{"id":6336,"date":"2011-05-19T09:54:00","date_gmt":"2011-05-19T12:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6336"},"modified":"2011-05-19T09:54:00","modified_gmt":"2011-05-19T12:54:00","slug":"extincao-de-especies-esta-superestimada-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6336","title":{"rendered":"Extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies est\u00e1 superestimada, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>As taxas de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies por perda de habitat, calculadas do mesmo modo h\u00e1 25 anos, est\u00e3o superestimadas em at\u00e9 160%, alerta estudo divulgado nesta quarta-feira (18). No entanto, os cientistas respons\u00e1veis pela pesquisa alertam que, mesmo superestimados, os \u00edndices s\u00e3o preocupantes e eles n\u00e3o descartam a possibilidade de uma extin\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<p>Para calcular as taxas de extin\u00e7\u00e3o, cientistas e conservacionistas t\u00eam usado um m\u00e9todo indireto chamado \u201crela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cie-\u00e1rea\u201d. Este m\u00e9todo calcula, inicialmente, o n\u00famero de esp\u00e9cies encontradas em uma determinada \u00e1rea e, em seguida, as estimativas quanto ao aumento deste n\u00famero \u00e0 medida que a \u00e1rea se expande.<\/p>\n<p>Usando essa informa\u00e7\u00e3o, cientistas e conservacionistas invertem os c\u00e1lculos e tentam estimar quantas esp\u00e9cies se perderiam quando a quantidade de terra diminu\u00edsse devido ao desmatamento ou avan\u00e7o de cidades. \u201cA estimativa pode ser 160% maior que a real. O que significa que o m\u00e9todo anterior deveria ser dividido por 2,5\u201d, afirmou Fangliang He, professor da Universidade Chinesa de Sun Yat-sem e da Universidade de Alberta, no Canad\u00e1, em sua pesquisa publicada pelo peri\u00f3dico cient\u00edfico Nature.<\/p>\n<p><strong>Erro de c\u00e1lculo em um problema grave<\/strong> \u2013 O erro, de acordo com o estudo, est\u00e1 no conceito, pois a \u00e1rea necess\u00e1ria para remover o \u00faltimo indiv\u00edduo de uma esp\u00e9cie (o que qualifica como extin\u00e7\u00e3o) \u00e9 quase sempre muito maior do que a \u00e1rea necess\u00e1ria para encontrar o primeiro indiv\u00edduo de uma esp\u00e9cie, independentemente da distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e escala espacial.<\/p>\n<p>O problema, segundo Stephen Hubbel, da Universidade da Calif\u00f3rnia e co-autor do estudo, \u00e9 que o n\u00famero de esp\u00e9cies \u00e9 somado um a um, conforme se encontra um primeiro indiv\u00edduo de uma nova esp\u00e9cie em uma determinada \u00e1rea. Mas quando a esp\u00e9cie \u00e9 perdida, \u00e9 necess\u00e1rio contabilizar todos os indiv\u00edduos dela presentes naquela \u00e1rea \u2013 uma conta completamente diferente, mas que at\u00e9 agora, n\u00e3o estava sendo feita da maneira adequada.<\/p>\n<p>A regra cl\u00e1ssica da \u201crela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cie-\u00e1rea\u201d afirma que se a \u00e1rea de habitat \u00e9 reduzida em 90% (equivalente \u00e0 perda de habitat real em muitas regi\u00f5es), aproximadamente metade de suas esp\u00e9cies ser\u00e1 perdida. Estudos que utilizaram este m\u00e9todo previam a perda de 50% de todas as esp\u00e9cies at\u00e9 o ano de 2000, o que n\u00e3o foi cumprido. \u201cNada disso ocorreu. Por qu\u00ea? Pois estas estimativas n\u00e3o est\u00e3o corretas. Estes n\u00fameros s\u00e3o muito question\u00e1veis, pois o conceito n\u00e3o \u00e9 apropriado, o que explica esta superestimativa\u201d, disse Fangliang He.<\/p>\n<p>He afirma que por anos se sabia que as taxas estavam superestimadas, mas n\u00e3o se sabia o motivo. \u201cCriou-se o termo \u2018guesstimate\u2019. Isto n\u00e3o \u00e9 muito cientifico. O que mostramos aqui \u00e9 que o m\u00e9todo anterior n\u00e3o \u00e9 o exatamente certo, ele \u00e9 basicamente defeituoso. Provamos matematicamente de onde esta superestimativa vem\u201d, disse.<\/p>\n<p>No entanto, Hubbel e He destacam que a pesquisa n\u00e3o nega a exist\u00eancia de taxas de extin\u00e7\u00e3o preocupantes e que h\u00e1 uma extin\u00e7\u00e3o em massa cont\u00ednua de esp\u00e9cies, mesmo que o m\u00e9todo usado para medi-la n\u00e3o seja apropriado.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, a pr\u00f3xima extin\u00e7\u00e3o em massa pode ser em cima de n\u00f3s, ou mesmo ao virar da esquina. Foram cinco extin\u00e7\u00f5es em massa na hist\u00f3ria da Terra, e n\u00f3s poder\u00edamos estar entrando a sexta extin\u00e7\u00e3o em massa\u201d, disse Hubbel.<\/p>\n<p>Os per\u00edodos de extin\u00e7\u00e3o em massa foram provocados por mudan\u00e7as no clima e na qu\u00edmica atmosf\u00e9rica do planeta, impactos de meteoros e vulcanismo. De acordo com cientistas, a sexta extin\u00e7\u00e3o em massa que est\u00e1 porvir \u00e9 um resultado da intera\u00e7\u00e3o e competi\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies com os humanos.<\/p>\n<p><em>Fonte: Maria Fernanda Ziegler\/ Portal iG<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As taxas de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies por perda de habitat, calculadas do mesmo modo h\u00e1 25 anos, est\u00e3o superestimadas em at\u00e9 160%, alerta estudo divulgado nesta quarta-feira (18). 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