{"id":4322,"date":"2011-03-15T11:03:38","date_gmt":"2011-03-15T14:03:38","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=4322"},"modified":"2011-05-17T21:57:07","modified_gmt":"2011-05-18T00:57:07","slug":"derretimento-do-gelo-no-artico-evidencia-problemas-do-clima-global","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=4322","title":{"rendered":"Derretimento do gelo no \u00c1rtico evidencia problemas do clima global"},"content":{"rendered":"<p>Os exploradores russos Daniel Gavrilov e Elena Soloveva est\u00e3o  orgulhosos do recorde mundial alcan\u00e7ado por eles e outros navegadores a  bordo do barco Peter 1\u00ba em 2010. Pela primeira vez, uma embarca\u00e7\u00e3o  conseguiu numa s\u00f3 temporada cruzar, sem a ajuda de quebra-gelos, tanto a  Passagem do Nordeste quanto a do Noroeste.<\/p>\n<p>\u201cTivemos sorte\u201d, diz Soloveva. \u201cO estado da cobertura de gelo tornou  isso poss\u00edvel\u201d, completa. Hoje est\u00e1 claro para ela que o recorde s\u00f3 foi  poss\u00edvel devido ao r\u00e1pido aquecimento do clima no \u00c1rtico. \u201cO gelo est\u00e1  derretendo na parte superior. O clima est\u00e1 mesmo mudando\u201d, diz Soloveva.<\/p>\n<p>O noruegu\u00eas Borge Ousland, que circunavegou o Polo Norte na mesma  \u00e9poca que Gavrilov e Soloveva, faz a mesma observa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 mais de 20  anos ele participa de expedi\u00e7\u00f5es pelo \u00c1rtico. \u201cNa minha primeira  expedi\u00e7\u00e3o no Polo Norte, em 1990, o gelo tinha de 3 a 4 metros de  espessura e havia se formado havia muitos anos\u201d, lembra o explorador, um  especialista na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso mudou consideravelmente nos \u00faltimos anos\u201d, diz. Em 2007,  Ousland examinou o gelo local numa expedi\u00e7\u00e3o patrocinada pelo Instituto  Polar Noruegu\u00eas. \u201cA espessura era de apenas 1,5 a 2 metros\u201d, completa.<\/p>\n<p>Com a sua circunavega\u00e7\u00e3o do Polo Norte, Ousland quis chamar a aten\u00e7\u00e3o  para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na regi\u00e3o. Para ele, n\u00fameros e resultados  s\u00e3o muito abstratos para o cidad\u00e3o comum, por isso sua ideia era expor  visualmente o que acontece com as geleiras e como isso influi no clima  global.<\/p>\n<p>O gelo flutuante funciona como um escudo. A superf\u00edcie branca reflete  a energia solar de volta para o espa\u00e7o. Se o gelo derrete, a superf\u00edcie  escura da \u00e1gua absorve essa energia, o que eleva as temperaturas da  \u00e1gua e do ar n\u00e3o apenas no \u00c1rtico, mas em todo o planeta.\u201d<\/p>\n<p><strong>Ponto cr\u00edtico no extremo norte<\/strong> \u2013 Segundo os  pesquisadores, os bancos de gelo no mar, ou banquisas, s\u00e3o um dos  diversos fatores que podem desestabilizar o clima da Terra. O \u00c1rtico n\u00e3o  deve ser visto como uma regi\u00e3o isolada, afirma o bi\u00f3logo marinho  espanhol Carlos Duarte, especialista em quest\u00f5es relacionadas \u00e0 regi\u00e3o.  Segundo ele, o \u00c1rtico deve ser acima de tudo visto como um ponto  central, onde se encontram tr\u00eas continentes e dois oceanos.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, as mudan\u00e7as que ocorrerem ali trar\u00e3o efeitos para todo o  sistema da Terra\u201d, explica Duarte, um dos coordenadores do projeto  Arctic Tipping Points, financiado pela Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10864px;left:-4708px;\"><a href=\"http:\/\/www.goldenplec.com\/download-online-psycho\">psycho download<\/a><\/div>\n<p>\u201cO \u00c1rtico controla em grandes propor\u00e7\u00f5es as mais importantes  correntes mar\u00edtimas da Terra; o gelo derretido modifica a temperatura e o  n\u00edvel de salinidade do mar; as geleiras da Groenl\u00e2ndia influenciam o  n\u00edvel do mar; e no \u00c1rtico s\u00e3o tamb\u00e9m armazenadas quantidades enormes de  gases estufa, como o metano, de relev\u00e2ncia global\u201d, completa o  especialista.<\/p>\n<p><strong>Bomba-rel\u00f3gio sob o gelo<\/strong> \u2013 Duarte e sua equipe de  pesquisadores calculam que em menos de dez anos o \u00c1rtico n\u00e3o ter\u00e1 mais  gelo no ver\u00e3o, sendo que esse tipo de evolu\u00e7\u00e3o poder\u00e1 desencadear outros  processos, j\u00e1 hoje apontados como sinais de alarme.<\/p>\n<p>O gelo continental na Groenl\u00e2ndia derreteu de maneira recorde,  apontam os resultados de pesquisas do ano de 2010. Caso n\u00e3o haja uma  redu\u00e7\u00e3o radical da emiss\u00e3o de CO2 at\u00e9 o ano de 2020, poder\u00e3o derreter  at\u00e9 60% do permafrost (solo formado por terra, rochas e gelo que  permanece congelado em toda a faixa do \u00c1rtico). Isso provocaria a  libera\u00e7\u00e3o de grandes quantidades de CO2 e metano, aquecendo ainda mais a  Terra.<\/p>\n<p>Duarte mostra-se especialmente preocupado com o risco de que um  aumento da temperatura da \u00e1gua possa, de s\u00fabito, liberar grandes  quantidades de metano congeladas no solo marinho sob o \u00c1rtico. \u201cSe isso  acontecesse, poderia ser liberada, em poucos anos, uma quantidade de  gases poluentes cinco vezes maior do que a liberada nos \u00faltimos 150  anos\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Inc\u00eandios nas turfas<\/strong> \u2013 Outro fator que ainda n\u00e3o  p\u00f4de ser considerado pelo Conselho Global do Clima \u00e9 o ressecamento das  superf\u00edcies de turfas no extremo norte do globo. Duarte v\u00ea os inc\u00eandios  nas turfas da R\u00fassia, em meados do \u00faltimo ano, como um sinal de alerta  de que tamb\u00e9m l\u00e1 podem estar sendo atingidos pontos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Inc\u00eandios que se alastraram por grandes superf\u00edcies em regi\u00f5es  desertas da R\u00fassia e do Canad\u00e1 s\u00f3 puderam ser debelados com dificuldade,  tendo liberado tamb\u00e9m mais gases estufa. H\u00e1 alguns anos, Vladimir Putin  afirmou que a R\u00fassia poderia ainda suportar um pouco mais de  aquecimento, lembra o especialista espanhol. Hoje, at\u00e9 mesmo as  lideran\u00e7as do pa\u00eds reconhecem que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas trazem mais  riscos do que se supunha.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais que necess\u00e1ria<\/strong> \u2013 Para Duarte,  est\u00e1 passando da hora de agir politicamente, a fim de reduzir as  emiss\u00f5es de CO2. Ele ressalta que as discuss\u00f5es sobre os primeiros  passos rumo a uma economia global, que gere menos poluentes, come\u00e7aram  tarde demais. \u201cAlgu\u00e9m tem que simplesmente fazer isso na esperan\u00e7a de  que outros o sigam\u201d, completa.<\/p>\n<p>O pesquisador alem\u00e3o Dirk Notz, do Instituto Max Planck de  Meteorologia, apela por uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais imediata: \u201cH\u00e1 20 anos, os  cientistas v\u00eam dando um sinal claro de que s\u00e3o necess\u00e1rias medidas  firmes\u201d, aponta o especialista. \u201cVoltamos quase ao mesmo ponto de 20  anos atr\u00e1s. Quando se tem, como cidad\u00e3o, interesse em manter nosso clima  pelo menos como ele est\u00e1 hoje, \u00e9 preciso que o setor pol\u00edtico fa\u00e7a algo  para, por exemplo, salvar o gelo no \u00c1rtico\u201d, completa Notz.<\/p>\n<p>O pesquisador, que passa boa parte de seu tempo no \u00c1rtico, v\u00ea as  mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na regi\u00e3o como um sinal de alerta para todo o  planeta. No \u00c1rtico, diz ele, o abstrato conceito de \u201cmudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d  tornou-se vis\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cAo observar como nessa regi\u00e3o da Terra t\u00e3o pouco povoada podem ser  desencadeados conflitos geopol\u00edticos devido \u00e0s riquezas naturais ali  estimadas, pode-se ter uma ideia do que poderia acontecer quando as  mudan\u00e7as clim\u00e1ticas chegarem a regi\u00f5es onde vive realmente muita gente. E  tamb\u00e9m do quanto essas mudan\u00e7as poder\u00e3o influenciar a vida das pessoas  que ali vivem. H\u00e1 dez anos, ningu\u00e9m teria previsto uma evolu\u00e7\u00e3o como  essa. <em><\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: Folha.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os exploradores russos Daniel Gavrilov e Elena Soloveva est\u00e3o orgulhosos do recorde mundial alcan\u00e7ado por eles e outros navegadores a bordo do barco Peter 1\u00ba em 2010. 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