{"id":7152,"date":"2011-07-19T16:06:21","date_gmt":"2011-07-19T19:06:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7152"},"modified":"2011-07-19T16:06:21","modified_gmt":"2011-07-19T19:06:21","slug":"projeto-aposta-no-cultivo-da-seringueira-como-fonte-de-renda-e-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7152","title":{"rendered":"Projeto aposta no cultivo da seringueira como fonte de renda e sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<p><span>De acordo com dados do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, apenas os estados de S\u00e3o Paulo, Mato Grosso e Bahia s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 80% da produ\u00e7\u00e3o nacional de borracha.<\/p>\n<p>Pneus, preservativos, acess\u00f3rios e cal\u00e7ados. Estes produtos, t\u00e3o constantes na vida moderna, t\u00eam um material em comum na composi\u00e7\u00e3o: a borracha natural. Mas ao contr\u00e1rio do que pode sugerir o senso comum, a produ\u00e7\u00e3o da borracha n\u00e3o se restringe mais ao extrativismo na Amaz\u00f4nia, respons\u00e1vel pelo per\u00edodo \u00e1ureo da regi\u00e3o do s\u00e9culo XIX at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado. Hoje, a hevicultura tem como base um planejamento racional e est\u00e1 mais distribu\u00edda pelo sudeste e centro-oeste do Pa\u00eds. De acordo com dados do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, apenas os estados de S\u00e3o Paulo, Mato Grosso e Bahia s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 80% da produ\u00e7\u00e3o nacional de borracha.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, um projeto apoiado pelo edital de Apoio \u00e0 Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica, da Faperj, segue esse movimento. Empreendedores do Instituto Tecnol\u00f3gico da Borracha apostam no cultivo da seringueira (Heveas brasiliensis) como fonte de renda e sustentabilidade para o munic\u00edpio fluminense de Quatis, situado na hist\u00f3rica regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba. Segundo o diretor do instituto e coordenador da iniciativa, o economista Marcello Tournillon Ramos, o projeto \u00e9 uma oportunidade para ajudar a disseminar o cultivo de borracha no estado, que ainda \u00e9 inexpressivo. &#8220;O objetivo \u00e9 criar uma infraestrutura para o cultivo da seringueira fluminense, para que o Rio de Janeiro participe mais ativamente da produ\u00e7\u00e3o nacional. Contrariando o que muitos pensam, o clima e o solo fluminenses, com destaque para o Vale do Para\u00edba, s\u00e3o extremamente prop\u00edcios a essa cultura&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Renda e sustentabilidade &#8211;<\/strong> O projeto do Instituto Tecnol\u00f3gico da Borracha (Iteb), que tem entre seus parceiros a ONG Educa Mata Atl\u00e2ntica, prop\u00f5e a introdu\u00e7\u00e3o da seringueira como neg\u00f3cio socioambiental de longo prazo e reabilita\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas &#8211; em Quatis, inicialmente, para depois expandir a iniciativa para outras localidades do Vale do Para\u00edba. &#8220;A cultura da seringueira pode representar uma fonte de renda para os pequenos propriet\u00e1rios rurais da regi\u00e3o. Ela pode gerar empregos diretos e indiretos e criar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para a fixa\u00e7\u00e3o do homem no campo&#8221;, destaca Ramos. &#8220;Ao mesmo tempo, ela atende a legisla\u00e7\u00e3o ambiental e pode ser uma importante aliada na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Com esse prop\u00f3sito, criou-se um polo de desenvolvimento da cultura em uma propriedade rural situada \u00e0s margens da estrada RJ -159, que liga Quatis ao distrito de Falc\u00e3o. L\u00e1, os pequenos produtores interessados recebem assist\u00eancia t\u00e9cnica e forma\u00e7\u00e3o adequada para cultivar a seringueira dentro dos par\u00e2metros de sustentabilidade. &#8220;Os agricultores aprendem todo o processo de produ\u00e7\u00e3o, desde a cria\u00e7\u00e3o das mudas em viveiro, com enxerto clonal, passando pelo plantio, at\u00e9 a extra\u00e7\u00e3o da borracha natural. Al\u00e9m da pr\u00e1tica do manejo, eles recebem conhecimentos te\u00f3ricos sobre o setor em geral e sobre os crit\u00e9rios de preserva\u00e7\u00e3o ambiental&#8221;, diz Ramos.<\/p>\n<p>O diretor do Instituto Tecnol\u00f3gico da Borracha recomenda aos agricultores que dividam seus terrenos em dois modelos de planta\u00e7\u00e3o: o modelo do seringal solteiro, ou seja, uma planta\u00e7\u00e3o s\u00f3 de seringueiras, e o modelo consorciado, que mistura seringueiras a outras esp\u00e9cies, como a pupunheira. &#8220;A seringueira demora seis anos para come\u00e7ar a produzir. Por isso, o modelo consorciado \u00e9 interessante, j\u00e1 que a pupunheira d\u00e1 frutos em dois anos, o que garante renda durante esse per\u00edodo de car\u00eancia&#8221;, explica. O modelo consorciado tamb\u00e9m \u00e9 ecologicamente correto. &#8220;O plantio de esp\u00e9cies diversificadas ajuda a recuperar com mais rapidez os solos degradados&#8221;, acrescenta Ramos, sugerindo que a atividade pode ser explorada em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP), como margens de rios e topos de morros.<\/p>\n<p>Depois da atual etapa de capacita\u00e7\u00e3o dos agricultores familiares e pequenos produtores locais, o pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 disponibilizar o plantio de 10 mil mudas de seringueiras, distribu\u00eddas em diversas propriedades da regi\u00e3o. Ao todo, as \u00e1rvores v\u00e3o ocupar 20 hectares. Esse n\u00famero ter\u00e1 um impacto positivo para o meio ambiente. A floresta de seringueira propicia a prote\u00e7\u00e3o do solo contra eros\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o de nascentes e mananciais. Outro aspecto importante \u00e9 que a Heveas brasiliensis \u00e9 uma das esp\u00e9cies cultivadas com maior potencial de fixa\u00e7\u00e3o dos gases causadores do efeito estufa, processo chamado de &#8220;sequestro de carbono&#8221;. &#8220;A estimativa \u00e9 que os 10 mil p\u00e9s de seringueira, em 15 anos, &#8216;sequestrem&#8217; cinco mil toneladas de carbono equivalente (CO2e)&#8221;, ressalta Ramos.<\/p>\n<p>Pa\u00edses asi\u00e1ticos como Tail\u00e2ndia, Indon\u00e9sia, Mal\u00e1sia, China e Vietn\u00e3 s\u00e3o os mais importantes produtores mundiais de borracha natural. &#8220;Atualmente, o Brasil ocupa o nono lugar na produ\u00e7\u00e3o mundial e precisa importar o produto para abastecer o mercado interno&#8221;, diz Ramos. A heveicultura gera receita e impostos com a venda da borracha natural, tanto in natura (l\u00e1tex virgem ou co\u00e1gulo) quanto beneficiada &#8211; com produtos como o Granulado Escuro Brasileiro, conhecido como GEB-1. &#8220;Temos que suprir uma lacuna na produ\u00e7\u00e3o interna de borracha do estado do Rio de Janeiro, que tem instala\u00e7\u00f5es da maior pneum\u00e1tica do mundo, a Michelin&#8221;, conclui. Tamb\u00e9m participam do projeto a educadora ambiental V\u00e2nia Velloso e a diretora do Educa Mata Atl\u00e2ntica, Rita de Souza.<\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Faperj)<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com dados do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, apenas os estados de S\u00e3o Paulo, Mato Grosso e Bahia s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 80% da produ\u00e7\u00e3o nacional de borracha. Pneus, preservativos, acess\u00f3rios e cal\u00e7ados. 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