{"id":4859,"date":"2011-04-08T10:59:02","date_gmt":"2011-04-08T13:59:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=4859"},"modified":"2011-05-18T08:32:29","modified_gmt":"2011-05-18T11:32:29","slug":"lixo-extraordinario","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=4859","title":{"rendered":"Lixo extraordin\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><span>Em Bor\u00e5s, na Su\u00e9cia, a maior parte dos res\u00edduos s\u00f3lidos gerados pela popula\u00e7\u00e3o de cerca de 64 mil habitantes \u00e9 reciclada, tratada biologicamente ou transformada em energia (biog\u00e1s), que abastece a maioria das casas, estabelecimentos comerciais e a frota de 59 \u00f4nibus que integram o sistema de transporte p\u00fablico da cidade.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o disso, o descarte de lixo no munic\u00edpio sueco \u00e9 quase nulo, e seu sistema de produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s se tornou um dos mais avan\u00e7ados da Europa.<\/p>\n<p>\u201cProduzimos 3 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de biog\u00e1s a partir de res\u00edduos s\u00f3lidos. Para atender \u00e0 demanda por energia, pesquisamos res\u00edduos que possam ser incinerados e importamos lixo de outros pa\u00edses para alimentar o gaseificador\u201d, disse o professor de biotecnologia da Universidade de Bor\u00e5s, Mohammad Taherzadeh, durante o encontro acad\u00eamico internacional \u201cRes\u00edduos s\u00f3lidos urbanos e seus impactos socioambientais\u201d, realizado em 30 de mar\u00e7o, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Promovido pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em parceria com a Universidade de Bor\u00e5s, o evento reuniu pesquisadores das duas universidades e especialistas na \u00e1rea para discutir desafios e solu\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos, com destaque para a experi\u00eancia da cidade sueca nesse sentido.<\/p>\n<p>De acordo com Taherzadeh, o modelo de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos adotado pela cidade, que integra comunidade, governo, universidade e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, come\u00e7ou a ser implementado a partir de meados de 1995 e ganhou maior impulso em 2002 com o estabelecimento de uma legisla\u00e7\u00e3o que baniu a exist\u00eancia de aterros sanit\u00e1rios nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Para atender \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, a cidade implantou um sistema de coleta seletiva de lixo em que os moradores separam os res\u00edduos em diferentes categorias e os descartam em coletores espalhados em diversos pontos na cidade.<\/p>\n<p>Dos pontos de coleta, os res\u00edduos seguem para uma usina onde s\u00e3o separados por um processo \u00f3tico e encaminhados para reciclagem, compostagem ou incinera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos o projeto em escala pequena, que talvez possa ser replicada em regi\u00f5es metropolitanas como a de S\u00e3o Paulo. Outras metr\u00f3poles mundiais, como Berlim e Estocolmo, obtiveram sucesso na elimina\u00e7\u00e3o de aterros sanit\u00e1rios. O Brasil poderia aprender com a experi\u00eancia europeia para desenvolver seu pr\u00f3prio modelo de gest\u00e3o de res\u00edduos\u201d, afirmou Taherzadeh.<\/p>\n<p><strong>Plano de gest\u00e3o<\/strong> \u2013 Em dezembro de 2010, foi regulamentado o Plano de Gest\u00e3o de Res\u00edduos S\u00f3lidos brasileiro, que estabelece a meta de erradicar os aterros sanit\u00e1rios no pa\u00eds at\u00e9 2015 e tipifica a gest\u00e3o inadequada de res\u00edduos s\u00f3lidos como crime ambiental.<\/p>\n<p>Com a promulga\u00e7\u00e3o da lei, os especialistas presentes no evento esperam que o Brasil d\u00ea um salto em quest\u00f5es como a compostagem e a coleta seletiva do lixo, ainda muito incipiente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com a \u00faltima Pesquisa Nacional de Saneamento B\u00e1sico (PNSB), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), apenas 18% dos 5.565 munic\u00edpios brasileiros t\u00eam programas de coleta seletiva de lixo. Mas n\u00e3o se sabe exatamente o percentual da coleta seletiva de lixo em cada um desses munic\u00edpios.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que a coleta seletiva de lixo nesses munic\u00edpios n\u00e3o atinja 3% porque, em muitos casos, s\u00e3o programas pontuais realizados em escolas ou pontos de entrega volunt\u00e1ria, que n\u00e3o funcionam efetivamente e que s\u00e3o interrompidos quando h\u00e1 mudan\u00e7as no governo municipal\u201d, avaliou Gina Rizpah Besen, que defendeu uma tese de doutorado sobre esse tema na Faculdade de Sa\u00fade Publica da USP em fevereiro.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, que \u00e9 respons\u00e1vel por mais de 50% do total de res\u00edduos s\u00f3lidos gerados no estado e por quase 10% do lixo produzido no pa\u00eds, estima-se que o percentual de coleta seletiva e reciclagem do lixo seja de apenas 1,1%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um absurdo que a cidade mais importante e rica do Brasil tenha um percentual de coleta seletiva de lixo e reciclagem t\u00e3o \u00ednfimo. Isso se deve a um modelo de gest\u00e3o baseado na ideia de tratar os res\u00edduos como mercadoria, como um campo de produ\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, em que o mais importante \u00e9 que as empresas que trabalham com lixo ganhem dinheiro. Se tiver reciclagem, ter\u00e1 menos lixo e menor ser\u00e1 o lucro das empresas\u201d, disse Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.<\/p>\n<p>Nesse sentido, para Raquel, que \u00e9 relatora da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre direitos humanos de moradia adequada, a quest\u00e3o do tratamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos no Brasil n\u00e3o \u00e9 de natureza tecnol\u00f3gica ou financeira, mas uma quest\u00e3o de op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s ter\u00edamos, claramente, condi\u00e7\u00f5es de realizar a reciclagem e reaproveitamento do lixo, mas n\u00e3o estamos fazendo isso por incapacidade t\u00e9cnica ou de gest\u00e3o e sim por uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que prefere tratar o lixo como uma fonte de neg\u00f3cios\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, apesar de estar claro que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel viver, em escala global, com uma quantidade de produtos t\u00e3o gigantesca como a que a humanidade est\u00e1 consumindo atualmente, as pol\u00edticas de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos no Brasil n\u00e3o tratam da redu\u00e7\u00e3o do consumo.<\/p>\n<p>\u201cO modelo de redu\u00e7\u00e3o da pobreza adotado pelo Brasil hoje \u00e9 por meio da expans\u00e3o da capacidade de consumo, ou seja: integrar a popula\u00e7\u00e3o ao mercado para que elas possam cada vez mais comprar objetos. E como esses objetos ser\u00e3o tratados depois de descartados n\u00e3o \u00e9 visto como um problema, mas como um campo de gera\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Raquel, os chamados produtos verdes ou reciclados, que surgiram como alternativas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, agravaram a situa\u00e7\u00e3o na medida em que se tornaram novas categorias de produtos que se somam \u00e0s outras. \u201cS\u00e3o mais produtos para ir para o lixo\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Incinera\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 Uma das alternativas tecnol\u00f3gicas para diminuir o volume de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos apresentada pelos participantes do evento foi a incinera\u00e7\u00e3o em gaseificadores para transform\u00e1-los em energia, como \u00e9 feito em Bor\u00e5s.<\/p>\n<p>No Brasil, a tecnologia sofre resist\u00eancia porque as primeiras plantas de incinera\u00e7\u00e3o instaladas em estados como de S\u00e3o Paulo apresentaram problemas, entre os quais a produ\u00e7\u00e3o de compostos perigosos como as dioxinas, al\u00e9m de gases de efeito estufa.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9817px;left:-4710px;\"><a href=\"http:\/\/www.absurdintellectual.com\/full-movie-black-swan\">downloads black swan<\/a><\/div>\n<p>Entretanto, de acordo com Jos\u00e9 Goldemberg, professor do Instituto de Eletrot\u00e9cnica e Energia da USP, grande parte desses problemas t\u00e9cnicos j\u00e1 foi resolvida.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o se sabia tratar e manipular o material org\u00e2nico dos res\u00edduos s\u00f3lidos para transform\u00e1-lo em combust\u00edvel f\u00f3ssil. Mas, hoje, essa tecnologia j\u00e1 est\u00e1 bem desenvolvida e poderia ser utilizada para transformar a mat\u00e9ria org\u00e2nica do lixo brasileiro, que \u00e9 maior do que em outros pa\u00edses, em energia renov\u00e1vel e alternativa ao petr\u00f3leo\u201d, destacou.<\/p>\n<p><em>Fonte: Elton Alisson\/ Ag\u00eancia Fapesp<\/em><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Bor\u00e5s, na Su\u00e9cia, a maior parte dos res\u00edduos s\u00f3lidos gerados pela popula\u00e7\u00e3o de cerca de 64 mil habitantes \u00e9 reciclada, tratada biologicamente ou transformada em energia (biog\u00e1s), que abastece a maioria das casas, estabelecimentos comerciais e a frota de 59 \u00f4nibus que integram o sistema de transporte p\u00fablico da cidade. 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