{"id":7278,"date":"2011-07-27T09:25:27","date_gmt":"2011-07-27T12:25:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7278"},"modified":"2011-07-27T12:00:55","modified_gmt":"2011-07-27T15:00:55","slug":"em-ms-pantanal-sul-sofre-efeitos-da-maior-cheia-dos-ultimos-20-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7278","title":{"rendered":"Em MS, Pantanal sul sofre efeitos  da maior cheia dos \u00faltimos 20 anos"},"content":{"rendered":"<h2>Resid\u00eancias e com\u00e9rcios j\u00e1 est\u00e3o com \u00e1gua na porta em ilha fluvial.<br \/>\nN\u00edvel do Rio Paraguai chegou a 6,82 metros, segundo a Marinha.<\/h2>\n<p><span>A regi\u00e3o sul do Pantanal est\u00e1 sofrendo tardiamente os efeitos da maior cheia dos \u00faltimos 20 anos ocorrida em tr\u00eas sub-bacias pantaneiras localizadas ao norte, em territ\u00f3rio sul-mato-grossense. Em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, o n\u00edvel do Rio Paraguai chegou a 6,82 metros no dia 25 de julho, de acordo com a r\u00e9gua da Ag\u00eancia Fluvial da Marinha. O marcador pode chegar mais pr\u00f3ximo dos 7 metros at\u00e9 o fim de julho.<\/span><\/p>\n<p>Na ilha fluvial Margarita, que fica em frente \u00e0 sede do munic\u00edpio brasileiro e pertence ao Paraguai, a popula\u00e7\u00e3o enfrenta problemas com o elevado n\u00edvel do rio. Resid\u00eancias e com\u00e9rcios est\u00e3o com \u00e1gua na porta, e alguns atracadouros ficaram submersos. O gerente de uma loja, o brasiguaio M\u00e1rcio Riquelme, disse que h\u00e1 15 anos n\u00e3o via uma cheia t\u00e3o grande como a atual. &#8220;Tem um vizinho que a loja est\u00e1 com um metro e meio de \u00e1gua. Na minha loja ainda n\u00e3o chegou, mas o movimento de clientes caiu bastante&#8221;, relata.<\/p>\n<p><span>Na zona rural, pecuaristas tentam evitar preju\u00edzos recolhendo o rebanho at\u00e9 as partes mais altas nas fazendas. J\u00e1 na \u00e1rea urbana da cidade de 15 mil habitantes, um dique protege a cidade de alagamentos e suporta cheias de at\u00e9 10 metros.<\/span><\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o do Rio Paraguai em Porto Murtinho j\u00e1 era prevista pelos pesquisadores da Embrapa Pantanal, que fazem compara\u00e7\u00f5es entre a r\u00e9gua daquela cidade e a de Lad\u00e1rio, situada a cerca de 500 quil\u00f4metros em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nascente. O 6\u00ba Distrito Naval da Marinha em Lad\u00e1rio mant\u00e9m desde 1900 uma r\u00e9gua de medi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em julho deste ano, a r\u00e9gua de Lad\u00e1rio marcou 6 metros, \u00edndice considerado acima da m\u00e9dia. Na \u00faltima d\u00e9cada, o n\u00edvel m\u00e1ximo atingiu 5,40 metros, em junho de 2006. J\u00e1 o m\u00ednimo registrado pelo instrumento foi de 0,88 metro em novembro de 2005.<\/p>\n<p>De acordo com a Embrapa, o volume maior de \u00e1gua &#8211; em parte ocasionado pelas chuvas de fevereiro e mar\u00e7o nas sub-bacias do Aquidauana, Rio Negro e Miranda &#8211; foi o que provocou a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do Rio Paraguai ao sul do Pantanal. Como o relevo pantaneiro \u00e9 de baixa declividade (n\u00e3o mais de 1 metro por quil\u00f4metro em sentido leste-oeste e at\u00e9 5 cent\u00edmetros no norte-sul), as \u00e1guas podem levar meses at\u00e9 escoar para o rio.<\/p>\n<figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/07\/26\/img_00910.jpg\" alt=\"Rio Paraguai em Porto Murtinho est\u00e1 em 6,82 metros (Foto: Toninho Ruiz)\" width=\"300\" height=\"230\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Movimento nas lojas da ilha paraguaia caiu,diz comerciante brasiguaio (Foto: Toninho Ruiz\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Chuvas acima da m\u00e9dia<\/strong><br \/>\nEm mar\u00e7o deste ano, as popula\u00e7\u00f5es das cidades ribeirinhas de Aquidauana e Anast\u00e1cio, situadas no pantanal sul-mato-grossense, viveram os efeitos da chuva intensa na regi\u00e3o. A precipita\u00e7\u00e3o provocou a cheia do Rio Aquidauana, que divide as duas cidades onde vivem 70 mil pessoas. As \u00e1guas chegaram a nove metros de altura e transbordaram do leito. Como consequ\u00eancia, mais de 850 pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas, al\u00e9m de danos a im\u00f3veis, estradas, pontes e preju\u00edzos na zona rural.<\/p>\n<p>O tentene Landis, do Corpo de Bombeiros em Aquidauana, trabalhou no mutir\u00e3o de resgate das fam\u00edlias que viviam \u00e0s margens do rio. Ele conta que algumas pessoas n\u00e3o queriam abandonar seus im\u00f3veis. &#8220;Teve um rapaz que nos procurou dizendo que o pai dele, um idoso, n\u00e3o queria sair da casa. O senhor ergueu todos os m\u00f3veis na altura do teto. Foi dif\u00edcil, mas convencemos o idoso a sair&#8221;, diz Landis.<\/p>\n<p>A enchente sem precedentes na hist\u00f3ria recente das duas cidades mobilizou mais de 200 pessoas para a\u00e7\u00f5es de resgate e aux\u00edlio, entre membros do Corpo de Bombeiros, Ex\u00e9rcito e prefeituras. Ap\u00f3s serem removidas dos locais de risco, as fam\u00edlias foram transferidas para abrigos improvisados em escolas, gin\u00e1sios e igrejas. Apesar da calamidade, n\u00e3o houve registros de afogamento ou morte no per\u00edodo, segundo Landis.<\/p>\n<p>As cidades de Aquidauana e Anast\u00e1cio margeiam o rio que \u00e9 um dos afluentes do Pantanal. Toda a regi\u00e3o pantaneira \u00e9 caracterizada por ciclos prolongados de cheia e seca, alternadamente. Segundo meteorologistas, o fim da esta\u00e7\u00e3o de ver\u00e3o tamb\u00e9m marca a proximidade do t\u00e9rmino do per\u00edodo chuvoso, que dura de outubro a mar\u00e7o.<\/p>\n<figure style=\"width: 304px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/304x0\/2011\/07\/26\/1__________________.jpg\" alt=\"Atua\u00e7\u00e3o da Zona de Converg\u00eancia do Atl\u00e2ntico Sul em 4 de mar\u00e7o de 2011 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Cemtec)\" width=\"304\" height=\"278\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Imagem de sat\u00e9lite mostra Zona de Converg\u00eancia do Atl\u00e2ntico Sul em mar\u00e7o (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Cemtec)<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo, do Clima e dos Recursos H\u00eddricos (Cemtec-MS), a m\u00e9dia hist\u00f3rica de precipita\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Aquidauana e Anast\u00e1cio \u00e9 de 125 mil\u00edmetros em mar\u00e7o. Mas neste ano, apenas nos primeiros 13 dias de mar\u00e7o, choveu 216,6 mil\u00edmetros, ou 173% do esperado para o m\u00eas inteiro. A meteorologista C\u00e1tia Braga aponta as causas da concentra\u00e7\u00e3o severa de chuva: &#8220;O que provocou o fen\u00f4meno foi a Zona de Converg\u00eancia do Atl\u00e2ntico Sul, que fica bem caracterizada nos meses de ver\u00e3o e altera o regime de chuvas nas regi\u00f5es por onde passa&#8221;, diz.<\/p>\n<p>As \u00e1guas pluviais tamb\u00e9m deixaram estragos na zona rural, onde a pecu\u00e1ria constitui uma importante fonte geradora de riquezas. O presidente do Sindicato Rural de Aquidauana, Tim\u00f3teo Proen\u00e7a, estima preju\u00edzo de at\u00e9 20% do rebanho dos produtores da regi\u00e3o por causa da enchente. &#8220;Sempre fazemos o manejo do gado para as partes mais altas, mas este ano foi uma cheia diferente, at\u00edpica&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Embora o pantanal seja regulado pela altern\u00e2ncia de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos intensos, seus efeitos s\u00e3o extremamente ben\u00e9ficos para o bioma, de acordo com o doutor em recursos h\u00eddricos da Universidade Cat\u00f3lica Dom Bosco, Felipe Dias. &#8220;\u00c9 a cheia que mant\u00e9m o equil\u00edbrio e a diversidade da vida no pantanal&#8221;, afirma. Condi\u00e7\u00e3o que se confirma pelos pecuaristas. &#8220;Depois da cheia fica \u00f3timo, o pasto se renova e as \u00e1guas eliminam naturalmente as pragas&#8221;, diz Tim\u00f3teo Proen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;O produtor tradicional sabe que em determinadas \u00e9pocas pode ou n\u00e3o manejar o gado. Por isso consegue trabalhar de forma harm\u00f4nica com a natureza. Quem pensar que pode adotar as mesmas pr\u00e1ticas que no planalto, ir\u00e1 falhar&#8221;, explica Dias.<\/p>\n<figure style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"  \" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/07\/26\/img_00950.jpg\" alt=\"Rio Paraguai em Porto Murtinho est\u00e1 em 6,82 metros (Foto: Toninho Ruiz)\" width=\"260\" height=\"170\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Com\u00e9rcios e resid\u00eancias em Isla Margarita, na divisa com o Paraguai, est\u00e3o com \u00e1gua na porta (Foto: Toninho Ruiz\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Fonte: H\u00e9lder Rafael, Do G1, MS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resid\u00eancias e com\u00e9rcios j\u00e1 est\u00e3o com \u00e1gua na porta em ilha fluvial. N\u00edvel do Rio Paraguai chegou a 6,82 metros, segundo a Marinha. 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