{"id":6787,"date":"2011-06-10T10:36:18","date_gmt":"2011-06-10T13:36:18","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6787"},"modified":"2011-06-10T10:36:18","modified_gmt":"2011-06-10T13:36:18","slug":"refugios-ameacados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6787","title":{"rendered":"Ref\u00fagios amea\u00e7ados"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Verdana; font-size: x-small;\">Diminui\u00e7\u00e3o das APPs e da reserva legal, proposta pelo projeto de reforma do C\u00f3digo Florestal, pode resultar na elimina\u00e7\u00e3o de pequenos fragmentos de mata ciliar e de propriedades rurais que s\u00e3o cruciais para a sobreviv\u00eancia de animais como os anf\u00edbios.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p>Isso porque essas esp\u00e9cies utilizam as \u00e1reas remanescentes de floresta como ref\u00fagio durante a esta\u00e7\u00e3o seca e como corredores para se deslocar e buscar alimentos. O alerta foi feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ligados ao programa Biota-Fapesp, em carta publicada na edi\u00e7\u00e3o de 27 de maio da revista Science.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na carta, os pesquisadores chamam a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a exist\u00eancia de pequenos fragmentos da Floresta Estacional Semidecidual &#8211; a por\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica que ocupa no interior do Pa\u00eds \u00e1reas nos estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Paran\u00e1 &#8211; aumenta significativamente a diversidade de anf\u00edbios, baseados nos resultados de uma pesquisa de doutorado realizada pelo bi\u00f3logo Fernando Rodrigues da Silva no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico &#8220;Fauna e flora de fragmentos florestais remanescentes no noroeste paulista: base para estudos de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade&#8221;, apoiado pela Fapesp.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em sua pesquisa, intitulada &#8220;A influ\u00eancia de fragmentos florestais na din\u00e2mica de popula\u00e7\u00f5es de anuros no noroeste do Estado de S\u00e3o Paulo&#8221;, realizada com Bolsa da Fapesp, Silva colocou po\u00e7as artificiais pr\u00f3ximas a seis fragmentos florestais da regi\u00e3o noroeste paulista, com diferentes extens\u00f5es, para analisar a diversidade de anf\u00edbios presentes neles.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Com isso, o pesquisador constatou que os fragmentos de floresta com 70 a 100 hectares apresentam alta diversidade de anf\u00edbios durante o per\u00edodo de reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, em que elas saem de seus habitats naturais para se reproduzir. &#8220;A diminui\u00e7\u00e3o das APPs e \u00e1reas de reserva legal, como pretende o projeto de reforma do C\u00f3digo Florestal, pode eliminar os fragmentos florestais e afetar a diversidade de esp\u00e9cies que ocorrem pr\u00f3ximas a eles&#8221;, disse Silva \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo ele, n\u00e3o se imaginava que os fragmentos florestais fossem t\u00e3o importantes para esp\u00e9cies consideradas de \u00e1rea aberta (que vivem fora da mata), como os anf\u00edbios da regi\u00e3o noroeste do estado. Por\u00e9m, a pesquisa demonstrou que, mesmo que essas esp\u00e9cies se reproduzam em \u00e1rea aberta, em momentos espec\u00edficos de seus ciclos de vida esses animais recorrem aos fragmentos florestais para se alimentar, procurar abrigo na esta\u00e7\u00e3o seca e se deslocar.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o disso, a redu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas remanescentes de florestas pode promover o fen\u00f4meno da &#8220;separa\u00e7\u00e3o do h\u00e1bitat&#8221;, que \u00e9 reconhecido como amea\u00e7ador especialmente para anuros (sapos, r\u00e3s e pererecas). O processo ocorre quando os ambientes que os animais usam para se alimentar e se reproduzir s\u00e3o desconectados, resultando em um ambiente mais hostil durante a migra\u00e7\u00e3o e a dispers\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Se forem preservados os fragmentos florestais, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel preservar a diversidade de esp\u00e9cies de anf\u00edbios no entorno deles&#8221;, afirmou Silva. Essas \u00e1reas remanescentes de floresta atuam em v\u00e1rios servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Entre eles est\u00e3o aumentar a quantidade de polinizadores para as lavouras, controlar as pragas e manter os regimes hidrol\u00f3gicos e a qualidade da \u00e1gua, que s\u00e3o cr\u00edticos para a exist\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 de anf\u00edbios, mas para muitas outras esp\u00e9cies, em geral.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Sem fragmentos &#8211; <\/strong>Na carta, os pesquisadores destacam que, no interior do estado de S\u00e3o Paulo, a expans\u00e3o das colheitas de cana-de-a\u00e7\u00facar para produzir etanol est\u00e1 levando \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o dos corpos d&#8217;\u00e1gua pr\u00f3ximos aos fragmentos de floresta, colocando sob amea\u00e7a os anf\u00edbios, que usam esses ambientes para se reproduzir.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o fizemos um estudo para observar o impacto do cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar na diversidade de anf\u00edbios. Mas o que constatamos \u00e9 que quando se eliminam as \u00e1reas de pasto para cultivar cana s\u00e3o extinguidos os corpos d&#8217;\u00e1gua, como os a\u00e7udes, que os anf\u00edbios utilizam para se reproduzir. E estamos percebendo que esses ambientes est\u00e3o desaparecendo no noroeste paulista&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O que ainda continua existindo na regi\u00e3o, segundo Silva, s\u00e3o grandes represas onde h\u00e1 muitos peixes. Mas muitos anf\u00edbios n\u00e3o utilizam esses ambientes para se reproduzir, porque os peixes comem os ovos e os girinos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os pesquisadores que assinam a carta enfatizam que, embora estejam tentando mostrar o valor dos pequenos fragmentos de floresta para a preserva\u00e7\u00e3o de diversas esp\u00e9cies, isso n\u00e3o significa dizer que possa ser diminu\u00eddo o tamanho das \u00e1reas maiores.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Quanto maior o tamanho dos fragmentos de floresta, melhor para essas esp\u00e9cies. Mas mesmo os pequenos fragmentos s\u00e3o fundamentais e n\u00e3o podem ser desmatados. E, diminuindo o tamanho das APPs e das reservas legais, como prop\u00f5e o projeto de reforma do C\u00f3digo Florestal, esses fragmentos florestais ir\u00e3o desaparecer&#8221;, ressaltou Denise de Cerqueira Rossa Feres, professora do Departamento de Zoologia e Bot\u00e2nica da Unesp, campus de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, que orientou Silva em seu doutorado e tamb\u00e9m assina a carta publicada na Science com Silva e Vitor Hugo Mendon\u00e7a do Prado, do Departamento de Zoologia da Unesp em Rio Claro.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Fapesp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diminui\u00e7\u00e3o das APPs e da reserva legal, proposta pelo projeto de reforma do C\u00f3digo Florestal, pode resultar na elimina\u00e7\u00e3o de pequenos fragmentos de mata ciliar e de propriedades rurais que s\u00e3o cruciais para a sobreviv\u00eancia de animais como os anf\u00edbios. 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