{"id":7221,"date":"2011-07-23T15:51:55","date_gmt":"2011-07-23T18:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7221"},"modified":"2011-07-23T15:51:55","modified_gmt":"2011-07-23T18:51:55","slug":"inspirados-na-natureza","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7221","title":{"rendered":"Inspirados na natureza"},"content":{"rendered":"<p><span>A vers\u00e3o sint\u00e9tica do princ\u00edpio ativo do molusco marinho \u00e9 um exemplo de como a biodiversidade continua sendo uma fonte inesgot\u00e1vel de arquiteturas moleculares para o desenvolvimento de novas drogas e produtos.<\/p>\n<p>Quase 200 anos depois da descoberta da morfina &#8211; que foi isolada pela primeira vez em 1804 pelo farmac\u00eautico alem\u00e3o Friedrich Wilhelm Adam Serturner da Papaver somniferum &#8211; a ind\u00fastria farmac\u00eautica descobriu na toxina do caramujo marinho Conus magnum um pept\u00eddeo que, com apenas algumas modifica\u00e7\u00f5es estruturais, tornou-se mais potente que o analg\u00e9sico e alguns de seus derivados utilizados para aliviar dores cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Aprovado em 2004 pela Food and Drug Administration (FDA) &#8211; a ag\u00eancia regulat\u00f3ria de alimentos e f\u00e1rmacos dos Estados Unidos &#8211; e lan\u00e7ado sob a marca Prialt, a vers\u00e3o sint\u00e9tica do princ\u00edpio ativo do molusco marinho \u00e9 um exemplo ilustrativo de como a biodiversidade continua sendo uma fonte inesgot\u00e1vel de novas arquiteturas moleculares para o desenvolvimento de novas drogas e produtos cosm\u00e9ticos e agroqu\u00edmicos.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita pela professora do Instituto de Qu\u00edmica de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da coordena\u00e7\u00e3o do programa Biota-Fapesp, Vanderlan da Silva Bolzani, na palestra que proferiu no quarto encontro do Ciclo de Confer\u00eancias do Ano Internacional da Qu\u00edmica 2011 sobre &#8220;Biodiversidade &amp; Qu\u00edmica&#8221;, realizado em 19 de julho, no audit\u00f3rio da Fapesp.<\/p>\n<p>De acordo com Bolzani, nos \u00faltimos 15 anos, com o advento da era p\u00f3s-gen\u00f4mica, come\u00e7ou-se a especular que os produtos naturais deixariam de exercer o interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica, devido ao fato de o setor passar a contar com novas t\u00e9cnicas para o desenvolvimento de drogas. Por\u00e9m, o vatic\u00ednio n\u00e3o se cumpriu e os produtos naturais continuam despontando como fontes de ideias em fun\u00e7\u00e3o de fornecerem modelos in\u00e9ditos de estruturas qu\u00edmicas para o desenvolvimento de novas subst\u00e2ncias bioativas.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria das novas entidades moleculares existentes hoje \u00e9 derivada ou inspirada completamente em produtos naturais. Os ambientes terrestre e marinho continuam sendo fontes inesgot\u00e1veis de estruturas qu\u00edmicas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Para referendar essa constata\u00e7\u00e3o, de acordo com um recente levantamento internacional, dos 847 f\u00e1rmacos de baixo peso molecular (micromol\u00e9culas) lan\u00e7ados no mercado entre 1981 e 2006, 43 eram produtos naturais, 232 produzidos por hemiss\u00edntese (parte de sua estrutura \u00e9 derivada da natureza e a outra parte desenvolvida em laborat\u00f3rio) a partir de produtos naturais e 572 obtidos por s\u00edntese total, dos quais 262 eram inspirados em produtos naturais ou poderiam ser considerados an\u00e1logos de produtos naturais.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 a nitisinona &#8211; um composto ativo descoberto por farmac\u00eauticos su\u00ed\u00e7os da planta Callistemon citrinus L. Myrtaceae, que est\u00e1 sendo usado para o tratamento de um raro dist\u00farbio metab\u00f3lico chamado tirosinemia heredit\u00e1ria tipo 1.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado no mercado em 2002 sob a marca Orfadin, o medicamento tamb\u00e9m \u00e9 bastante exemplar de como o Brasil perde oportunidade de explorar sua rica biodiversidade para o desenvolvimento de novos produtos farmac\u00eauticos, cosm\u00e9ticos e agroqu\u00edmicos, apontou Bolzani.<\/p>\n<p>&#8220;Com a quantidade de mirt\u00e1ceas que n\u00f3s temos na nossa biodiversidade seria poss\u00edvel o Brasil desenvolver muitos medicamentos como esse. N\u00f3s ter\u00edamos uma riqueza enorme se tiv\u00e9ssemos no pa\u00eds um ambiente favor\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 pesquisa b\u00e1sica, como para o desenvolvimento e melhores marcos regulat\u00f3rios&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Obst<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>culos &#8211;<\/strong> A opini\u00e3o da pesquisadora foi compartilhada pelo professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do programa Biota-Fapesp, Carlos Alfredo Joly.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 o maior obst\u00e1culo hoje para o aproveitamento econ\u00f4mico dos estudos e o desenvolvimento no pa\u00eds da qu\u00edmica de produtos naturais.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar da nossa riqueza em biodiversidade, o Brasil produz pouqu\u00edssimos novos f\u00e1rmacos. Uma parte desse problema \u00e9 estrutural e a outra da legisla\u00e7\u00e3o que regulamenta o acesso aos recursos gen\u00e9ticos no Pa\u00eds, que \u00e9 uma medida provis\u00f3ria que est\u00e1 em vigor h\u00e1 11 anos e tem uma s\u00e9rie de exig\u00eancias que tornam um mart\u00edrio o processo de obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7a e de todas as autoriza\u00e7\u00f5es para se trabalhar na identifica\u00e7\u00e3o de novas mol\u00e9culas&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, esse entrave ao desenvolvimento da \u00e1rea de qu\u00edmica de produtos naturais representado pela legisla\u00e7\u00e3o foi uma das raz\u00f5es pelas quais aceitou o convite para assumir no in\u00edcio deste ano a diretoria do Departamento de Pol\u00edticas e Programas Tem\u00e1ticos (DPPT) da Secretaria de Pol\u00edticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n<p>Desde que assumiu o cargo, o pesquisador diz que est\u00e1 empenhado na elabora\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o que regulamente o acesso aos recursos gen\u00e9ticos no Brasil que j\u00e1 incorpore as resolu\u00e7\u00f5es do Protocolo de Nagoya. Aprovado durante a 10\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP-10) da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica, realizada em outubro de 2010, no Jap\u00e3o, o protocolo estabelece a reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios dos recursos gen\u00e9ticos provenientes da biodiversidade dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>&#8220;A conven\u00e7\u00e3o era muito t\u00eanue e o protocolo \u00e9 muito mais incisivo no aspecto de dar prote\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses detentores de biodiversidade. Com uma nova legisla\u00e7\u00e3o brasileira sobre o acesso aos recursos gen\u00e9ticos baseada no Protocolo de Nagoya, se espera dar condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o no Brasil de pesquisas que resultem na amplia\u00e7\u00e3o da possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o da nossa biodiversidade&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p>Segundo Joly, a transforma\u00e7\u00e3o de recursos da biodiversidade em valor tamb\u00e9m \u00e9 um dos objetivos do programa Biota-Fapesp, que desde que foi iniciado, em 1999, vem inventariando sistematicamente a biodiversidade do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Para aumentar a possibilidade de se conseguir transformar o potencial econ\u00f4mico de recursos da biodiversidade paulista em algo concreto, o programa ampliar\u00e1 a \u00e1rea de bioprospec\u00e7\u00e3o, principalmente da biodiversidade marinha.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o estamos mais s\u00f3 olhando no Biota-Fapesp a parte de bioprospec\u00e7\u00e3o de plantas e vertebrados terrestres, mas tamb\u00e9m estudando, principalmente, algas e invertebrados marinhos. Essa \u00e9 uma \u00e1rea nova extremamente promissora que se tem trabalhado com sucesso no mundo inteiro e que n\u00f3s precisamos ampliar&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Pr<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>ximo evento &#8211;<\/strong> O pr\u00f3ximo Ciclo de Confer\u00eancias do Ano Internacional da Qu\u00edmica 2011, com o tema &#8220;A qu\u00edmica doce, amarga e perfumada&#8221;, ser\u00e1 realizado no dia 3 de agosto, a partir das 13h30, no audit\u00f3rio da Fapesp.<\/p>\n<p>Promovido pela Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica (SBQ) em parceria com a revista Pesquisa Fapesp, o evento integra as comemora\u00e7\u00f5es oficiais do Ano Internacional da Qu\u00edmica, institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) e a Uni\u00e3o Internacional de Qu\u00edmica Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>O ciclo \u00e9 coordenado por Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Qu\u00edmica de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do comit\u00ea nacional de atividades do AIQ-2011 da SBQ, e por Mariluce Moura, diretora de reda\u00e7\u00e3o da revista Pesquisa Fapesp.<\/p>\n<p><em>Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/eventos\/aiq\">www.fapesp.br\/eventos\/aiq<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Fapesp<\/em><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vers\u00e3o sint\u00e9tica do princ\u00edpio ativo do molusco marinho \u00e9 um exemplo de como a biodiversidade continua sendo uma fonte inesgot\u00e1vel de arquiteturas moleculares para o desenvolvimento de novas drogas e produtos. 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