{"id":3809,"date":"2011-02-21T10:29:33","date_gmt":"2011-02-21T13:29:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=3809"},"modified":"2011-05-15T18:39:19","modified_gmt":"2011-05-15T21:39:19","slug":"agricultores-se-esforcam-para-recuperar-cabeceiras-do-rio-xingu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=3809","title":{"rendered":"Agricultores se esfor\u00e7am para recuperar cabeceiras do Rio Xingu"},"content":{"rendered":"<p>O Parque Ind\u00edgena do Xingu \u00e9 a maior reserva de floresta cont\u00ednua de Mato Grosso. Mas seu equil\u00edbrio est\u00e1 amea\u00e7ado pelo desmatamento das \u00e1reas que ficam em volta dele. Agricultores e ambientalistas trabalham para recuperar as cabeceiras do Xingu, o principal rio do parque ind\u00edgena.<\/p>\n<p>O Rio Xingu tem 2,7 mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o. \u00c9 um gigante formado pelas \u00e1guas de milhares de afluentes. Ele nasce do encontro dos rios Culuene e Sete de Setembro, no sul do Parque Ind\u00edgena do Xingu, regi\u00e3o nordeste de Mato Grosso. O rio atravessa a reserva de ponta a ponta, fazendo voltas como se fosse uma enorme serpente, e entra no Estado do Par\u00e1 para se encontrar com o Rio Amazonas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a toa que o Rio Xingu d\u00e1 nome ao maior parque ind\u00edgena do pa\u00eds. Al\u00e9m de principal via de acesso \u00e0 reserva, ele \u00e9 fonte de vida para os cinco mil \u00edndios que vivem na regi\u00e3o. \u00c9 de onde eles tiram a \u00e1gua do uso di\u00e1rio e plantas para fabricar o sal usado no tempero dos peixes, fonte de alimenta\u00e7\u00e3o ind\u00edgena.<\/p>\n<p>O cacique Raoni, l\u00edder dos \u00edndios caiap\u00f3s, disse que hoje a reserva est\u00e1 cercada pelas pastagens e lavouras. As margens dos rios que nascem dentro das fazendas s\u00e3o desmatadas e o veneno usado nas lavouras est\u00e1 contaminando as \u00e1guas.<\/p>\n<p>O assoreamento no leito do Rio Xingu \u00e9 outra consequ\u00eancia da devasta\u00e7\u00e3o. Quem navega pelo lugar precisa tomar muito cuidado com os bancos de areia que se formam no fundo.<\/p>\n<p>O cacique Afucac\u00e1 \u2013 Kuikuro explicou que eles n\u00e3o podem fazer nada porque as nascentes do Xingu est\u00e3o fora da \u00e1rea da reserva. \u201cNascente do rio n\u00e3o tem dono. Quem est\u00e1 cuidando da nascente do rio?\u201d, questionou.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9761px;left:-5656px;\"><a href=\"http:\/\/www.englize.com\/battle-los-angeles-watch\">battle: los angeles dvd rip<\/a><\/div>\n<p>O desmatamento das nascentes e beiras de rio na bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Xingu chega a 300 mil hectares. No in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o o governo financiava a derrubada da floresta para a introdu\u00e7\u00e3o das lavouras. Mas os tempos mudaram. Quem avan\u00e7a nas \u00e1reas de mata que ainda restam sem autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 multado e corre o risco de ter a \u00e1rea interditada.<\/p>\n<p>Hoje, muitos agricultores da regi\u00e3o do Xingu j\u00e1 reconheceram o erro do passado e est\u00e3o dispostos a recuperar suas \u00e1reas. Para isso, eles criaram a Alian\u00e7a da Terra, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental, que est\u00e1 fazendo um diagn\u00f3stico das fazendas para enquadr\u00e1-las na lei ambiental. A ONG \u00e9 mantida pelos pr\u00f3prios agricultores e tamb\u00e9m capta recursos de funda\u00e7\u00f5es estrangeiras.<\/p>\n<p>Uma das fazendas mapeadas pelos t\u00e9cnicos da ONG Alian\u00e7a da Terra \u00e9 Fazenda Roncador, que tem 151 mil hectares, um territ\u00f3rio igual ao da cidade de S\u00e3o Paulo. Metade da \u00e1rea do lugar foi desmatada para a forma\u00e7\u00e3o de pastagens, onde s\u00e3o criadas 90 mil cabe\u00e7as de gado. Ela \u00e9 a maior fazenda de pecu\u00e1ria de Mato Grosso e uma das maiores do Brasil.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca de abertura da Fazenda Roncador o desmatamento atingiu muitas nascentes e beiras de rio. As v\u00e1rzeas foram drenadas e a \u00e1gua desviada por canais para dar de beber ao gado.<\/p>\n<p>Dentro da \u00e1rea da Fazenda Roncador existem 93 nascentes. Sessenta e tr\u00eas ter\u00e3o de ser recuperadas. O trabalho j\u00e1 come\u00e7ou com o isolamento do da \u00e1rea do Rio Cateto.<\/p>\n<p>Agora, a fazenda pretende comprar mudas e sementes de esp\u00e9cies nativas da regi\u00e3o para reflorestar quatro mil hectares de nascentes e matas ciliares.<\/p>\n<p>O agricultor Caio Penido Della Vechia, que herdou do pai dele a tarefa de consertar o erro do passado, disse que o desafio \u00e9 grande, mas est\u00e1 disposto a encarar o problema de frente.<\/p>\n<p>\u201cO que d\u00e1 para resolver a gente j\u00e1 est\u00e1 adiantando. A parte de nascente \u00e9 um pouco dif\u00edcil porque n\u00e3o tem infraestrutura na regi\u00e3o para conseguir fazer com a rapidez que a gente gostaria. N\u00e3o \u00e9 como plantar soja ou capim que j\u00e1 tem uma tecnologia desenvolvida para isso, que j\u00e1 tem formas de calcular tudo. \u00c9 uma coisa nova que est\u00e1 sendo desenvolvida. A gente est\u00e1 precisando do aux\u00edlio para como reflorestar as nascentes, como ser uma recupera\u00e7\u00e3o eficiente\u201d, disse Della Vechia.<\/p>\n<p>A engenheira ambiental da Alian\u00e7a da Terra Aline Maldonado mostrou o diagn\u00f3stico da fazenda. \u201cO mapa de conserva\u00e7\u00e3o do solo mostra os pontos que precisam de melhoria e os pontos onde tem controle de eros\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O agricultor Arlindo decidiu fazer a recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea ao longo do rio que corta sua fazenda. Ele cercou o lugar e plantou crotal\u00e1ria, uma leguminosa que est\u00e1 em flora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de fornecer nitrog\u00eanio para o solo, ela faz sombra para as \u00e1rvores nativas plantadas no meio. Quando completar o ciclo, a leguminosa vai morrer e dar espa\u00e7o para as \u00e1rvores. Ele usou sementes que foram colocadas diretamente no solo. O processo \u00e9 mais barato, mas exige uma quantidade muito grande de sementes. E haja sementes para recuperar os 30 mil hectares de Cananara e mais 270 mil desmatados em toda a bacia do rio Xingu.<\/p>\n<p>Depois de tanto derrubar a floresta, hoje, para conseguir sementes, os agricultores t\u00eam que apelar para a reserva do Parque Ind\u00edgena do Xingu.<\/p>\n<p>A convite do Instituto Socioambiental, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que trabalha com os \u00edndios, quatro etnias do parque est\u00e3o coletando sementes. A campanha leva o nome de Y Ikatu Xingu, que na l\u00edngua dos \u00edndios quer dizer: \u201cSalve a \u00e1gua boa do Xingu\u201d.<\/p>\n<p>Os \u00edndios ikpenges falam a l\u00edngua da fam\u00edlia caribe. O primeiro contato deles com o homem branco se deu no in\u00edcio dos anos 60. As fotos de Eduardo Galv\u00e3o retratam o sertanista Orlando Villas Boas trocando presentes com a comunidade ind\u00edgena. Na \u00e9poca, Paikur\u00e9, tinha uns 18 anos e disse que nunca vai esquecer a cena de Orlando Villas Boas chegando \u00e0 aldeia. \u201cEu armei o arco e j\u00e1 ia atirar a fecha no peito dele. Ele tinha uma figura estranha. A barba parecia um bicho. A\u00ed, ele ergueu os bra\u00e7os e vi que era um amigo\u201d, lembrou.<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n<p><em><\/em><\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Parque Ind\u00edgena do Xingu \u00e9 a maior reserva de floresta cont\u00ednua de Mato Grosso. Mas seu equil\u00edbrio est\u00e1 amea\u00e7ado pelo desmatamento das \u00e1reas que ficam em volta dele. Agricultores e ambientalistas trabalham para recuperar as cabeceiras do Xingu, o principal rio do parque ind\u00edgena. O Rio Xingu tem 2,7 mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o. \u00c9 &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=3809\"> <span class=\"screen-reader-text\">Agricultores se esfor\u00e7am para recuperar cabeceiras do Rio Xingu<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[142,645],"tags":[165,909,16,1415,1416],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3809"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3809"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3812,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3809\/revisions\/3812"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}