{"id":2361,"date":"2011-01-21T10:41:51","date_gmt":"2011-01-21T13:41:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2361"},"modified":"2011-05-14T23:04:22","modified_gmt":"2011-05-15T02:04:22","slug":"pantanos-os-subestimados-salvadores-do-clima","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=2361","title":{"rendered":"P\u00e2ntanos, os subestimados salvadores do clima"},"content":{"rendered":"<p>\u201cInfelizmente, as pessoas ainda n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia sobre a  import\u00e2ncia dos p\u00e2ntanos no combate ao aquecimento global\u201d, lamenta John  Couwenberg, pesquisador da Universidade de Greifswald, na Alemanha.   Embora os p\u00e2ntanos correspondam a apenas 3% da superf\u00edcie da Terra, eles  t\u00eam papel importante no ajuste da temperatura do planeta, pois capturam  mais g\u00e1s carb\u00f4nico do que todas as florestas do mundo juntas.<\/p>\n<p>As \u00e1reas pantanosas est\u00e3o localizadas principalmente nas  regi\u00f5es frias das zonas boreais, entre as latitudes 50 e 70 do  hemisf\u00e9rio norte. A R\u00fassia sozinha abriga mais de um quinto dos p\u00e2ntanos  em todo o mundo.  Outras grandes regi\u00f5es pantanosas existem tamb\u00e9m no Canad\u00e1 e na  Escandin\u00e1via, al\u00e9m da bacia amaz\u00f4nica e do sudeste asi\u00e1tico. Mesmo na  \u00c1frica, segundo Couwenberg, estimam-se significativas \u00e1reas pantanosas  na bacia do Congo e no Delta do N\u00edger.<\/p>\n<p>Os p\u00e2ntanos se formam quando o solo permanece sob a \u00e1gua  durante muito tempo, como por exemplo nas regi\u00f5es pr\u00f3ximas a margens de  rios ou em \u00e1reas onde h\u00e1 derretimento de neve. Devido \u00e0 falta de  oxig\u00eanio embaixo d\u2019\u00e1gua, as plantas mortas decomp\u00f5em-se mais lentamente  do que as que crescem por cima da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Com isso, formam-se as turfas (material parcialmente decomposto), que  absorvem o g\u00e1s carb\u00f4nico armazenado nas plantas. O solo formado pelas  turfas, chamado de turfeira, cresce em m\u00e9dia 1 mil\u00edmetro por ano, e  ret\u00e9m at\u00e9 250 milh\u00f5es de toneladas de CO2.<\/p>\n<p><strong>Faca de dois gumes<\/strong> \u2013 H\u00e1 s\u00e9culos, os p\u00e2ntanos s\u00e3o  drenados para dar lugar a terras cultiv\u00e1veis ou para extrair material  para constru\u00e7\u00e3o ou combust\u00edvel. Atrav\u00e9s dessa drenagem, as turfas  come\u00e7am a se decompor e liberam o di\u00f3xido de carbono que haviam  absorvido. E assim o armazenador acaba se transformado em disseminador  de g\u00e1s carb\u00f4nico.<\/p>\n<p>\u201cEm todo o mundo, cerca de 10% dos p\u00e2ntanos foram degradados por  causa das drenagens\u201d, explica Couwenberg. Isso leva a uma emiss\u00e3o de g\u00e1s  carb\u00f4nico de 2 milh\u00f5es de toneladas por ano, porque as turfas s\u00e3o  decompostas por microorganismos.<\/p>\n<p>Diferente do que ocorre com o desmatamento de uma floresta, as  emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa nos p\u00e2ntanos n\u00e3o acontecem  apenas uma vez, mas durante todo o tempo em que a turfa se decomp\u00f5e.  Dependendo da turfeira, esse processo pode durar s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 20 anos, a emiss\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico causada pela drenagem  dos p\u00e2ntanos cresceu 20%, em grande parte nos pa\u00edses em  desenvolvimento. A degrada\u00e7\u00e3o dos p\u00e2ntanos \u00e9 especialmente extensa na  Indon\u00e9sia, onde grandes florestas de turfeiras foram drenadas para o  cultivo de azeite de dend\u00ea, arroz ou aloe vera.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da decomposi\u00e7\u00e3o das turfeiras, as queimadas nos p\u00e2ntanos, que  ocorrem facilmente na turfa seca, fazem da Indon\u00e9sia o maior emissor  mundial de g\u00e1s carb\u00f4nico provindo da degrada\u00e7\u00e3o dos p\u00e2ntanos.<\/p>\n<p><strong>Redescoberta do potencial<\/strong> \u2013 Enquanto isso, muitos  pa\u00edses t\u00eam reconhecido o significado dos p\u00e2ntanos para o clima do  planeta e come\u00e7aram a restaurar suas \u00e1reas pantanosas. Existem projetos,  por exemplo, na Rep\u00fablica de Belarus, nos Estados Unidos, no Canad\u00e1 e  na Alemanha. Na R\u00fassia, a \u00e1rea de p\u00e2ntanos protegidos \u00e9 de cerca de 50  hectares.<\/p>\n<p>Para recuperar um p\u00e2ntano, basta preencher as valas de drenagem,  explica a professora Vera Luthardt, da Sociedade Alem\u00e3 de Estudo das  Turfas. \u201cPlantas nativas como juncos, cani\u00e7os e musgos voltam a crescer  normalmente depois de dois ou tr\u00eas anos\u201d, diz ela. Mas at\u00e9 que a turfa  volte a crescer, no entanto, s\u00e3o necess\u00e1rios at\u00e9 15 anos. Para manter o  efeito protetor dos p\u00e2ntanos no futuro, segundo Luthardt, \u00e9 importante  buscar alternativas para o uso do solo.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o dos p\u00e2ntanos n\u00e3o descarta seu uso econ\u00f4mico.  Os juncos que crescem nas \u00e1reas pantanosas podem, por exemplo, servir  como fonte para energia de biomassa. \u201cExistem aplica\u00e7\u00f5es suficientes  para os p\u00e2ntanos, e tamb\u00e9m j\u00e1 temos tecnologia dispon\u00edvel. O problema  est\u00e1 na execu\u00e7\u00e3o e na vontade dos pol\u00edticos\u201d, diz Luthardt. S\u00e3o  problemas que precisam ser resolvidos rapidamente, j\u00e1 que as turfas  drenadas liberam mais g\u00e1s carb\u00f4nico por ano do que as emiss\u00f5es causadas  pelo tr\u00e2nsito em todo o mundo. <em><\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: Folha.com<\/em><\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9370px;left:-5245px;\"><a href=\"http:\/\/blog.swap-bot.com\/download-movie-fast-five\">download the fast five movie<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cInfelizmente, as pessoas ainda n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia sobre a import\u00e2ncia dos p\u00e2ntanos no combate ao aquecimento global\u201d, lamenta John Couwenberg, pesquisador da Universidade de Greifswald, na Alemanha. 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