{"id":4143,"date":"2011-03-04T10:47:52","date_gmt":"2011-03-04T13:47:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=4143"},"modified":"2011-03-04T10:47:52","modified_gmt":"2011-03-04T13:47:52","slug":"mulheres-indigenas-receberao-r-13-milhao-para-executar-projetos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=4143","title":{"rendered":"Mulheres ind\u00edgenas receber\u00e3o R$ 1,3 milh\u00e3o para executar projetos"},"content":{"rendered":"<p>Mulheres ind\u00edgenas de 26 comunidades do Pa\u00eds v\u00e3o receber R$ 1,3 milh\u00e3o para execu\u00e7\u00e3o de projetos voltados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 seguran\u00e7a alimentar. Dez j\u00e1 atenderam \u00e0s exig\u00eancias dos contratos a serem firmados entre a Carteira Ind\u00edgena, da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel (SEDR) do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, e as associa\u00e7\u00f5es contempladas pela chamada p\u00fablica direcionada a demandas exclusivamente femininas. Entre as propostas apresentadas, se destacam a produ\u00e7\u00e3o de ro\u00e7as org\u00e2nicas, de tecidos feitos com fibras naturais e a reprodu\u00e7\u00e3o de sementes que fazem parte de cultivos tradicionais.<\/p>\n<p>Ao noroeste do Mato Grosso, elas est\u00e3o organizadas na Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena das Mulheres Rikbaktsa, criada para resgatar atividades etno-culturais. O territ\u00f3rio onde moram abrange os munic\u00edpios de Brasnorte, Juara e Cotrigua\u00e7u. A associa\u00e7\u00e3o vai receber R$ 47 mil do MMA para a realiza\u00e7\u00e3o de oficinas em que ser\u00e3o ensinadas atividades tradicionais com risco de desaparecer, como artesanato, c\u00e2nticos e pinturas de corpo.<\/p>\n<p>Incentivar a cultura significa estimular a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, pois a iniciativa do MMA valoriza materiais da natureza necess\u00e1rios \u00e0 confec\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as de artesanato, bem como a utiliza\u00e7\u00e3o de plantas medicinais, que s\u00e3o abundantes somente com equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres s\u00e3o guardi\u00e3s das sementes, das ramas, das coisas\u201d, comenta a coordenadora da Carteira Ind\u00edgena, Lylia Galetti. Ela observa que, no pr\u00f3prio texto da chamada p\u00fablica, uma das justificativas \u00e9 que os projetos protagonizados por mulheres costumam ter melhores resultados. Nas comunidades Rikbaktsa ser\u00e3o beneficiadas 50 fam\u00edlias, em dez aldeias, nos pr\u00f3ximos dez meses, em parceria do MMA com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome.<\/p>\n<p>A Carteira Ind\u00edgena existe h\u00e1 oito anos e se prop\u00f5e a desenvolver a compet\u00eancia t\u00e9cnica de comunidades para apresenta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de projetos. Em novembro de 2010, a experi\u00eancia foi apresentada no M\u00e9xico, no F\u00f3rum Internacional \u201cA dimens\u00e3o de g\u00eanero nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a gest\u00e3o integral de riscos de desastres\u201d.<\/p>\n<p>Durante o encontro, Lylia Galetti destacou a crescente participa\u00e7\u00e3o feminina no movimento ind\u00edgena nacional e nos f\u00f3runs de pol\u00edticas p\u00fablicas indigenistas, \u201cfruto da mobiliza\u00e7\u00e3o pelo reconhecimento de g\u00eanero nesses espa\u00e7os pol\u00edticos\u201d. Ela enfatizou que os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre terras e povos ind\u00edgenas tendem a sobressair nos debates de suas organiza\u00e7\u00f5es, e que o di\u00e1logo com outros pa\u00edses deve ser estimulado.<\/p>\n<p><strong>Conhecimentos tradicionais<\/strong> \u2013 O conhecimento das Rikbaktsa \u00e9 importante para a conserva\u00e7\u00e3o de uma das por\u00e7\u00f5es mais significativas do Bioma Amaz\u00f4nico no Mato Grosso. Elas vivem em comunidades onde a natureza permite o extrativismo de castanha-do-Brasil, de \u00f3leos naturais, da coleta de sementes e da produ\u00e7\u00e3o de artesanato com fibras naturais, mas enfrentam dificuldades, especialmente devido \u00e0 perda significativa de seu territ\u00f3rio e amea\u00e7as de degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>As \u00edndias escolheram quatro mulheres que det\u00eam conhecimentos tradicionais do povo para ensinar aquelas que ainda n\u00e3o os possuem. Ser\u00e1 valorizado, por exemplo, o caminhar na mata para identificar locais onde h\u00e1 abund\u00e2ncia de \u00e1rvores, sementes e capins utilizados no artesanato. Elas v\u00e3o aprender a coletar corretamente esses materiais, para garantir a preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Tamb\u00e9m v\u00e3o aprender a entoar c\u00e2nticos t\u00edpicos enquanto fazem suas tarefas di\u00e1rias e a decifrar a rela\u00e7\u00e3o entre cada pintura corporal e as cerim\u00f4nias seculares.<\/p>\n<p><strong>Sementes<\/strong> \u2013 \u201cGrande parte dos projetos demonstram preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade da terra e o bem-estar da fam\u00edlia\u201d, afirma Val\u00e9ria Paye, do povo Kaxuyana, que vive na \u00e1rea do Parque Tumucumaque, no Amap\u00e1. Como representante ind\u00edgena no Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar, ela fez parte do Comit\u00ea Gestor da Carteira Ind\u00edgena no per\u00edodo em que foram selecionadas as propostas. \u201cEm muitos projetos, ficou evidente a preocupa\u00e7\u00e3o com as sementes. Em muitos lugares as sementes j\u00e1 se perderam, e elas falam que n\u00e3o adianta o que vem de fora, querem trabalhar com as suas pr\u00f3prias ro\u00e7as, com o que conhecem.\u201d<\/p>\n<p>O assunto tem sido preocupa\u00e7\u00e3o em todo o Pa\u00eds. Em setembro de 2010, a Carteira Ind\u00edgena, em parceria com a Embrapa, apoiou a 8\u00aa Feira de Sementes Tradicionais Krah\u00f4, que reuniu em Itacaj\u00e1 (TO) cerca de 2 mil \u00edndios, interessados especialmente em variedades de milho, para a troca de experi\u00eancia. E, em dezembro, os Pareci que haviam participado da feira do Krah\u00f4 realizaram sua pr\u00f3pria feira, apoiada pelo MMA, em Para\u00edso (MT).<\/p>\n<p><strong>Artesanato<\/strong> \u2013 Apesar da influ\u00eancia de culturas dominantes, os povos ind\u00edgenas preservam tra\u00e7os muito fortes da cultura de seus ancestrais. Os Guajajara demonstram isso por meio da arte da cestaria, das pinturas corporais e da produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as de algod\u00e3o, por exemplo. Habitantes do Maranh\u00e3o, eles totalizam mais de 20 mil pessoas. E os moradores da Aldeia Quieta v\u00e3o ampliar suas atividades com recursos do MMA.<\/p>\n<p>Na aldeia vivem 74 pessoas que sobrevivem da venda de artesanato, do cultivo de ro\u00e7as pr\u00f3prias e da coleta de frutos, al\u00e9m de recursos que recebem como benef\u00edcios governamentais (aposentadoria, Bolsa Fam\u00edlia). Com o projeto submetido ao MMA, os Guajajara querem, principalmente, fortalecer a posi\u00e7\u00e3o feminina na aldeia, por meio do est\u00edmulo \u00e0 atividade artesanal.<\/p>\n<p>Pelo projeto, o meio ambiente tamb\u00e9m ser\u00e1 beneficiado com o plantio de aproximadamente 80 esp\u00e9cies nativas e variedades de algod\u00e3o, trazendo de volta esp\u00e9cies raras e desaparecidas. Vale lembrar que, na Terra Ind\u00edgena Arariboia, que abrange todas as comunidades Guajajara, o meio ambiente tem sofrido graves problemas, como a explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, queimadas e degrada\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos. E, hoje, as mulheres precisam usar fios da ind\u00fastria para tecer seus produtos, porque grande parte do algod\u00e3o nativo n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p><strong>Execu\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 De 154 projetos recebidos pela Carteira Ind\u00edgena, 26 foram selecionados para receber recursos do MMA. A partir do momento em que as institui\u00e7\u00f5es que representam as mulheres ind\u00edgenas assinam os contratos com o minist\u00e9rio, os recursos devem ser gastos em um prazo m\u00e1ximo de 18 meses. Esse per\u00edodo, no entanto, varia de acordo com o cronograma espec\u00edfico de cada projeto.<\/p>\n<p><em>Fonte: MMA<\/em><\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres ind\u00edgenas de 26 comunidades do Pa\u00eds v\u00e3o receber R$ 1,3 milh\u00e3o para execu\u00e7\u00e3o de projetos voltados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 seguran\u00e7a alimentar. 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