{"id":1853,"date":"2010-10-27T10:34:02","date_gmt":"2010-10-27T13:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1853"},"modified":"2011-05-11T17:15:10","modified_gmt":"2011-05-11T20:15:10","slug":"cientistas-italianos-criam-sistema-para-prever-desmoronamentos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=1853","title":{"rendered":"Cientistas italianos criam sistema para prever desmoronamentos"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Polit\u00e9cnica de Mil\u00e3o instalaram, com a  ajuda de alpinistas, uma s\u00e9rie de sensores especiais para captar os  m\u00ednimos movimentos na montanha San Martino, em Lecco, norte da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Os dados obtidos pelos aparelhos s\u00e3o enviados em tempo real, atrav\u00e9s  de tecnologia wireless, para o laborat\u00f3rio a pouco menos de cem  quil\u00f4metros em linha reta. O objetivo \u00e9 gravar os sons emitidos pela  rocha durante a ocorr\u00eancia de fraturas internas.<\/p>\n<p>Com esses sons, e com outras informa\u00e7\u00f5es coletadas de maneira  tradicional, os cientistas querem interpretar e estudar as prov\u00e1veis  consequ\u00eancias, analisando com rigor cient\u00edfico, o potencial risco de  desmoronamentos.<\/p>\n<p>A parede da montanha de San Martino \u00e9 quase vertical e as rachaduras  provocadas pela eros\u00e3o da rocha est\u00e3o por todos os lados. Dois sistemas  foram implantados em diferentes pontos para analisar melhor o  comportamento da montanha.<\/p>\n<p>Cada um deles \u00e9 composto por sensores que trabalham de forma  independente e autom\u00e1tica. Em uma pequena caixa, chamada de unidade  inteligente (s\u00e3o dez no total) existem tr\u00eas sensores para medir o  alargamento da fratura, oito servem para monitorar a inclina\u00e7\u00e3o da  parede, tr\u00eas captam as micro-rupturas na estrutura da rocha, e outros  quatro com fun\u00e7\u00f5es menos importantes.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisa, depois de quatro anos de trabalho, conseguiu  elaborar um programa de dados capaz de cruzar as informa\u00e7\u00f5es  tradicionais, tais como a medida da rachadura e da inclina\u00e7\u00e3o da  superf\u00edcie rochosa com os eventos detectados em tempo real gra\u00e7as aos  sensores de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10558px;left:-5697px;\"><a href=\"http:\/\/www.upstartblogger.com\/full-rango\">rango the movie characters<\/a><\/div>\n<p>O resultado \u00e9 uma fotografia instante ap\u00f3s instante do movimento ou  da in\u00e9rcia da montanha. Os registros no setor mais din\u00e2mico da parede  monitorada indicam cerca de 30 segundos de atividades por m\u00eas. No setor  menos \u201cnervoso\u201d da parede esse valor cai para algo como um segundo  mensal. Isso significa que o primeiro sistema \u00e9 muito mais inst\u00e1vel do  que o segundo.<\/p>\n<p><strong>Tecnologia<\/strong> \u2013 \u201cAntes, se instalavam sistemas fixos  para verificar o alargamento das fendas existentes. Isso implica em  subir periodicamente na montanha para checar o que est\u00e1 acontecendo e  n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo aceit\u00e1vel, diante do ponto de vista da previs\u00e3o dos  riscos, para a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de alerta. Se voc\u00ea sobe apenas uma  vez por m\u00eas na montanha vai saber apenas uma vez por m\u00eas o que est\u00e1  acontecendo l\u00e1 em cima, e, neste meio tempo, a parede pode desabar\u201d,  explicou para a BBC Brasil o professor Cesare Alippi, respons\u00e1vel pelo  grupo de pesquisa composto por seis engenheiros nos campos da  inform\u00e1tica, eletr\u00f4nica e telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na realidade, a pesquisa colhe sinais inaud\u00edveis para o homem e transforma os sons em sinais decodificados.<\/p>\n<p>O processo \u00e9 semelhante ao do sism\u00f3grafo usado para medir a  intensidade de um terremoto. Cada ruptura na estrutura da rocha, por  menor que seja, produz uma onda micross\u00edsmica. O sensor capta a vibra\u00e7\u00e3o  sonora e memoriza a informa\u00e7\u00e3o. Depois, a transmite para ser elaborada e  interpretada pelos pesquisadores.<\/p>\n<p>Dependendo da dire\u00e7\u00e3o e intensidade do fen\u00f4meno geol\u00f3gico, as  unidades inteligentes podem ser manipuladas \u00e0 dist\u00e2ncia, ou seja, o foco  de aten\u00e7\u00e3o dos sensores pode ser desviado sem obrigar ningu\u00e9m a escalar  a montanha para ajustar os aparelhos montados na parede.<\/p>\n<p>\u201cO problema dos instrumentos tradicionais \u00e9 que eles indicam apenas a  din\u00e2mica macrosc\u00f3pica da parede sob observa\u00e7\u00e3o. Os dados s\u00e3o preciosos  mas n\u00e3o acrescentam muito \u00e0 causa e a evolu\u00e7\u00e3o do evento geol\u00f3gico se  n\u00e3o forem analisados com as informa\u00e7\u00f5es das fissuras min\u00fasculas da  rocha, origem prim\u00e1ria da fenda. A implanta\u00e7\u00e3o de um sistema t\u00e3o preciso  nos obrigou a lidar com um volume de dados da ordem de 2.000 por  segundo que levou a tecnologia ao limite. Neste caso, estudamos pequenos  pain\u00e9is solares capazes de funcionar bem, mesmo em condi\u00e7\u00f5es de mau  tempo\u201d, comentou Alippi.<\/p>\n<p>O sistema autom\u00e1tico \u00e9 uma esp\u00e9cie de varredor da montanha e trabalha  para descobrir imperfei\u00e7\u00f5es em andamento, capazes de comprometer o  equil\u00edbrio da pedra.<br \/>\nOs pesquisadores querem ir mais fundo e descobrir o ponto exato das falhas internas e a espessura delas.<\/p>\n<p>\u201cMesmo sem saber o ponto de ruptura, mesmo que a fenda n\u00e3o se alargue  tanto, n\u00e3o significa que a parede n\u00e3o possa desabar. Podemos medir o  quanto a montanha est\u00e1 viva e, com a informa\u00e7\u00e3o, predispor uma escalada  de risco. Porque, e este \u00e9 um problema do sistema tradicional, quando  uma fenda se alarga a montanha desaba\u201d, disse Alippi.<\/p>\n<p>O local escolhido para a pesquisa \u00e9 uma \u00e1rea conhecida dos ge\u00f3logos  italianos. Entre as noites de 22 e 23 de fevereiro de 1969, um  desmoronamento de 10 a 15 mil metros c\u00fabicos de terra e pedras causou a  morte de sete pessoas e ferimentos em tr\u00eas. Mais recentemente, em 1994,  ap\u00f3s uma s\u00e9rie de temporais, o fen\u00f4meno se repetiu sem provocar v\u00edtimas.  Pequenos desmoronamentos s\u00e3o comuns e os sensores cobrem o espa\u00e7o  limite \u00e0 regi\u00e3o atingida pelos eventos precedentes.<\/p>\n<p><strong>Encostas<\/strong> \u2013 A pesquisa faz parte do projeto PROMETEO,  iniciais em italiano para Prote\u00e7\u00e3o P\u00fablica Metodologia e Tecnologia  Operativas. Dele faz parte a Universidade Su\u00ed\u00e7a Italiana e o grupo de  An\u00e1lise de Riscos Alpinos na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma variante do sistema criado pelo grupo do professor Cesare Alippi pode ser usado em diferentes contextos geol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Os problemas da ocupa\u00e7\u00e3o irregular do solo n\u00e3o s\u00e3o uma exclusividade das favelas nos morros.<br \/>\n\u201cUma parede pode ser preocupante quando est\u00e1 sobre uma cidade ou uma  estrada, uma ferrovia, uma infraestrutura qualquer. \u00c9 um problema grande  no arco alpino pois o homem criou cidades onde encontrava espa\u00e7o, ou  seja, aos p\u00e9s das montanhas\u2026 por outras raz\u00f5es nasceram as favelas sobre  as colinas. Depois dizem\u2026\u2019ops, aqui est\u00e3o caindo pedras\u2019\u2026sim, mas a  montanha estava ali bem antes\u201d, disse Alippi.<\/p>\n<p>No caso alpino, as fendas est\u00e3o muito sujeitas \u00e0 eros\u00e3o e ao rigor  das esta\u00e7\u00e3o do inverno. O ciclo de gelo e degelo da \u00e1gua e a for\u00e7a da  gravidade influenciam muito os movimentos da montanha. E as chuvas, tais  como no Brasil, s\u00e3o um problema maior.<\/p>\n<p>\u201cQuando chove tudo fica mais cr\u00edtico. A \u00e1gua ocupa o espa\u00e7o das  fendas, faz press\u00e3o, e a montanha responde. Durante o inverno, a  forma\u00e7\u00e3o de gelo nas fendas provoca microrrupturas que est\u00e3o muito a  merc\u00ea das condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas\u201d, analisa o pesquisador.<\/p>\n<p>No caso das encostas brasileiras, o problema \u00e9 menos vis\u00edvel do que a  rachadura numa parede de montanha por causa da cobertura vegetal.<\/p>\n<p>\u201cO sistema de coleta e a interpreta\u00e7\u00e3o de dados dever\u00e1 levar em  conta, n\u00e3o apenas a quantidade de chuva que cai mas tamb\u00e9m outras  variantes como a quantidade de \u00e1gua dentro da terra, no subsolo, al\u00e9m da  coloca\u00e7\u00e3o de sensores capazes de avaliar os m\u00ednimos movimentos de  inclina\u00e7\u00e3o do terreno e da rocha.\u201d<\/p>\n<p>Quanto maior o peso do len\u00e7ol de \u00e1gua, pior \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o. As  informa\u00e7\u00f5es, elaboradas em tempo real, podem fazer a diferen\u00e7a entre a  vida e a morte. <em><\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Polit\u00e9cnica de Mil\u00e3o instalaram, com a ajuda de alpinistas, uma s\u00e9rie de sensores especiais para captar os m\u00ednimos movimentos na montanha San Martino, em Lecco, norte da It\u00e1lia. 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