{"id":1796,"date":"2010-10-15T11:38:42","date_gmt":"2010-10-15T14:38:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1796"},"modified":"2010-10-19T16:38:40","modified_gmt":"2010-10-19T19:38:40","slug":"biodiversidade-desconhecida-editorial-de-o-estado-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1796","title":{"rendered":"Biodiversidade desconhecida, editorial de &#8220;O Estado de SP&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;\">&#8220;\u00c9 quase total a falta de conhecimento do pa\u00eds sobre sua diversidade marinha &#8211; e sem conhecer \u00e9 imposs\u00edvel proteger&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Leia o editorial:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Pa\u00eds com mais de 10 mil quil\u00f4metros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combina\u00e7\u00f5es de ecossistemas costeiros e mar\u00edtimos do mundo, o Brasil apresentar\u00e1 na pr\u00f3xima reuni\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o das metas da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB) um relat\u00f3rio pobre, que \u00e9 quase uma confiss\u00e3o: colocou sob prote\u00e7\u00e3o legal apenas 1,5% desses ecossistemas, bem menos do que a meta de 10% que havia fixado, e conhece muito pouco de suas esp\u00e9cies marinhas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">A d\u00e9cima Confer\u00eancia das Partes (COP 10) signat\u00e1rias da CDB &#8211; documento aprovado na Confer\u00eancia Rio-92 &#8211; ser\u00e1 realizada no fim deste m\u00eas na cidade japonesa de Nagoya, com a presen\u00e7a de representantes de mais de 190 pa\u00edses. Eles avaliar\u00e3o quanto se avan\u00e7ou no cumprimento das metas de preserva\u00e7\u00e3o da fauna e da flora assumidas nas reuni\u00f5es anteriores e definir\u00e3o objetivos para os pr\u00f3ximos dez anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Uma das metas mais relevantes anunciadas pelo Brasil era colocar 30% da Amaz\u00f4nia sob alguma forma de prote\u00e7\u00e3o legal. Esta foi alcan\u00e7ada, at\u00e9 com alguma folga, pois mais de 40% da \u00e1rea florestal est\u00e1 protegida, segundo o relat\u00f3rio a ser apresentado em Nagoya pelo governo brasileiro. A \u00e1rea protegida inclui terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o estaduais e federais, como mostrou o rep\u00f3rter Herton Escobar, na edi\u00e7\u00e3o de 3 de outubro do Estado.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Mas uma \u00e1rea de grande import\u00e2ncia ambiental e econ\u00f4mica, os 4,2 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de territ\u00f3rio brasileiro cobertos pelo mar, continuou esquecida. Da pequena fatia de ecossistemas que o pa\u00eds conseguiu colocar sob prote\u00e7\u00e3o, a maior parte est\u00e1 em ambientes terrestres ligados ao mar, como restingas, praias e manguezais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">N\u00e3o h\u00e1 nenhuma \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o inteiramente coberta pelo mar. O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente reconhece que o bioma marinho constituiu &#8220;a grande lacuna&#8221; do Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (Snuc).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">A biodiversidade marinha brasileira j\u00e1 conhecida \u00e9 considerada relativamente pobre, quando comparada \u00e0 de outros pa\u00edses. Mesmo assim, estima-se que est\u00e3o no Brasil cerca de 6% das esp\u00e9cies existentes no mundo de invertebrados &#8220;n\u00e3o insetos&#8221;, a maioria dos quais vive no mar.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Pobreza muito maior do que a de esp\u00e9cies marinhas \u00e9 a de pesquisas e de pesquisadores, diz o bi\u00f3logo Antonio Marques, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo. &#8220;Considero isso uma vergonha&#8221;, confessa. Al\u00e9m de escasso, o conhecimento \u00e9 muito concentrado geograficamente. As pesquisas se limitam ao litoral de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. &#8220;Sobre o Nordeste, ainda sabemos muito pouco. E, sobre o Norte, quase nada.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">\u00c9 quase total a falta de conhecimento do pa\u00eds sobre sua diversidade marinha &#8211; e sem conhecer \u00e9 imposs\u00edvel proteger.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">\u00c9 dif\u00edcil, por\u00e9m, dizer que o desconhecimento seja o pior dos aspectos da a\u00e7\u00e3o do governo brasileiro na preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha. Nos poucos casos de conhecimento relativamente extenso de esp\u00e9cies marinhas, que geralmente s\u00e3o as de maior valor comercial, pouco ou nada se faz para proteg\u00ea-las.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Entre 1995 e 2006, o governo executou o Programa de Avalia\u00e7\u00e3o do Potencial dos Recursos Vivos da Zona Econ\u00f4mica Exclusiva, que era mais um balan\u00e7o do estoque pesqueiro do que uma tentativa de conhecimento da biodiversidade marinha. O programa constatou que cerca de 80% das esp\u00e9cies pescadas comercialmente eram sobre-exploradas ou plenamente exploradas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Desde a conclus\u00e3o do estudo, nada foi feito ou anunciado pelo governo para assegurar a recupera\u00e7\u00e3o desses estoques. &#8220;A gest\u00e3o pesqueira no Brasil est\u00e1 um caos&#8221;, diz o pesquisador Jos\u00e9 Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itaja\u00ed, de Santa Catarina. O caos \u00e9 o resultado pr\u00e1tico da a\u00e7\u00e3o de um governo que n\u00e3o tem uma pol\u00edtica definida para a \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">De um lado, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente busca assegurar a manuten\u00e7\u00e3o dos estoques das esp\u00e9cies de maior valor comercial; de outro, o Minist\u00e9rio da Pesca estimula a pesca, sem levar em conta a amea\u00e7a \u00e0 sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Esse conflito mostra que falta ao governo um rumo na quest\u00e3o da biodiversidade marinha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">(O Estado de SP, 12\/10)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 quase total a falta de conhecimento do pa\u00eds sobre sua diversidade marinha &#8211; e sem conhecer \u00e9 imposs\u00edvel proteger&#8221; Leia o editorial: \u00a0 Pa\u00eds com mais de 10 mil quil\u00f4metros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combina\u00e7\u00f5es de ecossistemas costeiros e mar\u00edtimos do mundo, o Brasil apresentar\u00e1 na pr\u00f3xima reuni\u00e3o de &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1796\"> <span class=\"screen-reader-text\">Biodiversidade desconhecida, editorial de &#8220;O Estado de SP&#8221;<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[87,41,20,442,113,33],"tags":[3812,893,890,891,897,895,894,892,896,576,898],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1796"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1796"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1796\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1816,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1796\/revisions\/1816"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}