{"id":630,"date":"2009-05-25T21:04:41","date_gmt":"2009-05-26T00:04:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=630"},"modified":"2011-03-29T09:38:12","modified_gmt":"2011-03-29T12:38:12","slug":"estabilidade-atrai-investidor-externo-para-plantio-de-florestas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=630","title":{"rendered":"Estabilidade atrai investidor externo para plantio de florestas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: x-small; font-family: Verdana;\">Grau de investimento despertou interesse de fundos insatisfeitos com rentabilidade baixa em outros mercados<\/p>\n<p>Paulo Justus escreve para \u201cO Estado de SP\u201d:<\/p>\n<p>O investimento estrangeiro em florestas sempre foi t\u00edmido no Brasil. Nos anos 1990, uma ou outra iniciativa de capital de risco chegou a apostar no manejo florestal sustent\u00e1vel na Amaz\u00f4nia. Mas, nos \u00faltimos anos, o Pa\u00eds come\u00e7ou a atrair aportes de grandes fundos florestais interessados em investimentos de longo prazo.<\/p>\n<p>Esses investidores querem dist\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia e do risco que a regi\u00e3o oferece. Passaram a investir em florestas plantadas principalmente depois da conquista da maior estabilidade econ\u00f4mica do Brasil nos \u00faltimos anos, apesar de j\u00e1 conhecerem o grande potencial do Pa\u00eds em termos de produtividade.<\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s o investment grade, se abriu um leque para os fundos americanos que antes, por estatuto, n\u00e3o poderiam investir aqui&#8221;, diz John Forgach, presidente do Fundo Equator, que investe em projetos ambientais.<\/p>\n<p>A nova tend\u00eancia come\u00e7ou a se desenhar a partir de 2001, quando a Global Forest Partners (GFP) iniciou o investimento no Brasil com a compra de 60 mil hectares de pinus no Paran\u00e1. &#8220;Esse \u00e9 at\u00e9 hoje um dos maiores maci\u00e7os florestais sob propriedade de um fundo no Brasil&#8221;, diz o economista da consultoria florestal Consufor, Ederson Almeida.<\/p>\n<p>Em 2002, foi a vez da Hancock Timber Resource Group, outra gigante norte-americana, vir para o Pa\u00eds. De 2005 a 2008, outros oito fundos internacionais fizeram o mesmo caminho. De acordo com levantamento da Consufor, eles investiram R$ 2 bilh\u00f5es no Brasil at\u00e9 o ano passado. O n\u00famero ainda \u00e9 t\u00edmido, se comparado ao que elas t\u00eam investido em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Neste ano, a \u00fanica negocia\u00e7\u00e3o conhecida foi a compra de 10 mil hectares, em Mato Grosso, pela Phaunos Timber Fund Limited. O investimento total no projeto deve chegar a US$ 150 milh\u00f5es. At\u00e9 o fim de abril, o fundo havia desembolsado US$ 47,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O interesse internacional despertou a aten\u00e7\u00e3o de fundos brasileiros. A Claritas Investimentos lan\u00e7ou em janeiro o fundo Floresta Brasil, de R$ 101 milh\u00f5es, de olho num cen\u00e1rio de juros em queda.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que, com a queda da taxa b\u00e1sica de juros no Brasil, os fundos florestais se tornem uma alternativa para os fundos de pens\u00e3o e grandes investidores do Pa\u00eds. &#8220;As nossas proje\u00e7\u00f5es de taxa de retorno v\u00e3o de 10% a 20%, significativamente superiores \u00e0 Selic (taxa b\u00e1sica de juros)&#8221; diz o gestor do fundo, Marcelo Sales.<\/p>\n<p>Esses fundos captam recursos para aplica\u00e7\u00e3o em ativos florestais. O financiamento geralmente se encaixa na estrat\u00e9gia de baixo risco de fundos familiares ou formados por doa\u00e7\u00f5es a universidades, da Europa e dos Estados Unidos. S\u00e3o projetos de longo prazo porque os ciclos de matura\u00e7\u00e3o das florestas s\u00e3o longos.<\/p>\n<p>No Brasil, o setor tem sido puxado por causa da queda da rentabilidade das florestas nos pa\u00edses em que os fundos j\u00e1 est\u00e3o presentes. Segundo Forgach, o Brasil apresenta um retorno maior e possui terras dispon\u00edveis para a expans\u00e3o. &#8220;O Brasil est\u00e1 sendo promovido a v\u00e1cuo, por falta de op\u00e7\u00f5es no mundo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O investimento ainda encontra alguns problemas, como a burocracia para abrir novas empresas no Pa\u00eds. Isso porque os aportes precisam ser feitos por uma empresa ou um fundo de investimento em participa\u00e7\u00f5es estabelecido no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;A demora de pelo menos uns dois meses para se abrir uma empresa &#8211; o que, para um estrangeiro, \u00e9 o fim do mundo -, demonstra que ainda estamos atrasados&#8221;, diz o advogado especialista em investimento florestal Aldo de Cresci.<\/p>\n<p>Mas, uma vez estabelecida a empresa, o gerenciamento dos investimentos fica f\u00e1cil. Cresci elogia o sistema de fluxo de capital brasileiro. &#8220;Tem uma dificuldade burocr\u00e1tica para iniciar, mas depois o retorno funciona muito bem.&#8221;<\/p>\n<p>Fundos querem fornecer madeira para fabricantes de papel e celulose<\/p>\n<p>As maiores propriet\u00e1rias de florestas no Brasil receberam um grande choque no ano passado, com a eclos\u00e3o da crise financeira. As empresas do setor de papel e celulose tiveram perdas bilion\u00e1rias, o que trouxe oportunidades de aquisi\u00e7\u00f5es de parte dessas florestas por fundos de investimentos.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o dos fundos \u00e9 passar a fornecer madeira para as fabricantes de papel e celulose, algo que era mais dif\u00edcil de ocorrer no passado, quando as empresas estavam capitalizadas.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos num momento em que v\u00e1rios desses grandes consumidores procuram um contrato de suprimento de longo prazo. Essa jun\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia ocorrido at\u00e9 agora&#8221;, diz o diretor da gestora de florestas Brazil Timber, Henrique Aretz.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10730px;left:-4613px;\"><a href=\"http:\/\/www.plataformaurbana.cl\/archive\/2011\/03\/25\/watch-online-the-next-three-days\">movie the next three days<\/a><\/div>\n<p>De acordo com John Forgach, presidente do Fundo Quator, de investimentos em projetos ambientais, algumas empresas do setor venderam de 2% a 7% de seus ativos florestais como forma de se capitalizar para enfrentar a crise.<\/p>\n<p>Para o diretor de investimento da gestora florestal RMS, F\u00e1bio Brun, apareceram mais oportunidades. &#8220;Comprar de uma Aracruz era imposs\u00edvel, agora eles j\u00e1 est\u00e3o dispostos a discutir. A realiza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio \u00e9 outra hist\u00f3ria&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Potencialidade<\/p>\n<p>As fabricantes de papel e celulose possuem 1,7 milh\u00e3o de hectares de florestas plantadas no Brasil, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).<\/p>\n<p>As ind\u00fastrias estrangeiras do setor tamb\u00e9m s\u00e3o fortemente atra\u00eddas pelo desempenho das florestas brasileiras. &#8220;H\u00e1 muita obsolesc\u00eancia nesse setor e \u00e9 claro que esses pa\u00edses v\u00e3o buscar os polos de maior produtividade&#8221;, comenta a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes.<\/p>\n<p>Exemplo dessa mudan\u00e7a na ind\u00fastria da Europa para o continente sul-americano \u00e9 o investimento que a finlandesa Stora Enso anunciou no Uruguai, no in\u00edcio da semana passada. A empresa adquiriu 130 mil hectares de floresta plantada em parceria com a chilena Arauco.<\/p>\n<p>O presidente da Stora Enso na Am\u00e9rica Latina, Ot\u00e1vio Pontes, diz que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds com maior potencialidade de produ\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. &#8220;Existe uma cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o na produtividade brasileira, gra\u00e7as a evolu\u00e7\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e da pesquisa no setor.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar das investidas, o especialista em papel e celulose da consultoria Korn Ferry, Jay Millen, diz que as empresas do setor n\u00e3o devem abrir m\u00e3o das florestas, um de seus principais ativos. &#8220;No fim do dia, os valores est\u00e3o nos recursos palp\u00e1veis, na terra e nas \u00e1rvores.&#8221;<br \/>\n(O Estado de SP, 25\/5)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grau de investimento despertou interesse de fundos insatisfeitos com rentabilidade baixa em outros mercados Paulo Justus escreve para \u201cO Estado de SP\u201d: O investimento estrangeiro em florestas sempre foi t\u00edmido no Brasil. 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