{"id":4974,"date":"2011-04-19T09:47:01","date_gmt":"2011-04-19T12:47:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=4974"},"modified":"2011-04-19T09:47:01","modified_gmt":"2011-04-19T12:47:01","slug":"o-custo-de-belo-monte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=4974","title":{"rendered":"O custo de Belo Monte"},"content":{"rendered":"<p><span>Artigo de Fel\u00edcio Pontes Jr* no jornal O Globo nesta segunda-feira (18).<br \/>\nA tecnologia para explora\u00e7\u00e3o da energia solar sempre foi apresentada como de alto custo, bastante superior aos de outras fontes de energia. Por isso, um pa\u00eds como o Brasil, privilegiado pela alta incid\u00eancia de insola\u00e7\u00e3o em seu territ\u00f3rio, deixou de investir na<\/p>\n<p>tecnologia solar em favor de outras fontes, principalmente a h\u00eddrica, respons\u00e1vel hoje pela gera\u00e7\u00e3o de mais de 70% da energia no Pa\u00eds. No entanto, esse argumento, o dos altos custos, n\u00e3o se justifica mais.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, dois projetos desenvolvidos na Calif\u00f3rnia de aproveitamento da energia t\u00e9rmica utilizando espelhos para a concentra\u00e7\u00e3o de calor, Ivanpah e Blythe, provam que os custos dessa tecnologia j\u00e1 s\u00e3o bastante menores. O projeto Ivanpah, da empresa Brightsource, dobra a produ\u00e7\u00e3o de energia solar no pa\u00eds. \u00c9 prevista a gera\u00e7\u00e3o de 370 MW de energia firme. S\u00e3o tr\u00eas usinas que, no total, ter\u00e3o um custo de R$ 3,4 bilh\u00f5es. J\u00e1 o projeto Blythe, das empresas Chevron e Solar Millennium, pretende produzir 960 MW ao custo de R$ 9,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Se multiplic\u00e1ssemos o custo para gera\u00e7\u00e3o de um megawatt nesses dois projetos de matriz solar por 4 mil megawatts m\u00e9dios &#8211; a quantidade, sendo otimista, de gera\u00e7\u00e3o de energia prevista no projeto hidrel\u00e9trico de Belo Monte &#8211; ter\u00edamos um total de R$ 38 bilh\u00f5es, no caso de Ivanpah, e de R$ 36,7 bilh\u00f5es, se utilizarmos os valores relativos a Blythe.<\/p>\n<p>Na primeira a\u00e7\u00e3o judicial contra Belo Monte, proposta em 2001, o governo dizia que a usina custaria R$ 10,4 bilh\u00f5es. Ao pedir empr\u00e9stimo ao BNDES, em 2011, o cons\u00f3rcio de empresas para fazer Belo Monte solicitou R$ 25 bilh\u00f5es, o que representaria em torno de 80% dos custos. Logo, o custo oficial seria de R$ 31,2 bilh\u00f5es. Nesse custo n\u00e3o est\u00e3o previstos o valor do desmatamento que pode atingir 5,3 mil km\u00b2 de floresta (segundo o pr\u00f3prio cons\u00f3rcio), o valor de 100 km de leito do Xingu que praticamente ficar\u00e1 seco, a indeniza\u00e7\u00e3o a povos ind\u00edgenas e ribeirinhos localizados nesse trecho, todos os bairros de Altamira que est\u00e3o abaixo da cota 100 e, portanto, ser\u00e3o inundados&#8230; s\u00f3 para mostrar alguns exemplos.<\/p>\n<p>Os custos finais de Belo Monte ainda s\u00e3o incertos, gra\u00e7as ao descumprimento das leis do licenciamento ambiental em v\u00e1rios momentos. Conforme apontou o relat\u00f3rio de an\u00e1lise de riscos feito por especialistas e intitulado &#8220;Megaprojeto, Megarriscos&#8221;, Belo Monte tem elevados riscos associados a incertezas sobre a estrutura de custos de constru\u00e7\u00e3o do empreendimento, referentes a fatores geol\u00f3gicos e topol\u00f3gicos, de engenharia e de instabilidade em valores de mercado. Tem elevados riscos financeiros relacionados \u00e0 capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, que \u00e9 muito inferior \u00e0 capacidade instalada. E tem riscos associados \u00e0 capacidade do empreendedor de atender obriga\u00e7\u00f5es legais de investir em a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o de impactos sociais e ambientais do empreendimento.<\/p>\n<p>Assim, computando-se todos os custos socioambientais que normalmente est\u00e3o fora do or\u00e7amento das hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia (vide Tucuru\u00ed, Jirau, Santo Ant\u00f4nio e Balbina) e mais os incertos custos da pr\u00f3pria obra (como escava\u00e7\u00f5es), pode-se afirmar que o valor da energia solar j\u00e1 \u00e9 competitivo com o de Belo Monte. Se n\u00e3o fosse, algumas das maiores empresas do mundo n\u00e3o estariam nessa \u00e1rea. O Grupo EBX investe na primeira usina solar comercial do Pa\u00eds, no Cear\u00e1, a MPX Solar, com 4,4 mil pain\u00e9is fotovoltaicos e capacidade de abastecer 1.500 resid\u00eancias. E a Google investe US$ 168 milh\u00f5es no projeto Ivanpah.<\/p>\n<p>Mas, enquanto pa\u00edses de clima temperado e com territ\u00f3rios muito menores, como a Alemanha e a Espanha, produzem mais energia a partir do sol do que o Brasil, aqui o governo prefere impor um modelo ultrapassado. E que agora n\u00e3o tem mais a vantagem de ser mais barato.<\/p>\n<p>Em Belo Monte, senhores investidores, tenham certeza de que todos esses custos socioambientais ser\u00e3o cobrados se a barragem vier a ser constru\u00edda.<\/p>\n<p>*Procurador da Rep\u00fablica no Par\u00e1.<\/p>\n<p><em>Fonte: O Globo<\/em><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Fel\u00edcio Pontes Jr* no jornal O Globo nesta segunda-feira (18). 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