{"id":2016,"date":"2010-12-07T10:20:44","date_gmt":"2010-12-07T13:20:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2016"},"modified":"2011-05-12T08:18:48","modified_gmt":"2011-05-12T11:18:48","slug":"para-ser-potencia-verde-brasil-deve-fazer-mudancas-na-matriz-energetica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2016","title":{"rendered":"Para ser pot\u00eancia verde, Brasil deve fazer mudan\u00e7as na matriz energ\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>07\/12\/2010<\/p>\n<p>Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do p\u00f3dio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renov\u00e1veis. Mas, segundo especialistas, o pa\u00eds vem desperdi\u00e7ando oportunidades de explorar fontes de energia limpa \u2013 o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m tem d\u00favidas de que as energias renov\u00e1veis v\u00e3o dominar no <a href=\"#\">futuro<\/a>. \u00c9 um processo muito demorado, mas irrevers\u00edvel\u201d, afirma o economista e engenheiro Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Eletrot\u00e9cnica e Energia da USP.<\/p>\n<p>\u201cMas o Brasil, mesmo com todo seu potencial, pode ficar para tr\u00e1s se n\u00e3o investir mais nessa \u00e1rea de energia verde\u201d, alerta o coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo.<\/p>\n<p>China, Estados Unidos e alguns pa\u00edses europeus est\u00e3o aplicando bilh\u00f5es de d\u00f3lares para expandir suas energias verdes, especialmente e\u00f3lica, solar e de biomassa (produzida a partir de lixo org\u00e2nico e sobras agr\u00edcolas, como o baga\u00e7o da cana). Na Europa, por <a href=\"#\">exemplo<\/a>, do total de novos mecanismos de gera\u00e7\u00e3o de energia instalados no ano passado, 60% foram para renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Um estudo do Pew Environment Group com pa\u00edses do G-20 mostrou que enquanto o investimento da China nessa \u00e1rea foram de US$ 34,6 bilh\u00f5es em 2009, o do Brasil foi de US$ 7,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o c\u00f4moda<\/strong> \u2013 A culpa dessa \u201clentid\u00e3o\u201d do governo pode estar justamente na situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel do Brasil, com imenso seu potencial hidrel\u00e9trico, que faz com que 47% das fontes de energia do pa\u00eds sejam limpas. No entanto, para os especialistas, esse \u00edndice n\u00e3o pode ser visto como um motivo para se acomodar.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 h\u00e1 alguns anos, o pa\u00eds ainda tinha um grande potencial hidrel\u00e9trico a ser explorado. E o governo alegava que a Europa s\u00f3 investia em fontes renov\u00e1veis por n\u00e3o ter esse potencial\u201d, diz Baitelo. \u201cHoje, ele j\u00e1 percebeu as dificuldades ligadas a hidrel\u00e9tricas e as vantagens da energias como a e\u00f3lica.\u201d<\/p>\n<p>Para a professora de gest\u00e3o ambiental da USP, Neli Aparecida de Mello, o problema n\u00e3o est\u00e1 nas hidrel\u00e9tricas em si, mas na aposta que sempre se fez nas obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e tamb\u00e9m na sua localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de banir o modelo, mas sim de mud\u00e1-lo. Em primeiro lugar, dever\u00edamos construir hidrel\u00e9tricas menores, mais locais\u201d, diz. \u201cTamb\u00e9m \u00e9 preciso levar em conta que atualmente os novos projetos est\u00e3o na Amaz\u00f4nia, como Belomonte. Al\u00e9m do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de log\u00edstica para controlar essas longas linhas de transmiss\u00e3o que trazem a energia para o Sudeste.\u201d<\/p>\n<p>Outro desafio passa pelas emiss\u00f5es vindas do setor energ\u00e9tico. A meta do governo \u00e9 permitir que esse tipo de emiss\u00e3o \u2013 que hoje representa 16,5% do total \u2013 dobre em dez anos. Segundo Baitelo, o governo usa a desculpa de que, como as emiss\u00f5es desse tipo s\u00e3o baixas, n\u00e3o h\u00e1 problemas em aument\u00e1-las. \u201c\u00c9 um absurdo que se permita duplicar esse valor num pa\u00eds como o Brasil, com tantas alternativas energ\u00e9ticas\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Deslumbramento<\/strong> \u2013 Os especialistas tamb\u00e9m apontaram para outro motivo para esse certo atraso do Brasil em investir nas fontes verdes: o pr\u00e9-sal. \u201cNo in\u00edcio do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pr\u00e9-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso\u201d, afirma Baitelo, lembrando que o ent\u00e3o ministro de Minas e Energia Edison Lob\u00e3o chegou a dizer que queria ver carros de passeio a diesel.<\/p>\n<p>Santos destaca ainda que essa empolga\u00e7\u00e3o pr\u00e9-sal acabou tirando o foco de uma quest\u00e3o essencial: o <a href=\"#\">destino<\/a> do g\u00e1s gerado pela explora\u00e7\u00e3o desse petr\u00f3leo. A proje\u00e7\u00e3o para essas emiss\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o altas que poderiam substituir as geradas pelo desmatamento, se esse fosse erradicado.<\/p>\n<p>\u201cPara quem est\u00e1 pensando em <a href=\"#\">sustentabilidade<\/a>, \u00e9 um absurdo n\u00e3o aproveitar bem esse g\u00e1s\u201d, diz o engenheiro, acrescentando que, aliado a outras fontes, o g\u00e1s poderia ajudar no abastecimento de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Outro contrasenso indicado por Santos \u00e9 n\u00e3o se incentivar \u00f4nibus movidos \u00e0 g\u00e1s \u2013 e sim a diesel e etanol. \u201cPara suprir frotas grandes como a de S\u00e3o Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espa\u00e7o de outro tipo de lavouras.\u201d<\/p>\n<p><strong>Avan\u00e7os<\/strong> \u2013 Segundo os especialistas, esses erros e pol\u00edticas mal articuladas tiveram seu \u00e1pice h\u00e1 cerca de cinco anos. \u201cO governo acabou sujando sua matriz energ\u00e9tica ao incentivar as t\u00e9rmicas a \u00f3leo, que s\u00e3o baratas de se construir\u201d, lembra Baitelo.<\/p>\n<p>Mas essa tend\u00eancia vem se revertendo, ainda que em um ritmo muito mais lento do que o esperado. \u201cGoverno viu que o foco estava errado e passou a investir um pouco mais em outras energias, como a e\u00f3lica\u201d, diz o coordenador do Greenpeace.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da e\u00f3lica na matriz el\u00e9trica nacional cresceu 5% em 2009. Mesmo assim, essa fonte corresponde a apenas 0,2% do total de energia gerada, enquanto tem potencial para gerar at\u00e9 tr\u00eas vezes mais do que o Brasil necessita.<\/p>\n<p>Para mudar esse cen\u00e1rio, falta mais incentivo do governo: \u201cO BNDES, por exemplo, fica financiando apenas as grandes obras, como est\u00e1dios para a Copa e Belomonte\u201d, afirma Santos.<\/p>\n<p><strong>Lucrando com o sol<\/strong> \u2013 Os especialistas tamb\u00e9m criticam o baixo investimento sem ci\u00eancia e pesquisa, que acabam ficando mais concentrado em \u00e1reas ligadas ao petr\u00f3leo e a biocombust\u00edveis. \u201cO discurso oficial sempre pendeu mais para \u2018vamos esperar o pre\u00e7o cair\u2019 do que para criar legisla\u00e7\u00e3o que incentive essas energias renov\u00e1veis\u201d, diz Baitelo.<\/p>\n<p>Ele cita o fato de n\u00e3o haver produ\u00e7\u00e3o nacional de pain\u00e9is solares. \u201cSe houvesse mais incentivos a esse tipo de neg\u00f3cio, poder\u00edamos exportar essa tecnologia, como fazemos com o etanol.\u201d<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9838px;left:-5973px;\"><a href=\"http:\/\/www.pinoychannel.us\/transparency-movie\">film downloads<\/a><\/div>\n<p>Tarifas especiais para quem poupa energia tamb\u00e9m s\u00e3o raras no Brasil. Em pa\u00edses europeus e asi\u00e1ticos, essa iniciativa \u00e9 corrente e vai al\u00e9m: o consumidor que usa energia solar pode vender de volta para o Estado o excedente, criando um ciclo virtuoso.<\/p>\n<p>\u201cIncentivos e garantias ao consumidor \u00e9 uma quest\u00e3o chave para se melhorar nossa maneira de usar energia\u201d, afirma a professora da USP, fazendo uma compara\u00e7\u00e3o com os carros a \u00e1lcool. \u201cDemorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a pol\u00edtica for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que \u00e9 algo vi\u00e1vel, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, pain\u00e9is solares.\u201d<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>07\/12\/2010 Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do p\u00f3dio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renov\u00e1veis. 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