{"id":6875,"date":"2011-06-15T09:33:59","date_gmt":"2011-06-15T12:33:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6875"},"modified":"2011-06-15T09:33:59","modified_gmt":"2011-06-15T12:33:59","slug":"o-codigo-florestal-e-a-questao-nacional","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6875","title":{"rendered":"O C\u00f3digo Florestal e a quest\u00e3o nacional"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Verdana; font-size: x-small;\">Artigo do deputado Aldo Rebelo no jornal Folha de S. Paulo de\u00a0ontem (14)<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p>&#8220;Se v\u00f3s n\u00e3o f\u00f4sseis os pusil\u00e2nimes, recordar\u00edeis os grandes sonhos que fizestes por esses campos&#8230;&#8221; (Cec\u00edlia Meireles, &#8220;Romanceiro da Inconfid\u00eancia&#8221;).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O longo e dif\u00edcil debate acerca da reforma do C\u00f3digo Florestal Brasileiro colocou em destaque, ainda que de forma n\u00e3o suficientemente expl\u00edcita, a velha e boa quest\u00e3o nacional. De um lado, a l\u00f3gica dos que associam a conserva\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da natureza aos interesses do Brasil funda-se na simbiose entre ambiente e desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De outro, a bandeira do conservacionismo \u00e9 travestida de subordina\u00e7\u00e3o dos interesses nacionais a um movimento que se apresenta ass\u00e9ptico, puro e altru\u00edsta na defesa da preserva\u00e7\u00e3o da Terra, mas que na verdade tem na retaguarda protagonista que surgiu na humanidade desde que o homem superou a barb\u00e1rie e come\u00e7ou a trocar mercadorias: o general com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A grande disputa se d\u00e1 hoje no campo no ambientalismo. Os foros internacionais, como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio e seus ciclos de negocia\u00e7\u00f5es, como a empacada Rodada Doha, s\u00e3o um palco por demais ostensivo para que os agentes dissimulem seus verdadeiros interesses.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>As posi\u00e7\u00f5es t\u00eam de ser claras e duras, tangenciadas unicamente pela busca das mesmas divisas monet\u00e1rias que orientam as c\u00fapulas ambientais. Nenhum pa\u00eds vai a essas reuni\u00f5es disposto a chancelar resolu\u00e7\u00f5es que limitem o seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Da\u00ed porque o interesse comercial tem de extrapolar esses foros, que s\u00e3o t\u00e3o limitados, e tomar a forma de partidos cosmopolitas que seduzam os cora\u00e7\u00f5es e as mentes, apresentando-se como despidos de interesses nacionais e trajando o figurino de preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro da humanidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O movimento ambientalista assim se robustece como o maior fen\u00f4meno ideol\u00f3gico dos nossos tempos. Seu campo fecundo \u00e9 a realidade que de fato clama por um programa de uso inteligente dos recursos naturais do planeta.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas o pano de fundo \u00e9 o interesse comercial, que, por n\u00e3o poder assim se expressar, assume a roupagem de uma nova utopia que engaja quem n\u00e3o aderiu ou mesmo quem se desiludiu com antigas propostas de efetiva transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Que engajamento mais nobre, universalmente humanit\u00e1rio, poderia pleitear al\u00e9m da defesa de um planeta limpo e saud\u00e1vel?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que, para as ONGs internacionais, pouco importa o percentual de reserva legal ou a metragem de mata ciliar, j\u00e1 que em nenhum pa\u00eds tais reivindica\u00e7\u00f5es constam de suas plataformas ou de suas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Brasil perdeu mais de 23 milh\u00f5es de hectares de agricultura e pecu\u00e1ria, em dez anos, para unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas ou expans\u00e3o urbana.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Acham pouco. Querem escorra\u00e7ar planta\u00e7\u00f5es de mais de 40 milh\u00f5es de hectares e plantar mata no lugar. Quem n\u00e3o concorda \u00e9 acusado de &#8220;anistiar&#8221; desmatadores, num processo de intimida\u00e7\u00e3o que acua almas pusil\u00e2nimes no governo e na sociedade.<\/p>\n<p>Quebraram a agricultura da \u00c1frica e do M\u00e9xico com subs\u00eddios bilion\u00e1rios. Pensam que podem fazer o mesmo por aqui. Ser\u00e1?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Aldo Rebelo, 55, jornalista, \u00e9 deputado federal pelo PC do B de S\u00e3o Paulo e autor do projeto do novo C\u00f3digo Florestal Brasileiro, j\u00e1 aprovado pela C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>E-mail: <a href=\"mailto:dep.aldorebelo@camara.gov.br\">dep.aldorebelo@camara.gov.br<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do deputado Aldo Rebelo no jornal Folha de S. 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