1bio de Castro, Ag\u00eancia Fapesp, 12\/1)<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10828px;left:-4766px;\"><a href=\"http:\/\/www.pinoychannel.us\/kill-speed-dvd\">dvd kill speed download<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro aborda presen\u00e7a de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas no mar brasileiro O livro &#8220;Informe sobre as Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras Marinhas no Brasil&#8221;, lan\u00e7ado em dezembro, \u00e9 o mais amplo invent\u00e1rio cient\u00edfico produzido at\u00e9 hoje sobre essas esp\u00e9cies que frequentemente se tornam pragas, gerando preju\u00edzos para o pa\u00eds. \u00a0 Segundo o professor Rubens Lopes, do Instituto Oceanogr\u00e1fico da &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1149\"> <span class=\"screen-reader-text\">Intrusos catalogados<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[380],"tags":[3844,596],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1149"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1149"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5431,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1149\/revisions\/5431"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}