{"id":6287,"date":"2011-05-18T15:53:39","date_gmt":"2011-05-18T18:53:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6287"},"modified":"2011-05-18T15:53:39","modified_gmt":"2011-05-18T18:53:39","slug":"plastico-verde-usa-sobra-vegetal-da-industria-canavieira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6287","title":{"rendered":"Pl\u00e1stico &#8220;verde&#8221; usa sobra vegetal da ind\u00fastria canavieira"},"content":{"rendered":"<p>Cada vez mais, s\u00e3o desenvolvidas variedades de pl\u00e1stico feitas de mat\u00e9ria-prima renov\u00e1vel. No Brasil, o aproveitamento de sobras vegetais da ind\u00fastria canavieira pode gerar uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quase j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar o nosso mundo sem pl\u00e1stico. At\u00e9 mesmo quando se trata de conserva\u00e7\u00e3o ambiental, essa esp\u00e9cie de &#8220;mat\u00e9ria-prima da vida moderna&#8221; tamb\u00e9m possui um papel importante. Por motivos bastante \u00f3bvios: o pl\u00e1stico convencional prov\u00e9m, em sua maioria, do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>De todos os estoques mundiais do \u00f3leo bruto, cerca de 4% s\u00e3o destinadas \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o do produto. Durante o processo industrial, s\u00e3o liberados na atmosfera seis quilos de CO2 para cada quilograma de pl\u00e1stico produzido. Considerando ainda o ritmo acelerado com o qual as reservas naturais de petr\u00f3leo est\u00e3o se extinguindo, logo se conclui o porqu\u00ea das alternativas sustent\u00e1veis ao pl\u00e1stico terem sido t\u00e3o bem-sucedidas nos \u00faltimos anos \u2013 especialmente na ind\u00fastria de embalagens.<\/p>\n<p>O pl\u00e1stico &#8220;verde&#8221; \u2013 ou o biopl\u00e1stico \u2013 \u00e9 composto geralmente por plantas como a cana-de-a\u00e7\u00facar, o trigo, o milho ou a batata, mas tamb\u00e9m por \u00f3leo vegetal. Dificilmente pode-se encontrar algum produto dom\u00e9stico para o qual ainda n\u00e3o haja ou esteja sendo desenvolvida uma alternativa em biopl\u00e1stico. As aplica\u00e7\u00f5es do material incluem desde estruturas para celular e talheres descart\u00e1veis at\u00e9 sacolas de supermercado e vasos de flores, passando por sapatos e fraldas.<\/p>\n<p>Para os especialistas, esse \u00e9 apenas um elemento da crescente demanda por produtos sustent\u00e1veis, causada pela explos\u00e3o no mercado de alimentos org\u00e2nicos nos \u00faltimos anos. &#8220;Hoje \u00e9 bem melhor ter uma imagem &#8216;ecol\u00f3gica&#8217; do que uma convencional. E as empresas tiram proveito disso&#8221;, analisa Norbert Voell, representante da Duales System GmbH \u2013 sociedade respons\u00e1vel pelo Ponto Verde, sistema de reciclagem de lixo na Alemanha. &#8220;Evidentemente, \u00e9 melhor saber que os legumes org\u00e2nicos que se compra no supermercado v\u00eam embalados de forma ecol\u00f3gica do que no saco pl\u00e1stico convencional&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Grandes neg\u00f3cios<\/strong><\/p>\n<p>A tend\u00eancia despertou rea\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nas empresas respons\u00e1veis pelo produto tradicional, feito de petr\u00f3leo \u2013 al\u00e9m de um investimento multimilion\u00e1rio em pesquisas e m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o &#8220;verdes&#8221;. O grupo de gigantes globais desse ramo inclui, entre outros, a corpora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola estadunidense Cargill, a empresa italiana Novamont e a companhia qu\u00edmica alem\u00e3 BASF.<\/p>\n<p>Materiais pl\u00e1sticos biodegrad\u00e1veis como o poliactide, derivado de milho, j\u00e1 est\u00e3o em uso em algumas das maiores redes de supermercados e multinacionais da ind\u00fastria aliment\u00edcia, tais quais o Wal-Mart ou a Coca-Cola.<\/p>\n<p>O pl\u00e1stico &#8220;verde&#8221; \u00e9 respons\u00e1vel ainda por grandes neg\u00f3cios em solo brasileiro. No pa\u00eds, l\u00edder mundial na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, a empresa petroqu\u00edmica Braskem utiliza a crescente ind\u00fastria nacional de etanol canavieiro para produzir o biopl\u00e1stico.<\/p>\n<p><strong>Do baga\u00e7o ao ecologicamente correto<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, questionamentos foram levantados quanto \u00e0 nova alternativa. Um deles discute se a sua produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o ir\u00e1 promover o desmatamento ou estancar as planta\u00e7\u00f5es de alimentos, assim como supostamente teria acontecido com o biocombust\u00edvel. &#8220;Os argumentos apresentados quando se trata de biopl\u00e1stico s\u00e3o parecidos com os relativos ao \u00f3leo de dend\u00ea&#8221;, aponta Voell, se referindo ao sul da \u00c1sia, onde enormes \u00e1reas florestais s\u00e3o erradicadas a cada ano para dar lugar a lucrativas lavouras de palmas.<\/p>\n<p>A fim de reagir \u00e0s cr\u00edticas, pequenos projetos procuram sair do padr\u00e3o e, ainda assim, integrar a explos\u00e3o da ind\u00fastria canavieira. Um deles, concebido numa parceria entre Brasil e Alemanha, no Senai Climatec de Salvador (BA), produz pl\u00e1stico a partir dos restos da cana-de-a\u00e7\u00facar, que s\u00e3o descartados pelas f\u00e1bricas de etanol da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os chamados &#8220;baga\u00e7os&#8221; costumam ser queimados, resultando em grandes emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono na atmosfera. O objetivo \u00e9 transformar o produto reciclado no futuro pl\u00e1stico convencional e, com isso, sobrepor outro grande setor econ\u00f4mico do pa\u00eds: a ind\u00fastria automotiva.<\/p>\n<p><strong>Mercado ainda pequeno<\/strong><\/p>\n<p>O avan\u00e7o comercial do pl\u00e1stico &#8220;verde&#8221; parece inevit\u00e1vel. Todavia, at\u00e9 o momento, a variante ecol\u00f3gica representa apenas um percentual menor do que 1% no mercado global de pl\u00e1stico. E a associa\u00e7\u00e3o industrial Pl\u00e1sticos Europeus acredita que o montante n\u00e3o deve crescer mais do que 5 a 10% nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o est\u00e1 nos altos custos de produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m no fato do biopl\u00e1stico ser pior em termos de manipula\u00e7\u00e3o e tratamento termomec\u00e2nico em compara\u00e7\u00e3o com o material tradicional&#8221;, afirma Michael Niaounakis, especialista em pol\u00edmeros do Instituto Europeu de Patentes de Haia.<\/p>\n<p><strong>Menos di\u00f3xido de carbono?<\/strong><\/p>\n<p>Ainda assim, os especialistas veem um verdadeiro potencial no biopl\u00e1stico para reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa e, com isso, adiar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O produto &#8220;verde&#8221; subjuga o convencional por demandar menos energia em sua produ\u00e7\u00e3o e por ser livre de toxinas. Mas, a princ\u00edpio, s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos cient\u00edficos para se comprovar o qu\u00e3o sustent\u00e1vel, de fato, \u00e9 o biopl\u00e1stico.<\/p>\n<p>&#8220;O fato de ele ser feito com mat\u00e9ria-prima renov\u00e1vel n\u00e3o o faz automaticamente melhor para o meio ambiente&#8221;, ressalva Gerhard Kotschik da Ag\u00eancia Federal do Meio Ambiente na Alemanha. &#8220;\u00c9 preciso considerar todo o ciclo de produ\u00e7\u00e3o. Para, s\u00f3 ent\u00e3o, dizer se o biopl\u00e1stico \u00e9 mais ecologicamente correto do que o feito de petr\u00f3leo&#8221;.<\/p>\n<p>Com a reciclagem do baga\u00e7o da cana-de-a\u00e7\u00facar, contudo, os produtores de pl\u00e1stico de Salvador, na Bahia, oferecem uma primeira resposta positiva.<\/p>\n<p>Fonte: DA DEUTSCHE WELLE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez mais, s\u00e3o desenvolvidas variedades de pl\u00e1stico feitas de mat\u00e9ria-prima renov\u00e1vel. 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