{"id":5114,"date":"2011-05-04T09:48:45","date_gmt":"2011-05-04T12:48:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=5114"},"modified":"2011-05-04T09:48:45","modified_gmt":"2011-05-04T12:48:45","slug":"seria-bom-ter-embriao-que-revelasse-a-diversidade-brasileira%e2%80%99-diz-cientista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=5114","title":{"rendered":"Seria bom ter embri\u00e3o que revelasse a diversidade brasileira\u2019, diz cientista"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas anos ap\u00f3s o an\u00fancio da cria\u00e7\u00e3o da primeira s\u00e9rie de c\u00e9lulas-tronco com origem em embri\u00f5es no Brasil, um artigo publicado nesta segunda-feira (2) na revista cient\u00edfica \u201cCell Transplantation\u201d mostra que a linhagem n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds para a realiza\u00e7\u00e3o de terapias.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o das primeiras c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias em solo nacional foi divulgada em 2008.<\/p>\n<p>\u201cA publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre esse feito s\u00f3 saiu agora\u201d, afirma Lygia Pereira, geneticista e professora do departamento de Gen\u00e9tica e Biologia Evolutiva da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) ao G1.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o primeiro artigo sobre c\u00e9lulas embrion\u00e1rias feitas aqui. Isso p\u00f5e a gente no mapa. Come\u00e7amos a aparecer no radar da comunidade cient\u00edfica internacional como uma na\u00e7\u00e3o capaz de gerar c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias.\u201d<\/p>\n<p>Mas a aplica\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie que ficou conhecida como \u201cBR-1? nos habitantes do Brasil esbarraria na possibilidade de rejei\u00e7\u00e3o, do corpo do pacientes, das c\u00e9lulas transplantadas.<\/p>\n<p>\u201cQuando n\u00f3s comparamos as c\u00e9lulas da \u2018BR-1? com um perfil gen\u00e9tico da popula\u00e7\u00e3o brasileira, para nossa surpresa, vimos que ela n\u00e3o era compat\u00edvel com ningu\u00e9m\u201d, explica a pesquisadora, autora principal do artigo. Ao rastrear a origem do material usado para gerar as c\u00e9lulas, a equipe coordenada por Lygia descobriu que 98% era de origem europeia.<\/p>\n<p>\u201cPelos dados do IBGE sobre a distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, provavelmente a \u2018BR-1\u2019 representa um padr\u00e3o mais caucasiano, herdado de um universo de pessoas com maior poder aquisitivo\u201d, afirma a cientista.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostrou como pode ser dif\u00edcil dar conta da compatibilidade de um pa\u00eds t\u00e3o diverso como o Brasil. Comparando outras 22 linhagens de c\u00e9lulas embrion\u00e1rias geradas em outros pa\u00edses, apenas 0,011% dos habitantes brasileiros seriam aptos a receber terapias (aproximadamente 21 mil pessoas).<\/p>\n<p><strong>Primeiros passos<\/strong> \u2013 O Brasil \u00e9 o 18\u00ba pa\u00eds a publicar um estudo relatando o cultivo de c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias em territ\u00f3rio nacional. \u201cN\u00f3s quer\u00edamos ter autonomia para fazer terapia celular do come\u00e7o ao fim\u201d, afirma Lygia.<\/p>\n<p>\u201cDesde gerar a c\u00e9lula embrion\u00e1ria at\u00e9, eventualmente, transform\u00e1-la em um neur\u00f4nio e aplic\u00e1-la, por exemplo, em um paciente com Parkinson.\u201d<\/p>\n<p>Para testar a hip\u00f3tese de que c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias colhidas no Brasil seriam mais compat\u00edveis com os habitantes daqui, os cientistas do artigo realizaram um teste conhecido como HLA (sigla em ingl\u00eas para \u201cAnt\u00edgenos de Leuc\u00f3citos Humanos\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), comum para ver o risco de rejei\u00e7\u00e3o em transplantes convencionais.<\/p>\n<p>\u201cEsses primeiros estudos ser\u00e3o fundamentais para testar a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias\u201d, diz a cientista.<\/p>\n<p><strong>Melhores embri\u00f5es<\/strong> \u2013 Para a cientista, o material usado durante a pesquisa n\u00e3o \u00e9 fiel \u00e0 variedade de etnias existente no Brasil, j\u00e1 que apenas uma parcela privilegiada da popula\u00e7\u00e3o tem acesso \u00e0s cl\u00ednicas privadas de fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro.<\/p>\n<p>\u201cA Lei de Biosseguran\u00e7a deixa a gente usar esses embri\u00f5es congelados nas cl\u00ednicas de reprodu\u00e7\u00e3o humana. Mas, em geral, as cl\u00ednicas privadas s\u00e3o as \u00fanicas que congelam embri\u00e3o. As p\u00fablicas n\u00e3o geram embri\u00f5es extras, n\u00e3o congelam esse material\u201d, explica Lygia.<\/p>\n<p>\u201cComo s\u00e3o procedimentos caros, n\u00f3s discutimos no artigo qual fra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira pode contar com as cl\u00ednicas privadas de fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro. Seria interessante ter acesso a embri\u00f5es que representem mais a diversidade \u00e9tnica brasileira.\u201d<\/p>\n<p><strong>Alternativas<\/strong> \u2013 Uma sa\u00edda para a falta de compatibilidade seria o fornecimento, por parte de hospitais e cl\u00ednicas p\u00fablicas, de material embrion\u00e1rio de acordo com as regras impostas pela Lei de Biosseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o seria o uso de c\u00e9lulas induzidas a pluripot\u00eancia (iPS, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 c\u00e9lulas adultas que s\u00e3o \u201cregredidas\u201d a um est\u00e1gio no qual elas podem se transformar em outras do corpo como card\u00edacas e neurais.<\/p>\n<p>\u201cSe um dia n\u00f3s conseguirmos provar que as iPS s\u00e3o equivalentes \u00e0s embrion\u00e1rias, seria poss\u00edvel realizar estudos com uma amostragem realmente fiel da popula\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, diz a geneticista da USP.<\/p>\n<p>Mas esta t\u00e9cnica tamb\u00e9m traz risco, segundo o artigo, pois requer a manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, o que poderia trazer risco de tumores e de rejei\u00e7\u00e3o durante a aplica\u00e7\u00e3o em pacientes.<\/p>\n<p><em>Fonte: M\u00e1rio Barra\/ G1<\/em><\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas anos ap\u00f3s o an\u00fancio da cria\u00e7\u00e3o da primeira s\u00e9rie de c\u00e9lulas-tronco com origem em embri\u00f5es no Brasil, um artigo publicado nesta segunda-feira (2) na revista cient\u00edfica \u201cCell Transplantation\u201d mostra que a linhagem n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds para a realiza\u00e7\u00e3o de terapias. 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