{"id":7120,"date":"2011-07-07T15:03:41","date_gmt":"2011-07-07T18:03:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7120"},"modified":"2011-07-07T15:03:41","modified_gmt":"2011-07-07T18:03:41","slug":"nucleacao-conta-com-a-ajuda-de-passaros-no-reflorestamento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7120","title":{"rendered":"Nuclea\u00e7\u00e3o conta com a ajuda de p\u00e1ssaros no reflorestamento"},"content":{"rendered":"<h2>A t\u00e9cnica \u00e9 simples e relativamente barata.<br \/>\nOs p\u00e1ssaros s\u00e3o fundamentais para o sucesso do projeto.<\/h2>\n<p>Um dos pontos mais debatidos na discuss\u00e3o sobre a reforma do C\u00f3digo Florestal, que est\u00e1 no Senado, \u00e9 o da recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa nas propriedades. O Globo Rural mostra uma t\u00e9cnica de reflorestamento, chamada nuclea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O nome assusta um pouco, mas a t\u00e9cnica \u00e9 simples e relativamente barata. N\u00e3o se baseia s\u00f3 no plantio de \u00e1rvores, mas tamb\u00e9m na ideia de contar com os p\u00e1ssaros, um ajudante fundamental para o sucesso do empreendimento.<\/p>\n<p>Em Santa Catarina, a regi\u00e3o conhecida como Planalto Norte \u00e9 um lugar frio, com muita mata e cheio de rios e c\u00f3rregos, que fazem a viagem ganhar caminhos surpreendentes.<\/p>\n<p>Pelas rodovias que cortam as cidades, toda hora passa um caminh\u00e3o carregado com toras de madeira. No lugar est\u00e1 instalado um dos principais polos de ind\u00fastrias de m\u00f3veis do sul do pa\u00eds. Por isso, h\u00e1 muitas florestas plantadas com \u00e1rvores ex\u00f3ticas que n\u00e3o s\u00e3o nativas da regi\u00e3o. S\u00e3o florestas de plantio comercial.<\/p>\n<p>Em Rio Negrinho, cidade que fica a 260 quil\u00f4metros de Florian\u00f3polis, fica a empresa que cultiva p\u00ednus desde a d\u00e9cada de 1970. Quarenta mil hectares de \u00e1rvores virar\u00e3o compensado de madeira para m\u00f3veis e para a constru\u00e7\u00e3o civil. Mas no viveiro da fazenda h\u00e1 aroeira, ip\u00ea amarelo, pessegueiro bravo e outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos uma esp\u00e9cie fant\u00e1stica que \u00e9 arauc\u00e1ria, mais conhecida como pinheiro do Paran\u00e1. Hoje, est\u00e1 listada como em extin\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o madeireira que teve ou da falta de controle nessa explora\u00e7\u00e3o\u201d, explica Reinaldo Langa, engenheiro florestal da empresa.<\/p>\n<p>Segundo Reinaldo, o sucesso do replantio do pinh\u00e3o, a semente da arauc\u00e1ria, depende de um detalhe simples. \u201cVoc\u00ea tem que colocar ela numa inclina\u00e7\u00e3o aproximadamente de 45 graus, de maneira que a parte do embri\u00e3o que vai formar a raiz j\u00e1 fique direcionada para o sistema radicular. A chance de o sistema radicular formar o contr\u00e1rio e a \u00e1rvore entortar e quebrar na natureza \u00e9 muito grande. Ela vai nascer meio tortinha\u201d, completa.<\/p>\n<p>As mudas prontas para ir para o campo e v\u00e3o para o lugar onde o p\u00ednus foi cortado h\u00e1 um m\u00eas. Mas dos 30 hectares anteriores, o p\u00ednus foi replantado em 29 hectares. Um hectare foi incorporado \u00e0 APP, \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Permanente, que j\u00e1 existia ao redor da nascente do rio. A forma de reflorestamento \u00e9 a nuclea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo da Universidade Federal de Santa Catarina, Ademir Reis, coordena a nuclea\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Segundo o professor Ademir, a nuclea\u00e7\u00e3o faz a recupera\u00e7\u00e3o a partir de por\u00e7\u00f5es ou n\u00facleos. Da\u00ed vem esse nome.<\/p>\n<p>\u201cA nuclea\u00e7\u00e3o tem como base sempre a sucess\u00e3o. Ela quer que haja primeiro a forma\u00e7\u00e3o de um solo e que com o tempo as esp\u00e9cies sejam recrutadas de forma a atender exatamente as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas regionais. Num processo de planta\u00e7\u00e3o, existe uma ideia de pressa, de formar isso o mais r\u00e1pido poss\u00edvel Nem sempre esse solo est\u00e1 preparado para receber essas mudas\u201d, esclarece Reis.<\/p>\n<p>O sistema de nuclea\u00e7\u00e3o une cinco t\u00e9cnicas usadas ao mesmo tempo: o plantio de mudas nativas, a transposi\u00e7\u00e3o de solo, a chuva de sementes, a forma\u00e7\u00e3o de poleiros e a implanta\u00e7\u00e3o de galharias.<\/p>\n<p>No plantio de mudas nativas s\u00e3o usadas dez esp\u00e9cies diferentes, sempre plantadas em grupos de cinco mudas de cada esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Para a transposi\u00e7\u00e3o de solo, a equipe vai at\u00e9 uma mata preservada, pr\u00f3ximo \u00e0 \u00e1rea a ser recuperada, e coleta dez cent\u00edmetros de camada superficial de terra. Na por\u00e7\u00e3o v\u00e3o galhos, folhas, fungos, bact\u00e9rias, minhocas e algas, que s\u00e3o esp\u00e9cies importantes para a fertiliza\u00e7\u00e3o do novo solo. Uma pequena clareira \u00e9 aberta no lugar. Mas como a quantidade de terra retirada \u00e9 pequena, n\u00e3o h\u00e1 o risco de provocar destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A chuva de sementes acontece com a ajuda de peneiras colocadas entre as \u00e1rvores. Vento, chuva e animais carregam de um lado para outro as sementes de locais distantes e elas v\u00e3o caindo na peneira. Ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 recolher.<\/p>\n<p>Os poleiros artificiais s\u00e3o feitos de bambu amarrado com cip\u00f3. Mas existem tamb\u00e9m aqueles que aproveitam \u00e1rvores que est\u00e3o muito pr\u00f3ximas das cabeceiras dos rios, por exemplo, e que, segundo a legisla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderiam naquele lugar, como p\u00ednus que foram plantados para o uso comercial que virariam madeira para m\u00f3veis aos 30 anos.<\/p>\n<p>Uma alternativa para eliminar os p\u00ednus seria derrubar as \u00e1rvores. Mas no lugar foi usada uma t\u00e9cnica chamada anelamento. Os troncos se transformaram em poleiros naturais.<\/p>\n<p>O anelamento faz um anel mesmo em volta do tronco e a seiva que corria \u00e9 interrompida. A \u00e1rvore morre e vira um local privilegiado de vis\u00e3o e descanso para os p\u00e1ssaros, como explica o bi\u00f3logo Nicholas Kaminski.<\/p>\n<p>\u201cBem-te-vi, siriris, sabi\u00e1s e at\u00e9 mesmo pica-paus acabam sendo atra\u00eddos por essas \u00e1rvores. Quando est\u00e3o secas, acabam dispersando sementes. Geralmente as pessoas acabam dando maior import\u00e2ncia \u00e0quelas esp\u00e9cies que s\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, esp\u00e9cies mais raras, s\u00f3 que dentro dos processos de restaura\u00e7\u00e3o, o principal trunfo mesmo \u00e9 o das esp\u00e9cies generalistas porque s\u00e3o elas que v\u00e3o acabar preparando o ambiente para essas esp\u00e9cies mais raras virem ocupar depois\u201d, diz Kaminski.<\/p>\n<p>As galharias s\u00e3o os montes de galhos que servem de abrigo para roedores e cobras, que s\u00e3o muito bem-vindos. Esses animais usam as galharias para estocar sementes, que acabam germinando naturalmente.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo Ademir Reis n\u00e3o gosta de dizer que a nuclea\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor ou pior que os outros sistemas de recupera\u00e7\u00e3o de florestas. Ele diz que o importante \u00e9 conhecer bem as t\u00e9cnicas de reflorestamento para fazer a melhor op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acesse <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2011\/07\/tecnica-de-nucleacao-conta-com-ajuda-de-passaros-no-reflorestamento.html\">http:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2011\/07\/tecnica-de-nucleacao-conta-com-ajuda-de-passaros-no-reflorestamento.html<\/a>\u00a0e veja a reportagem.<\/p>\n<p>Fonte: Globo Rural<\/p>\n<p>A nuclea\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 sendo usada em S\u00e3o Paulo. Ela \u00e9 um dos m\u00e9todos empregados em um projeto estadual de recupera\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de hectares de matas ciliares em oito munic\u00edpios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A t\u00e9cnica \u00e9 simples e relativamente barata. Os p\u00e1ssaros s\u00e3o fundamentais para o sucesso do projeto. 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