{"id":2008,"date":"2010-12-06T10:19:43","date_gmt":"2010-12-06T13:19:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2008"},"modified":"2011-05-14T19:01:43","modified_gmt":"2011-05-14T22:01:43","slug":"revisao-do-codigo-florestal-contribuira-para-perda-de-biodiversidade-e-aquecimento-global","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2008","title":{"rendered":"Revis\u00e3o do C\u00f3digo Florestal contribuir\u00e1 para perda de biodiversidade e aquecimento global"},"content":{"rendered":"<p><span><span><span><span><span>A revista<em> Science<\/em> publicou novo  alerta de cientistas indicando que a revis\u00e3o do C\u00f3digo Florestal poder\u00e1  levar a perdas irrevers\u00edveis na biodiversidade tropical. Se for aprovada  em sua forma atual, a revis\u00e3o do C\u00f3digo Florestal brasileiro, em  vota\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional, poder\u00e1 levar a perdas irrevers\u00edveis na  biodiversidade tropical, alertam cientistas em carta publicada na edi\u00e7\u00e3o  atual da <em>Science<\/em>. Intitulada \u201cPerda de biodiversidade sem  volta\u201d, a carta tem autoria de Fernanda Michalski, professora do  Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade Tropical da Universidade  Federal do Amap\u00e1, Darren Norris, do Departamento de Ecologia da  Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Carlos Peres, da Universidade  de East Anglia, no Reino Unido.<\/p>\n<p>Na carta, os pesquisadores  apontam que as propriedades privadas correspondem a 39% do territ\u00f3rio  brasileiro e representam um componente essencial para a conserva\u00e7\u00e3o da  biodiversidade florestal, \u00e0 parte das \u00e1reas protegidas formalmente. Mas  os \u201cinteresses de curto prazo de poderosos grupos econ\u00f4micos, influentes  propriet\u00e1rios de terra e pol\u00edticos, ao diluir o C\u00f3digo Florestal,  ignoram o valor das florestas privadas para a conserva\u00e7\u00e3o\u201d, segundo  eles.<\/p>\n<p>De acordo com Fernanda, a manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 um complemento \u00e0 carta publicada na <em>Science <\/em> <\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9704px;left:-4744px;\"><a href=\"http:\/\/blog.swap-bot.com\/movie-online-southern-justice\">southern justice hd<\/a><\/div>\n<p> no  dia 16 de julho, por pesquisadores ligados ao Programa Biota-FAPESP,  com o t\u00edtulo &#8220;Legisla\u00e7\u00e3o brasileira: retrocesso em velocidade m\u00e1xima?&#8221;\u00a0  Segundo ela, o objetivo foi colocar em evid\u00eancia a modifica\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo  relacionada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de \u00e1rea das \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Permanente (APP).<\/p>\n<p>\u201cA <em>Science <\/em>abre  espa\u00e7o para que possamos refor\u00e7ar coment\u00e1rios feitos em edi\u00e7\u00f5es  anteriores. Quisemos fazer isso para enfatizar um pouco mais o problema  diretamente ligado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de APP, que est\u00e1 sendo levantado  na proposta de reforma do C\u00f3digo Florestal\u201d, disse.<\/p>\n<p>A carta  enviada em julho pelos pesquisadores do Biota-FAPESP apontava que as  novas regras do C\u00f3digo Florestal reduziriam a restaura\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de  vegeta\u00e7\u00e3o nativa ilegalmente desmatada desde 1965. Com isso, as  emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono poder\u00e3o aumentar substancialmente e, a  partir de simples an\u00e1lises da rela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cies-\u00e1rea, \u201c\u00e9 poss\u00edvel prever a  extin\u00e7\u00e3o de mais de 100 mil esp\u00e9cies, uma perda massiva que invalidar\u00e1  qualquer comprometimento com a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, segundo  eles.<\/p>\n<p>O texto foi assinado por Jean Paul Metzger, do Instituto de  Bioci\u00eancias da USP, Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia  Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luciano Verdade e  Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura  (Cena), da USP, Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ci\u00eancias  Biol\u00f3gicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da  USP, e Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.<\/p>\n<p>A  carta publicada na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista cient\u00edfica norte-americana  afirma que a reforma da legisla\u00e7\u00e3o ir\u00e1 \u201cefetivamente condenar  remanescentes florestais e a rebrota em terras privadas no maior pa\u00eds  tropical da Terra\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Fernanda, o texto refor\u00e7a uma quest\u00e3o  levantada na manifesta\u00e7\u00e3o anterior, relacionada a um poss\u00edvel aumento  do \u201cefeito de borda\u201d \u2013 uma altera\u00e7\u00e3o na estrutura, na composi\u00e7\u00e3o ou na  abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies na parte marginal de um fragmento florestal que  acaba tendo impactos sobre a fauna e flora de toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO  efeito de borda se manifesta \u00e0 medida que a permeabilidade da matriz  aumenta e cria uma s\u00e9rie de efeitos adversos para a flora e para a  fauna. Mas, al\u00e9m disso, nossas pesquisas revelaram um outro dado  importante que merecia ser destacado: quando a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o \u00e9  reduzida a menos de 50 metros de cada lado da APP, o resultado \u00e9 um  aumento consider\u00e1vel na mortalidade das \u00e1rvores\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os  cientistas brasileiros alertam que, com as modifica\u00e7\u00f5es propostas na  legisla\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o dever\u00e1 provocar mudan\u00e7as nas  caracter\u00edsticas da paisagem que reduzir\u00e3o a capacidade da floresta para  reter e conectar esp\u00e9cies, ou para manter a qualidade dos corpos  d\u2019\u00e1gua. Segundo o texto, os propriet\u00e1rios rurais que cumprirem a nova  legisla\u00e7\u00e3o aumentar\u00e3o a fragmenta\u00e7\u00e3o da paisagem e reduzir\u00e3o o valor das  suas propriedades, por conta da eros\u00e3o do solo e pela m\u00e1 regula\u00e7\u00e3o de  capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nas bacias hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>Outro estudo, divulgado no dia 23 de novembro pelo Observat\u00f3rio do Clima<a class=\"texto-11-preto\" href=\"http:\/\/www.oc.org.br\/\" target=\"_blank\"><strong> <\/strong><\/a>(rede  que reune 36 ONGs ambientalistas e movimentos sociais, entre elas o  Mater Natura), alerta para as consequ\u00eancias da aprova\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es  no C\u00f3digo Florestal, propostas pelo deputado Aldo Rebelo e aprovadas em  comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados. Segundo o estudo, este fato  pode representar a emiss\u00e3o de at\u00e9 26 bilh\u00f5es de toneladas de gases de  efeito estufa e comprometer a meta brasileira de reduzir entre 36,1% e  38,9% as emiss\u00f5es nacionais at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>O estudo analisa os  impactos de duas das principais propostas do novo c\u00f3digo para os  compromissos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es assumidos internacionalmente pelo  Brasil.<\/p>\n<p>\u201cTodo o esfor\u00e7o que o Brasil tem feito para reduzir  emiss\u00f5es pode ser perdido se as mudan\u00e7as no c\u00f3digo forem aprovadas. O  pa\u00eds tem se esfor\u00e7ado, transformou os compromissos que assumiu  internacionalmente em lei, mas, paralelamente, o substitutivo pode  causar impactos nessas metas\u201d, avaliou o coordenador do Observat\u00f3rio do  Clima, Andr\u00e9 Ferreti.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais  calcularam o total de di\u00f3xido de carbono (CO2) equivalente (medida que  considera todos os gases de efeito estufa) que poder\u00e1 ser lan\u00e7ado na  atmosfera com a redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente (APPs) em  torno de rios e a isen\u00e7\u00e3o da reserva legal para pequenos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>A  redu\u00e7\u00e3o das APPs na margens de rios de 30 metros para 15 metros,  prevista em um dos artigos do relat\u00f3rio de Aldo Rebelo, vai resultar em  pelo menos 1,8 milh\u00e3o de hectares a menos de \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.  Considerando que toda a \u00e1rea seja convertida em pastagem, as emiss\u00f5es  ser\u00e3o de 571 milh\u00f5es de toneladas de CO2 equivalente.<\/p>\n<p>Mas os  piores preju\u00edzos vir\u00e3o mesmo da isen\u00e7\u00e3o de reserva legal para  agricultura familiar e o desconto de at\u00e9 quatro m\u00f3dulos fiscais para o  c\u00e1lculo da reserva em m\u00e9dias e grandes propriedades. No melhor cen\u00e1rio,  considerando que apenas 25% da reserva legal tenha sido desmatada, o  total de emiss\u00f5es ser\u00e1 da ordem de 6,2 bilh\u00f5es de toneladas de CO2  equivalente. Na pior das hip\u00f3teses, em que os pesquisadores consideraram  que haveria desmatamento em 100% da \u00e1rea que deveria ser preservada, o  total de emiss\u00f5es pode chegar a 25 bilh\u00f5es de toneladas de CO2  equivalente.<\/p>\n<p>Somadas as emiss\u00f5es da redu\u00e7\u00e3o das APPs e das  isen\u00e7\u00f5es para a reserva legal, as mudan\u00e7as no c\u00f3digo poder\u00e3o resultar em  25,6 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 equivalente. O n\u00famero \u00e9 cerca de 15  vezes maior que o total estimado de emiss\u00f5es brasileiras em 2009, de 1,7  bilh\u00e3o de toneladas, e que considera outros setores, n\u00e3o s\u00f3 o  desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m do carbono, tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar  outros impactos do novo c\u00f3digo, como as perdas de biodiversidade e de  disponibilidade de \u00e1gua. Florestas, al\u00e9m de carbono, prestam uma s\u00e9rie  de outros servi\u00e7os ambientais\u201d, acrescentou o superintendente de  programas tem\u00e1ticos do WWF Brasil, Carlos Scaramuzza. Segundo ele, a  aprova\u00e7\u00e3o do novo c\u00f3digo pelo Congresso pode ser usada contra o Brasil  na negocia\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Aprovado em julho pela comiss\u00e3o  especial, o texto precisa ir ao plen\u00e1rio da C\u00e2mara e passar pelo Senado  antes de seguir para san\u00e7\u00e3o presidencial. Apesar da press\u00e3o ruralista  para que as regras sejam aprovadas ainda nesta legislatura, o  coordenador de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Greenpeace, Nilo D\u2019\u00c1vila, acredita  que o debate ficar\u00e1 para o novo governo.<\/p>\n<p>\u201cO melhor cen\u00e1rio \u00e9 um  processo que comece do zero, principalmente para ouvir a comunidade  cient\u00edfica. A presidente Dilma Rousseff garantiu, durante a campanha,  que n\u00e3o aceitar\u00e1 fim de APP e reserva legal nem anistia para  desmatadores. Podemos come\u00e7ar algo novo, com uma batuta mais  equilibrada\u201d, comparou. Os compromissos assumidos pela presidenta eleita  foram protocolados por um grupo de ONGs no Tribunal Superior Eleitoral  (TSE).<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Science publicou novo alerta de cientistas indicando que a revis\u00e3o do C\u00f3digo Florestal poder\u00e1 levar a perdas irrevers\u00edveis na biodiversidade tropical. 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