{"id":1174,"date":"2010-01-21T23:48:32","date_gmt":"2010-01-22T02:48:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1174"},"modified":"2011-05-17T06:26:04","modified_gmt":"2011-05-17T09:26:04","slug":"biologos-buscam-elo-perdido-da-linguagem-dos-macacos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1174","title":{"rendered":"Bi\u00f3logos buscam &#8220;elo perdido&#8221; da linguagem dos macacos"},"content":{"rendered":"<p>Caminhando pela floresta Tai, na Costa do Marfim, Klaus Zuberbuehler podia ouvir os chamados dos macacos <em>Cercopithecus diana<\/em>, mas a tagarelice n\u00e3o significava nada para ele.<\/p>\n<p>Isso foi em 1990. Hoje, ap\u00f3s quase 20 anos estudando a comunica\u00e7\u00e3o animal, ele \u00e9 capaz de traduzir sons da floresta. Esse chamado significa que um macaco <em>Cercopithecus diana<\/em><\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9557px;left:-5986px;\"><a href=\"http:\/\/www.englize.com\/download\/harry-potter-and-the-deathly-hallows-part-1-movie-online\">the movie harry potter and the deathly hallows: part 1<\/a><\/div>\n<p>  viu um leopardo. Aquele outro significa que o macaco viu outro predador, a \u00e1guia Stephanoaetus coronatus<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma li\u00e7\u00e3o de humildade perceber que existem tantas informa\u00e7\u00f5es sendo transmitidas de formas que n\u00e3o perceb\u00edamos antes&#8221;, disse Zuberbuehler, psic\u00f3logo da Universidade de St. Andrews, na Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os primatas t\u00eam uma linguagem secreta que ainda n\u00e3o foi decodificada? Em caso afirmativo, isso resolver\u00e1 o mist\u00e9rio de como a faculdade humana da fala se desenvolveu? Bi\u00f3logos t\u00eam abordado a quest\u00e3o de duas formas, tentando ensinar linguagem humana aos chimpanz\u00e9s e outras esp\u00e9cies, e ouvindo os animais na selva.<\/p>\n<p>A primeira abordagem tem sido impulsionada pelo desejo intenso das pessoas &#8211; talvez refor\u00e7ado pela exposi\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia aos animais que falavam nos desenhos animados &#8211; de se comunicar com outras esp\u00e9cies. Os cientistas investem grandes esfor\u00e7os em ensinar uma linguagem aos chimpanz\u00e9s, seja na forma da fala ou de s\u00edmbolos. Um rep\u00f3rter do &#8220;The New York Times&#8221; que entende linguagem de sinais, Boyce Rensberger, p\u00f4de, em 1974, conduzir talvez a primeira entrevista para um jornal com outra esp\u00e9cie, quando conversou com Lucy, um chimpanz\u00e9. Ela o convidou para uma \u00e1rvore (proposta que ele recusou), disse Rensberger, que agora est\u00e1 no MIT.<\/p>\n<p>No entanto, com algumas exce\u00e7\u00f5es, ensinar uma linguagem humana a animais tem se provado algo sem sucesso. Eles deveriam falar, talvez, mas n\u00e3o falam. Eles conseguem se comunicar de forma bastante expressiva &#8211; pense em como os c\u00e3es conseguem fazer com que entendamos seus desejos -, mas eles n\u00e3o relacionam sons simb\u00f3licos juntos em senten\u00e7as ou possuem qualquer coisa pr\u00f3xima de uma linguagem.<\/p>\n<p><strong>Selva<\/strong> &#8211; Melhores esclarecimentos t\u00eam vindo da audi\u00e7\u00e3o de sons produzidos por animais na selva. Descobriu-se, em 1980, que macacos-verdes possu\u00edam chamados de alarme espec\u00edficos para seus predadores mais s\u00e9rios. Se os chamados eram gravados e reproduzidos para eles novamente, os macacos respondiam adequadamente. Eles pulavam nas moitas ao ouvir o chamado do leopardo, observavam o ch\u00e3o ao ouvir o chamado da cobra, e olhavam para cima quando era reproduzido o chamado da \u00e1guia.<\/p>\n<p>\u00c9 tentado pensar nesses chamados como palavras para &#8220;leopardo&#8221;, &#8220;cobra&#8221; ou &#8220;\u00e1guia&#8221;, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Esses macacos n\u00e3o combinam os chamados com outros sons para produzir novos significados. Eles n\u00e3o os modulam, at\u00e9 onde se sabe, para transmitir a mensagem de que um leopardo est\u00e1 a 3m ou 30m de dist\u00e2ncia. Esses chamados de alarme parecem menos com palavras e mais como uma pessoa que grita &#8220;Ai!&#8221; &#8211; uma representa\u00e7\u00e3o vocal de um estado mental interno, em vez de uma tentativa de transmitir uma informa\u00e7\u00e3o exata.<\/p>\n<p>Entretanto, esses chamados t\u00eam um sentido espec\u00edfico, o que j\u00e1 \u00e9 um come\u00e7o. E os bi\u00f3logos que analisaram os chamados dos macacos, Robert Seyfarth e Dorothy Cheney, da Universidade da Pensilv\u00e2nia, detectaram outro elemento significativo na comunica\u00e7\u00e3o dos primatas quando eles passaram a estudar babu\u00ednos. Os babu\u00ednos s\u00e3o muito sens\u00edveis \u00e0 sua hierarquia social. Se os cientistas reproduzem um babu\u00edno superior amea\u00e7ando um inferior, e esse \u00faltimo gritando de terror, os babu\u00ednos n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 normal para eles. Mas quando os pesquisadores reproduzem uma grava\u00e7\u00e3o na qual a amea\u00e7a de um babu\u00edno inferior precede o grito de um superior, os babu\u00ednos olham impressionados para o alto-falante que transmite essa aparente revolu\u00e7\u00e3o na ordem social daqueles macacos.<\/p>\n<p>Os babu\u00ednos claramente reconhecem a ordem na qual dois sons s\u00e3o ouvidos, e d\u00e3o significados diferentes a cada sequ\u00eancia. Assim, eles e outras esp\u00e9cies parecem muito mais pr\u00f3ximos dos humanos em seu entendimento da sequ\u00eancia de sons do que na produ\u00e7\u00e3o deles. &#8220;A capacidade de pensar em frases n\u00e3o faz com que eles falem em frases&#8221;, escreveram Drs. Seyfarth e Cheney em seu livro &#8220;Baboon Metaphysics&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Proximidade<\/strong> &#8211; Algumas esp\u00e9cies podem ser capazes de produzir sons que parecem um passo ou dois mais pr\u00f3ximos da linguagem humana. Zuberbuehler relatou no m\u00eas passado que alguns macacos que vivem nas florestas da Costa do Marfim podem variar seus chamados individuais ao adicionar sufixos, assim como um falante da l\u00edngua inglesa muda o tempo verbal para o passado usando um &#8220;-ed&#8221;.<\/p>\n<p>Os macacos produzem um alarme do tipo estalo (&#8220;krak&#8221;) quando veem um leopardo. Mas acrescentar um &#8220;-oo&#8221; muda o alarme para um alerta mais gen\u00e9rico de predadores. Um contexto para o som &#8220;krak-oo&#8221; \u00e9 quando eles ouvem alarmes de leopardos de outras esp\u00e9cies, como os macacos Cercopithecus diana.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9781px;left:-4430px;\"><a href=\"http:\/\/www.universalwwe.es\/never-let-me-go-download\">watch full never let me go movie in hd<\/a><\/div>\n<p>Algo mais not\u00e1vel: esses macacos podem combinar dois chamados para gerar um terceiro, com significado diferente. Os machos t\u00eam um chamado &#8220;boom boom&#8221;, que significa &#8220;Estou aqui, venham&#8221;. Quando &#8220;booms&#8221; s\u00e3o seguidos por uma s\u00e9rie de &#8220;krak-oos&#8221;, o significado \u00e9 bem diferente, diz Zuberbuehler. A sequ\u00eancia significa &#8220;Madeira! \u00c1rvore caindo!&#8221; Zuberbuehler observou algo parecido entre outra esp\u00e9cie de macaco que combinava seu chamado &#8220;pyow&#8221; (alertando sobre um leopardo) com seu chamado &#8220;hack&#8221; (\u00e1guia), numa sequ\u00eancia que significa algo como &#8220;Vamos sair daqui agora mesmo!&#8221;<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10050px;left:-5143px;\"><a href=\"http:\/\/www.ecogiochi.it\/watch\/movie-scared-shrekless\">scared shrekless the movie on dvd<\/a><\/div>\n<p>Primatas mais evolu\u00eddos t\u00eam c\u00e9rebros maiores que macacos e espera-se que eles produzam mais chamados. Mas h\u00e1 um c\u00f3digo elaborado de comunica\u00e7\u00e3o entre chimpanz\u00e9s que seus primos humanos ainda n\u00e3o decifraram. Os chimpanz\u00e9s fazem um chamado por comida que parece ter muitas varia\u00e7\u00f5es, talvez dependendo da qualidade percebida da comida. Quantos significados diferentes um chamado pode ter? &#8220;Precisar\u00edamos dos pr\u00f3prios animais para saber quantos chamados com significados eles conseguem identificar&#8221;, afirmou Zuberbuehler. Um projeto como esse poderia levar uma vida inteira de pesquisa, diz.<\/p>\n<p>Macacos possuem muitas das faculdades que est\u00e3o por tr\u00e1s da linguagem. Eles ouvem e interpretam sequ\u00eancias de sons mais ou menos como os humanos. Eles t\u00eam um bom controle sobre seu trato vocal e podem produzir quase a mesma varia\u00e7\u00e3o de sons que os humanos. Mas eles n\u00e3o conseguem juntar tudo isso.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 algo particularmente surpreendente, pois a linguagem \u00e9 extremamente \u00fatil para uma esp\u00e9cie social. Uma vez que a infraestrutura da linguagem existe, como \u00e9 quase o caso de macacos, espera-se que a faculdade se desenvolva muito rapidamente por padr\u00f5es evolucion\u00e1rios. Ainda assim, os macacos existem h\u00e1 30 milh\u00f5es de anos sem dizer uma s\u00f3 frase. Nem os chimpanz\u00e9s possuem algo que se pare\u00e7a com uma linguagem, embora eles tenham compartilhado um ancestral comum com os humanos h\u00e1 apenas 5 milh\u00f5es de anos. O que ser\u00e1 que tem mantido todos os outros primatas presos no c\u00e1rcere de seus pr\u00f3prios pensamentos?<\/p>\n<p><strong>Teoria da mente<\/strong> &#8211; Seyfarth e Cheney acreditam que uma raz\u00e3o pode ser que eles n\u00e3o tenham uma &#8220;teoria da mente&#8221;; o reconhecimento de que outros tenham pensamentos. Como um babu\u00edno n\u00e3o sabe ou n\u00e3o se preocupa com o que outro babu\u00edno sabe, ele n\u00e3o tem pressa em compartilhar seu conhecimento. Zuberbuehler enfatiza a inten\u00e7\u00e3o de se comunicar como o fator que falta. As crian\u00e7as, at\u00e9 mesmo as mais novinhas, t\u00eam um grande desejo de compartilhar informa\u00e7\u00f5es com outros, embora elas n\u00e3o tenham nenhum benef\u00edcio imediato em faz\u00ea-lo. N\u00e3o \u00e9 assim com outros primatas.<\/p>\n<p>&#8220;Em princ\u00edpio, um chimpanz\u00e9 poderia produzir todos os sons que um humano \u00e9 capaz de produzir, mas eles n\u00e3o o fazem porque n\u00e3o houve press\u00e3o evolucion\u00e1ria nesse sentido&#8221;, disse Zuberbuehler. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 nada sobre o que falar para um chimpanz\u00e9, pois ele n\u00e3o tem interesse em falar&#8221;. Por outro lado, em algum momento da evolu\u00e7\u00e3o humana as pessoas desenvolveram o desejo de compartilhar seus pensamentos, explica Zuberbuehler. Por sorte, todos os sistemas por tr\u00e1s da percep\u00e7\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o de sons j\u00e1 existiam como parte da heran\u00e7a primata, e a sele\u00e7\u00e3o natural apenas teve de encontrar uma forma de conectar esses sistemas com o pensamento.<\/p>\n<p>Mesmo assim, esse passo parece ser o mais misterioso de todos. Marc D. Hauser, especialista em comunica\u00e7\u00e3o animal de Harvard, enxerga a intera\u00e7\u00e3o entre sistemas neurais diferentes como essencial para o desenvolvimento da linguagem. &#8220;Por qualquer raz\u00e3o, talvez at\u00e9 acidente, nossos c\u00e9rebros s\u00e3o confusos de uma forma que os c\u00e9rebros dos animais n\u00e3o s\u00e3o. Quando isso emerge, \u00e9 explosivo&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>Por sua vez, em c\u00e9rebros de animais cada sistema neural parece estar preso em um lugar e n\u00e3o pode interagir livremente com outros. &#8220;Os chimpanz\u00e9s t\u00eam mil coisas a dizer, mas n\u00e3o conseguem&#8221;, disse Hauser. Os chimpanz\u00e9s conseguem ler as inten\u00e7\u00f5es e objetivos uns dos outros e fazem muita estrat\u00e9gia pol\u00edtica &#8211; para isso a linguagem seria bastante \u00fatil. Mas seus sistemas neurais que computam essas complexas intera\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o foram casados com a linguagem.<\/p>\n<p>Hauser est\u00e1 tentando descobrir se os animais conseguem apreciar alguns dos aspectos essenciais da linguagem, mesmo sem poder produzi-la. Ele e Ansgar Endress relataram no ano passado que macacos da fam\u00edlia Cebidae podiam distinguir entre uma palavra acrescentada na frente de outra palavra da mesma palavra acrescentada no final. Isso pode parecer como a capacidade sint\u00e1tica de reconhecer um sufixo ou prefixo, mas Hauser acredita que isso seja apenas a capacidade de reconhecer quando uma coisa vem antes da outra e tem pouca rela\u00e7\u00e3o com a verdadeira sintaxe.<\/p>\n<p>&#8220;Estou ficando pessimista&#8221;, disse ele em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tentativas para explorar se os animais possuem uma forma de linguagem. &#8220;Concluo que os m\u00e9todos que temos s\u00e3o pobres e n\u00e3o nos levar\u00e3o aonde queremos, como demonstrar algo como sem\u00e2ntica ou sintaxe.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo assim, como fica evidente na pesquisa de Zuberbuehler, h\u00e1 v\u00e1rios sons aparentemente sem sentido na floresta que transmitem informa\u00e7\u00e3o de uma forma talvez semelhante \u00e0 linguagem. <em>(Fonte: Folha Online)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminhando pela floresta Tai, na Costa do Marfim, Klaus Zuberbuehler podia ouvir os chamados dos macacos Cercopithecus diana, mas a tagarelice n\u00e3o significava nada para ele. 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