{"id":5023,"date":"2011-04-26T11:35:31","date_gmt":"2011-04-26T14:35:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=5023"},"modified":"2011-04-26T11:35:31","modified_gmt":"2011-04-26T14:35:31","slug":"em-nome-da-flora-nativa-reservas-se-rendem-a-agrotoxico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=5023","title":{"rendered":"Em nome da flora nativa, reservas se rendem a agrot\u00f3xico"},"content":{"rendered":"<p><span>Amea\u00e7adas por pragas, reservas ecol\u00f3gicas no pa\u00eds est\u00e3o fazendo testes com agrot\u00f3xicos com o objetivo de garantir a sobreviv\u00eancia de esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 combater plantas ex\u00f3ticas e invasoras, como a braqui\u00e1ria, um tipo de capim usado em \u00e1reas de cria\u00e7\u00e3o de gado que amea\u00e7a o crescimento de outros vegetais.<\/p>\n<p>O estudo mais recente ocorre no Parque Nacional das Emas, em Goi\u00e1s. A unidade, com \u00e1rea equivalente a 132 mil campos de futebol, registra a presen\u00e7a de cinco esp\u00e9cies de plantas invasoras.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o grave, j\u00e1 que as esp\u00e9cies ex\u00f3ticas amea\u00e7am a diversidade\u201d, afirma o diretor do parque, Marcos Cunha.<\/p>\n<p>As primeiras aplica\u00e7\u00f5es de glifosato, ainda em n\u00edvel experimental, come\u00e7aram neste m\u00eas, depois de tentativas com v\u00e1rias outras t\u00e9cnicas, sem sucesso.<\/p>\n<p>O contato com o produto, por\u00e9m, ainda est\u00e1 restrito ao entorno do parque. \u201cEstamos analisando os resultados para depois utilizar no interior, se necess\u00e1rio\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Autoriza\u00e7\u00e3o <\/strong>&#8211; A iniciativa, ainda t\u00edmida no Brasil, j\u00e1 \u00e9 aplicada em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A Monsanto, uma das maiores fabricantes mundiais de herbicida, doa glifosato desde 2005 \u00e0 reserva ecol\u00f3gica de Gal\u00e1pagos, arquip\u00e9lago equatoriano onde Charles Darwin (1809-1882) fez parte de seus estudos.<\/p>\n<p>No Brasil, outras unidades federais de conserva\u00e7\u00e3o que fazem pesquisas semelhantes s\u00e3o a Floresta Nacional de Bom Futuro, em Rond\u00f4nia, e os parques Aparados da Serra e da Serra Geral, na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>\u201cSimplesmente cortar [o capim] n\u00e3o resolve\u201d, diz o chefe do parque de Aparados da Serra, Deonir Zimmerman, que luta contra a braqui\u00e1ria h\u00e1 12 anos.<\/p>\n<p>Reservas estaduais do Paran\u00e1, Santa Catarina e Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m possuem estudos avan\u00e7ados com herbicidas para o combate de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, segundo a ONG Instituto H\u00f3rus, que participa de projetos nesses locais.<\/p>\n<p>Uma portaria do Ibama de maio de 2010 autoriza pesquisas com at\u00e9 tr\u00eas tipos de agrot\u00f3xicos em florestas nativas, desde que estejam em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia \u2013e com possibilidade de cancelar a autoriza\u00e7\u00e3o em caso de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em muitas unidades nacionais, no entanto, segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes), o plano de manejo sequer considera o uso desses herbicidas.<\/p>\n<p>Silvia Ziller, do Instituto H\u00f3rus, afirma que os produtos s\u00e3o uma alternativa mais barata, eficiente e com menor impacto ambiental do que deixar esp\u00e9cies como a braqui\u00e1ria se propagarem.<\/p>\n<p>O maior problema, segundo ela, \u00e9 o risco de inc\u00eandio agravado pelo capim. \u201cSe antes o cerrado pegava fogo a cada cinco anos, agora isso acontece em todos eles\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Divis\u00e3o<\/strong> \u2013 A ideia de mudar aplicar agrot\u00f3xicos em parques do pa\u00eds ainda provoca desconfian\u00e7a entre ambientalistas e pesquisadores.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios diretores das reservas reconhecem que o produto pode sim afetar as esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p>Em 2007, uma pesquisa da USP mostrou que um agrot\u00f3xico aplicado nas cerca de 40 lavouras do entorno do Parque das Emas contaminava aves amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma liminar chegou a suspender em 2008 o uso de alguns agrot\u00f3xicos em uma faixa de at\u00e9 2 km ao redor do parque. A decis\u00e3o, no entanto, referia-se aos tipos mais t\u00f3xicos dos produtos, como inseticidas, e foi suspensa meses depois.<\/p>\n<p>O pesquisador Sady Valdes, respons\u00e1vel pelo estudo na \u00e9poca, diz que a aplica\u00e7\u00e3o de herbicidas pode at\u00e9 \u201cmudar a paisagem do cerrado\u201d.<\/p>\n<p>Para a engenheira agr\u00f4noma Ana Maria Junqueira, que estuda m\u00e9todos alternativos aos agrot\u00f3xicos, produtos como herbicidas trazem riscos de contamina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ao ser humano.<\/p>\n<p>Segundo ela, uma alternativa pode ser a aplica\u00e7\u00e3o t\u00f3pica, em que o produto \u00e9 usado apenas no local onde h\u00e1 a amea\u00e7a. Mesmo assim, ela diz que os \u00f3rg\u00e3os ambientais precisam ficar atentos para, a partir disso, n\u00e3o perder o controle sobre o uso desses produtos.<\/p>\n<p><em>Fonte: Nat\u00e1lia Cancian\/ Folha.com<\/em><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amea\u00e7adas por pragas, reservas ecol\u00f3gicas no pa\u00eds est\u00e3o fazendo testes com agrot\u00f3xicos com o objetivo de garantir a sobreviv\u00eancia de esp\u00e9cies nativas. A ideia \u00e9 combater plantas ex\u00f3ticas e invasoras, como a braqui\u00e1ria, um tipo de capim usado em \u00e1reas de cria\u00e7\u00e3o de gado que amea\u00e7a o crescimento de outros vegetais. 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