{"id":6962,"date":"2011-06-21T09:43:36","date_gmt":"2011-06-21T12:43:36","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6962"},"modified":"2011-06-21T09:43:54","modified_gmt":"2011-06-21T12:43:54","slug":"a-hora-e-a-vez-das-energias-renovaveis","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=6962","title":{"rendered":"A hora e a vez das energias renov\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"font-family: Verdana; font-size: x-small;\">Artigo de Jos\u00e9 Goldemberg no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo de ontem (20).<\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-family: Verdana; font-size: x-small;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p>O desastre nuclear de Fukushima abriu caminho para uma reavalia\u00e7\u00e3o do papel da energia nuclear no mundo e de outras op\u00e7\u00f5es para produ\u00e7\u00e3o de energia que poder\u00e3o substitu\u00ed-la. Essas op\u00e7\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o as mesmas em todos os pa\u00edses. O Jap\u00e3o decidiu dar \u00eanfase maior \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica, apesar de o pa\u00eds ser muito eficiente; a Alemanha, \u00e0 energia dos ventos (e\u00f3lica); e a Su\u00e9cia, \u00e0 biomassa. G\u00e1s natural ser\u00e1 tamb\u00e9m usado como fonte de energia num per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que outras energias renov\u00e1veis -como a capta\u00e7\u00e3o direta de energia solar &#8211; se tornem competitivas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nesse contexto, o Brasil encontra-se em posi\u00e7\u00e3o privilegiada, com boa parte do seu potencial hidrel\u00e9trico ainda inexplorado e, sobretudo, com o uso da biomassa, que em nosso Pa\u00eds significa etanol da cana-de-a\u00e7\u00facar na Regi\u00e3o Sudeste e produ\u00e7\u00e3o de eletricidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 hidreletricidade, querem pequenas centrais hidrel\u00e9tricas ou em grandes empreendimentos, o que tem impedido a sua expans\u00e3o \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de projetos mal formulados pelos empreendedores e um comportamento passivo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) fez, com grande atraso, o levantamento de pelo menos 20 empreendimentos hidrel\u00e9tricos em v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds, incluindo a Amaz\u00f4nia, com potencia total de 32 milh\u00f5es de quilowatts. H\u00e1 cerca de 16 milh\u00f5es de quilowatts dispon\u00edveis na Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de Belo Monte.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>S\u00e3o locais onde \u00e9 poss\u00edvel construir hidrel\u00e9tricas de porte m\u00e9dio, de 500 a mil megawatts, que n\u00e3o causar\u00e3o grandes impactos ambientais. Seria importante analisar se<\/p>\n<p>nesses locais n\u00e3o se poderiam tamb\u00e9m prever reservat\u00f3rios que regularizassem o curso dos rios e armazenassem \u00e1gua para os per\u00edodos secos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Um dos grandes problemas do setor el\u00e9trico brasileiro &#8211; a principal causa do desastroso racionamento de 2001- se deve ao fato de que, desde 1986, as usinas hidrel\u00e9tricas constru\u00eddas no Pa\u00eds n\u00e3o t\u00eam reservat\u00f3rios para evitar o alagamento de \u00e1reas ribeirinhas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0s pequenas centrais hidrel\u00e9tricas &#8211; existem centenas no Pa\u00eds que deveriam ser aproveitadas -, \u00e9 indispens\u00e1vel que o Ibama adote um m\u00e9todo de licenciamento simplificado e deixe de trat\u00e1-las como se fossem grandes empreendimentos. Mais ainda, os \u00f3rg\u00e3os licenciadores deveriam ser mais proativos, ajudando os empreendedores a melhorar os seus projetos, j\u00e1 que esses \u00f3rg\u00e3os (nos Estados e em Bras\u00edlia) s\u00e3o os que t\u00eam melhores t\u00e9cnicos. Uma maior coopera\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m ajudaria, o que significa mais di\u00e1logo entre os diversos atores envolvidos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de cana-de-a\u00e7\u00facar, grandes progressos podem ser feitos para manter na matriz energ\u00e9tica uma grande parcela de renov\u00e1veis, tanto na produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool como na produ\u00e7\u00e3o de eletricidade. Atualmente, metade da gasolina que se consumiria no Pa\u00eds, se o programa do \u00e1lcool n\u00e3o existisse, j\u00e1 foi substitu\u00edda por etanol, mas \u00e9 preciso progredir mais nesse sentido. Gra\u00e7as \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o dos autom\u00f3veis &#8220;flexfuel&#8221;, em 2003, mais de 90% dos carros novos s\u00e3o desse tipo e, a prosseguir essa tend\u00eancia, o \u00e1lcool substituir\u00e1 80% ou 90% da gasolina at\u00e9 o ano 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Isso ajudar\u00e1 muito para que o governo do Estado atinja as metas que adotou com a finalidade de reduzir as emiss\u00f5es de gases que causam o aquecimento global em 20% at\u00e9 2020, em compara\u00e7\u00e3o com o ano de 2005. A vantagem adicional, nesse caso, \u00e9 que a substitui\u00e7\u00e3o de gasolina e \u00f3leo diesel por etanol melhora tamb\u00e9m a qualidade do ar nas grandes metr\u00f3poles, porque o etanol da cana-de-a\u00e7\u00facar n\u00e3o cont\u00e9m as impurezas que se encontram nos derivados de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No que se refere a S\u00e3o Paulo, vale lembrar que boa parte da frota de autom\u00f3veis que circula na cidade \u00e9 antiga. O que caberia, aqui, s\u00e3o medidas da Prefeitura para &#8220;aposentar&#8221; os carros mais antigos e encorajar a sua substitui\u00e7\u00e3o por autom\u00f3veis &#8220;flexfuel&#8221;. Essa estrat\u00e9gia tem sido usada em outros pa\u00edses onde se usa gasolina para modernizar a frota circulante: os carros mais modernos s\u00e3o mais eficientes e consomem menos combust\u00edvel por quil\u00f4metro rodado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Modernizar&#8221; a frota com carros &#8220;flexfuel&#8221; tem uma vantagem adicional: o etanol \u00e9 um<\/p>\n<p>combust\u00edvel renov\u00e1vel, de modo que o resultado que se deseja, que \u00e9 o de reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, \u00e9 alcan\u00e7ado mais rapidamente. A moderniza\u00e7\u00e3o pode ser encorajada reduzindo o Imposto sobre a Propriedade de Ve\u00edculos Automotores (IPVA) dos carros &#8220;flexfuel&#8221; e auxiliando propriet\u00e1rios de ve\u00edculos antigos a troc\u00e1-los por novos com financiamentos atraentes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em alguns pa\u00edses o governo compra os ve\u00edculos antigos para sucate\u00e1-los. Acelerar o aumento da frota &#8220;flexfuel&#8221; de autom\u00f3veis teria a vantagem adicional de fazer crescer o consumo de \u00e1lcool e ajudar o setor produtivo a superar as dificuldades que tem atravessado nos \u00faltimos anos. Com o aumento da produ\u00e7\u00e3o de etanol, aumentaria tamb\u00e9m a quantidade de baga\u00e7o dispon\u00edvel para gerar eletricidade, o que complementaria a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica. Finalmente, no que se refere \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica para a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade, os leil\u00f5es realizados para esse tipo de energia t\u00eam levado a uma redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os da energia produzida.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Com isso a participa\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica deve aumentar muito at\u00e9 2020. Como reconhece agora a EPE no seu novo Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia. A intermit\u00eancia dos ventos, que era considerada um problema, foi totalmente superada pelas tecnologias modernas. S\u00f3 para dar um exemplo, o sistema el\u00e9trico da Espanha tem cerca de 20 mil fontes de energia (a maioria proveniente de pequenos grupos de energia e\u00f3lica) e funciona muito satisfatoriamente. N\u00e3o \u00e9 por falta de op\u00e7\u00f5es que poderia ocorrer uma crise de energia no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goldemberg \u00e9 professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Jos\u00e9 Goldemberg no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo de ontem (20). \u00a0 O desastre nuclear de Fukushima abriu caminho para uma reavalia\u00e7\u00e3o do papel da energia nuclear no mundo e de outras op\u00e7\u00f5es para produ\u00e7\u00e3o de energia que poder\u00e3o substitu\u00ed-la. Essas op\u00e7\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o as mesmas em todos os pa\u00edses. 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