{"id":707,"date":"2009-06-24T21:01:59","date_gmt":"2009-06-25T00:01:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=707"},"modified":"2011-02-28T14:01:34","modified_gmt":"2011-02-28T17:01:34","slug":"mapear-para-conservar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=707","title":{"rendered":"Mapear para conservar"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: x-small; font-family: Verdana;\"><\/p>\n<figure id=\"attachment_708\" aria-describedby=\"caption-attachment-708\" style=\"width: 224px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/dscf0953.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-708\" title=\"dscf0953\" src=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/dscf0953-224x300.jpg\" alt=\"Mata Atl\u00e2ntica - Parque Estadual Carlos Botelho\" width=\"224\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/dscf0953-224x300.jpg 224w, http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/dscf0953-768x1024.jpg 768w, http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/dscf0953.jpg 1704w\" sizes=\"(max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-708\" class=\"wp-caption-text\">Mata Atl\u00e2ntica - Parque Estadual Carlos Botelho<\/figcaption><\/figure>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\">Projetos do Biota-Fapesp re\u00fanem conhecimento fundamental para estabelecer mecanismos mais eficientes de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica<\/p>\n<p>Jussara Mangini escreve para a \u201cAg\u00eancia Fapesp\u201d:<\/p>\n<p>A biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica tem sido objeto de diversos estudos realizados no \u00e2mbito do programa Biota-Fapesp, que est\u00e1 completando dez anos. Um dos ecossistemas mais ricos em mat\u00e9ria de biodiversidade, a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 tamb\u00e9m um dos mais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, estando hoje reduzida a menos de 8% de sua extens\u00e3o original. S\u00e3o Paulo abriga 15% do que restou.<\/p>\n<p>Um Projeto Tem\u00e1tico ligado ao Biota-Fapesp re\u00fane especialistas em solo, vegeta\u00e7\u00e3o e luz com a tarefa de descobrir as raz\u00f5es das diferen\u00e7as entre as florestas paulistas.<\/p>\n<p>Para o coordenador do Tem\u00e1tico, Ricardo Ribeiro Rodrigues, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), saber como uma floresta se diferencia, se reorganiza e reage a fen\u00f4menos locais ou globais, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 al\u00e9m de conhecer os elementos que atuam na seletividade de esp\u00e9cies que comp\u00f5em os tipos florestais \u2013, \u00e9 fundamental para estabelecer mecanismos mais eficientes de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e tamb\u00e9m de restaura\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00f3 para conservar a esp\u00e9cie, mas tamb\u00e9m o ambiente no qual a esp\u00e9cie ocorre, al\u00e9m de contribuir para criar mecanismos que levem \u00e0 possibilidade de restaura\u00e7\u00e3o de ambientes que foram historicamente degradados\u201d, explicou Rodrigues, que coordenou o Biota-Fapesp de outubro de 2004 a mar\u00e7o de 2009.<\/p>\n<p>Intitulado Diversidade, din\u00e2mica e conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores em florestas do Estado de S\u00e3o Paulo: estudos em parcelas permanentes, o Tem\u00e1tico demarcou quatro \u00e1reas de 10 hectares cada e que representam os principais tipos de vegeta\u00e7\u00e3o natural no Estado: uma amostra de Mata Atl\u00e2ntica do interior, o Cerrad\u00e3o, a restinga e uma amostra de Mata Atl\u00e2ntica da Serra do Mar.<\/p>\n<p>A ideia era conseguir entender o funcionamento e os respectivos componentes de cada uma dessas amostras, de forma particular, e depois comparar os dados entre elas. \u201cOs resultados revelaram que as florestas s\u00e3o organismos \u00fanicos, dotados de diferen\u00e7as significativas no modo de funcionamento\u201d, apontou Rodrigues.<\/p>\n<p>Na Mata Atl\u00e2ntica do interior, integrada \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Caetetus, no sudoeste paulista, a fertilidade do solo contribui para a diversidade de \u00e1rvores da floresta. Foram identificadas 150 esp\u00e9cies com at\u00e9 30 metros de altura.<\/p>\n<p>Para as plantas dessa floresta, n\u00e3o faltam nutrientes nem \u00e1gua, porque o solo ret\u00e9m a chuva que cai entre novembro e janeiro. Mas foi por causa da riqueza desse solo, somado ao relevo plano, que muitas matas desse tipo no interior paulista foram derrubadas para dar lugar \u00e0s pastagens, ao caf\u00e9, \u00e0 cana-de-a\u00e7\u00facar ou \u00e0 soja.<\/p>\n<p>Na reserva de Mata Atl\u00e2ntica que integra o Parque Estadual Carlos Botelho foram identificadas 240 esp\u00e9cies de \u00e1rvores. A \u00e1rea se caracteriza por \u00e1rvores com troncos cobertos de brom\u00e9lias e por ser a mais escura das quatro estudadas. As folhas mais pr\u00f3ximas \u00e0 superf\u00edcie do solo recebem apenas 1% da luz que chega ao topo da floresta.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Cerrad\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Assis, no munic\u00edpio de Assis, sudoeste paulista, \u00e9 o ambiente mais iluminado e seco dos quatro. Apresenta a maior densidade de \u00e1rvores: 23.495 em 10 hectares, quase o dobro das outras \u00e1reas, embora a diversidade seja a menor: apenas 122 esp\u00e9cies. Mas as \u00e1rvores raramente passam dos 15 metros por causa do solo pobre em nutrientes. E, por ser mais arenoso, o solo deixa escoar a \u00e1gua da chuva e seca rapidamente.<\/p>\n<p>Na restinga do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, em Cananeia, no extremo sul do Estado, foram identificadas 16.890 \u00e1rvores de 177 esp\u00e9cies diferentes. Nesse ambiente, elas raramente passam dos 15 metros de altura por causa do solo pobre em nutrientes, como no Cerrad\u00e3o.<\/p>\n<p>Rodrigues destaca que remedi\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas precisam continuar a ser feitas, especialmente nas florestas da regi\u00e3o oeste paulista, em que h\u00e1 fragmentos muito pequenos, mas com papel importante na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade remanescente. Uma parcela muito representativa da biodiversidade est\u00e1 em pequenos fragmentos dentro de propriedades privadas.<\/p>\n<p>Palmeiras da Serra do Mar<\/p>\n<p>Outro estudo ligado ao Biota-Fapesp procurou conhecer a riqueza de esp\u00e9cies de palmeiras na Serra do Mar. A partir do trabalho Distribui\u00e7\u00e3o da comunidade de palmeiras no gradiente altitudinal da floresta atl\u00e2ntica na regi\u00e3o nordeste do Estado de S\u00e3o Paulo, coordenado por Simey Thury Vieira Fisch, 11 esp\u00e9cies foram estudadas.<\/p>\n<p>\u201cPode parecer uma contribui\u00e7\u00e3o pequena, mas, anteriormente, pouco se sabia sobre essa fam\u00edlia de plantas na Mata Atl\u00e2ntica. \u00c9 a primeira vez que se chega ao n\u00edvel de detalhamento obtido nesse trabalho, que vai da pl\u00e2ntula ao adulto\u201d, disse a professora de bot\u00e2nica do Departamento de Biologia da Universidade de Taubat\u00e9 (Unitau), que realizou o estudo com apoio da Fapesp na modalidade Aux\u00edlio a Pesquisa \u2013 Regular no per\u00edodo de 2002 a 2005.<\/p>\n<p>\u201cNo primeiro momento quer\u00edamos saber onde elas ocorriam, em que densidade, em que altitude, que tipo de floresta h\u00e1 em cada ambiente, enfim, saber como \u00e9 que est\u00e3o distribu\u00eddas ao longo do gradiente da Serra do Mar. Esses dados s\u00e3o importantes para podermos prever o que pode acontecer daqui a um certo tempo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A pesquisa permitiu conhecer, por exemplo, quais s\u00e3o as \u00e1reas de ocorr\u00eancia de palmeiras amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Segundo Simey, at\u00e9 ent\u00e3o, quem ia a campo n\u00e3o sabia reconhecer essas esp\u00e9cies. O objetivo \u00e9 fazer um cat\u00e1logo virtual do material identificado.<\/p>\n<p>A pesquisadora conta que, nas matas do Estado de S\u00e3o Paulo, as palmeiras s\u00e3o frequentemente associadas somente ao palmito e a exist\u00eancia das demais esp\u00e9cies \u2013 que, em geral, t\u00eam algum uso comercial, como paisag\u00edstico \u2013 \u00e9 pouco conhecida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, palmeiras s\u00e3o bioindicadores de \u00e1reas alteradas ou preservadas. H\u00e1 esp\u00e9cies extremamente sens\u00edveis a altera\u00e7\u00f5es ambientais, ao passo que outras predominam quando a \u00e1rea \u00e9 alterada. S\u00e3o palmeiras mais resistentes e que s\u00e3o raras em \u00e1reas preservadas, como, por exemplo, o jeriv\u00e1 (Syagrus romanzoffiana).<\/p>\n<p>\u201cDiante disso, poder\u00edamos indicar esp\u00e9cies para recompor \u00e1reas que est\u00e3o degradadas e que foram empobrecidas, a partir do conhecimento da din\u00e2mica delas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Atualmente, Simey integra a equipe do Tem\u00e1tico coordenado por Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atual coordenador do Biota-Fapesp. Com o Tem\u00e1tico o grupo est\u00e1 refinando o conhecimento e buscando respostas que poder\u00e3o subsidiar quest\u00f5es importantes como o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cA palmeira n\u00e3o gosta de clima frio. Ela \u00e9 tropical. Se aquecer, ser\u00e1 que vamos expandir as \u00e1reas de palmeira no mundo?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Segundo a bot\u00e2nica, com o aquecimento global j\u00e1 se nota a invas\u00e3o de palmeiras no sop\u00e9 dos Alpes su\u00ed\u00e7os, anteriormente somente encontradas na Europa em situa\u00e7\u00f5es especiais \u2013 em estufas de jardins bot\u00e2nicos, por exemplo. Est\u00e3o sendo feitas an\u00e1lises para tentar modelar a abrang\u00eancia desse fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>\u201cSaber quais s\u00e3o as restri\u00e7\u00f5es e prefer\u00eancias ambientais das esp\u00e9cies s\u00e3o dados importantes para modelagem do sistema terrestre, para podermos prever onde vamos ter essas palmeiras ocorrendo, a partir de resultados de simula\u00e7\u00e3o de modelos clim\u00e1ticos\u201d, disse. <\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9446px;left:-4792px;\"><a href=\"http:\/\/about.me\/the-kings-speech\">the kings speech film hd download<\/a><\/div>\n<p>(Ag\u00eancia Fapesp, 24\/6)<\/p>\n<p><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projetos do Biota-Fapesp re\u00fanem conhecimento fundamental para estabelecer mecanismos mais eficientes de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica Jussara Mangini escreve para a \u201cAg\u00eancia Fapesp\u201d: A biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica tem sido objeto de diversos estudos realizados no \u00e2mbito do programa Biota-Fapesp, que est\u00e1 completando dez anos. 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