{"id":2011,"date":"2010-12-06T10:22:15","date_gmt":"2010-12-06T13:22:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2011"},"modified":"2011-05-14T16:27:47","modified_gmt":"2011-05-14T19:27:47","slug":"biologa-afirma-e-ingenuidade-reviver-animais-que-nos-extinguimos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2011","title":{"rendered":"Bi\u00f3loga afirma: \u00e9 ingenuidade reviver animais que n\u00f3s extinguimos"},"content":{"rendered":"<p>A reintrodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies extintas (ou praticamente extintas) em  determinadas regi\u00f5es foi comum no ano de 2010. Foi o caso do castor,  desaparecido da Gr\u00e3-Bretanha por 400 anos e visto novamente ap\u00f3s  reintrodu\u00e7\u00e3o em uma floresta da Esc\u00f3cia. Tamb\u00e9m o lince ib\u00e9rico (quase  extinto em Portugal e na Espanha, pa\u00eds que tenta reintroduzir animais  criados em cativeiro), o crocodilo siam\u00eas (Vietn\u00e3) e as chitas, que  estavam desaparecidas na \u00cdndia, ganharam projetos similares. No caso da  \u00faltima esp\u00e9cie, o esquema de reintrodu\u00e7\u00e3o sofreu cr\u00edticas de  especialistas que afirmam que, sem reintroduzir tamb\u00e9m as presas  naturais das chitas, que foram erradicadas da \u00cdndia assim como o felino,  a esp\u00e9cie n\u00e3o ir\u00e1 se proliferar no local.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o da bi\u00f3loga  Ellen Augusta Valer de Freitas, processos de reintrodu\u00e7\u00e3o envolvem  &#8220;vari\u00e1veis imprevis\u00edveis&#8221;. &#8220;\u00c9 pretens\u00e3o ou ingenuidade humana querer  trazer de volta esp\u00e9cies extintas naturalmente ou que ele mesmo ajudou a  extinguir, sem um estudo das consequ\u00eancias dessa reintrodu\u00e7\u00e3o&#8221;, diz  Ellen, que aponta algumas particularidades a serem observadas. &#8220;Animais  extintos da natureza e que hoje s\u00f3 existem em zool\u00f3gicos e centros de  prote\u00e7\u00e3o podem ser reintroduzidos. Mas com os ambientes desequilibrados a  tarefa se torna dif\u00edcil. A reintrodu\u00e7\u00e3o deve levar em considera\u00e7\u00e3o as  condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas de um ambiente e as intera\u00e7\u00f5es desta esp\u00e9cie com as  esp\u00e9cies atuais&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Ela esclarece que, quando uma  esp\u00e9cie ou subesp\u00e9cie extinta h\u00e1 s\u00e9culos, ou at\u00e9 mil\u00eanios, \u00e9  reintroduzida, o ecossistema pode sofrer. &#8220;A variabilidade gen\u00e9tica deve  ser levada em conta. Animais s\u00e3o extintos justamente por problemas  gen\u00e9ticos causados pela redu\u00e7\u00e3o significativa de sua esp\u00e9cie, ou por  problemas ambientais locais, globais ou de acordo com a \u00e9poca em que  viveu o animal em quest\u00e3o&#8221;, disse. Ellen cita o panda da China como  exemplo. &#8220;Embora exista em zool\u00f3gicos, ele tem imensas dificuldades de  reprodu\u00e7\u00e3o e pequena variabilidade gen\u00e9tica, o que causa doen\u00e7as,  dificuldades de reprodu\u00e7\u00e3o e consequentemente a extin\u00e7\u00e3o. Pode-se dizer  que animais como este, na pr\u00e1tica, j\u00e1 est\u00e3o extintos&#8221;.<\/p>\n<p>Associada \u00e0  limita\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica tamb\u00e9m est\u00e1 a mudan\u00e7a dos ecossistemas, que coloca  um grande ponto de interroga\u00e7\u00e3o nas formas de preserva\u00e7\u00e3o, teoricamente  beneficiadas por avan\u00e7os da ci\u00eancia, como a clonagem. &#8220;Se a clonagem  pode trazer \u00e0 vida um animal como o lobo da Tasm\u00e2nia (foto), a pergunta \u00e9  se isso \u00e9 ben\u00e9fico para o animal em si e para o ecossistema em que ele  viver\u00e1. Animais extintos h\u00e1 muito tempo viveram em ambientes distintos  do atual. Eles tiveram intera\u00e7\u00f5es com outros seres, alimentando-se de  outros animais, plantas, etc., que hoje podem n\u00e3o existir mais&#8221;, alerta a  bi\u00f3loga.<\/p>\n<p>Ellen tamb\u00e9m lembra que a clonagem n\u00e3o prev\u00ea a  variabilidade gen\u00e9tica, tida como o combust\u00edvel da evolu\u00e7\u00e3o e da  adapta\u00e7\u00e3o. &#8220;Existem clones naturais, mas toda introdu\u00e7\u00e3o feita atrav\u00e9s  do ser humano pode sim causar desequil\u00edbrio no ecossistema que possui  auto-organiza\u00e7\u00e3o. Clones podem existir, mas isso implica em  responsabilidades \u00e9ticas&#8221;.<\/p>\n<p>Para Freitas, o Brasil tem a  tend\u00eancia de reintroduzir animais mais &#8220;carism\u00e1ticos&#8221; como aves e  mam\u00edferos. &#8220;As esp\u00e9cies que podem ser alvo desse trabalho s\u00e3o peixes,  plantas, anf\u00edbios e outras menos conhecidas da popula\u00e7\u00e3o, mas com  import\u00e2ncia ecol\u00f3gica. No Rio Grande do Sul o n\u00famero de anf\u00edbios em  processo de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 alarmante. H\u00e1 muitos trabalhos publicados, mas  poucos projetos efetivos&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo assim, hist\u00f3rias bem sucedidas de reintrodu\u00e7\u00e3o existem. Atrav\u00e9s de projetos de preserva\u00e7\u00e3o, animais como a ararinha azul (<em>Cyanopsitta spixii<\/em>) e o gavi\u00e3o real (<em>Harpia harpyja<\/em>), praticamente extintos no Rio Grande do Sul, ainda podem ser encontrados na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Outro exemplo de inciativa de sucesso \u00e9 a do Instituto Baleia Jubarte (<em>Megaptera novaeangliae<\/em>),  tamb\u00e9m chamada baleia corcunda ou preta. Conhecida por seu temperamento  d\u00f3cil e acrobacias, a esp\u00e9cie s\u00f3 saiu da lista de animais amea\u00e7ados em  2008, e atualmente conta com 50 mil exemplares vivendo nos oceanos. No  Atl\u00e2ntico Sul Ocidental, a sua principal \u00e1rea de reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 o Banco  dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia. De julho a novembro, estas  baleias procuram as \u00e1guas quentes para acasalar e dar \u00e0 luz a um \u00fanico  filhote, que nasce ap\u00f3s aproximadamente 11 meses de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem permanece na lista \u00e9 a Baleia franca (<em>Balaena mysticetus<\/em> <\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10913px;left:-4306px;\"><a href=\"http:\/\/www.giornale.ms\/online-the-joneses\">the joneses full video download<\/a><\/div>\n<p> ),  segunda esp\u00e9cie de baleia mais amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o no planeta.  Enfrentando dificuldades como a sobrepesca, a ca\u00e7a e a falta de educa\u00e7\u00e3o  ambiental, especialistas criaram uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o em  Imbituba, no litoral de Santa Catarina. O Projeto Baleia Franca visa \u00e0  conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie por meio de atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental e  observa\u00e7\u00e3o dos animais quando eles se aproximam do litoral, nos meses de  inverno.<\/p>\n<p>J\u00e1 o peixe-boi \u00e9 o mam\u00edfero aqu\u00e1tico mais amea\u00e7ado de  extin\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds. Duas varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o encontradas no Brasil: o  Peixe-boi-marinho (<em>Trichechus manatus<\/em>) e o Peixe-boi-da-amaz\u00f4nia (<em>Trichechus inunguis<\/em>).  No passado, podiam ser vistos em toda a costa, do Esp\u00edrito Santo ao  Amap\u00e1. Hoje, aparecem apenas no Amap\u00e1, Par\u00e1, Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Cear\u00e1, Rio  Grande do Norte, Para\u00edba, Pernambuco e Alagoas, tendo desaparecido no  Esp\u00edrito Santo, Bahia e Sergipe.<\/p>\n<p>Em setembro de 2007,  pesquisadores de Manaus organizaram a primeira reintrodu\u00e7\u00e3o de peixe-boi  amaz\u00f4nico em \u00e1gua doce. Zelando pela conserva\u00e7\u00e3o do peixe-boi marinho  est\u00e1 o Centro de Mam\u00edferos Aqu\u00e1ticos em Itamarac\u00e1, na regi\u00e3o  metropolitana do Recife. Conhecido pelo seu trabalho de conserva\u00e7\u00e3o, a  institui\u00e7\u00e3o comemora 30 anos de atividades e, juntamente com o Instituto  Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), reintroduziu 4  peixes-boi \u00e0 natureza no ano de 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reintrodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies extintas (ou praticamente extintas) em determinadas regi\u00f5es foi comum no ano de 2010. Foi o caso do castor, desaparecido da Gr\u00e3-Bretanha por 400 anos e visto novamente ap\u00f3s reintrodu\u00e7\u00e3o em uma floresta da Esc\u00f3cia. 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