{"id":2166,"date":"2010-12-27T13:22:07","date_gmt":"2010-12-27T16:22:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2166"},"modified":"2011-05-17T11:29:30","modified_gmt":"2011-05-17T14:29:30","slug":"cientistas-encontram-novas-especies-de-anfibios-em-areas-degradadas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2166","title":{"rendered":"Cientistas encontram novas esp\u00e9cies de anf\u00edbios em \u00e1reas degradadas"},"content":{"rendered":"<p>Antonio de P\u00e1dua Almeida, do Projeto Tamar, nem tenta ser diplom\u00e1tico ao falar da regi\u00e3o onde ele e seus colegas identificaram duas novas esp\u00e9cies de anf\u00edbios.<\/p>\n<p>\u201cChamar a \u00e1rea de degradada \u00e9 pouco. Os cen\u00e1rios s\u00e3o desoladores. Quil\u00f4metros de pastagem sem uma \u00fanica \u00e1rvore\u201d, afirma ele, referindo-se a um trecho da zona rural de Mucurici (ES).<\/p>\n<p>Mesmo assim, Almeida e dois outros pesquisadores conseguiram identificar o Sphaenorhynchus botocudo e o Sphaenorhynchus mirim, ambos cantando na vegeta\u00e7\u00e3o de uma lagoa.<\/p>\n<p>Especialistas em anf\u00edbios andam mostrando que o munic\u00edpio capixaba n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Embora a mata atl\u00e2ntica tenha sido reduzida a apenas 7% de sua \u00e1rea original, sendo oficialmente o bioma mais sofrido do pa\u00eds, as descobertas de novas esp\u00e9cies continuam acontecendo nos lugares mais improv\u00e1veis e at\u00e9 t\u00eam se intensificado.<\/p>\n<p>Um dos levantamentos mais recentes, divulgado em mar\u00e7o deste ano pela Sociedade Brasileira de Herpetologia (que re\u00fane especialistas em anf\u00edbios e r\u00e9pteis), mostra que o pa\u00eds pulou de 751 esp\u00e9cies de anf\u00edbios para 875 esp\u00e9cies de 2004 para c\u00e1.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 \u00e9 o campe\u00e3o mundial de diversidade do grupo. Centenas desses bichos s\u00e3o end\u00eamicos da mata atl\u00e2ntica. Isso significa que eles s\u00f3 existem ali, e em nenhum outro lugar do mundo.<\/p>\n<p>NO LIMITE<\/p>\n<p>Os sapinhos do g\u00eanero Brachycephalus talvez sejam um dos exemplos mais emblem\u00e1ticos do endemismo que ainda caracteriza a mata.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2167\" aria-describedby=\"caption-attachment-2167\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/brachycephalus-pitanga-001.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-2167\" title=\"brachycephalus-pitanga-001\" src=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/brachycephalus-pitanga-001-300x180.jpg\" alt=\"Brachycephalus pitanga. Fotografia: C\u00e9lio FB Haddad \" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/brachycephalus-pitanga-001-300x180.jpg 300w, http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/brachycephalus-pitanga-001.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2167\" class=\"wp-caption-text\">Brachycephalus pitanga. Fotografia: C\u00e9lio FB Haddad <\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma equipe integrada pelo bi\u00f3logo C\u00e9lio Haddad, do Departamento de Zoologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Rio Claro, descreveu recentemente o Brachycephalus pitanga, de pouco mais de um cent\u00edmetro e caracterizado pela cor vermelho-alaranjada da fruta de mesmo nome.<\/p>\n<p>Haddad e colegas, ali\u00e1s, j\u00e1 est\u00e3o com outra esp\u00e9cie nova do g\u00eanero na manga.<\/p>\n<p>O especialista explica por que a Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo) est\u00e1 financiando o estudo dos bichinhos: eles ajudam a entender como surgem as esp\u00e9cies de anf\u00edbios em ambientes de altitude elevada.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rias esp\u00e9cies de Brachycephalus v\u00eam sofrendo perdas de habitat por desmatamento e dever\u00e3o enfrentar s\u00e9rios problemas com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, explica ele. \u00c9 comum que eles estejam restritos a \u00e1reas com eleva\u00e7\u00e3o entre 900 m e 1.100 m, associadas a matas nebulares nas quais nuvens baixas e bruma recobrem a floresta com sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Para esses bichos, \u00e9 como se cada pico fosse uma ilha, que isolou as popula\u00e7\u00f5es deles no passado (j\u00e1 que, em ambientes mais baixos e sem nuvens, eles n\u00e3o sobreviveriam) e levou ao surgimento de novas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cO aumento de temperatura, previsto para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, dever\u00e1 empurrar as nuvens para cima. Em diversos locais, particularmente na regi\u00e3o Sul do Brasil, a previs\u00e3o \u00e9 que as matas nebulares desapare\u00e7am, e com elas desaparecer\u00e3o as esp\u00e9cies end\u00eamicas de Brachycephalus\u201d, diz Haddad.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10278px;left:-5902px;\"><a href=\"http:\/\/www.universalwwe.es\/harry-potter-and-the-deathly-hallows-part-1-full-movie\">download the harry potter and the deathly hallows: part 1 online<\/a><\/div>\n<p>Se o sumi\u00e7o se confirmar, perdem-se, entre outras coisas, alguns dos poucos anf\u00edbios que trocam a noite pelo dia. Mais de 90% das esp\u00e9cies desses bichos s\u00e3o noturnas, porque precisam conservar a umidade da pele, que os ajuda na respira\u00e7\u00e3o debaixo da luz solar, a pele resseca mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Mas, como os sapinhos Brachycephalus vivem num ambiente super-\u00famido, podem se dar ao luxo de ter h\u00e1bitos diurnos, em meio a folhas ca\u00eddas no ch\u00e3o da floresta ou na beira de riachos.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe muito bem para que servem as estranhas ossifica\u00e7\u00f5es na pele dos sapinhos. \u201cAlguns falam em prote\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o foi demonstrado. Elas s\u00e3o comuns em esp\u00e9cies miniaturizadas, mas tamb\u00e9m ocorrem no sapo-intanha, que chega a 20 cm. Ou seja, essas estruturas \u00f3sseas na pele est\u00e3o aparecendo nos extremos de tamanho\u201d, diz Haddad.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio de anf\u00edbios, um fen\u00f4meno mundial, tem causas m\u00faltiplas. Al\u00e9m da perda de habitat e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, os bichos s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis a doen\u00e7as infecciosas e tamb\u00e9m \u00e0 polui\u00e7\u00e3o excessiva.<\/p>\n<p>Esses bichos desempenham papel ecol\u00f3gico importante, controlando a popula\u00e7\u00e3o de insetos. E representam uma promessa biom\u00e9dica tamb\u00e9m, explica Haddad.<\/p>\n<p>Perda de habitat deixa anf\u00edbios mais vulner\u00e1veis a doen\u00e7as<\/p>\n<p>O aquecimento global, em especial em sua faceta elevadora do n\u00edvel do mar, tamb\u00e9m seria um problema para outra esp\u00e9cie descoberta pelo bi\u00f3logo da Unesp e seus colegas. Isso se n\u00e3o fosse pelo fato de que s\u00f3 a perda de habitat j\u00e1 a deixou com a corda no pesco\u00e7o antes de os oceanos avan\u00e7arem.<\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<div id=\"HOTWordsTxt\">\n<p>Trata-se do Aparasphenodon arapapa, da Bahia, bicho de uns 6 cm t\u00edpico de restingas \u00e1rboreas. A vegeta\u00e7\u00e3o, formada por brom\u00e9lias e palmeiras que crescem em terreno arenoso, \u00e9 a v\u00edtima n\u00famero um da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria praiana em v\u00e1rias partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAs restingas, ou o que sobrou delas, necessitam de melhor amostragem. Est\u00e3o muito degradadas, mas s\u00e3o ricas em diversidade e apresentam v\u00e1rias esp\u00e9cies end\u00eamicas.<\/p>\n<p>Recentemente foi descoberta uma esp\u00e9cie nova da fam\u00edlia Bufonidae, a dos sapos, de uma restinga no Esp\u00edrito Santo, que parece n\u00e3o pertencer a nenhum g\u00eanero conhecido\u201d, diz Haddad.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o da nova esp\u00e9cie com brom\u00e9lias \u00e9 t\u00edpica de outros bichos do g\u00eanero, a julgar por sua anatomia. \u201cEsp\u00e9cies de Aparasphenodon s\u00e3o conhecidas por usarem um escudo \u00f3sseo rijo que possuem na parte superior da cabe\u00e7a para fechar a entrada de tocas, que geralmente s\u00e3o os miolos de brom\u00e9lias. A maioria dos predadores tem dificuldade em acessar as partes moles e vulner\u00e1veis do corpo do anf\u00edbio, que fica protegido\u201d, explica.<\/p>\n<p>Outras \u00e1reas muito degradadas da grande regi\u00e3o da mata atl\u00e2ntica, como a floresta de arauc\u00e1rias dos Estados da regi\u00e3o Sul, tamb\u00e9m t\u00eam revelado novas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Os pesquisadores usam uma combina\u00e7\u00e3o de dados da morfologia dos bichos, de diferen\u00e7as em seus cantos (cruciais para o acasalamento e, por isso, diferentes de esp\u00e9cie para esp\u00e9cie) e at\u00e9 de seu DNA para concluir que um animal coletado \u00e9 de um tipo antes desconhecido.<\/p>\n<p>Em alguns casos, descobre-se que exemplares coletados h\u00e1 d\u00e9cadas e estocados em museus s\u00e3o, na verdade, de esp\u00e9cies diferentes.<\/p>\n<p>\u201cEssas esp\u00e9cies possuem princ\u00edpios bioativos na pele, que n\u00e3o foram bem estudados e que poder\u00e3o ter aplica\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de f\u00e1rmacos\u201d, diz o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>\u201cAssim, na perda dessa biodiversidade, poderemos estar perdendo tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de medicamentos para doen\u00e7as hoje incur\u00e1veis\u201d, conclui.<br \/>\n<em>(Fonte: Folha.com)<\/em><\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\"><\/script><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio de P\u00e1dua Almeida, do Projeto Tamar, nem tenta ser diplom\u00e1tico ao falar da regi\u00e3o onde ele e seus colegas identificaram duas novas esp\u00e9cies de anf\u00edbios. \u201cChamar a \u00e1rea de degradada \u00e9 pouco. 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